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O que você precisa saber sobre Mindset Exponencial

Quando pensamos no crescimento de uma empresa, imaginamos uma linha reta. Ela pode não ir muito alto, mas cresce constantemente. Mas já imaginou se essa linha fosse curva, com diversos picos, um mais alto do que o outro? É assim que funciona o mindset exponencial. Já ouviu falar? Dá uma lida abaixo e saiba como ele pode transformar o crescimento da sua empresa!

Para definir o que é mindset exponencial, precisamos entender primeiro seu oposto: o mindset incremental. Esse é um pensamento tradicional, que procura fazer melhorias nos produtos e serviços oferecidos por uma empresa. Essas melhorias, em geral, pequenas e simples, teriam resultados imediatos.

O mindset exponencial vai além. Ele estimula uma visão global ambiciosa para a empresa. Não são apenas algumas melhoras pontuais, que fazem a empresa crescer aos poucos, mas sim mudanças mais gerais que façam a empresa dar saltos de crescimento impressionantes.

Em época de transformação digital, o mindset exponencial é muito importante. Isso porque a transformação digital acontece de forma lenta e, muitas vezes, não atinge o resultado desejado logo de cara. Mas o mindset exponencial estimula a resiliência, lembrando que os resultados devem ser maiores e mais impactantes do que pequenas melhorias imediatas.

Esse direcionamento ajuda empresas a crescerem no mercado, não importando quais sejam as barreiras que ele apresenta. E ainda valorizam mais a missão e os valores de uma empresa no lugar de apenas números e métricas de vaidade.

Nas diversas fases de um negócio – concepção, crescimento inicial e escala –, o mindset exponencial funciona de maneiras diferentes. Confira a seguir como ele age e como pode ajudar sua empresa em todos os momentos:

Concepção

Na concepção, o mindset incremental vai estimulá-lo a pensar em cada plano, como um passo a passo, e a tentar prever sempre o que vai acontecer a seguir. O mindset exponencial, no entanto, ensina que não existe um plano ideal.

Tentar enxergar além da curva pode causar frustração e levar os empreendedores (ou intraempreendedores) a darem passos maiores do que as pernas, antes de uma validação consistente de cada passo. Em vez de fazer isso, é preciso abraçar os incidentes e pensar além. Não foque na próxima resolução de problemas, mas sim no quadro geral. E tenha paciência: todo negócio começa do zero, de um jeito ou de outro.

Growth

Na fase de crescimento inicial, a diferença entre uma mentalidade incremental e exponencial fica mais clara. Isso porque a incremental estimula um crescimento linear, mas que não vai muito longe, não chega ao melhor resultado que poderia ter.

Com o mindset exponencial, o crescimento pode demorar mais a acontecer. Porém, quando isso acontece, os resultados tendem a ser maiores, mais satisfatórios e mais importantes para sua empresa como um todo.

Por causa dessa diferença de progressão, é preciso pensar no comercial, na organização e no planejamento financeiro de maneira diferente quando se trabalha com o mindset exponencial. Assim, em vez de tentar acelerar processos e acabar reduzindo as possibilidades para sua empresa, você tem uma visão que pode ser mais demorada, mas é mais ambiciosa e eficiente.

Escala

Esse é o momento em que sua empresa já deu um passo – ou um salto – a frente. É nessa hora em que o mindset incremental quer controlar todos os resultados, avaliar um por um e colocá-los em caixas bem organizadas. O mindset exponencial, no entanto, pensa fora da caixa.

Baseado em dados, avaliações, validações e novas ideias, essa mentalidade exponencial não se contenta com resultados controlados e constantes. A ideia é que, depois da curva de crescimento, você busque mais uma curva, tão grande quanto a primeira ou maior.

No fim das contas, o mindset exponencial é uma maneira de permitir que sua empresa cresça sem ter medo de falhar. As falhas são vistas como parte do processo e, mais do que isso, como uma alavanca do ciclo construir-medir-aprender para conseguir resultados e curvas ainda maiores no futuro.

Fabiele Nunes é CEO e co-fundadora da Startup Mundi, empresa especializada em experiências gamificadas que aceleram o aprendizado de competências de empreendedorismo e inovação

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A Hidra e a Fênix: qual é o seu modelo de empresa na adversidade?

As mitologias têm muito a nos ensinar. Nelas habitam conhecimentos antigos sobre vários aspectos da vida humana, inclusive sobre a gestão. Hoje, valendo-me de duas figuras mitológicas, gostaria de pensar modelos de organizações, principalmente em períodos de dificuldades e ressignificação.

Tal analogia não é minha, mas foi utilizada por Nassin Taleb como um arquétipo do que seria a gestão da fragilidade nas organizações. O que farei aqui é, pensando com Taleb, buscar ampliar e customizar para o nosso contexto tal realidade.

Entretanto, antes de customizar é preciso explicar essas duas figuras mitológicas. Comecemos pela Hidra. A também conhecida como Hidra de Lerna é um animal da mitologia Grega que além de apresentar uma estatura incrível e um aspecto aterrador seria constituída de sete, ou nove cabeças, dependendo da versão do relato. Tal mostro teria como propriedade o fato de que, ao ser decepada em uma de suas cabeças, no lugar, duas novas surgiriam. Desta forma, cada golpe deferido contra uma das cabeças da Hidra ao invés de enfraquecê-la a faria mais forte. Por sua vez, a Fênix, animal mitológico mais popular, é um pássaro que, quando pressentindo a morte, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, ressurgia das próprias cinzas.

Pensando na gestão e no modelo das empresas se poderia perguntar: qual a diferença estratégica entre uma organização Hidra e uma Fênix? A organização Fênix é aquela que atravessa a dificuldade, a supera, as vezes tendo que fazer vários cortes e, como se diz por aí “apertar o cinto”, mas que depois de um período de penúria acaba voltando a condição anterior de estabilidade. Ela é aquela organização que fica sonhando com os dias felizes de outrora ou projeta para um momento “utópico” no tempo essa esperança. Qual o problema disso? A rigor, nenhum. Contudo, o modelo no qual estas organizações se apoiam é frágil. É o modelo da Fênix que, muito embora gloriosamente tenha ressurgido das cinzas, volta a ser aquilo que já fora, isto é, restaura o seu status quo.

Por sua vez, a Hidra é aquela organização que diante das adversidades e dos açoites dos contextos inóspitos não só se recupera, como a Fênix, mas, elemina as suas fragilidades, tornando-se antifrágil, aumentando o seu poder de atuação, afinal, as suas cabeças dobram.

Porém, um ponto de atenção aqui. Tanto a Fênix, quanto a Hidra não se tornam maiores o que muda é a potência. Traduzindo isso na linguagem da gestão dos nossos dias se poderia dizer: A Hidra ao se confrontar com a realidade adversa agrega mais valor à sua organização, a Fênix busca se restaurar para sobreviver e perpetuar o status quo.

Pensando nisso se poderia pensar: Qual é o modelo mitológico mais adequado? A resposta é: Depende. E vou ponderar agora para demonstrar isso. Se estamos tratando de uma organização dominante em um nicho de mercado que possui o monopólio absoluto dele e tem reservas de verdade que isso não mudará por um bom tempo, o que raramente acontece, o modelo da Fênix pode servir.

Entretanto, se estamos falando de um mercado volátil, imprevisível, acelerado, que é o que, em geral, nos deparamos como organizações, o modelo da Hidra parece ser mais adaptável. Mas atenção, aqui vem um elemento sabotador importante de ser dito. As vezes, no discurso, queremos ser Hidras e na prática nem Fênix conseguimos ser, pois muitas empresas não conseguem ressurgir das próprias cinzas.

Frente a isso, algumas sugestões são pertinentes. 1ª Conheça o seu modelo de negócio e se a sua cultura organizacional é de adaptabilidade ou possui um Mindset Fixo; 2ª Identifique as suas fragilidades e pontos de contato com a realidade externa a você. Muitas podem ser as adversidades que assolam tanto a nossa Hidra quanto a nossa Fênix. 3ª Conheça para onde a sua instituição olha quando pensa nos dias felizes e tranquilos.

Pense nisso.

Gillianno Mazzetto é filósofo e co-founder da Eipsi 

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Há vagas (milhares de vagas em TI)

Na paralela dos números chocantes de vítimas da pandemia de Covid-19 no Brasil, ainda convivemos com a crescente taxa de desemprego, o que aumenta, dia-a-dia, os fatores de estresse em toda sociedade.

Alguns poucos setores, porém, mostram-se oásis e oferecem vagas. A Tecnologia de Informação (TI) é um deles com, na verdade, milhares de vagas. Estudo realizado pela Brasscom – Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação – aponta déficit de mais de 250 mil vagas em TI no País nos próximos anos.

Aqui da perspectiva de minha janela, posso garantir que tais postos de trabalho realmente existem e isso não é de hoje. Os reflexos da pandemia na aceleração da digitalização das empresas apenas fizeram com que crescesse ainda mais a demanda do que a quantidade de profissionais formados para atendê-la. Somente na everis, em um ano de minha gestão, quase que dobramos o número de colaboradores e continuamos com mais de 500 vagas não preenchidas.

Dado esse verdadeiro apagão, hoje a empresa, assim como outras do setor, investe diretamente na formação de profissionais que possam atender as demandas emergentes em todo o mundo. Pasme: atualmente pagamos para que pessoas de todas as idades e origens estudem e se formem. Disso depende a manutenção de nossos negócios.

É curioso e bastante incômodo constatar que tal déficit nessa cadeia seja histórico no Brasil. Há 10 anos [ sim, dez anos! ], uma reportagem do Jornal da Globo apontou para a já escassez e demanda crescente naquele momento*.

Na semana passada, estive com dois outros CEOs de empresas globais de serviços de TI, em uma LIVE promovida por uma plataforma de formação de TI. Falamos para um público de centenas de jovens sobre as oportunidades reais que existem hoje nessa área. Cada um de nós, falou da própria carreira e de como chegamos a onde estamos hoje, graças a crescente demanda de tecnologia no país e no mundo. 

Sim, atualmente trabalhamos juntos, até os concorrentes, para formar pessoas para nosso mercado. Aqui na everis, recentemente, abrimos 15 mil bolsas de estudo para pessoas plurais. Como tenho comentado em textos recentes, a tecnologia é também um mercado capaz de acolher a diversidade. Precisamos de diferentes habilidades e vivências para promover a melhor experiência tecnológica para o consumidor. Isso se faz com um time plural.

Destaco aqui a atuação de algumas edutechs e ONGs, focadas na formação de profissionais em TI, como a Generation, Digital Innovation One, Meu Futuro Digital, EducAfro, AutismoTech, PrograMaria, Driven… Cada uma delas forma pessoas diversas para esse mercado de trabalho sedento por boa mão de obra. Me emociono lembrar que em uma dessas conversas que mantenho, conheci uma ex-moradora de rua que hoje é programadora. A tecnologia é hoje responsável por 6% do PIB brasileiro e transforma vidas.

É possível lamentar que pouco foi feito para que uma geração de profissionais fosse formada nesse período, a fim de atender tal demanda que já emergia. Mas escolho convocar lideranças públicas e privadas para que possamos rapidamente reverter o fluxo de falta de mão de obra, que pode levar a um apagão do setor no Brasil.

Isso porque, com altos impostos para importação de serviços de mão de obra estrangeira, o País “protege” o mercado de trabalho interno, mas não fomenta a formação de brasileiros que possam ocupá-las. Enquanto isso, continuamos com a chamada “exportação de cérebros” do nosso país, agora tendo nossos profissionais contratados em dólar para prestar serviços desde sua casa às empresas na Europa e Estados Unidos. Num primeiro momento isso até pode parecer bom, mas na realidade vivemos a incongruência de ter a cabeça no forno e os pés na geladeira, como diria Delfim Neto.

