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Match ideal: o novo desafio do mercado de tecnologia

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), em 2019, o setor de TI apresentou um crescimento de 6,7% em todo o mundo. No Brasil, esse avanço foi de 9,8%, atingindo US$ 47,7 bilhões, superando a expectativa que era de 4,1%, levando em consideração as verticais de software, serviços, hardware e as exportações. Diante desses dados, nosso país se manteve na 9ª posição no ranking mundial.

Ainda de acordo com a entidade, existem mais de 19 mil empresas que atuam no mercado de softwares e serviços no Brasil, sendo 27,3% delas focadas no desenvolvimento e produção. Tais informações no mostram um cenário promissor para os desenvolvedores e aumenta ainda mais o desafio de contratação por parte das empresas.

Com nossa expertise de cinco anos nesse setor, sabemos bem as dores de quem precisa contratar esses profissionais, cada vez mais essenciais para alavancar um negócio. Vivemos a era do digital, ou seja, desenvolvedores passaram a ser parte importante para que uma empresa tenha sucesso e gere lucros, de maneira eficiente.

No Brasil, existem atualmente 845 mil empregos no setor de TI. Apesar dos números que chamam atenção, apenas 46 mil pessoas se formam anualmente com perfis destinados exclusivamente a tecnologia, levando ao déficit de profissionais neste setor, o que mostra um estudo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Com isso, temos a seguinte questão: como encontrar essas pessoas que escolheram trabalhar no segmento de tecnologia? A resposta é relativamente simples! Fazendo uso da matéria-prima desses profissionais, ou seja, a própria tecnologia. Por meio de plataformas que oferecem recursos como Inteligência Artificial, Chatbots e aplicação de diversos algoritmos, que fazem um intenso cruzamento de dados, é possível obter, em poucos minutos, uma lista de candidatos de acordo com o perfil buscado.

É evidente que ainda precisamos inovar para modificar o setor, incentivando cada vez mais as carreiras voltadas ao mercado de TI. Também é preciso olhar atentamente para os processos de seleção e rever os pontos que ainda possam estar fora do eixo. Por fim, é essencial apoiar as comunidades que surgem a partir dessas profissões, engajando ainda mais esse público. Esses são os primeiros passos para a transformação efetiva na busca por desenvolvedores e de demais profissionais voltados para o segmento tech.

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Seis tendências para ficar de olho em 2020

A consultora americana Amy Webb tornou-se mundialmente conhecida por seus relatórios de tendências de consumo e tecnologia. Um dos destaques da programação da HSM Expo 2020, ela costuma divulgar uma carta com as previsões que se consolidaram ao longo do ano e as tendências que devem despontar nos próximos meses. Confira abaixo os principais movimentos que devem conquistar marcas e consumidores em 2020.

1- Um novo cenário para as Big Techs
Impulsionadas pelo uso de inteligência artificial como serviço, Google, Amazon, Facebook e Apple deverão continuar aumentando suas apostas no mercado de cloud e IA. Nesse campo de batalha, entrarão em cena disputas de políticas antitruste, relações trabalhistas e movimentos open-source.

2 – As megaplataformas de streaming
Os gigantes do Vale do Silício estão cada vez mais interessados nos hábitos de consumo de áudio e vídeo. O acesso a bases massivas de dados e a possibilidade de fusões e aquisições no setor podem levar a um alto potencial de centralização – de poder e usuários – em 2020. As apostas sobre quem sobreviverá nesse novo cenário ainda estão abertas.

3 – Diálogos regulatórios
Discussões sobre ética e legislação de dados continuarão a ganhar força em todos os setores. Embora isso não signifique uma mudança imediata no cenário atual (sobretudo com a aproximação das eleições americanas), o movimento deve aumentar a pressão sobre as grandes empresas de tecnologia.

4 – A hora da China
O mercado chinês continuará expandindo o seu domínio econômico para outras esferas de influência. Esse movimento deverá ganhar força em áreas como diplomacia, infraestrutura digital, bioengenharia e até mesmo na corrida espacial (alô, alô Elon Musk!).

