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Economia Donut: os 5 estágios das empresas na transição para um modelo mais sustentável

Não é de hoje a percepção e o alerta de que os modelos econômico, industrial e empresarial estão pressionando os limites sustentáveis do planeta. Há um movimento de muitas empresas e indivíduos em busca de alternativas e ações para reduzir o seu impacto negativo e gerar impacto positivo.

São diversos modelos, agendas e pensamentos propostos para apoiar as empresas e toda a sociedade nessas ações, por exemplo a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Um dos modelos propostos para gerar transformação sistêmica envolvendo os diferentes setores rumo a um futuro sustentável é a Economia Donut. Criado pela economista inglesa Kate Raworth, o Donut propõe uma nova lógica para pensar a economia, que leva em conta a dignidade humana e os limites ecológicos do planeta.

Na Economia Donut, o espaço seguro e justo para a humanidade deve se manter dentro da “rosquinha”, por isso o nome Donut. Indicadores abaixo disso mostram uma privação humana em áreas como educação, água, energia, igualdade de gênero (baseadas nos ODS), e quando os indicadores ultrapassam a parte exterior do Donut, significa que aquele país ou cidade avaliado estaria ultrapassando o teto ecológico que o planeta pode sustentar.

Qual o papel das empresas nessa nova economia?

Segundo a economista, quando as empresas tomam consciência de que precisam fazer parte da solução e adotar práticas mais sustentáveis, podem apresentar diferentes tipos de comportamento. 

Ela apresentou o conceito para diversos líderes empresariais e recebeu respostas distintas sobre o que cada uma das empresas estaria fazendo para preservar o planeta e gerar desenvolvimento humano. 

Kate entendeu que a variedade de respostas demonstra que empresas estão em diferentes momentos nessa transição de um modelo degenerativo para uma concepção regenerativa, e dividiu em 5 estágios, os quais chamou de “Lista de Tarefas das Corporações”:

  1. Não fazer nada
  2. Fazer o que compensa
  3. Fazer a parte que nos cabe
  4. Não provocar danos
  5. Ser generoso e regenerativo
1. Não fazer nada

Essa é a mais velha e simples resposta. 

“Por que mudar o nosso modelo de negócios, raciocinam eles, quando ele vem dando forte retorno? Nossa responsabilidade é maximizar os lucros, de modo que, enquanto não forem introduzidos impostos ou cotas ambientais para alterar os incentivos que temos pela frente, continuaremos assim. O que estamos fazendo é (na maior parte) legal, e, se formos multados, tendemos a considerar isso um custo operacional.” 

Durante muito tempo essa foi a postura que prevaleceu, tratando a sustentabilidade como um custo.

Porém, não há mais tempo para pensar assim. Por exemplo, as mudanças climáticas já estão afetando os negócios. Empresas que dependem, por exemplo, de fornecedores agrícolas para fabricar roupas, alimentos, vinhos, refrigerantes ou cervejas, começam a perceber (inclusive no bolso) a consequência que o aumento da temperatura global está causando nas cadeias de abastecimento de seus produtos.

Grande parte das empresas já reconhece que ‘não fazer nada’ deixou de ser uma estratégia inteligente e a resposta do estágio 2 se tornou mais comum. 

Leia mais: Uma nova forma de negócios está aqui – e veio para ficar. Por que ignorá-la não é uma opção?

2. Fazer o que compensa

O segundo estágio diz respeito a adotar medidas ecoeficientes que reduzam custos ou promovam a marca. Por exemplo, a redução da utilização de água e energia na indústria são algumas medidas que tendem a reduzir custos.

Em outras palavras, a empresa começa a contribuir com soluções, mas em uma abordagem utilitarista.

“A Volkswagen ganhou notoriedade em 2015, quando se descobriu que havia introduzido deliberadamente uma modificação no software do sistema de injeção eletrônica de milhões de seus carros a diesel de forma a programar seus motores para funcionar no modo de baixa emissão de poluentes durante os testes regulatórios, reduzindo de maneira significativa os índices de emissões de óxido de nitrogênio e dióxido de carbono.”

Nesse estágio, segundo a autora, também se encaixam os “produtos verdes”, cujo objetivo está na promoção da marca e diferenciação da concorrência, enquanto os demais produtos “não-verdes” continuam nas prateleiras normalmente. 

Em muitos casos, as empresas oferecem esses produtos a preços mais altos e transferem a responsabilidade para o consumidor – em estar ou não “disposto”  a comprar os produtos mais ecológicos.

A criação de alternativas mais sustentáveis é um começo, mas está longe de ser o que é realmente necessário. Isso quando os produtos são de fato mais sustentáveis e não somente uma ação de greenwashing, o que renderia um texto à parte.

3. Fazer a parte que nos cabe

Esse estágio começa a entrar em um maior nível de profundidade e diz respeito à fazer sua parte no que se refere à mudança para a sustentabilidade. As empresas que estão com essa abordagem reconhecem a escala da mudança necessária, por exemplo, com a redução total das emissões de gases do efeito estufa ou no uso de fertilizantes. Porém, apesar de reconhecer, têm uma abordagem de se responsabilizar apenas pela sua parte, não pelo todo.

A autora traz o exemplo de um banco da África do Sul que se comprometeu a destinar “a parte que lhe cabia” de financiamento, cerca de 400 milhões de dólares por ano, para investimentos em iniciativas sociais e ambientais do país, provendo energia acessível e renovável, água e saneamento para a população. É uma iniciativa incrível, mas precisamos saber o que o restante do dinheiro do banco está financiando – se é, por exemplo, a indústria de combustíveis fósseis.