Formar profissionais é mais complexo que ensinar técnicas. É também formar líderes, forjar pessoas que possam realmente vislumbrar carreiras longevas. Que tenham habilidades sócio emocionais como base, para que façam suas próprias escolhas. Digo isso porque o ciclo virtuoso da tecnologia e a crescente oferta de trabalho para quem já está no setor podem fazer com que um jovem promissor “morra na praia”, ao assumir cargos ainda inadequados para seu estágio de carreira, por conta da inevitável ânsia por ganhar mais rapidamente. Um salário fora do tom hoje, pode pôr em perigo o futuro do jovem profissional.

Como gosto de dizer, não há bom salário que pague um mal chefe. E chamo de mal chefe aquele ou aquela organização que vai jogar um aprendiz em uma circunstância para a qual ele ainda possa não estar preparado, levando a erros desnecessários que podem ecoar de forma incômoda em toda uma vida profissional.

Sim, há vagas. Há milhares delas. Precisamos nos organizar como sociedade, integrando iniciativas privadas e públicas a fim de garantir emprego agora e no futuro para milhares de pessoas. Disso depende também o posicionamento futuro do nosso país! Profissionais para TI precisam de habilidades de raciocínio lógico. É mais matemática que metafísica e isso se desenvolve com trabalho.

Há vagas. Quem quer ajudar a preparar as pessoas para ocupá-las?

Ricardo Neves é CEO da everis Brasil, consultoria multinacional de negócios e TI do Grupo NTT Data

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A era pós-pandêmica do mercado financeiro brasileiro

Na manhã de ontem, o mercado financeiro brasileiro foi surpreendido com a notícia de que a Berkshire Hathaway, gestora de Warren Buffett, é a mais nova acionista do Nubank.

Segundo o Wall Street Journal, a gestora comprou US$ 500 milhões em ações do banco digital brasileiro, o maior investimento individual já recebido pela empresa. Com quase 40 milhões de clientes, o Nubank já se consagra como um dos maiores bancos digitais independentes do mundo.

Ainda no universo das empresas brasileira com reputação internacional e cifras impressionantes, a Hashdex vem ganhando cada vez mais destaque (e cotistas). No último mês, a gestora brasileira de criptoativos estreou seu fundo negociado em bolsa (ETF), o Hashdex Nasdaq Crypto Fundo de Índice (ticker: HASH11), na B3.

Com o lançamento do HASH11, o Brasil se junta a um seleto grupo de jurisdições que possuem produtos de criptoativos listados em bolsa. Países como Suíça, Suécia e Alemanha possuem outros tipos de produtos que, apesar de não serem ETFs estritamente, são listados em bolsa e fornecem exposição a criptoativos. Segundo o CEO da Hashdex, Marcelo Sampaio, antes do Brasil somente o Canadá havia liberado a listagem de ETFs de bitcoin.

O fundo HASH11 já conta com 61,5 mil cotistas, em comparação aos cem mil cotistas da gestora, responsável por R$ 3 bilhões de patrimônio.

“Os números são um indicativo de que os investidores brasileiros buscavam ter mais essa forma de acessar os criptoativos. Em pouco tempo, o HASH11 apresentou para o mercado uma solução segura e simplificada que deve crescer ainda mais nos próximos meses”, explica Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex.

Mas vamos voltar alguns passos. Quanto você sabe sobre o mercado de criptoativos? Em entrevista ao Tech Talks, podcast da Singularity U Brazil (braço da HSM), Sampaio explicou um pouco mais sobre esse universo. E nós trazemos os highlights abaixo.

A origem do bitcoin: Satoshi Nakamoto
Diferentemente do Banksy que, pelo menos, acham que sabem quem é, ninguém é conclusivo sobre a identidade Satoshi Nakamoto – que pode ser uma pessoa, um grupo de pessoas ou um mero pseudônimo que ninguém consegue desvendar. Mas é dele a autoria do paper de nove páginas que transformou a recente história da humanidade. Marcelo Sampaio acredita que ele fez muito bem em não se revelar porque teria tido muitos problemas com inúmeros governos.

“O que ele fez, basicamente, foi inventar um dinheiro que seria desnacionalizado e descentralizado. Um dinheiro que não ficasse à critério de bancos centrais e governos, como uma resposta à crise de 2008, ao abuso dos bancos centrais e toda a ganância do mercado financeiro. O objetivo dele era criar uma maneira para que isso não fosse mais possível e o dinheiro não ficasse mais exclusivamente na mão dessa turma. Acredito que ele não imaginava que tivesse criado algo muito maior”, afirma Sampaio.

O CEO da Hashdex gosta de traçar um comparativo entre blockchain e cripto com o advento da internet. De acordo com o empresário, da mesma maneira que a rede surgiu da simples ideia de se transacionar mensagens, a ideia igualmente simples de se criar um dinheiro acabou criando uma estrutura muito maior, que resolve problemas que vão além das finanças.

Como se dá uma transação de criptoativos?
Segundo Sampaio, isso ainda é muito complicado. “Vocês vão me ver comparar muito a ideia de blockchain com a internet por um bom motivo: são ideias muito parecidas. Além da semelhança, são as duas últimas grandes disrupções da humanidade. Para aqueles que estão na faixa dos 30 anos ou mais, há a lembrança de que o começo da internet foi sofrível e essa complexidade inicial se aplica ao universo cripto”, adverte.

Inicialmente você realiza o download de uma carteira que pode ser atrelada a um serviço ou não (ela pode ser apenas um software). Assumindo que você tenha algum saldo em bitcoin, há ali uma string que é literalmente um código de 40 caracteres. Juntando essa carteira e esse código, você pode pode fazer uma transação, podendo mandar uma fração do seu saldo ou seu saldo completo para uma outra carteira – que, no caso, seria uma outra pessoa.

Marcelo Sampaio assume que fazer isso “na mão” é chato, mas que já começou a melhorar muito com empresas como a Coinbase. Ainda que esse processo permaneça estranho e relativamente complicado, o executivo acredita que o uso do cripto como dinheiro está em evolução para algo mais simples.

Quando se trata de cripto ativos, não espere por atores que exerçam o papel de gerente de banco ou SAC.
Isso não existe nesse mercado e é aí que tá o negócio“, declara Sampaio sem rodeios. Ele explica que não se deve buscar semelhanças com um banco, mas com uma carteira de dinheiro. Se você der dinheiro à pessoa errada ou colocar no bolso e cair no chão, essa quantia foi perdida.

“Nesse mundo, sua carteira digital é muito mais parecida com um cofre. Uma carteira pode ser acessada sem dificuldade, no cripto se você perder a chave do seu ‘cofre’, ele pode nunca mais abrir”, complementa.

E Sampaio adverte que, da mesma maneira que você busca uma corretora ou um banco para investir em um fundo, o ideal é procurar por empresas focadas em gerir aplicações de criptoativos. De acordo com ele, o mundo de investimentos ainda é um mistério pra muita gente mas ,na última década, isso tem evoluído muito no Brasil. “O brasileiro, de maneira geral, adotou nos últimos anos a ideia da importância de poupar e investir. E isso se expressa pelo crescimento expressivo de corretoras como a XP. Criamos produtos de investimento que são muito parecidos senão iguais aos produtos que os investidores já estão habituados. Hoje, se você quiser investir em alguns dos nossos fundos, isso está a um clique. Outra coisa que fazemos é explicar ao cliente final sobre o universo-cripto em entrevistas como essa e em qualquer oportunidade de disseminar a pauta. A educação desmistifica muito as coisas e cria o interesse para que, ao longo do tempo, os investidores estejam seguros sobre o assunto“, afirma.

Bitcoin, Ethereum e suas aplicabilidades.
Pensamos muito em cripto enquanto dinheiro. Mas esse é apenas um dos usos de cripto, e não é sequer o maior deles. Do ponto de vista de tamanho de mercado, bitcoin sem dúvida é o mais consagrado criptoativo. Mas cripto enquanto estrutura é muito maior. Se pegarmos o Ethereum, que é o segundo maior criptoativo, ele não tem absolutamente nada a ver com bitcoin. Não são coisas minimamente parecidas.

“Se tivesse que fazer uma comparação, o bitcoin está mais para um ouro digital e o etherium está mais para uma linguagem de programação. Podemos pensar no C++ para programa de computador e Ethereum para programa de blockchain”, explica Sampaio.

A blockchain tem associada a ela frações de um ativo que acaba sendo o pagamento de quem torna essa rede possível. Segundo Sampaio, a remuneração desse pessoal que torna a rede viável é também uma espécie de ingresso. Aqueles que se interessam pelo uso dessa tecnologia têm que comprar de quem já possui acesso. E aí você cria um mercado secundário, baseado em demanda. Por isso que esse ativo acaba tendo um papel que transcende a ideia de dinheiro.

“Seria como ter que adquirir o ticket da quermesse para poder jogar a bola na boca do palhaço. O cara que está ali ajeitando o palhaço e te dando a bolinha, também está sendo pago. Então, um mercado secundário baseado na demanda é criado. Se muita gente quiser jogar a bolinha na boca do palhaço, acabará tendo escassez de tickets e o valor vai aumentar”, complementa.

A utilização de cripto está começando a querer chegar no cidadão comum. Hoje, ela ainda é relativamente sofisticada. Há diversos casos de uso, mas muito voltados para finanças descentralizadas e blockchain de infraestrutura de internet. Um uso que está capturando o imaginário da maioria das pessoas é o próprio bitcoin como reserva de valor.

Não se fala de criptoativo sem falar de reserva de valor.
Todo mundo tem algum nível de reserva de valor. Para a maioria, a maneira mais mais óbvia é a poupança. Um outra amplamente difundida é a aquisição imobiliária, você compra uma casa pela sua utilidade mas também pelo valor – se algo der errado, basta vender o imóvel.

Sete características definem o que é uma reserva de valor: divisibilidade, transferabilidade, escassez, fungibilidade, durabilidade, portabilidade e reconhecimento. No mundo dos investimentos, a reserva de valor mais comum é o ouro. E o bitcoin, que está virando o ouro digital.

Segundo Sampaio, se observarmos sob uma ótica técnica o criptoativo não é um pouco melhor que o ouro, mas ordens de magnitude melhor que o ouro!

“Se pegarmos o critério da divisibilidade, por exemplo, você pode pegar uma pepita de ouro e dividir pela metade, 1/4, 1/10, 1/1000, se chegar em um milionésimo estaremos falando em nano partículas de ouro. É mais fácil fazer isso com ouro ou dividir um código? Se focarmos na transferabilidade, é mais fácil mover barras de ouro do Fort Knox dos Estados Unidos e mandar para a Europa ou mandar um código pela internet?“, provoca o CEO da Hashdex.

Então, por que o ouro permanece? Porque ele tem 7 mil anos de história como reserva de valor. Mas há quem defenda que, em algum momento, o fundamento prevalecerá; e o melhor será mais utilizado.

Sampaio ressalta que, além de dinheiro, imóvel e ouro, há também muito uso da arte como reserva de valor. Atualmente, esse mercado gira em torno dos US$27 trilhões. “Muitas pessoas realmente expõem peças artísticas adquiridas, mas a maior parte é comprada para guardar valor. Os principais quadros do mundo estão em bancos, não em paredes. Esse é o Admirável Mundo Novo”, afirma.