5 – O Japão e as Olimpíadas
A realização dos jogos será uma grande oportunidade para fortalecer o lugar dos japoneses no cenário mundial de bens de consumo e tecnologia. As indústrias de turismo, robótica e tecnologia terão destaque especial nesta vitrine mundial.

6 – Novas interfaces
Saem os smartphones, entram os wearables. Não vai acontecer da noite para o dia, mas veremos cada vez mais dispositivos como roupas inteligentes, óculos de realidade aumentada e acessórios com sensores biofísicos.

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Cidades (nada) Inteligentes

As cidades inteligentes são atualmente desejo de consumo das autoridades municipais no Brasil e no mundo. Esse tipo de cidade, mais do que vias e construções, são constituídas de dados, que se por um lado ajudam a melhorar a qualidade de vida da população ao otimizar serviços e ações públicas, por outro lado capturam boa parte da privacidade dos cidadãos com enormes bancos de dados que podem ter sua segurança violada. É nessa dicotomia que vem emergindo o conceito e instrumentos tecnológicos para tornar as cidades mais inteligentes.

Em todo o mundo, cidades antigas foram adaptadas e algumas novas cidades estão sendo construídas em terrenos totalmente renovados, totalmente planejadas e orientadas para serem inteligentes desde os primeiros projetos de planos. Quanto mais antiga e mais desenvolvida for uma cidade, mais complexo é para adaptar e se adaptar.

Economias emergentes como a China e a Índia estão investindo pesadamente em cidades que são forjadas como modelos de vida urbana sustentável, combinando as mais recentes tecnologias avançadas de informação e comunicação com o projeto arquitetônico de ponta totalmente integrado em ambientes urbanos onipresentes.

De muitos pontos de vista, as cidades inteligentes não são apenas uma tendência de moda, elas são vistas como necessárias para toda a civilização. Apresentam-se como uma solução sustentável para a vida urbana. Soluções relacionadas ao gerenciamento de água, energias limpas e renováveis, redes inteligentes, controle inteligente de tráfego, governo eletrônico, mobilidade urbana, acessibilidade à internet sem fio e gerenciamento de resíduos são apenas alguns exemplos que podem ser destacados em uma longa lista de soluções propostas orientadas à resolução dos problemas urbanos.

O desafio não é a tecnologia em si, mas como projetar e usar a tecnologia para o benefício real do bem-estar dos cidadãos. O problema é o outro lado da moeda. A coleta de dados privados pelos sensores das smart cities. Antes, as empresas de construção civil eram as construtoras das cidades. Agora são as empresas de tecnologia que estão entrando na concorrência para construir as cidades inteligentes. Uma radical mudança que ocasiona outros impactos, como a coleta dos dados privados, por meio de milhares de sensores via inteligência artificial, em toda a cidade. Os dados são o negócio dessas empresas.

Um plano de saúde pode não cobrir o tratamento de seu colesterol ou de um ataque cardíaco, após detectarem que em seu histórico no supermercado está registrado a compra de carne vermelha por mais de 2 anos seguidos e nenhuma matrícula em academia. Ou, o seguro de seu carro pode custar R$ 500,00 mais caro se você levou duas multas por excesso de velocidade no último ano.

A China está introduzindo um sistema de crédito social até 2020. Esse sistema irá permitir ou inibir, por exemplo, a moradia em certos lugares, viagens dentro do país ou para o exterior, matrícula dos filhos em algumas escolas em específico, acesso a restaurantes, etc. Tudo a depender de sua pontuação social, ou seja, o número de “likes” irá definir quem você é.

Pelo lado bom, no Nordeste brasileiro, Salvador é a única cidade da região no ranking IESE Cities in Motion Index, que elenca as smart cities (cidades mais inteligentes) do mundo. A capital baiana ocupa a 147ª posição no ranking internacional, num ranking de 165 cidades e que traz Nova York (EUA) como a primeira colocada pelo segundo ano consecutivo. A cidade ocupa ainda a quinta posição entre as seis únicas brasileiras na listagem do IESE Business School.