“…como bem sabe qualquer um que já tenha ficado com a conta do restaurante na mão depois de todos já terem contribuído com as respectivas partes, a conta quase nunca bate. Quando somos nós mesmos que determinamos o que nos cabe fazer, nunca conseguimos fazer nada – como demonstraram governos no mundo todo com seus compromissos tristemente inadequados, determinados em nível nacional, de cortar as emissões de gases do efeito estufa.” 

Essa é uma visão complexa, mas o que a autora quer dizer é que muitas vezes a mentalidade de “fazer a nossa parte” pode levar a querermos “ficar com a nossa parte”. 

Explico: ao determinar os limites que o planeta pode sustentar, as empresas passam a enxergar como um bolo a ser distribuído. Se é possível emitir X toneladas de CO2, vou pegar a minha fatia. Mas qual é de fato o tamanho dela? Quanta água dos lençóis freáticos cada empresa pode utilizar?

Essa ideia de que cada um fica com a sua parte pode levar a visão de que estamos competindo pelo “direito de poluir”. E sabemos que nós, seres humanos, quando disputamos recursos limitados, podemos ter a tendência a brigar por espaço, fazer lobby, mudar as regras do jogo e, nesse processo, corremos o risco de ultrapassar os limites.

4. Não provocar danos

O quarto comportamento das empresas traz uma mudança de perspectiva: não provocar danos, também conhecido como “missão zero”. Esse estágio diz respeito a conceber produtos, serviços, construções e negócios que tenham como objetivo um impacto ambiental zero.

Um exemplo é a fábrica de laticínios da Nestlé no México, que tem um consumo zero de água. Toda a água que ela precisa para abastecer a indústria é suprida ao condensar o vapor produzido pelo leite.

Os casos de água e energia são mais comuns, mas seria ainda maior se fosse o objetivo em todos os recursos operacionais das empresas. A missão zero demonstra um sinal de que podemos ter alta eficiência na utilização de recursos.

Porém, uma reflexão interessante nesse caso é pensar na frase do arquiteto William McDonough, que “ser menos ruim não é ser bom, é ser ruim, só que menos”.

“Perseguir a missão zero é uma visão estranha para uma Revolução Industrial, como se parasse intencionalmente no limiar de algo muito mais transformador. Afinal, se a sua fábrica consegue produzir toda a energia e água limpa que utiliza, por que não checar se poderia produzir mais? Se consegue eliminar todos os materiais tóxicos do seu processo de produção, por que não introduzir no seu lugar materiais que melhorem a saúde?”

É claro que não são questões simples, mas no lugar de “fazer menos mal”, as empresas podem ter como objetivo “fazer mais bem”, reabastecendo o planeta no lugar de degenerá-lo de forma mais lenta., o que nos leva ao estágio 5. 

5. Ser generoso e regenerativo

“Por que apenas não pegar nada quando é possível também dar alguma coisa?” 

É dessa pergunta que surge o último estágio da transição: ser generoso e criar um empreendimento regenerativo por concepção.

“Mais do que uma ação numa lista de coisas a fazer, trata-se de uma forma de estar no mundo que adota a gestão da biosfera e reconhece que temos a responsabilidade de deixar o mundo vivo num estado melhor do que o encontramos.”

Para isso precisamos criar empresas cuja atividade central ajude a restabelecer os ciclos naturais e reconhecer que também somos parte do todo. Aprender a não só deixar de emitir, mas capturar o carbono e armazená-lo nos solos agrícolas, por exemplo, tomando a natureza como modelo.

Acreditamos que as empresas não mudam da noite para o dia e que não existe um estágio certo ou errado para se estar agora, apesar de considerarmos o estágio 5 o ideal para a transformação que desejamos promover. 

Por outro lado, Kate Raworth diz que não há necessidade – e nem tempo – de fazer essa transição passo a passo, se já sabemos onde queremos chegar. Ou seja, podemos evoluir de forma não linear, migrando do estágio 1 para o 5.

Seguimos na crença de que um movimento de transição deve ser iniciado, e o primeiro passo é ter evoluído do estágio 1 e estar preparado para evoluir constantemente.

“Para onde se vai é tão importante quanto onde se está agora.” 

Mariana Valle é gestora de Comunicação no Quintessa. Desde 2009, o Quintessa impulsiona startups que resolvem desafios socioambientais e realiza iniciativas que promovem as agendas de inovação, impacto positivo e ESG para grandes empresas, investidores, institutos e fundações. Texto publicado originalmente no blog do Quintessa.

Referência das citações do texto: Raworth, Kate. Economia Donut (pp. 232-236). Zahar. Edição do Kindle.

Nota do Editor: Aprenda sobre os impactos que as boas práticas em Governança Ambiental, Social e Corporativa podem trazer para as empresas no Curso Online Jornada ESG da HSM em parceria com o Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Clique aqui e saiba mais!

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A inovação aberta como aliada das metas de sustentabilidade e práticas ESG das grandes empresas

Nos últimos anos venho me dedicando à frente de Programas em Parceria do Quintessa, trabalhando junto a grandes empresas, institutos e fundações, e investidores no relacionamento com startups de impacto. Acompanhar o processo de evolução do mercado, seguido pelo boom da inovação aberta e do termo ESG, tem gerado grandes aprendizados.