Como saber se o criptoativo é um hype ou se veio para ficar?
Dando um zoom out, o bitcoin está em um caminho de estabilidade. Sua adoção só cresce e não há perda de usuários. Sampaio defende que, do ponto de vista do investimento, todo mundo deveria ter pelo menos um pouquinho. Mas ressalta que esse é um ambiente de possibilidades, muito mais que de certezas.

“Se você coloca 1% do que tem e perde 1%, é uma perda mais que aceitável e, inclusive, comum. Agora, se esse negócio multiplica por 100, 200, 500 nos próximos 10, 20 anos, aí faz muita diferença você não ter comprado. Meu ponto é que você tem o chamado potencial de retorno assimétrico. E consideramos uma oportunidade geracional. O cavalo alado não passa o tempo todo. Só vamos descobrir se foi realmente um cavalo alado lá na frente, mas ele tem se mostrado real para quem tem paciência e estômago para topar a volatilidade que se mostra tremenda”.

Bancos centrais, moedas digitais soberanas e economias nacionais.
As CBDC (Central Bank Digital Currency) são as moedas digitais dos bancos centrais. Elas são inspiradas no universo blockchain-cripto, apesar de puristas defenderem que, tecnicamente, não possam ser consideradas criptomoedas. Para Marcelo Sampaio há sim uso do cripto, mas enquanto forma, não conteúdo.

Na prática, o governo consegue através dessas wallets digitais controlar muito mais sua população. CBDC nada mais é que um dinheiro fiduciário digital. Se pensarmos na China, o país sempre foi ultra digitalizado e protecionista com seu dinheiro, colocando o mínimo de papel moeda na rua. Lá, até mesmo a esmola para um morador de rua se dá através do celular. É um país muito bem sucedido nesse sentido – mas internamente, e, quando falamos de um cripto Yuan, a lógica se inverte e esse dinheiro viaja.

A China já está em diversas guerras com os EUA e a principal delas é a reserva de valor. Hoje, o dólar é uma reserva de valor e a China quer que, nas próximas décadas, o renminbi vire reserva de valor.

“Com isso na agenda chinesa, basta aplicar a lógica utilizada internamente na política externa. Por exemplo, basta eles se direcionarem a uma empresa como a Vale e dizer: para vender minério para cá, não é mais em dólar, é tudo em renminbi; sai até mais barato que transacionar para dólar e depois na nossa moeda. Para a Vale seria ótimo. No entanto, se o governo chinês se visse em desacordo com algum valor ou alguma aliança política por aqui, poderia congelar esse renminbi em reserva. Isso é possível em cripto, em nota e dinheiro digital não”, exemplifica.

Outro exemplo dado por Sampaio é o condicionamento do recebimento de beneficio social à vacinação. “Aos poucos, os governos já começaram a entender que o cripto pode fornecer mais controle e essa pode ser a melhor chance do bitcoin virar uma moeda global. Isso porque a sociedade pode se recusar a utilizar moedas digitais de bancos centrais, como por exemplo um cripto real. E preferir fazer uso do bitcoin por ser algo sem dono, desnacionalizado. Hoje, ainda estamos na era do dólar, dos EUA. Amanhã, quem sabe?”.

A série de podcast da SingularityU Brazil está em sua 2ª temporada e você pode escutar todos os episódios neste link.

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Negócios de impacto e filantropia: uma relação com muito potencial

O texto abaixo completa uma tríade de conteúdos sobre inovação aberta e startups de impacto: falamos sobre a lente de novos negóciossustentabilidade e hoje, falaremos sobre filantropia.

Até agora simplifiquei a comunicação, falando em startups de impacto, mas para o conteúdo de hoje vale conceituarmos o termo “negócios de impacto”: eles “são empreendimentos que têm a intenção clara de endereçar um problema socioambiental por meio de sua atividade principal (seja seu produto/serviço e/ou sua forma de operação). Atuam de acordo com a lógica de mercado, com um modelo de negócio que busca retornos financeiros, e se comprometem a medir o impacto que geram” (Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, 2019). 

O ecossistema de negócios de impacto é também chamado de setor 2.5: uma referência à união entre características do segundo setor, de empresas privadas e marcado pelo foco em gerar lucro, e do terceiro setor, de organizações sem fins lucrativos com foco em gerar impacto socioambiental positivo.

Vou destacar três vertentes nas quais acredito que a relação entre recursos de filantropia e negócios de impacto tem muito potencial.

Negócios de impacto como ‘fim’

Venture philanthropy: filantropia para desenvolvimento de pipeline de investimento

Nestes tantos anos de Quintessa, já mapeamos e nos relacionamos com mais de 4 mil negócios de impacto. O que percebemos no dia a dia é refletido pelo número que o Mapa produzido pela Pipe Social traz: 73% dos negócios de impacto mapeados faturam menos que R$ 100 mil por ano ou ainda não faturam. 

Quando a Pipe realizou o Scoring de Impacto, um dos principais desafios identificados foi a “falta de oportunidade de investimento de alta qualidade com bons históricos (track record)”

Quando lançamos a nova edição do GUIA 2.5, produzido pelo Quintessa, na pergunta aberta que fizemos sobre qual tipo de auxílio externo gostariam de receber, diversas organizações (aceleradoras, incubadoras, etc.) responderam: trazer capital de filantropia para o setor para financiar as acelerações e captar mais recursos para atender mais empreendedores. Não à toa o título da matéria da Reset sobre o evento de lançamento do GUIA foi: “Ecossistema de impacto cresce no país — mas ainda precisa atrair a Faria Lima”.

Assim, se temos capital voltado para investimentos de impacto aguardando negócios maduros para ser alocado e temos negócios iniciais precisando de suporte para amadurecerem, qual tipo de capital pode destravar essa equação, viabilizando este suporte?

Foi de forma sincrônica que conheci o conceito de venture philanthropy e reconheci o que já fazíamos no Quintessa há anos.

Segundo a EVPA, “a Venture Philanthropy trabalha para fortalecer as organizações sociais, fornecendo-lhes recursos financeiros e apoio não financeiro, a fim de aumentar seu impacto social. A metodologia é baseada na aplicação de princípios de capital de risco, incluindo investimento a longo prazo e apoio prático a certos elementos de economia social”. As principais características incluem: Financiamento sob medida (escolhendo os instrumentos financeiros mais adequados a fim de apoiar a organização – grant, dívida, equity e instrumentos financeiros híbridos); Apoio organizacional (serviços de apoio com valor agregado a fim de fortalecer a resiliência organizacional e a sustentabilidade financeira); Medição e gerenciamento de impacto (medição e gestão do processo de criação de impacto social, a fim de maximizar e potencializar impacto). 

Um grande case que pode servir de exemplo é da In3Citi com a startup de impacto Nina, feito em colaboração com o Quintessa (descrito neste material)A In3Citi utilizou-se de recurso filantrópico para viabilizar a aceleração da Nina, o que fez com que a startup estivesse mais qualificada e madura para receber posteriormente um investimento em equity, o qual além de visar retorno em termos de impacto, visava também retorno financeiro. A parceria deu tão certo que já estamos em nosso quarto caso juntos: Eco Panplas, HY Sustentável e Solos.

Além de qualificar o pipeline de investimentos, é uma ação que gera impacto na ponta (no caso da Nina, cidades seguras para mulheres e para todos) e ao ecossistema, atuando no gap que pontuei acima.

Essa estratégia é descrita neste caso muito didático: “Investing for Impact: Ordinary Work for Extraordinary People”. Até o negócio se tornar lucrativo, a Unicus recebeu apoio de doações (grants) e posteriormente recebeu investimento em equity (participação acionária), sempre com apoio não financeiro de forma complementar:

Apesar de não ser um assunto muito comentado, isso é um tanto comum: a Vitalk, que realizamos a aceleração em 2017 e ajudamos a captar 8 milhões de reais do bolso de Venture Capital (com investidores como a Valor Capital) posteriormente, havia, nos seus anos iniciais, desenvolvido seus produtos com suporte de doações, como contam aqui.

Assim, o recurso da filantropia pode ser um grande aliado do recurso que busca retorno financeiro, o venture capital, criando um pipeline qualificado. A filantropia pode oferecer um recurso paciente e um espaço de experimentação que permite lidar com risco, para que depois venham outros “bolsos”.

Filantropia estratégica: filantropia para desenvolvimento de pipeline de parceiros de negócio

Um mesmo viés pode ser adotado para olharmos para as empresas. Aqui vou utilizar o conceito de Filantropia Estratégica, segundo este artigo: “a filantropia estratégica é caracterizada quando uma firma busca empreender esforços sinérgicos utilizando os recursos corporativos para resolver problemas sociais que estejam em consonância com os valores centrais e a missão da empresa. (…) Isso significa dizer que estão buscando atingir os objetivos de negócios também a partir das ações de filantropia”. 

Assim, empresas e organizações podem utilizar da filantropia como uma forma de gerar impacto positivo e também se relacionarem com novos parceiros de negócio, gerando valor à sua atividade core, consumidores e outros stakeholders.

Um exemplo é o case que realizamos com a BP, na qual, junto à Palladium, aceleramos a Beequal, um negócio que oferece espaço terapêutico para pais de crianças com desafios de desenvolvimento. Ter realizado a aceleração gerou impacto positivo na ponta, beneficiando pais e crianças, bem como qualificou um potencial parceiro para a BP no relacionamento com seus clientes.   

Um outro exemplo de parceria possível seria de uma empresa que trabalha com artigos de moda e viabilizasse a aceleração de negócios como a Rede Asta ou a Já Entendi, que poderiam capacitar mulheres de baixa renda costureiras que produzem artigos para sua coleção.

Por último, ressaltando o que disse acima, da filantropia como um recurso paciente e que permite lidar com risco, realizamos com o Instituto Vedacit o primeiro Mapa Cidades Sustentáveis, identificando ONGs e negócios que impacto que atuavam na temática – uma ação que ajuda a embasar o planejamento estratégico da empresa, no viés de inovação aberta e responsabilidade social corporativa.

Negócios de impacto como ‘meio’

Filantropia para contratar soluções que geram impacto positivo de forma qualificada, perene e escalável

Negócios de impacto também podem fazer parte de uma atuação filantrópica enxergando-os como meio – me explico: olhando as soluções que eles podem implementar e gerar impacto na ponta.

Uma ação que realizamos neste sentido foi a primeira edição da Plataforma Negócios pelo Futuro, com foco em soluções para o contexto de pandemia gerada pelo COVID-19. Ainda que os negócios selecionados pudessem ser analisados como potenciais investimentos, no caso, o capital mobilizado veio do bolso da filantropia estratégica, contratando as soluções dos negócios para que elas fossem oferecidas gratuitamente para os beneficiários na ponta, como relatado nesta matéria

Os negócios de impacto possuem soluções já prontas, qualificadas, com potencial de escala e sustentabilidade financeira – há um poder de multiplicação ao apoiá-los, pois eles poderão continuar gerando impacto para outras centenas de pessoas a partir do recurso alocado.

Por exemplo, dentro de uma estratégia de responsabilidade social de uma empresa para desenvolver a comunidade do entorno de sua sede, pode fazer todo sentido implementar a solução de um negócio como a Barkus para oferecer educação financeira, da Litro de Luz para dar acesso à iluminação pública, do Moradigna para oferecer mais salubridade às casas.

Vale mencionar que a boa prática é sempre partir de uma escuta ativa, do entendimento das demandas locais, e também que esta ação poderia estar ainda integrada à uma ação de mentoria dos executivos, na estratégia de voluntariado corporativo.