As outras representantes nacionais são: a capital paulista, na 116ª colocação e a primeira entre as smart cities nacionais; Rio de Janeiro, na 126ª posição e a segunda entre as brasileiras; Curitiba, na 135ª, terceira colocada; Brasília, na 138ª e quarta posição; e Belo Horizonte, na 151ª posição e a sexta, respectivamente. É um importante reconhecimento para a cidade, num ranking que leva em conta o capital humano, coesão social, economia, meio ambiente, governança, planejamento urbano, alcance internacional, tecnologia, mobilidade e transportes.

Contudo, as posições das cidades brasileiras nesse ranking mostram o quão distantes estamos, seja do Black Mirror traçado para as cidades inteligentes mais conectadas, seja do exemplo de cidadania e sustentabilidade, quando olhamos para as capitais nordestinas e nem as calçadas, nem a coleta seletiva de lixo são padronizadas. Garantindo mobilidade e sustentabilidade ambiental.

E, hoje, não sei o que é pior, perder os dados, mas ter mais qualidade de vida, como eu vi nas cidades chinesas que visitei, ou manter minha privacidade e abrir mão da cidadania, como vemos todos os dias nas cidades brasileiras.

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Hugh Herr e a ascensão da era biônica

Líder do grupo de pesquisa de biomecatrônica do MIT, o americano Hugh Herr perdeu as duas pernas durante um acidente de alpinismo. A notícia de que nunca mais poderia voltar a praticar o esporte serviu como motivação para que ele começasse uma série de pesquisas para recuperar o que parecia impossível por meio da robótica.

O trabalho desenvolvido por Herr resultou na criação da prótese BiOM. Baseado em um sistema de sensores e circuitos que controlam um músculo artificial da panturrilha, o modelo oferece uma experiência mais confortável aos usuários, resultando em movimentos mais naturais.

A prótese criada por Herr fez mais do que possibilitar a sua volta ao alpinismo: ela melhorou seu desempenho durante a escalada. “Rapidamente atingi um nível superior ao que tinha antes do acidente. Ou seja, a minha performance ficou melhor com as próteses do que com as minhas pernas biológicas”, afirmou em uma entrevista ao EuroNews.

O sucesso da pesquisa levou à criação da BionX Medical Technologies. Fundada em 2011, a empresa tem como objetivo desenvolver soluções biônicas para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência ou problemas de mobilidade.

O sistema desenvolvido pela Bionx tem como diferencial uma tecnologia capaz de prever movimentos a partir da força que o usuário exerce sobre a prótese. O próximo passo é estabelecer uma conexão com o sistema nervoso. O avanço permitirá que o usuário “sinta” as pernas biônicas. “Estamos constantemente cercados de mensagens sobre como a tecnologia está nos prejudicando: poluição, armas nucleares e assim por diante… Acredito que me tornei um exemplo oposto dessa tendência”, diz.

Hugh Herr estará no palco principal da HSM Expo ’19, onde contará detalhes sobre a inovação por trás das suas pernas robóticas. Garanta sua inscrição no site oficial do evento.

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Por que é tão difícil estabelecer uma cultura Data Driven?

Conforme a tecnologia ganha cada vez mais espaço nos processos de gestão, é muito comum ouvirmos falar sobre a importância de sermos Data Driven (termo que representa a capacidade de tomada de decisões embasadas por dados).
Porém, por mais que as empresas tenham cada vez mais acesso a indicadores, ainda vemos grande parte das decisões serem baseadas mais na intuição do que na análises de fatos e dados.

Por que será que isso acontece? Na minha experiência como executivo e consultor, vejo alguns fatores que dificultam a adoção de uma cultura Data Driven:

Fator 1: Falta de clareza sobre o contexto de cada indicador

Como geralmente os indicadores são gerados através de relatórios exportados de ferramentas de gestão (ex.: ERP, CRM, Google Analytics, etc.), é bem comum que as pessoas usem o formato padrão desses relatórios para suas análises.