É incrível acompanhar o processo de forma prática e também influenciar ele por meio de programas que tangibilizam o valor da união entre esses atores do mercado e que navegam na régua do 2.1 ao 2.9, do venture philanthropy ao venture capital, de acordo com o foco de cada parceiro.

Agora em 2021 começamos a compartilhar estes aprendizados de forma ampla, inaugurando com este primeiro texto que escrevi e que fala do potencial da inovação aberta focada em impacto positivo, pela lente de novos negócios.

Neste artigo quero compartilhar o valor pela lente de sustentabilidade, uma área que por muitos anos foi vista de forma vertical e alheia ao negócio, mas que, felizmente, tem sido cada vez mais vista de forma transversal e integrada – refletindo o como a empresa atua e o que oferece de fato aos seus clientes e à sociedade.

A verdade é que, do lado dos empreendedores, as startups de impacto sempre estiveram integradas às grandes empresas, vendo estas como potenciais clientes e parceiros de negócios para aquelas que têm seu modelo de negócio B2B.

A novidade talvez esteja agora do lado dos executivos, que estão percebendo que trabalhar junto às startups de impacto pode ser um caminho eficaz, rápido e eficiente para trazer soluções para sua operação e colocar em prática seus compromissos assumidos.  

A criação de soluções internas pode fazer muito sentido, mas se aliar a empreendedores que estão se dedicando para resolver esses desafios há anos, com soluções já testadas e aprimoradas, com certeza pode agregar muito neste processo – seja cocriando soluções conjuntas ou simplesmente implementando suas soluções já prontas.

Quando desenhamos nossos programas junto aos nossos parceiros, muitas vezes o ponto de partida é: Quais são suas metas de sustentabilidade atuais? Quais os compromissos já assumidos para adoção de práticas ESG?

Eixo ambiental

Quando falamos de gestão de resíduos e logística reversa, já aceleramos startups como BoomeraInstituto MudaSO+MARecicleirosGaia/ViraserGreenMiningBRPolenArco ResíduosMolecoolaEcopanlasSolos e Biocicla, com a qual implementamos sua solução via CPFL na Comunidade, dando uma destinação correta ao uniforme de colaboradores da companhia. Cada uma delas é especializada em um perfil de empresa, tipo de resíduo, momento de coleta e tipo de solução distintos – trazendo soluções que se complementam e, de forma integrada, atuam de forma relevante no desafio ambiental que enfrentamos nesta agenda e dão suporte para que a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) seja cumprida.

O mesmo se aplica quando falamos de utilização de fontes de energia renovável, eficiência energética e eficiência hídrica – como a ShareWater, que realiza projetos de estações de tratamento de água, esgoto ou efluentes, visando tanto o reúso, quanto a adequação da qualidade da água para descarte em redes de coleta ou cursos d’água.

Há tantos outros exemplos de startups que atuam na redução do desperdício ou mesmo na substituição por fontes de matéria prima renovável, como é o caso da MeuCopoEco, da JáFuiMandioca e da Tamoios, que atuam na redução do desperdício de itens feitos de plástico com abordagens inovadoras. Outro desafio comum, com diversas soluções existentes, é o de redução na emissão de carbono, com startups como EmovingCourri e Recigases, e preservação/recuperação da biodiversidade, como PlantVerd e Nucleário.

Por último, uma simples forma de começar a agir é incluindo novos fornecedores para ações que a empresa já realiza, como a provisão de alimentos – a Fruta ImperfeitaLocal.e e FazU trazem soluções que reduzem o desperdício e valorizam sua cadeia de produção – ou seja, a empresa pode simplesmente continuar comprando frutas, vegetais e produtos alimentícios como sempre fez, mas já estará gerando mais impacto positivo em termos sociais e ambientais do que se trabalhasse com outros fornecedores tradicionais.

Eixo social

Dentro do eixo social, a diversidade de exemplos é também incrível. Há abordagens possíveis olhando para colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade no entorno da empresa, desenvolvimento territorial… Aqui vou tocar em três aspectos apenas.

Inúmeras startups trazem soluções para se ampliar a diversidade e inclusão entre os colaboradores, como é o caso da Parças, que ajuda na inclusão de pessoas egressas do sistema prisional para trabalharem como desenvolvedores em áreas de tecnologia, ou mesmo da Maturi, que aborda a diversidade na questão geracional. Dada a criticidade do assunto, há tantas outras que trazem a abordagem pela questão racial, de gênero, de origem socioeconômica ou mesmo na questão de PcD, como a Hand Talk.

Outras tantas startups, que também fazem parte do mercado de healthtechs, trazem soluções de alta qualidade para atuar no eixo de promoção de saúde física e mental dos colaboradores, como o Pé de Feijão e outras que mencionei aqui.

Por último, ações de promoção de educação e capacitação dos colaboradores podem ser muito beneficiadas por soluções de startups de impacto, como Já EntendiTamboro e Talent Academy.

Eixo governança

Tenho que ser sincera que, dentro dos três eixos, este é o menos habitado por soluções de startups que já mapeamos – o que faz muito sentido para mim. Muitas das práticas corretas de governança vêm de ações internas, políticas internas e decisões que vêm da própria companhia, não fazendo tanto sentido plugar soluções externas para alavancar esta pauta.

Ainda assim, vale mencionar a existência de soluções nas agendas de combate à corrupção, transparência, avaliações e certificações externas, como é o caso de duas organizações que já aceleramos e atuam com isso – Move e Sistema B.