Cabem aqui duas observações. Uma é para não cairmos no pensamento de que o setor 2.5 é melhor do que o Terceiro Setor ou na visão de que um deve substituir o outro – acreditamos na visão de complementaridade, vendo os negócios de impacto, assim como as ONGs, como potenciais parceiros para implementação de projetos que gerem impacto positivo na ponta. 

A segunda observação é que por mais que estejamos falando de recursos de doação, muitas vezes essas relações se materializam na ponta por meio da emissão de uma nota fiscal – contratando a solução dos negócios e baseando a prestação de contas no impacto gerado, não na forma como o recurso foi alocado internamente.

Há tantos outros caminhos possíveis:

Uma empresa que trabalha com construção pode investir recursos filantrópicos no desenvolvimento de um bairro e na causa de cidades sustentáveis, beneficiando a cidade externamente, mas gerando valor ao negócio por meio da valorização imobiliária. 

Uma empresa que deseja atuar com a causa da educação pode investir recursos filantrópicos “dentro de casa”, beneficiando seus colaboradores e comunidade do entorno com soluções educacionais de negócios de impacto de educação e preparo técnico – e não apenas doando para projetos que não se relacionem com a sua operação.

Negócios de impacto como Prosas, Simbiose, Editora Mol e Arredondar, podem facilitar a empresa no direcionamento de benefícios fiscais e na mobilização de doações para causas.

Uma organização sem fins lucrativos, como é o caso da Fundação Lemann, pode viabilizar o desenvolvimento de edtechs e a implementação de suas soluções como uma forma de melhorar a aprendizagem de estudantes de escolas públicas brasileiras, com recursos filantrópicos, como está acontecendo em nosso programa em parceria.

Atuando de forma consistente, alinhada ao negócio, a filantropia estratégica pode também dar base à estratégia ESG da grande empresa. No início do texto falei como três abordagens distintas, mas a realidade é que o valor está na visão sistêmica, vendo negócio, sustentabilidade e filantropia como ações integradas de uma mesma estratégia, como foi muito bem pontuado neste podcast do GIFE.

Os negócios de impacto, dentro deste viés de serem “2.5” (dois e meio), navegam entre estes distintos bolsos, do 2.1 ao 2.9. Muitas vezes recebem investimento de venture capital, priorizando o viés for profit, por mais que gerem impacto positivo. Por outras vezes, recebem recursos de filantropia, priorizando o for impact, por mais que gerem retorno financeiro.

Espero que o texto tenha trazido clareza sobre o assunto, que vale para estratégias de filantropia de empresas e de pessoas físicas. Tendo lucidez sobre a enormidade dos desafios sociais e ambientais que temos ndo país, esse tipo de ação não só faz sentido em termos de negócio, como é extremamente necessária para que tenhamos uma realidade mais justa, equânime e de qualidade para todos.

Anna de Souza Aranha é diretora do Quintessa. Desde 2009, o Quintessa impulsiona startups que resolvem desafios socioambientais e realiza iniciativas que promovem as agendas de inovação, impacto positivo e ESG para grandes empresas, investidores, institutos e fundações. Texto publicado originalmente no blog do Quintessa.

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O trabalho e o profissional pós-pandemia: reflexões dos impactos da crise

Muito tem se falado/escrito sobre as competências necessárias para os líderes durante a crise atual, mas pouco se tem discutido sobre o futuro das competências do profissional pós-pandemia. Nossa proposta neste artigo é estimular essa reflexão.

Não abordaremos a difusão do home office e outras tecnologias que se mostraram alternativas eficientes para aproximar as pessoas fisicamente distantes, mas sim, os possíveis impactos dessas transformações na relação com o emprego.

A sociedade que, há não muito tempo, vivia momentos de polarização (sobretudo no contexto político), foi exposta ao mesmo vírus, enfrentando o mesmo “inimigo”. Assim, o fato de todos estarmos confrontando desafios que possuem a mesma causa raiz, nos faz, em escalas diferentes, exercitar nossa empatia.

Hoje, muito mais do que ontem, há certa compreensão de dilemas e dificuldades que transcendem nossa individualidade. Temos agora, de forma latente, a oportunidade de nos projetarmos no lugar do outro, ampliando assim, nossas perspectivas.

A pandemia também expos a vulnerabilidade de nossa sociedade e algumas de nossas fragilidades como indivíduos. Antes havia, no mundo corporativo, grande esforço para esconder tais vulnerabilidades, sendo vistas como fraquezas que poderiam “derrubar” ou “interromper” a progressão linear da carreira.

Essa fórmula: empatia + vulnerabilidade é poderosa. Colocando na base da relação de trabalho a transparência e a confiança, independentemente do nível hierárquico do profissional, tem-se como possível resultado a formação e destaque de profissionais mais humanos.

Na nossa visão, este potencial resultado representa uma quebra de paradigma versus o colaborador pré-pandemia. Sujeito que, em apertada suma, colocava o resultado acima de tudo e, algumas vezes, de todos. A mudança já vinha acontecendo paulatinamente, porém, a pandemia acelera essa transformação de forma abrupta e, quase que, compulsória.

As características pré-pandemia criavam ambientes altamente competitivos, ditos meritocráticos. Porém, a flexibilidade trazida pela pandemia exaltará aqueles que, de fato, produzem mais. Fatores objetivos tendem a ter maior importância do que a computação dos “desk hours” ou “show face” e outros elementos subjetivos que, algumas vezes, são inseridos no contexto da avaliação de performance.

Portanto, vemos todos os ingredientes para a construção de relações mais empáticas, transparentes, flexíveis e com muita confiança resultando, ironicamente, em um ambiente mais produtivo.

João Victor Guedes dos Santos é head de Johnnie Walker para Paraguai, Uruguai e Brasil

Paulo Bivar é managing partner na Kinp

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A retomada pós-Covid: força de trabalho rejuvenescida e construção de confiança

A Pesquisa Pulse da PwC de 2021 mostra que a confiança entre os líderes empresariais dos EUA aumentou em meio às expectativas de uma forte recuperação econômica por lá. Mas essa perspectiva positiva é obscurecida por preocupações com fatores sociais. Embora muitas empresas tenham encontrado maneiras de prosperar sem voltar aos padrões anteriores ao COVID-19, elas continuam preocupadas com os efeitos persistentes da pandemia sobre a força de trabalho e suas comunidades. Por exemplo, 29% disseram que retomar as viagens de negócios é muito importante, bem abaixo dos 52% que acreditam que suas perspectivas estão associadas ao ritmo de reabertura de escolas. Menos de um terço dos executivos está otimista de que o país pode fechar as brechas sociais e econômicas que se tornaram mais aparentes no ano passado.

Oitenta e três por cento de todos os líderes empresariais dos EUA esperam aumentar as receitas este ano. Esse é um salto significativo em relação ao outono passado, quando apenas um quarto dos líderes financeiros esperavam crescimento. Parte desse otimismo vem dos US $ 1,9 trilhão em dinheiro de alívio da COVID-19 que está fluindo para a economia – assim como o rápido lançamento de vacinas está diminuindo as restrições às atividades econômicas. Em pesquisas anteriores da Pulse, os líderes empresariais têm consistentemente, e quase unanimemente, buscado uma resposta forte do governo federal à crise do COVID-19. Hoje, 71% por cento expressam satisfação com a resposta dos EUA à pandemia.

Com uma consciência aguda de seu próprio papel em reiniciar o trabalho e a vida em 2021, após um ano devastador, muitos líderes empresariais estão tomando medidas concretas. No topo da agenda de negócios está o apoio e o fortalecimento de uma força de trabalho cansada da pandemia e o aumento da confiança entre todas as partes interessadas. A pesquisa da PwC foi conduzida de 8 a 12 de março, com 732 executivos seniores em funções de diretoria executiva e diretoria corporativa. Os executivos compartilharam o que é mais importante para suas empresas prosperarem em uma economia pós-pandemia e suas estratégias para o sucesso em 2021.

O que os executivos consideram mais importante para impulsionar a recuperação dos negócios pós-pandemia:

  • Mão de obra mais qualificada e rejuvenescida: Mais da metade dos líderes empresariais pesquisados ​​consideram as questões de pessoas, como disponibilidade de talentos com habilidades técnicas (59%) e apoio a funcionários esgotados (55%), como muito importantes para o sucesso neste ano. Quase o mesmo número (52%) atribui grande importância ao que eles não podem controlar, como reabertura de escolas. Em comparação, voltar aos velhos hábitos (por exemplo, viagens de negócios e eventos presenciais) importa muito menos.
  • Agilidade da cadeia de suprimentos para atender aos choques de demanda e políticas: Reduzir interrupções na cadeia de suprimentos à medida que a demanda do consumidor aumenta será muito importante este ano para quase metade desses líderes de negócios (49%). A pandemia acelerou os investimentos em tecnologia nas cadeias de suprimentos, e as empresas agora irão se concentrar em recursos como detecção e previsão de demanda. Mudanças na política, como a recente Ordem Executiva do Presidente Biden sobre as cadeias de suprimentos da América – para revisar as vulnerabilidades nos suprimentos dos EUA de tecnologias, metais e produtos farmacêuticos essenciais – também estão influenciando as estratégias para melhorar a resiliência.
  • Estratégias ESG para aumentar a confiança e a transparência: com o aumento dos gastos do consumidor, 44% dos líderes de negócios estão priorizando a construção da confiança com os clientes, seguidos por 27% que classificam os funcionários como seu principal grupo de interessados ​​neste ano. Manter – e aumentar – a confiança conquistada durante a pandemia tornou-se fundamental. Isso significa melhorar o desempenho dos negócios em fatores ambientais, sociais e de governança (ESG), além do desempenho financeiro, e contar essa história para as partes interessadas. Os líderes empresariais estão aprimorando o treinamento e a geração de relatórios sobre diversidade e inclusão (D&I), além de buscar investimentos relacionados a ESG.
  • Preparando-se para uma legislação potencial de aumento de impostos: Com o American Rescue Plan Act de 2021, o presidente Biden e os democratas demonstraram sua capacidade de promulgar legislação significativa usando procedimentos de reconciliação orçamentária. Provavelmente antecipando uma ação potencial no próximo plano Build Back Better mais amplo de Biden, 56% de todos os entrevistados e 75% dos líderes tributários estão modelando os impactos potenciais de uma mudança na taxa de imposto. Mais da metade dos líderes empresariais e tributários (51% e 55%, respectivamente) também estão intensificando o planejamento tributário para a criação de valor e gestão de riscos.

Modelos híbridos de força de trabalho irão construir bem-estar e flexibilidade para os funcionários

Para as empresas, a oferta de trabalhadores qualificados e saudáveis ​​está em risco no momento em que a demanda do consumidor se recuperou e a economia está pronta para se recuperar. Uma força de trabalho renovada, equipada com habilidades técnicas e comerciais, é crítica para prosperar. Mais da metade dos líderes empresariais estão agindo para garantir talentos com habilidades técnicas. Paralelamente, eles intensificarão o apoio aos funcionários estressados ​​e esgotados que vêm conciliando a insegurança no trabalho com as demandas da família no último ano. Essas ações são muito mais importantes do que retornar às velhas formas de trabalho, como viagens de negócios ou mais apoio governamental.