O problema dessa abordagem é que cada empresa possui estratégias e contextos diferentes, o que faz com que o mesmo indicador possa ter múltiplos significados, dependendo do objetivo da empresa. Vamos imaginar por exemplo o número de pessoas que demonstram interesse em um produto, através do preenchimento de um formulário.

Caso o contato com esses interessados ocorra por e-mail, o custo de relacionamento com essas pessoas é muito pequeno. Dessa forma, quanto mais interessados, melhor. Porém, caso a empresa trabalhe com demonstração do serviço/produto e precise fazer reuniões ou falar por telefone antes de fechar a venda, o volume de interessados possui um grande impacto no custo da operação.

Nesse 2o caso, ao invés de considerar apenas o número de interessados, vale a pena estabelecer alguns critérios de qualificação para garantir que só sejam abordadas as pessoas que possuam maior probabilidade de compra.

Fator 2: Utilização de dados consolidados, sem segmentação

Dando continuidade à essa questão do uso dos relatórios padronizados, é bastante frequente vemos as análises considerando apenas os dados consolidados, seja através do somatório ou através da média. Apesar dos indicadores consolidados passarem uma noção importante sobre a evolução do negócio, uma análise segmentada permite um direcionamento de recursos mais eficiente.

Uma área em que essa análise pode fazer uma diferença enorme é na parte de marketing, principalmente quando falamos da compra de anúncios. Ao analisarmos apenas o resultado total da campanha, perdemos a chance de diferencias quais anúncios trouxeram retorno positivo e devem ser aumentados daqueles que deram prejuízo e devem ser reduzidos. Apesar da análise segmentada ser mais trabalhosa, ela permite uma alocação de recursos muito mais eficiente.

Fator 3: Excesso de informações disponíveis

Mesmo com o Marketing sendo a área em que geralmente temos mais dados disponíveis, praticamente qualquer área é constantemente bombardeada com uma grande quantidade de indicadores, o que gera uma sobrecarga na nossa capacidade de tomar decisões.

Nesse momento, o gestor possui um papel crucial em entender quais são as alavancas mais relevantes para cada objetivo estratégico e orientar o time a focar nesses indicadores mais críticos, ignorando boa parte dos outros dados disponíveis.

Fator 4: Maior transparência sobre erros e acertos

Apesar dos aspectos técnicos terem um peso enorme nas decisões baseadas em dados, não nos podemos esquecer do aspecto humano da coisa. Na prática, o uso de dados pode possuir 2 tipos de impacto no ego dos gestores:
– Apontar para um caminho que seja diferente da intuição do gestor
– Expor erros cometidos

Por isso, um ponto extremamente importante de ser levado em conta é o envolvimento das pessoas no processo, para que elas ajudem a definir quais são os dados mais relevantes e participem da construção desde o início.
Esse envolvimento não garante o sucesso de projetos de análise de dados, mas ajuda a reduzir bastante a chance de boicote.

Conclusão: A cultura data driven precisa vir da liderança

Como podemos ver, existe uma diferença enorme entre teoria e prática na hora de estruturar as análises de dados na sua empresa. O processo é complexo e demanda um grande investimento por parte da alta liderança tanto na hora de selecionar os dados mais relevantes quanto no engajamento do time em relação a essas decisões.

Assim como grande parte das questões relacionadas à gestão, a capacidade da liderança de contextualizar e orientar o time acaba sendo mais relevante do que a parte técnica, que também possui bastante complexidade para ser implementada.

E você, já teve experiências interessantes na hora de fortalecer as análises de dados na sua empresa? Compartilhe nos comentários!

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Years & Years e as tendências de um futuro que está logo ali

A nova série da HBO tem deixado alguns espectadores alarmados com o futuro da humanidade. A trama foi elaborada pelo roteirista britânico Russell T. Davies, conhecido pelo trabalho em Dr.Who. Em entrevista à BBC, o autor definiu a história como “um drama épico que segue uma família durante mais de 15 anos de mudanças políticas, econômicas e tecnológicas.”