É só o começo e você pode fazer parte 

Dado que temos uma frente de atuação no Quintessa que se dedica exatamente a isso, pode ter parecido insensato da minha parte ter mencionado tantas startups em um único texto – mas meu objetivo aqui é explicitar o potencial deste universo! Nos últimos anos, mapeamos e criamos uma rede de mais de 4 mil startups, dentro da qual já aceleramos diretamente mais de 200 delas.

Vejo as startups de impacto, os negócios de impacto, como grandes aliados das grandes empresas que desejam rever e melhorar suas práticas de negócio. Em breve lançaremos a segunda edição da Plataforma Negócios pelo Futuro, denominada ESG na Prática, na qual traremos este universo, de forma prática, para grandes empresas.

Se quiser receber mensalmente no seu e-mail a newsletter do Quintessa sobre Inovação&ImpactoPositivo, basta se cadastrar aqui.

Anna de Souza Aranha é diretora do Quintessa. Desde 2009, o Quintessa impulsiona startups que resolvem desafios socioambientais e realiza iniciativas que promovem as agendas de inovação, impacto positivo e ESG para grandes empresas, investidores, institutos e fundações. Texto publicado originalmente no blog do Quintessa.

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A era do capitalismo consciente

Atualmente, fala-se muito sobre capitalismo consciente e seus benefícios. Porém, em muitos casos, não vai além de um simples tópico de discussão. No meu caso, esse item chamou minha atenção há vários anos e considero muito importante aumentar a conscientização sobre o assunto. Se tivéssemos de defini-lo, o capitalismo consciente pode ser descrito como uma forma de capitalismo que promove o potencial de os negócios terem um impacto positivo no mundo. São, em poucas palavras, empresas conscientes, motivadas por propósitos superiores que atendem à comunidade.

De fato, fico feliz em ver que, hoje, muitas empresas no mundo aderiram a esse movimento de negócios que está se mostrando inspirador e gerando resultados comerciais significativos. Isso também se deve a empresários e executivos que adotaram uma nova atitude e que estão começando a liderar com mais paixão, propósito e com a convicção de que as organizações focadas em seus valores podem contribuir, de forma muito mais abrangente, para o mundo e a humanidade. A realidade é que o capitalismo, embora muita gente ainda não enxergue dessa forma, pode, sim, ser um impulso para o bem econômico e social.

É fascinante ver como esses novos “capitalistas conscientes” entendem que as empresas devem existir por razões que vão muito além do lucro. Não é maravilhoso e esperançoso? Finalmente, alguns trabalham por mais do que dinheiro! A grande vantagem é que, quando você tem um objetivo, também obtém clientes, funcionários e acionistas mais comprometidos, e isso incentiva a criatividade e a lealdade, exatamente o que todas as empresas procuram e precisam.

Como em qualquer projeto, precisamos estudar o conceito e suas melhores práticas. Podemos nos fazer perguntas, como “por que esse negócio começou?”; “o que nos motiva todos os dias?”; “qual o nosso valor agregado?”; “que impacto temos sobre nossos clientes e pessoas?”.

Além disso, devemos seguir os quatro princípios a seguir, que regem esse conceito:

Propósito superior
Como mencionei anteriormente, um negócio que adere aos princípios do “capitalismo consciente” se concentra em um objetivo que vai além do lucro. Esse item é fundamental.

Inclua todas as partes interessadas
Uma empresa consciente se concentrará em todo o ecossistema de negócios para criar e otimizar valor para seus clientes, funcionários, fornecedores, parceiros etc.

Aposte na liderança consciente
Os líderes conscientes se concentram em pensar em “nós” para conduzir os negócios e, assim, cultivar uma cultura de capitalismo consciente na empresa. Como líderes, devemos assumir que, quando os funcionários que têm consciência social veem que a empresa em que trabalham é movida por mais do que dinheiro, fica mais fácil para eles se sentirem identificados com os pilares da companhia. Dessa forma, se tornam defensores e embaixadores da marca – e acabam por divulgar, genuinamente, as ações da empresa para fazer diferença no mundo.

Invista na cultura consciente
A cultura corporativa é a soma de valores e princípios que constituem uma espécie de “índice moral” de uma empresa. Ela promove um espírito de confiança e cooperação. Empresas com objetivos baseados no capitalismo consciente criam negócios mais éticos, honrosos e generosos. E isso significa, em síntese, um ecossistema muito positivo e energizante para todos os funcionários, um ambiente repleto de pessoas com o mesmo objetivo, fortes convicções e desejo de melhorar a sociedade. Esse ambiente, claramente, só pode nos levar a melhores resultados.

A realidade é que o sucesso de uma empresa capitalista consciente não acontecerá da noite para o dia. É trabalho que leva tempo e exige esforço, paciência e persistência, mas os resultados são sempre excelentes e gratificantes. Acima de tudo, devemos consolidar uma equipe de liderança que seja consistente com o comportamento do consumidor – e esse consumidor está em constante mudança, exigindo, cada vez mais, que as empresas contribuam positivamente para a comunidade em geral.

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O Design Thinking precisa abrir espaço ao Design Feeling

Há muitos anos – pelo menos 20 – que falo aos quatro ventos sobre como o design é uma lente poderosa na construção de um futuro desejável.