À medida que as empresas traçam suas trajetórias de crescimento, elas não têm pressa em trazer as pessoas de volta ao escritório. Em vez disso, eles estão criando modelos de trabalho híbridos para atender às necessidades dos funcionários e, ao mesmo tempo, ajudar as empresas a se fortalecerem. Algumas ações temporárias tomadas rapidamente durante a crise vieram para ficar – principalmente, o trabalho remoto está se tornando permanente para funções adequadas e investimentos em ferramentas digitais estão sendo feitos para ajudar a força de trabalho a ter sucesso em ambientes de trabalho virtuais. As empresas também estão repensando suas pegadas imobiliárias para permitir experiências mais colaborativas dos funcionários e, ao mesmo tempo, reduzir custos.

O desafio para os líderes é sustentar essas melhorias e, ao mesmo tempo, abordar as áreas em que as empresas ficaram aquém. Quase 3 milhões de mulheres abandonaram a força de trabalho no ano passado, mas apenas 42% dos líderes empresariais veem sua reentrada como muito importante para sua capacidade de prosperar. A reabertura de escolas por si só não resolverá esta crise de força de trabalho. As pesquisas da PwC sobre a força de trabalho mostram que as mulheres de 35 a 44 anos têm lutado muito mais do que outros segmentos da força de trabalho. A maneira como as empresas lidam com o impacto desproporcional da pandemia sobre as mulheres conforme a economia se recupera afetará não apenas o crescimento da carreira das mulheres, mas também o moral dos funcionários, as metas de D&I e o desempenho dos negócios.

Ações para negócios
1- Conquiste a confiança dos funcionários para envolvê-los na qualificação: A ansiedade dos funcionários quanto à automação e à perda de empregos pode prejudicar a produtividade do local de trabalho e impedir as estratégias de crescimento. É importante agora se comprometer com os investimentos na força de trabalho e comunicar o caso de negócios para a qualificação. Os funcionários desejam aumentar sua produtividade e empregabilidade, e ajudá-los a entender quais habilidades precisam para construir suas carreiras pode tranquilizá-los e capacitá-los. Concentre-se não apenas nas habilidades técnicas, mas na capacidade das pessoas de lidar com a mudança. Uma cultura de flexibilidade e aprendizagem contínua, juntamente com ferramentas personalizáveis ​​para atender às necessidades das pessoas, podem contribuir para aumentar a confiança e a segurança em novas formas de trabalho.

2- Incorpore descanso e recuperação em formas ágeis de trabalhar: Muitas empresas descobriram que pequenos grupos de funcionários que colaboram em equipes virtuais ou híbridas são capazes de inovar em sprints curtos. À medida que essas formas ágeis de trabalhar se tornam mais permanentes, é tão importante construir tempo para descanso e recarga. O conceito de flexibilidade deve evoluir para incluir programação dinâmica e mais opções, incluindo tempo para desligar as telas. Sinta o pulso dos funcionários por meio de pesquisas regulares e ofereça mais benefícios e opções de flexibilidade para que os indivíduos possam fazer escolhas que funcionem para eles. Continue a personalizar os benefícios para atender aos funcionários onde eles estão, conforme os planos de retorno ao trabalho tomam forma, como, por exemplo, fornecer opções de transporte seguras para os funcionários que voltam ao escritório.

A recuperação do crescimento econômico e do progresso social

A pandemia e o movimento de justiça social destacaram as lacunas entre o crescimento econômico e a igualdade e inclusão social. Agora, à medida que a recuperação econômica se firma, os líderes empresariais reconhecem a necessidade de liderar uma recomposição do crescimento com o progresso social. Muitos estão adotando estratégias ESG para alcançar um crescimento mais justo e sustentável enquanto geram lucro para seus negócios.

Nossa pesquisa reforça o que sabemos de nosso trabalho com clientes: as empresas estão em diferentes estágios de vinculação de todos os elementos de ESG a relatórios consolidados e a sua estratégia mais ampla. Cinquenta e seis por cento dos líderes de negócios estão planejando aumentar o treinamento de D&I e quase metade (49%) está aumentando os relatórios de D&I este ano. E 39% também estão considerando negócios e investimentos relacionados a ESG, sinalizando um pivô em direção a modelos de negócios mais resilientes ao clima à medida que aumenta a pressão de consumidores, investidores e do governo Biden.

Ações para negócios

1- Análises mais rigorosas da interconexão dos fatores E, S e G: As empresas que se preparam para sistemas e dados ESG de nível de investidor e digitalmente amigáveis ​​devem ter em mente que as forças de mercado e as políticas continuarão a empurrá-las para análises mais rigorosas do intersecções entre fatores ASG. O governo Biden, por exemplo, está fazendo da justiça ambiental um ponto focal de suas políticas climáticas. Os investidores também estão mais sintonizados com as conexões entre os fatores ambientais e sociais. Considere o crescimento de vínculos de sustentabilidade com objetivos amplos, como financiar operações de baixo carbono e, ao mesmo tempo, apoiar melhores condições de trabalho para a força de trabalho.

2- Incorpore o ESG à estratégia de negócios da empresa: Mais e mais investidores estão avaliando o impacto do ESG nos valores dos ativos. As firmas de PE, por exemplo, estão intensificando seu foco em ESG com estratégias do tipo “compre sujo e barato, venda limpo e caro”. Com o ESG se tornando uma questão importante para os compradores, os vendedores que estão ficando para trás correm o risco de deixar valor na mesa. A devida diligência ESG abrangente tornou-se crítica para negociar os termos certos para um negócio.


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4 pilares para tornar uma visão data-driven em vantagens competitivas

A geração de vantagens competitivas e crescimento sustentável é, ou pelo menos deveria ser, uma preocupação primária, comum a qualquer empresa, independente do seu porte. Atingi-lo, no entanto, é um desafio, sobretudo em um ambiente no qual fatores político-econômicos, as exigências do mercado e a concorrência estão em processo de constante mudança. Para complicar ainda mais, a pandemia adicionou um layer extra de complexidade.

Há um relatório muito interessante da McKinsey que discute como as empresas devem se preparar para o futuro. O estudo relata o desconforto de executivos com o que consideram um excesso de lentidão, estruturas complexas, compartimentadas demais e atoladas em burocracias que geram pouco valor.

Em outras palavras, estão organizadas para um mundo que está sendo desmontado por uma sociedade hiperconectada, com automação sem precedentes, custos de transação mais baixos e exigência crescente por responsabilidade social, ambiental e corporativa que, por sua vez, implicam em ter domínio muito maior sobre todas as variáveis do próprio negócio.

Como então se preparar corretamente?

Sob o ponto de vista empresarial, o crescimento sustentável é uma abordagem realista de se ver o negócio visando sua expansão com uma trajetória menos acidentada. Em resumo, trata-se de entender como se organizar e obter vantagens competitivas que levem a um crescimento continuado e eficiente.

A meu ver essas tarefas complexas precisam estar ancoradas em quatro pilares

1-Transparência:

Numa sociedade informacional, como já afirmei em outro artigo, a empresa precisa ser orientada a dados. E isso tem algumas dimensões.

Internamente, a informação precisa ser consistente e acessível a todos que dela necessitam para que decisões otimizadas possam ser tomadas nos diversos níveis e departamentos.

É necessário clareza sobre quem são os parceiros de negócio, as empresas estratégicas na cadeia de suprimentos, empresas de maior risco e suas redundâncias.

Em um grande frigorífico, por exemplo, a área de compliance e a de compras precisam ter acesso aos mesmos dados, assim evitando a aquisição de animais com procedência em fazendas não certificadas pelas autoridades ambientais e fundiárias. A procedência do animal abatido é de extrema importância para que esse produto possa ser colocado no mercado nacional e exportado

2-Padronização:

Além de ter acesso às informações necessárias para tomar decisões, é importante que essas decisões sigam um padrão compatível com os objetivos da companhia.

Vamos imaginar um analista de crédito encarregado de avaliar uma empresa. Ele vai no Google, busca informações genéricas sobre os resultados e balanços e decide que vai dar um crédito de R$ 100 mil. Isso faz sentido? Outro analista pode olhar os mesmos dados e decidir que a empresa merece R$ 200 mil ou que vai negar o crédito.

Uma plataforma com inputs automatizados de dados e políticas de crédito padronizadas garantirá uma avaliação de crédito uniforme.

Por outro lado, qual a melhor maneira de captar clientes? Atirar para todos os lados a partir de uma lista genérica de leads obtida de terceiros? Ou ter um sistema em que esses leads estejam organizados por setor, tamanho e faturamento, gerando um score, classificando-os como mais ou menos estratégicos. Com base em informações desse tipo, fica muito mais fácil gerar um pitch padronizado para o time de vendas que seja pertinente ao cliente e a seu setor. A tarefa do time de vendas se torna mais eficiente a cada ligação.

3-Objetividade:

O que é uma boa decisão de negócio? Aquela baseada em instinto? Em simpatias pessoais como os antigos acordos no fio do bigode?

Claro que visão de negócio e confiança são atributos importantes, mas as decisões melhor fundamentadas são aquelas baseadas em critérios objetivos, em métricas mensuráveis.

Investir no aperfeiçoamento do trato dessas informações significa centralizar o repositório de dados em um banco robusto, sem sobreposição de informações, capaz de produzir relatórios cada vez mais sofisticados e adequados às necessidades de cada segmento da empresa.

Vale lembrar que para a objetividade funcionar bem, a empresa necessita de um sistema de governança bem definido para que os dados estejam disponíveis a quem precisa deles. Isso permitirá tomar decisões objetivas por todas as áreas da empresa e reduzir a burocracia

4-Produtividade

Os três pilares anteriores contribuem para o quarto. Maior transparência, padronização e objetividade têm como consequência o aumento da produtividade na medida em que o tempo para se obter informações é menor e elas estão disponíveis para quem delas necessita de forma dinâmica, evitando desperdícios, retrabalho e filas de processos com gargalos desnecessários.

Empresas com crescimento sustentável conhecem seus parceiros, seus fornecedores, seus funcionários e seus processos, e assim conseguem ter resultados superiores aos seus competidores.

Vale reforçar: para uma empresa crescer de forma contínua no cenário atual e colocar em prática esses pilares a transformação digital é uma pré-condição. Sistemas de informação dinâmicos e uma estrutura bem equacionada são necessários para que as empresas sejam cada vez mais orientadas a dados, substituindo as intuições e achismos por projeções e previsões baseadas em algoritmos sofisticados.

É a partir dessas soluções tecnológicas que uma empresa pode cumprir a meta ambiciosa de criar vantagens competitivas por meio de um relacionamento mais assertivo com clientes e fornecedores que sustentem um crescimento constante ao longo do tempo.

Em meus anos de experiência no mercado, verifiquei que companhias que investem nesses pilares se tornam mais bem sucedidas e resilientes em momentos de crise como o que vivenciamos hoje.

E a sua empresa? Já toma decisões de negócios de forma transparente, padronizada, objetiva e produtiva?

Marcos Maciel é CEO da CIAL Dun & Bradstreet do Brasil

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Deloitte: Inovação e transformação empresarial com 5G e Wi-Fi 6

Com a pandemia interrompendo o trabalho e acelerando a demanda por inovação, os líderes estão rapidamente aumentando o interesse em 5G, Wi-Fi 6 e outras tecnologias sem fio avançadas. O estudo da Deloitte sobre a adoção de redes sem fio avançadas, em edição global, ilustra a rápida mudança. E nós trazemos os principais pontos para você.