A história gira em torno da família Lyons, composta por membros de diferentes posições políticas, idades, estilos de vida, etnias e orientações sexuais (e, que ainda assim, tentam se entender da melhor forma possível). “Years & Years” revela um futuro completamente diferente de outras séries futuristas. Davies retrata um cenário próximo – datado entre os anos 2019 e 2024 – e bastante verossímil em relação ao contexto cultural e político atual. A identificação com alguns dos personagens pode acontecer facilmente.

Eis o contexto geral: um nacionalismo de direita está em ascensão global, o presidente Donald Trump segue firme em seu segundo mandato, a guerra comercial entre China e EUA resulta em explosões nucleares e a população sofre uma grande crise econômica com a falência de grandes bancos. Isso sem contar os impactos das mudanças climáticas e os problemas com os refugiados ucranianos que não são aceitos na Europa…

A protagonista Viv Rook é interpretada pela atriz Emma Thompson. Ela vive uma empresária sem escrúpulos, famosa por falar barbaridades na TV, que decide se candidatar ao cargo de primeira-ministra do Reino Unido (com uma campanha baseada em fake news, obviamente).

“Years and Years” também exibe uma perspectiva ambivalente sobre os avanços tecnológicos. Em um primeiro momento, a tecnologia é apresentada como um incentivo para manter a estrutura de famílias tradicionais. Os encontros entre as pessoas seriam facilitados por reuniões virtuais, feitas por um dispositivo que lembra bastante o Amazon Echo.

O lado mais sombrio é projetado no transumanismo, movimento que permite a expansão de habilidades humanas com a ajuda da tecnologia – a um ponto em que seria possível transferir toda mente de uma pessoa para um cérebro na nuvem. Assim como no mundo de hoje, o acesso a essas novas tecnologias não é para todos. Está aberta uma temporada marcada pelo abismo de exclusão econômica e social.

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Como utilizar o Big Data no varejo?

O uso intensivo de dados é uma das principais características dos negócios digitais. O mercado lida, hoje, com uma quantidade enorme de informações e isso só tende a aumentar no futuro. Afinal, quanto mais os consumidores estão conectados online e se relacionam com as empresas por diversos pontos de contato, mais elementos sobre o seu comportamento passam a ser registrados.

Com isso em mãos, os varejistas podem compartilhá-los com a sua equipe, fornecedores e parceiros para acelerar seus negócios e, com o uso de Big Data e inteligência artificial, as companhias conseguem analisar e melhorar o relacionamento das marcas com o público. Mas, para que a sua aplicação seja correta é preciso que haja uma estratégia e esta vai muito além do omnichannel.

Não se trata somente da integração dos canais, mas sim colocar o cliente no centro dos negócios e desenvolver, a partir das suas informações, novas maneiras de se relacionar com os consumidores. Por isso, existem vários benefícios da utilização de big data no varejo, como:

. Previsão da demanda – A partir da análise do comportamento de consumo e de tendências macroeconômicas, meteorológicas e sazonais, é possível definir com grau elevado de assertividade sobre o sortimento de cada loja e a sua quantidade;

. Melhor alocação de recursos – Ao entender o fluxo de pessoas na loja física e sua interação com os canais online, damos ao lojista a possibilidade de utilizar com mais eficiência seus recursos, e, a partir disso, processos podem ser ajustados para lidar da melhor forma com o dia a dia da operação;

. Reação rápida às mudanças do mercado – Se, por algum motivo, a previsão de demanda não coincidir com a realidade, identificando rapidamente quando algo não está de acordo com o planejado, para que sejam realizadas correções da rota de forma rápida, quando necessário. Isso acontece porque o uso da tecnologia no varejo permite medir o andamento das operações em tempo real. O uso do big data também viabiliza a análise completa do que ocorre em cada ponto de contato com o cliente e qual seu reflexo em toda a cadeia de suprimentos, uma preocupação constante das grandes redes varejistas, que não conseguem obter uma visão completa do que está acontecendo na operação;

. Maior conhecimento dos clientes – Nesse caso, o uso de big data é essencial para a coleta e o processamento de dados reais, permitindo conhecer melhor o público alvo para desenvolver estratégias de negócios altamente assertivas;

. Monitoramento de indicadores – Uma grande vantagem do uso dessa tecnologia é a possibilidade de criar uma série de indicadores e deixá-los visíveis para todos em uma organização, direcionando todas as áreas para um mesmo foco. O monitoramento dos indicadores-chave do negócio (KPIs) é também uma forma de entender o que acontece na concorrência e, com isso, obter novos insights de como melhorar sua própria operação.