Isso por ter aprendido lá atrás, na PUC, com minha querida guru Ana Branco, que mais do que desenhar objetos bonitos, alinhando forma e função, nosso papel como designer era catalisar conhecimento, costurar saberes e desenhar soluções que gerassem valor real na vida das pessoas. Sempre “com” e nunca “para” elas.

Aprendi que precisamos cultivar nossa curiosidade, nossa intuição, nosso olhar ingênuo e holístico para percebermos as brechas que deixam a inovação emergir. E, se tudo der certo, se for fruto de envolvimento verdadeiro com muita empatia e experimentação, poder de fato melhorar um pouquinho o mundo.

Esse era o jeito que o designer deveria pensar sua atuação e orientar sua abordagem. Isso era design thinking, muito antes de Stanford empacotar nossa prática projetual em metodologia de sucesso. E foi essa a visão que me mobilizou como aluno de design de 1985 a 1990 e que acabou forjando meu caminho como empreendedor.

A Tátil nasce ali, a partir do meu encantamento em olhar a natureza como fonte de inspiração para desenhar embalagens mais inteligentes e sustentáveis. Do interesse pelo eco design de Victor Papaneck e Buckminster Fuller Nasce na barraca da Ana – sala de aula com uma lona de paraquedas como teto e uma fogueira no meio.

As almofadas que ficavam sobre tablados de madeira eram sacos de juta recheadas de folhas. Mais hippie impossível. Foi radical e completamente mobilizador entender e sentir que aquilo tudo seria minha vida.

Quando há sete anos atrás fui convidado como o primeiro designer a fazer uma palestra na HSM Expo, palco reservado aos grandes gurus da inovação e da gestão, senti que seria uma grande oportunidade de provocar aquela plateia surreal de 4000 pessoas a enxergarem o design sobre essa ótica, ampliando o senso comum do bom design como sinônimo de cadeiras, carros e luminárias escandinavas em salões europeus. Confesso que tinha dificuldade de entender e até esnobava quem queria seguir colocando mais cadeiras no mundo.

No começo deste mês, no lançamento do Instituto Burle Marx, que nasce com uma identidade criada por nós com a enorme responsabilidade de traduzir a genialidade de um dos maiores artistas brasileiros, me dei conta de que chegou a hora de reativar, ou pelo menos buscar equilibrar o papel e o lugar do que é fazer bom design.

Designers devem seguir “thinking” com a lente processual e estratégica que pode mudar o mundo.

Mas, não menos importante, devem abrir muito espaço para o brilho criativo que emerge da estética, que cativa o olhar, que traz o prazer para o tato, que é puro feeling.

Somos bichos que precisam sentir, experimentar, que se engajam pelo desejo e não apenas pela razão. Mais do que nunca é hora de somarmos a força do Design Thinking com a poética do Design Feeling, transpiração com muita inspiração, pois só assim conseguiremos de fato, engajar as pessoas ao que interessa.

Este mês, mais uma vez no palco principal do HSM, comecei minha palestra resgatando o lugar do design que emociona e encanta e da onipresença “thinker” dos post its.

Mostrei que se quisermos mesmo encarar o enorme desafio criativo que temos pela frente como espécie, temos que somar conhecimentos, misturar saberes e pontos de vista, ética com estética.

Temos que pensar em soluções de baixo impacto ambiental mas alto impacto sensorial. Não um ou outro, nem um primeiro e o outro depois, pois só assim iremos promover mudanças de comportamento engajando as pessoas pelo desejo e não pela culpa. Exatamente como a natureza sempre fez.

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Impacto ambiental: o que a sua empresa pode fazer pelo meio ambiente?

As mudanças climáticas são uma realidade inquestionável. Efeitos como o aumento da temperatura média global, derretimento das geleiras, elevação do nível do mar, tempestades graves e secas severas são apenas alguns dos impactos resultantes da ação do homem na natureza.

Os números não negam: segundo o último relatório do U.S. Global Change, a temperatura média anual da Terra aumentou mais de 1,5° nas últimas três décadas. Outro estudo, realizado pelo United States Environmental Protection Agency, aponta a emissão de gases (que também cresceu mais nesse período do que nos últimos 800.000 anos) como um das principais causas do problema.

Na esteira dos últimos acontecimentos, as discussões sobre a preservação da Amazônia voltaram a ganhar força entre diversos setores da sociedade. De acordo com dados do Global Forest Watch, o Brasil liderou ranking mundial de desmatamento em 2018, chegando a perder uma área equivalente ao território da Bélgica. Medidas de proteção à mata nativa poderiam gerar um aumento de 12% no armazenamento de carbono pela floresta.

E o que a minha empresa tem a ver com isso?

Ações ligadas à liberação do uso de agrotóxicos, flexibilização das leis ambientais e alterações no Código Florestal afetam diversas pontas da cadeia de negócios. Muitos investidores, por exemplo, já exigem a elaboração de planos de ação ambiental entre integrantes de seus portfólios. Do lado do mercado consumidor, existe uma preferência crescente por organizações e produtos comprometidos com políticas de sustentabilidade. Diante desse cenário, existem algumas iniciativas elementares para começar a traçar uma estratégia de redução de impacto. Veja abaixo:

1- Calcule sua pegada de carbono

Analisar o volume de CO2 emitido pela operação da empresa é essencial para começar a definir um plano concreto de políticas ambientais. A chamada “pegada de carbono” é a metodologia padrão para medir e registrar o impacto ambiental de uma organização – e estabelecer metas de redução correspondentes.