Introdução
Em nossa era hiperconectada, o número de dispositivos em rede pode chegar a 29,3 bilhões em 2023 – mais de três dispositivos para cada ser humano no planeta. Tecnologias sem fio de próxima geração, como 5G e Wi-Fi 6, estão prestes a se tornar uma parte crucial das redes que ligam máquinas e pessoas. Ao oferecer melhorias significativas de desempenho, como velocidades mais rápidas, maior capacidade de dados, menor latência, maior densidade de dispositivo e detecção de localização precisa, essas novas tecnologias sem fio já estão possibilitando novas soluções, incluindo veículos autônomos, automação de precisão e robótica, telemedicina e telecirurgia, experiências envolventes de varejo e entretenimento e colaborações de realidade aumentada no local de trabalho.

Soluções inovadoras como essas são o motivo pelo qual os líderes de todos os setores veem as redes sem fio avançadas como cada vez mais essenciais para suas estratégias. E a urgência crescente está acelerando uma mudança de foco para 5G e Wi-Fi 6, muito mais rápido do que os executivos previam há menos de um ano.

No início de 2020, a Deloitte entrevistou executivos de rede nos Estados Unidos para entender como as empresas americanas estão abordando tecnologias sem fio avançadas e como esperam se beneficiar dos novos recursos. Pouco depois de encerrada a pesquisa, a pandemia COVID-19 mergulhou o mundo em um tempo de interrupção extraordinária, estimulando uma recessão global com força de trabalho substancial e implicações de TI. Para obter uma perspectiva global sobre a adoção sem fio avançada e avaliar as atitudes durante a crise, a pesquisa foi estendida no quarto trimestre de 2020 para 437 executivos de rede de nove países adicionais, representando organizações com planos de adotar 5G e / ou Wi-Fi 6.
Aqui estão os principais insights sobre como e por que as organizações em todo o mundo planejam adotar a tecnologia sem fio avançada:

A pandemia acelerou a mudança de foco para o wireless avançado
A pandemia COVID-19 catalisou uma mudança nas prioridades: surpreendentemente, metade dos executivos de redes globais entrevistados relataram que a crise estimulou sua organização a acelerar o investimento em redes sem fio. Eles estão se concentrando em tecnologias mais recentes, como 5G e Wi-Fi 6, que veem como uma forma de reforçar sua capacidade de lidar com interrupções atuais e futuras, bem como uma oportunidade de criar novas soluções. A pesquisa anterior indicou que os executivos planejavam levar até três anos para mudar sua atenção para 5G e Wi-Fi 6 de tecnologias sem fio mais antigas, mas as prioridades mudaram muito mais rápido do que o previsto.

Wireless avançado é fundamental para inovação e transformação Como a mais recente evolução em décadas de tecnologias sem fio, o 5G e Wi-Fi 6 prometem desempenho e melhorias operacionais em relação às gerações anteriores. Mais significativamente, eles permitem cenários de uso inovadores que não são apenas avanços incrementais. Na verdade, os executivos de rede esperam que a tecnologia sem fio de última geração seja parte integrante do sucesso de seus negócios e transformacional para suas empresas e indústrias, representando uma oportunidade de mudar a forma como operam, inovam e vendem. Os líderes veem as tecnologias sem fio avançadas como fundamentais para seus esforços em implementar tecnologias inovadoras no centro de seus esforços de transformação digital, incluindo análise de big data, inteligência artificial (IA), Internet das coisas (IoT), nuvem e computação de ponta. Mais do que nunca, essas tecnologias estão convergindo em iniciativas de inovação empresarial, com tecnologia sem fio avançada no centro.

O ecossistema é complexo e está em evolução
Os adotantes se envolvem com uma miríade de fornecedores de telecomunicações e tecnologia (por exemplo, provedores de aplicativos, empresas de nuvem, operadoras sem fio, provedores de equipamentos de rede, fornecedores de componentes e empresas de consultoria/integradores) e muitas vezes com vários fornecedores de cada tipo. Dois terços dos usuários preferem comprar os melhores componentes e muitos procuram ajuda com a integração. Com sete em cada dez adotantes indicando que estão abertos para explorar novos relacionamentos, será cada vez mais importante para os fornecedores definir e solidificar sua posição.

Executivos de rede mudaram rapidamente seu foco para wireless avançado
O estudo da Deloitte no início de 2020 descobriu que os executivos de rede dos EUA ainda viam 4G/Long Term Evolution (LTE) e as versões atuais (ou anteriores) de Wi-Fi como as tecnologias sem fio mais críticas para seus negócios. A maioria considerou 5G e Wi-Fi 6 em ascensão nos próximos anos.

As atitudes mudaram rapidamente: nove meses depois, os tomadores de decisão de rede global consideram 5G e Wi-Fi 6 como as tecnologias sem fio mais críticas para suas iniciativas de negócios (figura 1). E nos próximos três anos, conforme a infraestrutura física 5G é construída e os dispositivos 5G se tornam mais disponíveis, os líderes esperam que as novas tecnologias se tornem ainda mais significativas. É importante notar que os executivos agora veem 5G e Wi-Fi 6 como prioridades mais altas do que 4G, LTE e Wi-Fi 5 (e versões mais antigas) em quase todos os países.

Cerca de dois em cada cinco executivos classificaram a Narrowband IoT (NB-IoT) uma de suas três tecnologias sem fio mais importantes, embora o entusiasmo varie consideravelmente por país – na China e na Índia, três em cada cinco executivos de rede a colocaram entre as três primeiras, refletindo uma maior aceitação nesses países. Como parte da próxima especificação 3GPP Release-17 5G, a NB-IoT pode desempenhar um papel na estratégia de evolução da IoT 5G das organizações.

A pandemia COVID-19 está acelerando o investimento sem fio
Por que o foco dos líderes mudou para tecnologias de rede avançadas muito mais rápido do que o estudo de 2020 da Deloitte sugeriu? Por vários motivos que o mundo viu se desenrolar em tempo real ao longo dos nove meses que separaram as duas pesquisas. A pandemia COVID-19 causou uma demanda crescente por melhor conectividade para dar suporte ao trabalho remoto, aprendizado online e automação. A crise enfatizou vividamente a necessidade das organizações de conectividade onipresente, segura e de alta qualidade para reduzir o pessoal no local, manter as operações de negócios e apoiar a interação virtual dos funcionários e o envolvimento do cliente. E destacou o valor dos recursos de virtualização e automação que permitem um gerenciamento remoto mais flexível das operações corporativas.

Outros notaram até que ponto a pandemia catalisou mudanças na indústria de tecnologia, mídia e telecomunicações, comprimindo o que se esperava que fossem anos de mudança gradual em vários meses intensos. Os resultados do nosso estudo corroboram isso: Metade dos executivos de rede que pesquisamos esperam aumentar seu investimento em redes sem fio devido à pandemia (15% relatam que vão investir significativamente mais), enquanto menos de um quarto relatam retrocessos (figura 2).

O principal motivo declarado para o aumento do investimento sem fio é a resiliência – aumentando a capacidade de uma organização de lidar com interrupções de negócios atuais e futuras (figura 3). Afinal, a pandemia certamente não será a última crise que as empresas enfrentarão nos próximos anos. Considere o exemplo de uma grande empresa de telecomunicações que implantou uma rede 5G privada em um chão de fábrica para enfrentar os desafios relacionados à pandemia: Os líderes foram capazes de implantar rapidamente casos de uso de segurança, como escanear funcionários em busca de máscaras faciais e monitorar crachás inteligentes para garantir que os trabalhadores não estavam próximos por muito tempo. E, em vez de buscarem por especialistas para consertarem robôs, os gerentes equiparam os funcionários locais com fones de ouvido de “realidade mista” para que os técnicos remotos pudessem orientá-los. Várias empresas têm lançado novos aplicativos e serviços sem fio projetados para manter o pessoal seguro no local de trabalho, incluindo soluções que usam Wi-Fi para detectar quando os dispositivos entram em áreas de construção e análises em tempo real para sinalizar problemas de ocupação.

A pandemia pode estar acelerando a demanda por novos produtos e serviços que dependem de uma infraestrutura de rede mais robusta e poderosa. Na verdade, a razão número dois citada para aumentar o investimento sem fio é criar ou aprimorar soluções que atendam a novos casos de uso. Como um caso em questão, as empresas na China utilizaram 5G em uma variedade de soluções relacionadas a crises destinadas a limitar as interações pessoais, incluindo robôs hospitalares que realizavam desinfecção e entregas de medicamentos e veículos sem motorista que entregavam alimentos e suprimentos médicos para indivíduos em quarentena. As empresas também alavancaram a extensão de banda e a baixa latência das redes 5G para telessaúde, incluindo consulta médica remota, diagnóstico de COVID-19 e ultrassons remotos controlados por robô.

O motivador número três para o aumento de gastos está relacionado ao desejo de melhor segurança de rede e privacidade de dados. À medida que a pandemia empurrava mais trabalhadores e seus dispositivos para fora do local, os líderes podem ter percebido que precisavam investir mais na proteção de dispositivos e dados.

Importância estratégica e adoção estão em alta
Os executivos de rede reconhecem a importância da tecnologia sem fio avançada para o sucesso de seus negócios hoje e acreditam que ela será essencial para o sucesso na era pós-pandêmica. Quatro em cada cinco atualmente veem as tecnologias sem fio avançadas como muito ou criticamente importantes para seus negócios – e o mesmo número espera manter essa visão em três anos. A adoção está definida para assumir mais urgência: um quinto dos executivos de rede vê as tecnologias como extremamente importantes para sua empresa hoje; um terço afirma que será extremamente importante em três anos.

Apoiando a visão estratégica, esses executivos estão planejando investimentos significativos em redes sem fio nos próximos três anos. Considerando todas as tecnologias sem fio (como 4G, 5G, vários tipos de Wi-Fi) que eles esperam usar durante este período e o custo dos dispositivos (como smartphones 5G), hardware/equipamento, software, instalação e serviços operacionais (mas não incluindo custos de espectro), as organizações entrevistadas estimam seus gastos de três anos em US $ 149,7 milhões em média. No estudo anterior, os executivos de rede dos EUA relataram que gastariam em média US $ 115,7 milhões em seus investimentos sem fio em um período de três anos. A estimativa de gastos mais altos fora dos EUA provavelmente reflete a passagem de nove meses entre as pesquisas, bem como os efeitos catalisadores da pandemia.

As organizações pesquisadas estão indo all-in quando se trata de adotar tecnologias sem fio avançadas. Por definição, a pesquisa incluiu entrevistados de organizações que estão em processo de adoção de 5G e / ou Wi-Fi 6 ou planejam adotar qualquer uma das tecnologias nos próximos três anos. Na prática, a adoção já passou do estágio de planejamento: dois terços das organizações dos entrevistados estão executando pilotos ou implantando soluções Wi-Fi 6, enquanto 58% estão fazendo o mesmo com 5G (figura 4). Aproximadamente outro quarto está em processo de “preparação para usar” ativamente cada tecnologia – por exemplo, adquirindo dispositivos / infraestrutura ou identificando provedores e parceiros em potencial.

As empresas buscam uma variedade de cenários de uso
Para aproveitar os recursos de wireless avançado, os adotantes tendem a visar uma combinação de cenários de uso interno e externo e uma combinação de redes fixas e móveis (figura 5). As organizações usam redes sem fio avançadas para conectar funcionários, máquinas e clientes. Quando se trata de conectividade de funcionários – tanto dentro quanto fora do escritório – os dois principais casos de uso envolvem o aprimoramento da comunicação e colaboração no local de trabalho (figura 6). Por exemplo, as organizações podem usar Wi-Fi 6 para aumentar a velocidade de voz e vídeo, desligando funcionários de telefones de mesa e conexões com fio. E com tantos profissionais trabalhando remotamente durante a pandemia, o 5G pode permitir novas maneiras de melhorar a colaboração e a produtividade, como alta resolução, videoconferência com várias pessoas, lousas digitais interativas e experiências de colaboração imersiva enriquecidas por tecnologias de realidade virtual (VR) / realidade aumentada (AR).