Podemos concluir que os dados estão se tornando ferramentas essenciais para o desenvolvimento de operações lucrativas e eficientes no varejo. A atração, conquista e retenção de clientes depende do entendimento das demandas, desejos e necessidades reais dos consumidores, o que só é possível a partir da coleta e processamento de grandes quantidades de informações. Por isso, sem big data, nenhuma empresa estará preparada para o futuro dos negócios. E você, está preparado?

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Privacidade Hackeada: os bastidores do escândalo da Cambridge Analytica

Recentemente, a Netflix lançou em seu catálogo o documentário “Privacidade Hackeada”. O filme mostra os bastidores do escândalo que envolveu a Cambridge Analytica, o Facebook e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

O caso obteve atenção mundial ao revelar que a empresa britânica utilizava dados pessoais de usuários do Facebook para traçar perfis psicográficos da população americana – e criar anúncios segmentados para grupos de indecisos. Essa prática teria exercido uma influência decisiva na corrida eleitoral americana (e em outros países).

O documentário acompanha a saga de David Carroll, professor da Parsons School of Design, em Nova York, que decide brigar na justiça por seus dados. Ao descobrir que suas informações (junto com a de mais de 50 milhões de usuários) foram utilizadas para influenciar as eleições, ele recorre a lei do Reino Unido para obter seus dados de volta.

A história também segue a jornada de Carole Cadwalladr, jornalista do The Guardian, que investigou e tornou público o escândalo, e da ex-funcionária da Cambridge Analytica, Brittany Kaiser, que compareceu ao parlamento inglês para denunciar todo o esquema.

O saldo final é de conhecimento público: além de perder cerca de US $ 50 bilhões em valor de mercado, o Facebook passou por uma das mais graves crises de imagem de sua história e foi condenado a pagar uma multa de US $ 5 bilhões por expor dados de terceiros.

A pressão da opinião pública levou Mark Zuckerberg a se comprometer com uma série de mudanças na política de privacidade da rede social (os resultados ainda não convenceram boa parte do mercado). A Cambridge Analytica, por sua vez, encerrou seus serviços em maio do ano passado.

Mais do que um alerta aos usuários de plataformas digitais, “Privacidade Hackeada” reforça os perigos de uma afirmação que já se tornou uma máxima do mundo digital: quando o serviço é de graça, os dados do consumidor costumam ser o produto final.

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“A área de tecnologia ainda é desbalanceada quando falamos de diversidade”

As discussões sobre diversidade de gênero vêm ganhando força no mercado de tecnologia. O movimento pode ser observado em iniciativas como o Yes, She Codes, programa do Nubank voltado para a seleção de mulheres programadoras. A última edição reuniu mais 2,8 mil inscritos. Na entrevista abaixo, Silvia Kihara, gerente de Recrutamento do Nubank, fala sobre os detalhes do projeto e sobre a importância de investir na construção de times equilibrados.

Como funciona o programa Yes, She Codes?
O Yes, She Codes é um programa de recrutamento de mulheres que trabalham com engenharia de software. Criado e lançado pelo Nubank em 2018, com duração de dois dias, o evento também funciona como um momento de compartilhamento de informações e aproximação deste público junto aos times de Engenharia de Software do Nubank.

As mulheres inscritas no Yes, She Codes, primeiramente, fazem um teste preliminar analisado pela equipe atual de engenharia de software do Nubank. As aprovadas são convocadas para o segundo dia do programa, em companhia dos atuais profissionais do time para realizar uma série de exercícios. As candidatas de fora de São Paulo que venham a ser admitidas na fase do teste inicial têm os custos de transporte e hospedagem arcados pelo Nubank para que participem do evento.