2- Adote fontes de energia renováveis
Além de reduzir custos operacionais, o uso de energia renováveis é uma maneira simples e eficiente para reduzir impactos ambientais. É o caso dos painéis solares, cada vez mais populares nas empresas brasileiras. Nos casos em que a dependência de fontes de energia tradicionais ainda é predominante, é possível adotar modelos híbridos de consumo.

3- Recicle o seu lixo eletrônico
As transformações digitais e os avanços tecnológicos (incluindo a obsolescência cada vez mais rápida dos aparelhos) vêm deixando uma enorme trilha de resíduos eletrônicos pelo mundo. A produção global de lixo eletrônico chegou perto da marca de 50 milhões de toneladas no ano passado. Já existem diversas organizações que conectam empresas a cooperativas de reciclagem e instituições que reaproveitam dispositivos usados.

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Grilo Falante: como anda sua consciência social?

Quem se lembra da história do Pinóquio, aquele boneco de pau construído com tanto amor e carinho que ganha vida, vai se recordar do Grilo Falante: a consciência do personagem. Na literatura, sempre que o personagem cai em tentação, o Grilo Falante aparece para fazer as piores perguntas e confrontar o boneco.

Trazendo a história para os dias atuais, em parceria com a especialista em comunicação, que se tornou uma querida amiga, Luciana Branco, criamos com o HSM este canal “Grilo Falante”, com o objetivo de, assim como o personagem do conto de fadas, fazer as perguntas mais incômodas para grandes empresários, alto executivos e suas organizações.

É evidente que simples existência de uma pessoa ou empresa impacta o mundo. Com o Grilo Falante queremos jogar luz e refletir sobre o tipo de impacto sócio ambiental que nossa atuação no planeta causa. A partir dessa consciência, fazer escolhas. Sim, são escolhas. Inspirados pela literatura de Carlo Collodi, ousamos aqui contar uma história:

A BALEIA MORREU


Dirigindo para casa, o celular da CEO começa a tocar daquele jeito insistente que dá arrepio da espinha. Ligação convencional (vixe, algo de grave aconteceu), mensagens de WhatsApp, textos, áudios. Enquanto dirige, de soslaio, lê: “A baleia morreu!”. “Imprensa inteira ligando!”. “O que faremos???”.

Meio atordoada com aquelas mensagens que não faziam sentido para uma CEO de empresa de refrigerantes, ela chega em casa, liga a TV e começa a entender a história que parecia ficção. O jornalismo de todas as emissoras mostrava imagens de um filhote de baleia encontrado morto em Ipanema… no estômago do animal, quilos das embalagens da principal marca do grupo que lidera.

Os milhões investidos em design da embalagem e marketing deixavam a presença marca inequívoca aos olhos de todo o mundo. Em segundos, o assunto era trending topics. #abaleiamorreu. E ela só pensava: #pqp.

QUALQUER SEMELHANÇA


Infelizmente, essa ficção está mais próxima da realidade de muitas marcas de consumo do que possamos imaginar. Estima-se que 14 milhões de toneladas de lixo são jogadas nos oceanos todos os anos. A bioacumulação de plásticos em seres humanos, em decorrência da ingestão de peixes que ingenuamente alimentam-se dos lixos jogados nos oceanos, já é realidade registrada em estudos científicos.

O fato é que a maior parte das grandes organizações, ainda neste 2019, discute impacto social em pequenos departamentos, dissociados dos departamentos que discutem investimentos em P&D, fusão, aquisição, margem de contribuição, retorno de investimentos, marketing… São departamentos batizados de “sustentabilidade”, mas que ainda são negligenciados para a própria sustentabilidade das empresas e marcas.

O ser humano costuma reagir mais do que se prevenir e, naturalmente, as empresas seguem esse modus operandi. Claro que as grandes corporações têm comitês de crise prontos para as crises, porém é hora de ampliar o olhar para crises que são eminentes e ainda não estão previstas pelos comitês. Crises que surgem do impacto negativo ainda invisível causados por seus produtos ou serviços.

Já faz quatro anos que a ONU organizou para a sociedade global os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, que devem ser perseguidos até 2030 para a garantia da manutenção de vida saudável neste planeta. Em nossos contatos diários com lideranças de grandes corporações no Brasil, poucos altos executivos conhecem esses objetivos. Larry Fink, CEO da Black Rock, escreveu carta aos CEOs do mundo, no início do ano, com mensagem retumbante: “Não se trata de escolher entre lucro ou propósito e sim lucro com propósito”. #ficaadica

A consciência acorda executivos do mundo todo no meio da madrugada. Dá indigestão, frio na espinha, vergonha dos filhos. A voz do Grilo Falante fala baixo, mas é contundente. Aos atuais CEOs há uma oportunidade enorme de liderar as transformações necessárias no pensamento das grandes corporações para que, assim como são capazes de construir marcas, passem a construir comportamentos saudáveis e que garantam a vida no planeta sem a desigualdade social vexaminosa atual e de forma responsável ambientalmente.

Há muitos excelentes exemplos de startups a serem seguidos, a ganharem investimentos, a darem um novo gás de desafios às já cansadas corporações. É inspirador, é rejuvenescedor, atualizar padrões e conceitos, aprender com os novos comportamentos.

O Civi-co, onde trabalhamos, é o maior hub de negócios de Impacto Social da América Latina, onde se criam pontes entre negócios de impacto e grandes organizações, por meio da plataforma Plug & Play, com criação, gestão e comunicação de projetos para grandes empresas e marcas.

