Tempo de leitura: 4 minutos

Comecei a organizar o TEDxLaçador em 2010 e, de lá para cá, já fui responsável pela preparação de mais de 500 pessoas. Não só palestrantes de TEDx nacionais e internacionais, mas também pessoas que precisam contar suas histórias, ideias e até mesmo apresentar produtos. As idades e formações são muito diferentes e amo mostrar para pessoas que nunca pisaram em um palco que é possível e que todo mundo tem uma história para contar.

Nestes anos, observei que o medo, o nervosismo e duvidar de si mesmo são sentimentos comuns quando somos convidados para falar. Nestes casos, sugiro algo bem simples: conversar com o medo, respirar e pensar que, se te escolheram, significa que acreditam em você, então é preciso honrar o convite.

Tem também os que dizem: “Eu já sei o que vou falar”; alguns até sabem, mas raramente entendem como organizar o conteúdo de forma clara. Existem ainda os que se dizem incapazes. Todos me desafiam. É um processo intenso e de muita troca.

Ir conduzindo o palestrante, mostrando que palavras e ideias precisam fluir e que o tempo dado precisa ser respeitado. No caso de um TEDx esse tempo é curto: se no início as talks tinham até 18 minutos, hoje preparamos os palestrantes para falarem em até 12 minutos. Isso requer muita escrita, estabelecer a ideia principal e entender que alguns aspectos são tão importantes que é melhor deixá-los para outra talk.

Preparar o conteúdo para uma apresentação não é simples. Por isso, a maioria (inclusive eu) demora muito para começar a escrever. Ficava pensando em criar algo visual que ajudasse nesse processo, fosse fácil de usar e permitisse brincar com as palavras. Então selecionei alguns pontos que aprendi ao longo do tempo e criei uma ferramenta, o Talk Canvas.

No Talk Canvas você encontra perguntas e dicas essenciais para começar o processo de estruturação da sua fala. A ideia é imprimi-lo no formato A3, pegar alguns post-its e palavras à obra. A seguir, iremos nos aprofundar no Talk Canvas.

Qual a ideia/ponto de vista? Que visão você quer compartilhar?
A primeira ação é definir qual a ideia, o ponto de vista que você quer passar. Muitas vezes focamos no resultado que a ideia trará ou no que nos levou até ela, e não na ideia em si. Aqui é hora de fazer muitas perguntas: É uma ideia importante? Está clara? E se alguém pedisse para você tuitar a sua ideia ou ponto de vista, como seria? As ideias secundárias são importantes para embasar a ideia principal ou ponto de vista?

É comum querermos falar sobre muitas coisas, mas é preciso foco e discernimento para escolher. As ideias são importantes, mas como coadjuvantes. Elas ajudam a sustentar a ideia principal. Não podem ser muitas, senão fica difícil para a plateia acompanhar o raciocínio.

Argumentos contra e a favor
Sempre digo que é preciso saber o que outras pessoas estão pensando sobre determinado assunto, principalmente as que pensam diferente da gente. Isso nos dá repertório, entendimento e coloca tudo em perspectiva. Nesta hora também é importante estabelecer o que temos a nosso favor.

O que você não pode deixar de mencionar?
Voltamos para aquela vontade de falar de muitas coisas, mas não é possível. Então, faça uma lista das histórias e exemplos que você não pode deixar de mencionar e tenham a ver com a ideia principal.

Dados e fontes
Muitas vezes é necessário usar dados. Nestes casos, use recursos visuais para que as pessoas consigam literalmente enxergar o que você está falando. Ao usar dados, lembre-se de sempre citar a fonte e certifique-se de sua confiabilidade.

Quem irá te ouvir?
Não esqueça de perguntar quem estará na plateia. Aqui vai uma dica: prefira usar uma linguagem simples (atenção: simples, não simplória). Que seja clara, objetiva e sem jargões. Eu costumo dizer: imagine que uma criança precisa entender e ficar maravilhada.

O que você imagina que as pessoas irão postar sobre a sua fala?
Esta pergunta pode mudar toda a forma como você escreveu, pois nos coloca para pensar sobre o resultado, sobre as emoções que iremos provocar. Muitas vezes imaginamos um determinado resultado, mas toda construção do texto está levando para a direção oposta. Como disse o empresário Eduardo Meira Peres, um dos primeiros a testar o Talk Canvas: “Ao responder à provocação sobre o que as pessoas iriam postar sobre minha fala, pude perceber o impacto que eu gostaria de causar, o que me fez revisar alguns pontos para conseguir passar esta mensagem”.

Dicas:

Conexão emocional
Não importa se você está apresentando um produto ou a ideia da sua vida, é vital achar uma conexão emocional com o que você está falando. Não podemos esperar que as pessoas se conectem, se nós mesmos não estamos conectados com o que está sendo dito.

Escrever, ler em voz alta e reescrever
A escrita é super importante, pois é através dela que conseguimos avaliar o peso que está sendo dado para cada ideia, se a linguagem está adequada, se a ordem está correta. Ao ler em voz alta, é possível sentir as palavras, as pausas, a pontuação, se elas se encaixam e se têm cadência. Pedir para alguém ler em voz alta também ajuda muito. Para escrever este texto, usei o recurso “Ler em voz alta do Word”, funciona muito bem.

O tempo
É preciso usar o tempo de forma equilibrada. Introduções e conclusões não devem ter um tempo maior do que o desenvolvimento. E lembre-se: nada pode ser mais desrespeitoso com quem convidou e com a plateia, do que ultrapassar o tempo que foi dado. Vale preparar sua fala com alguns minutos a menos, pois assim você terá um tempinho extra, se precisar.

Treine, treine, até ficar natural
Texto feito, é preciso memorizar. Existem inúmeras técnicas para isso. E treinar muito, muito mesmo. Apresente para outras pessoas, escute os feedbacks e ajuste.

Espero que esta ferramenta ajude você na sua próxima palestra. E se usar, me conte como foi!

Para mais conteúdos sobre gestão, negócios e carreira, acesse o blog da Revista HSM Management!

[shareaholic app="share_buttons" id="25714566"]
Receba novidades por e-mail.