As engenheiras de software aprovadas no processo também podem participar da abertura do nosso programa. Neste dia, as mulheres engenheiras presentes podem viver uma experiência de imersão no universo de tecnologia do Nubank, com palestras e contato com outras engenheiras da empresa e também com o cofundador e CTO da companhia, Edward Wible.

Qual é a importância de promover um evento para mulheres da tecnologia? Como uma equipe diversa pode melhorar resultados?
No Nubank, um de nossos principais valores é a construção de times fortes e diversos. Para garantir que tenhamos as pessoas certas para os desafios que temos ao construir produtos que se adaptem às necessidades de cada pessoa do país, precisamos ter representatividade dentro dos nossos times. Acreditamos que times com pessoas que vêm de diversos cenários e vivências podem trazer perspectivas diferentes e importantes que nos permitem continuar inovando sempre.

Nós entendemos que a área de tecnologia é desbalanceada quando falamos de diversidade, mas, eventos como o Yes, She Codes, mostram como estamos comprometidos em mudar esses números em todos os níveis de experiência e atuação, para que possamos seguir desafiando o status quo.

O mercado de tecnologia tem aberto mais oportunidades para talentos femininos?
Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas entendemos que iniciativas como o Yes, She Codes e outras promovidas no mundo da tecnologia já começam a ser importantes formas de pavimentar este trajeto.

O Nubank é uma empresa de tecnologia e, atualmente, cerca de 40% da nossa equipe são mulheres em todos as funções e níveis de senioridade. Este é um dado relevante num universo de mais de 1,9 mil profissionais em nossas operações no Brasil, Argentina, México e Alemanha.

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V.U.C.A.: Ideias importadas importam?

– Topa um café?

Claro que sim, eu sempre topo, mesmo e sobretudo com pessoas que ainda não conheço. Foi assim que conheci muita gente bacana, é assim que aprendo sobre mundos fora da minha caixinha e foi assim, inclusive, que conheci o Benjamin, fundador da BRQ, e o papo foi tão bom que eis-me aqui na BRQ em excelente companhia.

Pois bem, não só topei o café como propus um almoço e lá fomos nós centro de São Paulo adentro almoçar no Piero, um clássico paulistano (#ficadica). Conversa vai, sobremesa vem (não resisti, o pudim do Piero é covardia) e saí de lá prenhe de histórias, grávido de ideias, saí de lá mais rico.

Uma dessas histórias não me sai da cabeça: gringos queriam ouvir sobre marketing na América Latina em tempos de crise. Para gringos uma pauta assim faz todo sentido, sobretudo porque na cabeça deles (e só na cabeça deles) existe alguma coisa homogênea chamada América Latina e que crise aqui para nosotros é algo inusitado.

Nem vou comentar sobre essa abstração fantasiosa de que América Latina seja uma coisa só, isso fica para outro artigo ou outro articulista melhor do que eu. O que realmente rendeu boas risadas regadas a azeite e molho al sugo foi a constatação de que a nossa geração cresceu numa crise atrás da outra. Crise por aqui é o default, é o modus operandi, é o baseline. Crise aqui é o nosso lifestyle. Quando Cabral gritou terra à vista não reconheceu a areia movediça, achou que ia desembarcar em terra firme.

Essa inocência gringa é invejável. Quem cresceu num mundo regrado, previsível, racional, estável não tem ideia do que é viver no gerúndio, no subjuntivo, sem jamais conjugar no futuro com algum nível de certeza. Dias depois ouvi de colegas a expressão VUCA. Fiquei intrigado, imaginei que fosse mais uma dessas gírias que pipocam toda hora e que aos cinquenta e quatro não dá mais para acompanhar. Perguntei o que era, me explicaram: VUCA é um buzzword popularíssimo que significa Volatile, Uncertain, Complex e Ambiguous, e VUCA é pronunciado com reverência quase religiosa como um retrato fiel dos tempos modernos.