Antes de ser tomado de susto com a sua versão de “a baleia morreu!”, vamos nos conectar?
Vem tomar um café conosco!

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Sustentabilidade

Visões do futuro: disrupção da sustentabilidade

Fechando nosso especial sobre Visões do futuro — você pode ler as outras partes aqui —, hoje vamos abordar um tema que nas últimas décadas tem sido cada vez mais discutido e provocado inúmeras transformações no mercado: sustentabilidade.

Desde a década de 1990, a preocupação dos governos e do setor industrial em tomar medidas a favor do meio ambiente e bem-estar das próximas gerações deu início ao movimento sustentável. Atualmente, a sustentabilidade está presente na cultura de inúmeras empresas, agregando valor à marca e despertando a simpatia do público.

Segundo os indicadores de desenvolvimento sustentável do IBGE de 2015, entre 2004 e 2011 houve redução de 84,4% das emissões de gás carbônico (um dos principais responsáveis pelo efeito estufa) como consequência da queda do desflorestamento da Amazônia. De 2008 a 2013 caiu também o número de queimadas e incêndios por ano no Brasil.

Além disso, de acordo com um estudo realizado pela UniEthos, 69% das empresas brasileiras reconhecem que a inserção da sustentabilidade no planejamento estratégico da organização é uma necessidade, e as tecnologias exponenciais têm sido importantes nesse processo. A redução do uso de papel na maioria das empresas só foi possível graças ao uso de celulares, tablets e notebooks.

O futuro da sustentabilidade

É fato que todas as ações de sustentabilidade desenvolvidas até hoje com a intenção de garantir um mundo melhor nos próximos anos são essenciais e colhem resultados comprovados de melhorias em vários setores, ainda que em alguns casos, como no setor agrícola, a luta pela redução do uso de agrotóxico — que dobrou nos últimos anos — esteja longe de acabar.

Entretanto, é preciso analisar o futuro a partir de outra perspectiva: esse movimento não virá a causar certo desequilíbrio a ponto de serem necessárias novas medidas sustentáveis para combater as consequências da própria sustentabilidade? Polêmico, né?!
Dentre todas as questões que podem ser levantadas, ressaltamos três cenários:

Aumento do consumo de energia

A redução do uso de papel devido à ascensão da tecnologia mobile e ao emprego cada vez mais frequente das mídias digitais — afinal vivemos o momento mais digital e conectado da história — gera consumo de energia elétrica que só tende a aumentar mais anualmente. Tal situação nos faz refletir sobre se mesmo soluções como a energia renovável serão capazes de suprir toda essa demanda crescente, levando em consideração que outros dispositivos surgirão no mercado nos próximos anos.

Dessalinização de água em Israel

A tecnologia usada para a dessalinização (Saiba mais) de água em Israel é uma das inovações mais exportadas por esse país. Importadas por pelo menos 40 países, as usinas de dessalinização por osmose reversa tiraram Israel da seca e hoje são a principal fonte de água potável no país. Mas, apesar de seus benefícios, alguns ambientalistas apontam que esse processo não é nada ecológico e pode ter consequências drásticas para o meio ambiente no futuro. Um dos principais pontos é sobre o que fazer com o sal que é retirado da água. Afinal, ao ser devolvido para o mar, pode-se torná-lo ainda mais salgado e causar impacto negativo, tanto ambiental como econômico.

Substituição do plástico

A principal matéria-prima do plástico é o petróleo, que pode estar com os dias contados. Mas, além disso, o plástico é um dos elementos que mais poluem o meio ambiente, pois demora anos para se decompor. Graças a movimentos sustentáveis, a população tem se conscientizado cada vez mais com relação ao uso de garrafas plásticas, sacolas e até canudinhos — que já foram retirados de circulação por grandes empresas como Starbucks e McDonald’s. Entretanto, o que fazer com o plástico que integra a montagem de dispositivos como smartphones e notebook?

Todas essas ações em prol de um mundo mais sustentável são válidas e essenciais para a sociedade, mas talvez seja preciso começar a pensar já em quais serão as soluções para outros problemas que o presente gerará!

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Start-ups inovam em tecnologias para limpar o ar, mas precisam de negócios que as viabilizem.

[vc_row][vc_column][vc_column_text]O desenvolvimento de tecnologias que tornem as atividades econômicas e a vida mais sustentáveis tem se dado em uma velocidade superior aos modelos de negócio que viabilizam as empresas que as desenvolvam.

O desenvolvimento de tecnologias que tornem as atividades econômicas e a vida mais sustentáveis tem se dado em uma velocidade superior aos modelos de negócio que viabilizam as empresas que as desenvolvam.

Isso é o que mostra a matéria publicada no jornal britânico The Guardian na terceira semana de julho, ao analisar os casos de três start-ups que desenvolveram inovadoras tecnologias para remover o dióxido de carbono do ar das cidades.

Marc Gunther, editor-contribuinte do The Guardian, revela que a Carbon Engineering, a Global Thermostat e a Climeworks são as start-ups que estão fazendo avanços em tecnologias com essa finalidade, mas que ainda não encontraram um modelo de negócio que as viabilize.

A Carbon Engineering, por exemplo, está construindo uma planta industrial no Canadá para capturar o dióxido de carbono do ar. A start-up liderada por David Keith, físico formado pela Universidade de Harvard, e financiada em parte por Bill Gates, da Microsoft, tem tecnologia para ajudar a retirar milhões de toneladas de CO2 do ar e contribuir para reduzir as mudanças climáticas.

