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Muito tem se falado a respeito da 4ª Revolução Industrial e seus impactos na sociedade em geral. Sobretudo, nas drásticas mudanças que ela poderá causar nas profissões e na oferta de emprego, impactando a forma como trabalhamos e, com isso, como vivemos. Vários documentos têm apontado que a Indústria 4.0 teve início no ano de 2010, a partir de um projeto estratégico de alta tecnologia do governo alemão.

O projeto tinha o objetivo de promover a informatização da manufatura, devido ao aumento expressivo na demanda por produtos personalizados. Inicialmente usado para englobar algumas tecnologias para automação e troca de dados no ambiente industrial, o termo Indústria 4.0 foi aumentando sua abrangência ao longo dos anos, até se chegar aos nove pilares atuais, sendo eles:

Robôs autônomos – substituição de todas as operações repetitivas e mecanizadas, e que oferecem riscos à saúde ou segurança dos humanos.

Big Data – grandes volumes de dados armazenados em conjunto, possibilitado análises complexas, com o intuito de auxiliar a tomada de decisão.

Realidade Aumentada – interligação do ambiente real ao virtual, possibilitando um aumento de eficiência e ajudando a prever diversos problemas.

Impressão 3D – ou manufatura aditiva, aplicada na fabricação de peças para manutenção e produção, acelerando o tempo de reposição e, consequentemente, reduzindo o tempo de parada.

Computação em Nuvem – um dos pilares fundamentais, pois permite que todos os dados coletados sejam armazenados em servidores na nuvem, garantindo escalabilidade e baixo custo.

Cibersegurança – com toda essa gama de informações, é preciso garantir a segurança dos dados coletados, que contêm informações sigilosas.

Internet das coisas (IoT) – interconexão digital de objetos com a internet, usando sensores que ficam colhendo dados de tudo o que acontece e transmitindo em tempo real para nuvem.

Integração de sistemas – tem o objetivo de centralizar todas as informações dos diversos sistemas para facilitar sua análise posterior.

Simulação – realizar antecipadamente alguns testes para otimizar processos e produtos ainda na concepção, reduzindo custos e tempo de fabricação.

Basicamente, todos os pontos mencionados até aqui se referem a avanços que são permitidos pela transformação digital, ou com muito foco tecnológico e de sistemas.

Transformação Digital

A transformação digital é o que acontece com as organizações quando elas adotam formas novas e inovadoras de fazer negócios com base em avanços tecnológicos, aplicando-a a todo tipo de organização, inclusive na indústria. Isso fez com que houvesse uma revolução no ciclo de vida da produção, uma vez que os mundos digitais e físicos se fundiram. Tudo dentro e ao redor de uma planta operacional passam a estar conectados em uma cadeia de valor integrada e digital.

Uma mudança de era

Olhando por uma ótica mais ampliada, é possível identificar que a digitalização possibilitou um crescimento sem precedentes ao conhecimento humano. Por outro lado, a economia colaborativa começou a ganhar cada vez mais espaço com o uso compartilhado dos recursos e uma valorização cada vez maior daquilo que é intangível. Passamos não só por uma era de mudanças, mas, sim, por uma mudança de era, onde modelos de negócio se liquefazem e surgem as organizações exponenciais. E é nesse sentido que os conceitos sobre essas mudanças se misturam. Poderíamos, dessa forma, dizer que a sentença abaixo é verdadeira?
Indústria 4.0 = Transformação Digital = Transformação Ágil

Foco nas Pessoas

Todas essas inovações mencionadas e que já fazem parte da realidade de uma parcela da população e de algumas empresas jamais trarão resultados de forma plena sem um componente essencial: as pessoas! E a transformação ágil fala justamente dessa mudança de mindset para um foco cada vez maior no cliente e na colaboração nas equipes. Sem isso, de nada adianta a tecnologia! Essa mudança de enfoque nas organizações passa por uma série de conceitos que não se referem unicamente ao uso de métodos, mas, sim, ao uso de abordagens que requerem uma nova forma de pensar e agir.

Lean e Agile

Há muitas similaridades entre o Pensamento Lean e a Abordagem Ágil, pois ambos focam em alguns aspectos principais em comum, como por exemplo: entregas rápidas, produtos de valor, melhoria contínua, construir com qualidade e no respeito às pessoas. Entretanto, o Lean teve sua origem justamente no ambiente fabril, buscando uma maior eficácia na operação, com fluxo contínuo e eliminação de desperdício, itens indispensáveis a qualquer empresa.
Já o Agile, nasceu do desenvolvimento de software, visando a adoção de formas de trabalhar mais adequadas ao ambiente intrinsecamente incerto de execução. Com isso, a adaptação constante em detrimento de um plano inicial, bem como um fomento à colaboração interna (equipe) e externa (cliente), se tornam pontos essenciais ao sucesso do negócio.
Lean – construir a coisa certa (eficácia)
Agile – construir do jeito certo (eficiência)
Lean + Agile = Efetividade
Para desenvolver o produto certo é preciso que se identifique o problema que se quer resolver de forma correta. Isso só é possível quando se tem um foco no cliente e na experiência que este terá com o resultado do seu trabalho. De igual forma, um desempenho superior de uma equipe só é alcançado quando as pessoas que dela fazem parte são colocadas em primeiro plano, garantindo um maior engajamento e, consequentemente, uma execução mais eficiente. Veja que as abordagens se complementam de forma efetiva para apoiar uma poderosa transformação nas organizações, dando-lhes a capacidade necessária para enfrentar a complexidade do mundo atual e futuro.