Não resisti. Eu sei, não deveria ter me metido, não deveria ter dado pitaco mas dei. O que eu disse? Acho que foi algo assim: só se inquieta com o tal do VUCA quem não sabe o que é… muvuca. O mundo sempre foi volátil, o futuro sempre foi incerto, a sociedade sempre foi complexa e pior que a ambiguidade é a ilusão de que haja um sentido único. Quanto tempo faz que Heráclito disse que ninguém mergulha duas vezes no mesmo rio, etc etc…? Dois mil e quinhentos anos!

Eu já tinha visto uma angústia parecida décadas atrás quando o livro Tudo o Que é Sólido Desmancha no Ar causou frisson entre intelectuais, gente que cresceu pensando que a História tinha uma lógica inelutável, que o futuro era um só e que só havia uma maneira correta de se pensar. Quando um pensador como o falecido Zygmunt Bauman lamenta que o mundo é fluido e #asminapira a raiz dessa angústia é a mesma: uma visão de mundo desmoronando não por culpa do mundo, mas sim pela visão equivocada. Relembremos Heráclito: nada é perpétuo senão a mudança, e tudo flui (em grego fica bonito: Πάντα ῥεῖ).

Nossa alfândega cobra impostos surreais sobre tudo menos sobre ideias importadas, e não é pequeno o prejuízo de ideias que florescem bem em terras distantes, mas que aqui não vingam por melhor que seja o jardineiro. A ideia em si ou mesmo os seus progenitores não têm culpa, ninguém podia imaginar que elas fossem cair em solos estranhos ou que alguém fosse vender as sementes como algo miraculoso que brotasse do nada como Kikos Marinhos (quem lembra?).

A culpa na verdade nem é culpa, mas é nossa. Não é culpa porque no mais das vezes é algo inconsciente, um anseio nosso por algum milagre que nos rejuvenesça da noite para o dia, que nos cure todas as dores, que nos traga a felicidade sem demora e sem esforço. Ninguém quer olhar para o backlog ou lembrar que existe legado ou reconhecer que chegamos onde chegamos (a lugar nenhum) por descuido ou teimosia, milagre é mais legal.

Podemos colocar a culpa também na nossa formação, nos cursos de exatas e nos nossos ancestrais que acreditaram em Platão e acharam que havia verdades universais, atemporais e que não requerem discussão (coisa de Humanas, que horror!). A complexidade do mundo e a hipercomplexidade de países como o nosso fervem o cérebro de qualquer um, e é natural sonhar com algo etéreo que anestesie a confusão toda.

Hoje questiono fortemente essa visão universalista, tecnocêntrica, quase messiânica tamanha a fé na salvação universal por tecnologias reluzentes. Participei recentemente com uma consultoria gringa de projetos aqui na América Latina (Medellin, cidade fascinante) e deixei claro o meu desconforto: como assim impor a uma cidade tão singular, a uma cultura tão rica e original, a um povo tão criativo e a uma história tão complexa… soluções pasteurizadas, empacotadas e “universais”?

Eu não me conformei com essa postura soberba e resolvi propor uma inovação que levava em conta fatores culturais importantíssimos para latinos como nós: não o individualismo, não o eu-eu-eu, não a eficiência impessoal, mas sim a conexão humana, o senso de pertencimento, a ligação com a comunidade, o amor familiar.
A proposta foi vencedora, um ponto a favor da minha tese que exponenciais são as pessoas, não a tecnologia.

E se quiser saber mais detalhes, me chame para um café?

René de Paula Jr. é um profissional com 25 anos de experiência no mercado interativo e seu currículo inclui empresas como Microsoft, Yahoo, Sony e diversas agências digitais como Wunderman, FLAG e AgênciaClick. René é alumni da Singularity University (EP2011) e é um consultor certificado em Tecnologias Exponencias pela ExO Works com participação em vários projetos internacionais. Um de seus projetos pessoais preferidos são as dicas de leitura no Leia, Vale a Pena