O terceiro caso de uso mais citado para conectividade de funcionários está relacionado à administração de TI e solução de problemas remotos. Por exemplo, o 5G está preparado para desempenhar um papel no gerenciamento remoto de dispositivos móveis dos funcionários, permitindo que os profissionais de TI enviem rapidamente atualizações intensivas de dados para um grande número de dispositivos. As empresas já estão usando a tecnologia 5G para conectar designers 3D remotos e vídeo editores para suas estações de trabalho de última geração no escritório, fornecendo streaming de qualidade 4K e permitindo que executem tarefas com uso intensivo de CPU à distância. Uma empresa de água do Reino Unido tem usado uma rede 5G privada para permitir um caso de uso de “conhecimento remoto”: À medida que os técnicos recém-contratados encontram problemas com o equipamento no campo, os fones de ouvido AR retransmitem a situação para colegas experientes que orientam a solução de problemas remotamente.

A rede avançada também permite muitos novos aplicativos para conectividade de máquina – dentro de instalações, em campo e em áreas mais amplas, como portos de embarque e aeroportos internacionais. Por exemplo, a vigilância por vídeo em fábricas pode permitir que operadores humanos (ou sistemas de IA) supervisionem remotamente o equipamento em tempo real, e o 5G pode fornecer a comunicação ultra confiável e de baixa latência necessária para conduzir a manutenção por meio de robôs. Aumentar um chão de fábrica inteligente com sensores IoT conectados sem fio permite fluxos massivos de dados sobre o desempenho e a integridade do equipamento, e a análise pode prever problemas antes que eles ocorram. As empresas também estão usando tecnologias sem fio para conectar máquinas diretamente a outras máquinas – por exemplo , em sistemas de segurança veículo-a-veículo.

As tecnologias sem fio também estão proporcionando experiências aprimoradas ao cliente. Os municípios já estão empregando uma combinação de Wi-Fi 6 e 5G para impulsionar soluções de cidade inteligente que melhoram os serviços públicos, incluindo monitoramento / otimização de tráfego em tempo real e aplicativos de delimitação geográfica que podem fornecer alertas personalizados para qualquer pessoa dentro de uma área geográfica predeterminada. Em assistência à saúde, iniciativas sem fio de última geração permitem o monitoramento remoto de pacientes em tempo real, consultas por vídeo de alta definição e até procedimentos médicos remotos usando robôs – cuja necessidade tornou-se mais urgente durante a pandemia. Organizações esportivas estão usando 5G e Wi- Fi 6 para oferecer experiências de estádio mais envolventes. E as empresas de varejo estão combinando tecnologias sem fio avançadas com sensores e análises IoT para oferecer suporte a sistemas de inventário inteligentes, otimizar preços de produtos e personalizar experiências de compra.

As empresas adotam Wi-Fi 6 e 5G em paralelo
A enorme atenção que anunciantes e editores de notícias dedicaram ao 5G inegavelmente ofuscou o Wi-Fi 6. Mas ambos terão um papel significativo a desempenhar no futuro do wireless. Ao contrário das gerações anteriores de redes sem fio, as redes 5G celulares e Wi-Fi 6 serão capazes de interoperar perfeitamente umas com as outras e são amplamente consideradas como tecnologias complementares no ecossistema sem fio. Organismos de padrões e alianças sem fio continuam a propor soluções para os desafios técnicos restantes em torno da interoperabilidade perfeita.

Os executivos de rede relatam que suas empresas estão adotando ambas as tecnologias para suas iniciativas sem fio, indicando que preferem Wi-Fi 6 para ambientes de rede interna, externa e fixa e 5G para ambientes externos e de rede móvel. Adotar as tecnologias em paralelo faz sentido. No total, 45% já estão implantando Wi-Fi 6 e 5G em seus negócios ou testando / experimentando com eles, com outros 35% se preparando ativamente para usar ambos – por exemplo, adquirindo dispositivos / infraestrutura e identificando provedores (figura 7). Quase todos esperam que sua organização use 5G e Wi-Fi 6 nos próximos dois a três anos. O investimento projetado também reflete a co-adoção: nos próximos três anos, essas organizações esperam dividir seus gastos sem fio de maneira bastante uniforme entre Wi-Fi (48%) e tecnologias de celular (52%).

A adoção paralela de 5G e Wi-Fi 6 também fica aparente quando olhamos mais detalhadamente por país (figura 8). Em todas as geografias estudadas, mais da metade dos executivos de rede relatam que sua organização implanta ou usa o Wi-Fi 6 e, na Alemanha, Brasil, Reino Unido, China e Austrália, o percentual de adoção chega a 70% ou mais. Esses países também relatam os níveis mais altos de implantações / pilotos 5G.

O Wi-Fi 6 tem uma vantagem de adoção sobre o 5G em todos os países estudados, mas lacunas de dois dígitos são aparentes na Índia, Holanda, Brasil e Reino Unido. A disponibilidade de espectro é provavelmente um contribuinte para o ritmo comparativamente mais lento de adoção de 5G: enquanto o Wi-Fi 6 usa espectro não licenciado (e, portanto, tem um caminho de entrada de custo mais baixo), as iniciativas 5G geralmente exigem que reguladores governamentais leiloem ou aloquem espectro adequado para 5G serviços e alguns leilões enfrentaram atrasos. A Holanda não concluiu seu primeiro leilão de espectro 5G até meados de 2020. Tanto a Índia quanto o Brasil tinham como meta os leilões de 2020, mas a pandemia adiou esses planos. Não é surpresa que os três países com os níveis mais altos de adoção de 5G – Alemanha, China, Austrália – todos tiveram leilões de espectro 5G em 2018 ou 2019, dando a seus lançamentos comerciais de 5G uma vantagem antes do COVID-19.

Wireless avançado é fundamental para a inovação e transformação
A esmagadora maioria dos executivos de rede espera que tecnologias sem fio avançadas transformem suas empresas e setores no curto prazo – especialmente considerando que 5G e Wi-Fi 6 são as últimas gerações de tecnologias que vêm evoluindo há décadas. Quatro em cada cinco acreditam que a tecnologia sem fio avançada transformará substancialmente sua organização dentro de três anos, e quase o mesmo diz o mesmo sobre o efeito em sua indústria (figura 9). Como seus pares do setor estarão se transformando quase tão rapidamente quanto suas próprias organizações, muitos desses executivos provavelmente estão sentindo uma enorme pressão competitiva para obter benefícios rapidamente.

Alimentando a inovação
A rede avançada está se tornando uma parte essencial da arquitetura de inovação das organizações. Em vez de apenas representar as maiores e mais recentes melhorias em tecnologias sem fio, a conectividade de última geração está se tornando parte integrante de como as empresas estão inovando e se transformando – mudando a forma como operam, desenvolvem novos produtos e modelos de negócios e se envolvem com os clientes. De fato, três quartos dos tomadores de decisão de rede acreditam que sua organização pode criar uma vantagem competitiva significativa ao alavancar tecnologias de rede avançadas e quatro em cada cinco acreditam que a conectividade avançada será extremamente importante para aprimorar as interações com o cliente em três anos.

A maioria dos entrevistados (56%) vê a infraestrutura de rede atual de sua empresa como um impedimento para abordar os casos de uso inovadores que desejam atingir – e esse impulso para inovar os motiva a adotar redes de última geração. Na verdade, o desejo de tirar proveito de novas tecnologias, como IA, análise de big data e computação de ponta é um dos principais motivadores para a adoção sem fio avançada, associada à melhoria da eficiência (figura 10). Aprimorar as interações com o cliente completa os três benefícios mais procurados. É importante notar que, no estudo do início de 2020, melhorar a eficiência estava solidamente no primeiro lugar, enquanto aproveitava as novas tecnologias em terceiro lugar. Este último agora subiu para o primeiro lugar. Outra atividade de inovação – a criação de novos modelos de negócios – também subiu vários degraus. Os líderes citaram o desempenho aprimorado e as características operacionais do wireless avançado – como velocidades de dados mais rápidas, cobertura aprimorada, latência mais baixa, segurança aprimorada, melhor confiabilidade e interoperabilidade – como atributos importantes para alcançar os benefícios do wireless avançado.

Olhando mais de perto os países, os três principais motivadores gerais são: tirar proveito das novas tecnologias, melhorar a eficiência e melhorar as interações com o cliente – ressoando na maioria das regiões (figura 11). No entanto, alguns países colocam grande ênfase em certos objetivos fora desses três – por exemplo, novos modelos de negócios (Japão, Holanda, Portugal), melhores produtos/serviços (Alemanha, Portugal), criação de novos produtos/serviços (China, Austrália), e redução de custos (Brasil).

Rede avançada no núcleo
Os executivos de rede veem a tecnologia sem fio avançada como parte integrante de seus esforços para implantar tecnologias inovadoras no centro de seus esforços de transformação digital, incluindo análise de big data, computação em nuvem, computação de ponta, IA e IoT. Notavelmente, 99% dos entrevistados disseram que suas empresas estão buscando cada uma dessas tecnologias no próximo ano, apesar de não ser um requisito para a participação na pesquisa. Quatro em cada cinco executivos de rede consideram o wireless avançado muito / extremamente importante para a capacidade de sua organização de implementar IoT, análise de big data, IA e computação de ponta – e ainda mais dizem o mesmo para a computação em nuvem (figura 12).

Mais do que nunca, essas tecnologias estão interligadas e convergindo em iniciativas de inovação empresarial. Com a rede avançada se tornando intrínseca, como as organizações adotam e arquitetam suas soluções sem fio avançadas não é mais uma decisão separada de como elas implementam outras tecnologias inovadoras: os líderes devem cada vez mais considerar a rede avançada um componente-chave da arquitetura empresarial ponta a ponta de uma organização.

Como a adoção de wireless avançado está se desenvolvendo
As organizações estão abordando a adoção sem fio avançada como uma iniciativa de tecnologia estratégica, liderada por tecnólogos dentro e fora da empresa. A função de TI – executivos e profissionais de nível C – lidera o processo de adoção, seguida pelos executivos de negócios de nível C (figura 13).

Quando se trata de influenciar as decisões de uma organização em relação à tecnologia sem fio avançada, a equipe de TI e os fornecedores de tecnologia são os que mais influenciam, seguidos pelas operadoras sem fio e os executivos da empresa (figura 14).

Ecossistema complexo e em evolução
Cumprir a promessa de iniciativas sem fio avançadas, particularmente aquelas envolvendo 5G, envolve um complexo ecossistema de participantes, incluindo aplicativos e provedores de nuvem, operadoras sem fio, consultores e integradores, fabricantes de equipamentos e provedores de infraestrutura. Cerca de um terço dos executivos de rede pesquisados preferem comprar soluções sem fio avançadas de ponta a ponta, mas os outros dois terços preferem adquirir os melhores componentes ou uma mistura de componentes e soluções completas, oferecendo mais de uma oportunidade de personalizar e controlar (figura 15).

Para montar soluções completas, as organizações geralmente reúnem recursos e tecnologias de uma variedade de participantes (figura 16). Em média, os usuários se envolvem com cerca de oito dos nove tipos de fornecedores listados. Além disso, quando se trata de provedores de nuvem, provedores de aplicativos, provedores de componentes, firmas de consultoria/integradores e provedores de equipamentos de rede, cerca de metade das empresas se envolve com dois ou mais fornecedores de cada tipo. Os relacionamentos estão evoluindo: para cada tipo de fornecedor no ecossistema, no máximo três em cada dez adotantes preferem continuar se envolvendo com seus fornecedores atuais; o restante está aberto para explorar novos.