Aprendizagem Escalável

Um ponto comum e super importante entre ambas é a entrega antecipada de valor, a qual permite que se obtenha um feedback rápido dos usuários por meio de ciclos curtos de interação. E isso é extremamente valioso para as organizações, pois possibilita um aprendizado mais acelerado acerca das necessidades dos clientes e se elas estão sendo atendidas pela solução proposta. Essa capacidade de se criar produtos de valor será tão maior quanto a habilidade das empresas em inovar. E isso só é possível em ambientes onde as equipes tenham a chance de experimentar. E a experimentação é que irá permitir a descoberta de soluções inovadoras. É preciso errar para acertar! E quanto mais rápido você erra, mais rápido você aprende, garantindo uma aprendizagem escalável à organização!

Fail Fast, Learn Faster! So, ACT and ADAPT quickly!

Empresas que entendem essa necessidade e se especializam nessa capacidade de ter uma ideia, obter feedback dos usuários e aprender de forma rápida com eles, tomando ações imediatas para corrigir o rumo são as que conseguem alcançar um crescimento exponencial.

Escalando o negócio

Quando falamos de soluções escaláveis e negócios exponenciais, é impossível que se alcance uma quantidade enorme de usuários (na casa de milhões) sem o uso de tecnologias. Muito menos que se identifique corretamente quais são as suas necessidades específicas, para que se desenvolva o produto adequado para cada um, de forma personalizada. A isso, chamamos de Massificação da Personalização. Em contrapartida, a imensa massa de informações e soluções disponibilizadas ao público consumidor, possibilita o conhecimento aprofundado e facilitado sobre produtos e serviços. Essa via de mão dupla exige das empresas da era digital uma melhoria contínua de suas soluções e do relacionamento com os seus clientes, a fim de que se mantenha o diferencial competitivo.

Massificação da Personalização

Em contrapartida, a imensa massa de informações e soluções disponibilizadas ao público consumidor possibilita o conhecimento aprofundado e facilitado sobre produtos e serviços. Essa via de mão dupla exige das empresas da era digital uma melhoria contínua de suas soluções e do relacionamento com os seus clientes, a fim de que se mantenha o diferencial competitivo.

Juntos e misturados

E é aí que os pilares de Indústria 4.0, essencialmente tecnológicos como Big Data, Nuvem, Integração e Segurança de Sistemas, surgem com a transformação digital, misturando-se os conceitos. Só com soluções como essas é possível garantir o tratamento do montante de dados que são gerados de forma segura e eficaz, permitindo a tomada de decisão baseada em informações corretas acerca dos usuários.

Em adição, elementos como IoT, Realidade Aumentada e Robôs Autônomos não somente aumentam a produtividade na indústria, como são também objetos de desenvolvimento de soluções para os usuários finais. Além do uso eficiente desses recursos na produção, eles permitem uma maior capacidade das empresas se adaptarem de forma rápida às mudanças nas necessidades dos seus clientes, garantido um time-to-market diferenciado frente à concorrência.

Ainda, soluções como Simulação e Impressão 3D podem ajudar nessas adaptações, bem como em testes e na manutenção aditiva, garantindo uma maior taxa de disponibilidade da planta produtiva. Dessa forma, a combinação da tecnologia com as necessidades dos usuários finais e, consequentemente, da adoção dessas soluções no ambiente de produção, potencializam o resultado das transformações.

Todavia, a transformação digital e a revolução 4.0 só irão ocorrer, de fato, se tivermos pessoas preparadas para lidar com essas mudanças e capazes de dar o seu melhor, seja em termos de criatividade, seja em produtividade. Sendo assim, só com a transformação ágil será possível extrair o máximo de valor da tecnologia e da capacidade de inovação das equipes, para que se obtenha entregas de produtos de valor e de forma antecipada aos nossos clientes.

Júnior Rodrigues, Diretor Executivo na Gespro Treinamento e Consultoria.
Experiência em Consultorias e Gestão e em Projetos,forte atuação internacional e em áreas multidisciplinares. www.gespro.com.br // jr@gespro.com.br

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