Outra start-up que tem feito significativos progressos tecnológicos na captura de CO2 do ar atmosférico é a Global Thermostat, liderada por Peter Eisenberger, professor da Universidade de Columbia e ex-pesquisador da Exxon e dos Bell Labs. Segundo Gunther, sua start-up acabou de receber uma injeção de capital de uma empresa de energia norte-americana que permitiu à start-up seguir em frente.

Outra start-up na área de remoção de dióxido de carbono da atmosfera é a suíça Climeworks, que, em um projeto financiado pela Audi, retirou CO2 do ar e o transformou em suprimento para a empresa alemã Sunfire, que o reciclou em combustível.

As três start-ups trabalham com um cenário futuro em que será possível colher CO2 da atmosfera, do solo e dos oceanos e transformá-lo, usando energia renovável, em combustível de baixíssimo teor poluente.

Gunther analisa que, se a captura de dióxido de carbono surgir como uma solução significativa para os problemas climáticos, ela pode gerar uma indústria global de bilhões de dólares. Por outro lado, muitos especialistas apontam que essa tecnologia ainda é bastante imatura e que há a necessidade de mais investimentos governamentais em pesquisas para desenvolvê-la.

Mas, mesmo que os governos resolvam pagar a essas start-ups para retirar CO2 do ar e o armazenar para reciclá-lo, elas ainda assim precisarão de clientes da iniciativa privada para que se tornem negócios comercialmente viáveis. Não dá para dependerem eternamente de aportes ocasionais.

A questão aberta para essas start-ups, segundo Gunther, é se alguma delas conseguirá levantar dinheiro suficiente no curto prazo para que seus esforços possam valer a pena no longo prazo.

Inovação e sustentabilidade são alguns dos temas da HSM ExpoManagement 2015, que acontece de 9 a 11 de novembro, no Transamérica Expocenter, em São Paulo.

Nota do editor: Para saber mais sobre a HSM ExpoManagement 2015 e todos  os temas que serão tratados, clique aqui.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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Inovação e meio ambiente de mãos dadas

[vc_row][vc_column][vc_column_text]O governo de Barack Obama está chegando ao fim e, em paralelo à acirrada corrida presidencial, a imprensa internacional avalia as conquistas da administração do presidente democrata.

Um dos tópicos de maior destaque tem sido os avanços ambientais trazidos por essa administração. Apesar da tradicional aversão dos Estados Unidos à assinatura de protocolos internacionais, como o Protocolo de Kioto e muitos outros que envolvem questões sociais, o presidente Obama deve ser lembrado, entre outras coisas, por ter enfrentado pela primeira vez as mudanças climáticas.

Em agosto de 2015, Obama anunciou seu Plano de Energia Limpa, que apresentou uma série de medidas para reduzir as emissões de usinas termelétricas e o estímulo às fontes renováveis de energia, como a eólica e a solar. Segundo o Plano, as usinas termelétricas devem reduzir em 32% suas emissões até 2030, em relação aos níveis medidos em 2005. Instituições de defesa do meio ambiente argumentam que a meta é tímida, já que hoje esses valores já foram reduzidos.

Mas o mais importante, segundo reportagem da revista Scientific American publicada em setembro, deve ser o legado de inovação deixado por Obama em relação a tecnologias que podem combater a mudança climática. A matéria destaca que talvez mais importante do que a determinação de que os padrões dos combustíveis para carros e caminhões deve ser melhorado ou mesmo o próprio Plano, seriam os empréstimos (que começaram no fim do segundo mandato de George W. Bush, mas foram assumidos e incrementados por Obama) destinados à melhoria da tecnologia para a construção de usinas solares, parques eólicos e o desenvolvimento de biocombustíveis de matrizes não comestíveis.

Em 2009, explica a matéria, o governo aumentou os riscos financeiros sob sua responsabilidade para projetos de energia renovável. E o resultado foi uma explosão de inscrições para o programa. A Tesla Motors, por exemplo, foi uma das empresas que conseguiu empréstimo – e pagou antes do vencimento do prazo.

O programa contou com o apoio do Departamento de Energia norte-americano na avaliação dos projetos e na colaboração para que as novas tecnologias ultrapassassem os problemas de comercialização, que são a grande preocupação das indústrias financeira e de tecnologia.

O sucesso foi tanto que em 2013 o governo Obama renovou as linhas de financiamento, oferecendo mais US$ 40 bilhões para o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e energia nuclear.

Boa parte desses recursos talvez nem seja usada, explica a matéria, mas os projetos de energia renovável que já estão em desenvolvimento “podem evitar a emissão de 14 milhões de toneladas de CO2 e as usinas de energia limpa produzirão eletricidade suficiente para mais de um milhão de lares nos EUA em média, pelas estimativas do Departamento de Energia”. O resultado é que a gestão Obama deixará um legado em relação à energia limpa que embasará com fatos a luta contra a mudança climática.

Nota do editor: Uma das maiores especialistas do mundo em soluções eficientes para os desafios do meio ambiente, Rebecca Henderson, estará na HSM ExpoManagement, de 7 a 9 de novembro 2016. Henderson é professora na Harvard University e Harvard Business School, coordenando o departamento voltado à discussão de questões ambientais. Para saber mais sobre o evento clique aqui.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]