As empresas que escolhem as melhores soluções enfrentam uma grande complexidade e precisam coordenar os esforços de várias partes. Ao lado de suas próprias equipes internas, eles procuram provedores de nuvem (como os hiperscaladores), fornecedores de tecnologia de rede, integradores de sistemas e operadoras sem fio para ajudá-los a se unir e orquestrar as peças. Mesmo quando os adotantes escolhem soluções integradas, o fornecedor lida com uma grande quantidade de complexidade nos bastidores. A realidade de hoje é que nenhum fornecedor sozinho pode oferecer soluções completas e ponta a ponta. Embora alguns já tenham a grande maioria dos componentes e recursos necessários, eles ainda precisam fazer parceria com outros para adquirir e integrar peças adicionais para criar soluções completas.

Espera-se que a arquitetura das redes 5G se torne mais virtualizada, aberta e programável, permitindo a proliferação dos melhores componentes. O papel dos orquestradores que montam todas as peças tende a se tornar cada vez mais importante, seja esse papel assumido por provedores de telecomunicações, provedores de tecnologia ou integradores de sistema.

Desafios para adoção
Uma forma de os fornecedores melhorarem o jogo é ajudando os clientes a enfrentarem seus desafios de rede. Com a tecnologia sem fio avançada permitindo um mundo hiperconectado, os líderes reconhecem que há muito mais pontos de entrada de rede em potencial que precisam ser protegidos, e a segurança está no topo de sua lista de preocupações (figura 17). Ao mesmo tempo, as tecnologias sem fio de última geração prometem maior segurança. O Wi-Fi 6 melhora a proteção de dados, garantindo que todos os dispositivos certificados suportem a última geração de segurança (WPA3), que oferece criptografia e gerenciamento de chaves mais robustos. E o fatiamento 5G oferece suporte a políticas de segurança exclusivas por fatia – um aumento de segurança, desde as fatias são configuradas e gerenciadas adequadamente.

Outra grande preocupação dos adotantes é a compatibilidade com sistemas e dispositivos existentes. Os fornecedores têm a oportunidade de mostrar como seus componentes podem funcionar bem com outros e ir além, oferecendo serviços de integração. Quando olhamos para o nível do país (figura 18), fica claro que alguns adotantes ainda estão lutando para sair do ponto de partida, fortemente investidos em tecnologias mais antigas (um dos três principais desafios na Alemanha), inseguros quanto ao valor de negócios da tecnologia avançada rede (um dos três principais desafios na China, Alemanha, Japão, Holanda e Portugal) ou dificuldade em identificar os casos de uso certos para atingir (um dos três principais desafios na Austrália e no Japão). Mais uma vez, essas dificuldades representam uma oportunidade para os fornecedores demonstrarem o valor comercial de suas soluções e os cenários de uso que elas possibilitam – talvez envolvendo clientes em programas piloto.

Nuvem no centro das atenções
Sete em cada 10 executivos de rede revelaram que esperam implantar e gerenciar principalmente seus aplicativos e serviços de rede sem fio em nuvens públicas ou privadas nos próximos dois a três anos (figura 19). Notavelmente, aqueles que esperam usar principalmente nuvens privadas têm duas vezes mais probabilidade de confiar mais em empresas de tecnologia de nuvem tradicionais para gerenciar seus dados nas nuvens privadas (56%) do que olhar primeiro para seu próprio departamento de TI (28%).

Além disso, os executivos relataram depender de empresas de tecnologia – ou seja, provedores de aplicativos e provedores de nuvem – para ajudar a projetar suas arquiteturas de rede sem fio avançadas. E as empresas estão bem cientes de que suas redes não podem apenas conectar seus dispositivos, mas também devem se conectar a nuvens, coletando dados de máquinas e sensores e combinando-os com os dados operacionais baseados em nuvem da empresa.

Outra área que merece atenção é a proporção de adotantes (16%) que esperam implantar e gerenciar seus aplicativos e serviços de rede sem fio no perímetro em um futuro próximo. Isso representa um salto de 9% dos executivos do estudo nos EUA e aponta para uma consciência crescente da importância e da utilidade da computação de ponta. Considere que, com 5G, o tempo para os dados do dispositivo ou sensor chegarem a uma torre de celular pode ser apenas 2-3 milissegundos, mas o tempo para viajar até um data center distante para processamento (por exemplo, por serviços de análise baseados em nuvem) ainda pode levar centenas de milissegundos, apresentando um problema para aplicativos para os quais a baixa latência é crítica. Mover processamento de dados, armazenamento e análises orientadas por IA para o limite – mais perto de onde os dados são coletados – pode permitir aplicativos que exigem tempos de resposta rápidos, como drones que inspecionam visualmente linhas ferroviárias ou pontes para detectar possíveis problemas, sistemas de telesaúde que capturam e analisam vídeo para monitorar a saúde do paciente em tempo real, robôs coreografados no chão de fábrica ou sistemas automatizados de gerenciamento de tráfego.

À medida que os fornecedores de produtos e serviços de rede de próxima geração disputam uma posição competitiva e correm para oferecer soluções completas, o espaço de rede corporativa está vendo a formação de muitas colaborações e alianças inovadoras entre empresas de tecnologia e fornecedores de telecomunicações – mesmo entre partes antes consideradas concorrentes. A computação de ponta é uma área especialmente dinâmica para parcerias emergentes, e os grandes provedores de nuvem pública estão todos lançando recursos de computação de ponta. A Amazon, por exemplo, tem feito parceria com telcos (como a Telstra na Austrália) para incorporar serviços de computação e armazenamento da Amazon no limite – em estações base ou nos data centers das operadoras de rede – e os clientes podem continuar a usar as APIs da nuvem e as funcionalidades com as quais já estão familiarizados, sem se preocupar com a complexidade de estabelecer uma presença de extremidade eles próprios. O Google Cloud é parceria com a AT&T nos Estados Unidos para trazer serviços de computação de ponta (como inteligência artificial baseada em nuvem e aprendizado de máquina) para a ponta da rede. Na Índia, a Bharti Airtel fez parceria com a IBM em uma iniciativa para trazer 5G, nuvem híbrida e recursos de ponta para seus clientes.

Considerações para tomadores de decisão de rede
De acordo com o relatório da Deloitte, embora ainda seja o início do lançamento da conectividade avançada, os líderes já reconhecem os benefícios potenciais. Os adotantes acreditam fortemente na capacidade das tecnologias de rede sem fio de próxima geração de oferecer vantagem competitiva, desbloquear o poder de outras tecnologias emergentes e transformar rapidamente sua organização e indústria. As decisões estratégicas que os adotantes sem fio tomam hoje podem afetar suas posições futuras, e as organizações podem levar em consideração as seguintes considerações:

Objetivo final em mente. Os adotantes devem considerar os cenários de uso que desejam alcançar e determinar qual tecnologia (ou tecnologias) sem fio seria a melhor escolha em diferentes situações. Os adotantes mais bem-sucedidos provavelmente são aqueles com as habilidades para implantar várias tecnologias e fazer com que diversas redes interoperem conforme necessário.

Estratégias de dados. Quando grandes volumes de dados fluem de máquinas e sensores conectados, as organizações precisam de estratégias e políticas ponderadas sobre como armazená-los, protegê-los e analisá-los. Dependendo dos requisitos de vários cenários de uso, alguns dados podem precisar ser armazenados e analisados ​​em nuvens, com outros dados processados ​​na borda inteligente.

Infraestrutura de inovação. Dado que os líderes veem as tecnologias sem fio de próxima geração como um habilitador significativo de outras tecnologias essenciais, como IA, IoT e borda, a tecnologia sem fio provavelmente se tornará intrínseca a todas as iniciativas de inovação. As empresas devem considerar a tecnologia sem fio de última geração como parte central de sua infraestrutura e estratégia de inovação, não como uma consideração discreta ou posterior. Imagine como a tecnologia sem fio avançada pode permitir novos produtos, serviços e modelos de negócios – e uma interação aprimorada com clientes e funcionários.

Integração e gerenciamento de rede. Os adotantes estão interagindo com um ecossistema complexo e uma infinidade de fornecedores. Com a propensão de adquirir os melhores componentes da categoria, as organizações devem decidir se enfrentam a complexidade da integração ou procuram parceiros. Eles devem avaliar a capacidade de sua organização de gerenciar, autenticar e proteger redes com milhares de dispositivos. Considerando que a segurança é a preocupação número um de adoção, os líderes deveriam ser sábios em não subestimar o nível de risco, custo e esforço ao assumir essas responsabilidades, e podem querer envolver parceiros para obter ajuda.

O ecossistema sem fio avançado é complexo e competitivo, com a grande maioria dos adotantes disposta a reconsiderar seus fornecedores para implementação e gerenciamento sem fio. Os fornecedores de produtos e serviços de rede de última geração podem considerar o seguinte:

Desafios como oportunidades. Os adotantes citaram a segurança e a compatibilidade com versões anteriores como os principais desafios para a adoção. E, dependendo do país, existem dificuldades em entender o valor do negócio ou identificar os casos de uso certos. Todas essas são áreas de oportunidade para fornecedores experientes demonstrarem sua experiência e valor.

Posicionamento do ecossistema. Avalie onde você pode agregar mais valor e definir sua posição. Considere se você pode oferecer experiência em soluções de arquitetura e integração de componentes – áreas onde os adotantes de wireless avançado provavelmente buscarão ajuda. Pense em se associar a outros fornecedores para oferecer soluções mais completas e uma proposta de valor mais atraente para os adotantes.

Parcerias de inovação. Os fornecedores que veem a conectividade de última geração como acréscimo de valor meramente incremental podem perder oportunidades. Os fornecedores experientes devem ir além da oferta de produtos e serviços de conectividade e buscar se tornar parceiros confiáveis para inovação e transformação.

Tanto os adotantes quanto os provedores podem desbloquear enormes oportunidades à medida que as redes sem fio avançadas se espalharem nos próximos anos.

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Relatório Gartner aponta que os executivos estão divididos sobre o retorno ao normal

Poucos executivos veem o retorno ao normal em no curto prazo, uma vez que as estratégias de vacinação COVID-19 levam tempo para avançar. É o que afirma o último relatório da Gartner.

A pesquisa com executivos globais no final de janeiro mostrou que 52% disseram que sua organização voltaria ao “normal” no terceiro ou quarto trimestre de 2021, mas essa porcentagem estava em 62% apenas seis semanas antes.

A realidade é que muitos líderes empresariais ainda não têm certeza de como será o futuro. Pesquisas da Gartner com executivos globais em dezembro de 2020 e janeiro de 2021 mostram que:

Houve uma queda de 10 pontos percentuais nos líderes prevendo que o “normal” começaria no primeiro semestre de 2021 – com uma queda adicional de 10 pontos percentuais daqueles que anteciparam o segundo semestre.

Houve um aumento de 16 pontos percentuais naqueles que previam que o “normal” retornará em algum momento de 2022, com um aumento de 4 pontos percentuais daqueles que disseram que será daqui a alguns anos (ou nunca).

Entre 130 líderes empresariais globais pesquisados, apenas 30% disseram que sua organização está definitivamente incluindo questões de vacinas em seu planejamento estratégico geral, e outros 30% responderam que é provável que a vacina seja levada em consideração.