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HSM Expo 2018 | 05 de novembro

“Esteja aberto ao novo, esteja aberto ao diferente, esteja aberto a novas perspectivas.” Assim Guilherme Soarez, CEO da HSM, abriu a HSM Expo 2018, que começou hoje e vai até quarta-feira no Transamérica Expo, em São Paulo.

O objetivo do evento é multiplicar perspectivas, e o primeiro palestrante do palco principal, Insights, trouxe uma nova visão sobre o que é negociar em tempos desafiadores. Um dos maiores negociadores do planeta, conhecido por mediar acordos de paz, como o da Colômbia com as FARC, o antropólogo e escritor William Ury mostrou como aplicar sua experiência de negociação de guerra na gestão de empresas. Para ele, para se conseguir uma boa negociação é preciso manter o foco, entender o que está em jogo, ouvir o outro e entender sua perspectiva, saber dizer não quando necessário e construir uma “ponte” para levar o outro para onde você quer. “Geralmente vemos as negociações como um braço de ferro. Mas talvez o maior poder que temos como negociadores é mudar o jogo: de um confronto para ver quem vai ganhar para uma alternativa que seja boa para todos. Tornar o impossível, possível.”

Peter Diamandis, co-fundador da Singularity University, mostrou avanços na tecnologia que podemos esperar para os próximos anos em várias áreas: desde carros e helicópteros autônomos, passando por robôs-avatares que permitem que você esteja em mais de um lugar ao mesmo tempo, até inovações que tornarão tão comum uma pessoa atingir os 100 anos como hoje é chegar aos 60. Seu ponto é: apesar do noticiário negativo, o mundo está cada vez melhor. “Uma criança numa favela com um celular tem acesso a milhões de dólares em conhecimento, em livros, em vídeos, em fotografias. Todas essas coisas são de graça. Isso é democratizar o acesso à educação, à saúde.”

A manhã terminou com a palestra de Jeanne Bliss, uma das maiores autoridades em relacionamento com o consumidor e autora de diversos livros sobre liderança centrada no cliente e transformação de negócios. “Pensamos cada vez mais na experiência do cliente, mas acabamos transformando-os em dados de planilhas, em pontos vermelhos e verdes, não pensamos em como melhorar suas vidas”, afirmou. Para resolver esse problema, ela detalhou as cinco regras que desenhou para uma boa experiência do consumidor: valorizar e gerenciar os clientes como ativos de sua empresa; focar na experiência; construir a jornada do cliente alinhada à sua história de vida; ter proatividade para oferecer experiência, confiabilidade e inovação; garantir que a liderança entenda sua responsabilidade e criar uma cultura única de melhoria da experiência do cliente para toda a empresa.

Como pensar em previdência quando os idosos são cada vez mais saudáveis e ativos? A discussão sobre a longevidade abriu a programação da tarde e foi liderada pelo empreendedor social Marcel Fukayama, que conversou com Layla Vallias, do Hype60+, e com Sérgio Serapião, do Movimento LAB60+. “Enquanto milhões debatem a forma de lidar com os millennials, o planeta envelhece. A discussão sobre a longevidade ainda é muito embrionária no Brasil. Mas mais que discutir, é preciso fazer, porque já está acontecendo”, afirmou Layla, que também apresentou dados de uma pesquisa inédita sobre essa faixa etária no Brasil. Já Sérgio se focou em como integrá-los ao mercado de trabalho: “Quando passamos a viver mais, não podemos achar que idosos só viajam e aproveitem a vida. Hoje eles estão cada vez mais em casa, isolados e deprimidos. O que fazer com esses anos que ganhamos? Acredito que temos que criar uma segunda etapa de vida ativa depois que envelhecemos.”

Na seqüência, o jornalista André Trigueiro falou sobre outra grande mudança de paradigma. “Os jovens estão se conscientizando em relação à carne que comem, ao tipo de mão de obra que produz a comida que estão ingerindo e a roupa que estão usando, e assim, transformando o comportamento dos futuros consumidores.” Segundo ele, essa é uma maneira de se combater o “ecocídio”, quando vemos todos os indícios de que temos um grande problema de sustentabilidade, mas não fazemos nada em relação a isso: “É como se nos aproximássemos do iceberg e a rota do Titanic não fosse modificada.” Em sua palestra, citou ainda a importância do Acordo de Paris, a economia de baixo carbono e os rumos que o Brasil pode tomar a partir do próximo ano em relação à agricultura sustentável: “Existem 150 grandes fundos de investimento no mundo investindo na produção de alimentos e eles não querem aplicar seu capital em países que não produzem proteína animal ou grãos de forma ética.”

Se o que o mundo pede é inovação, três brasileiros com bastante experiência no assunto vieram falar sobre como fazer isso, na prática. “Você pode empreender dentro das empresas, não necessariamente precisa criar uma empresa sua”, começou Priscilla Erthal, da aceleradora de negócios Organica. E como criar uma empresa de sucesso? “A gente espera a ideia chegar para poder empreender. Mas ideias são hipóteses de coisas que podem funcionar. As pessoas valorizam muito a ideia inicial, mas as melhores ideias são as que acontecem durante a execução do projeto”, explicou Pedro Waengertner, da Aceleratech. “Não é que startup dá errado, se tiver dinheiro e gente inteligente, uma hora o negócio vai funcionar. O problema é que às vezes o dinheiro acaba antes disso”, completou Tallis Gomes, criador do Easy Taxi.

E para terminar o dia, Marshall Van Alstyne, professor da Boston University e pesquisador de Economia Digital no MIT, falou sobre como as plataformas estão revolucionando as estratégias empresariais. “Sete das dez empresas mais valiosas do mundo atualmente são empresas de plataformas. Na economia de escala das plataformas, um usuário cria valor para a empresa trazendo outro usuário, que cria valor ao trazer outro usuário. O Instagram, por exemplo, foi vendido por um bilhão de dólares não pelas contribuições de seus 13 funcionários, mas as de seus 30 milhões de usuários”, afirmou. Uma plataforma de sucesso, segundo ele, precisa ter arquitetura aberta e regras de governança que estimulem as interações. “O grande erro é querer controlar demais em vez de abrir o ecossistema.”

Em seu primeiro dia, a HSM Expo 2018 cumpriu a promessa de trazer diferentes perspectivas para problemas que desafiam o Brasil e o mundo. Os líderes e empreendedores presentes terão mais dois dias para pensar, crescer e ampliar seu conhecimento. E se você também quiser multiplicar suas perspectivas, sugerimos começar refletindo sobre essa fala de Peter Diamandis: “Estamos vivendo o período mais extraordinário da história da humanidade. Cada um de nós tem acesso a mais conhecimento, mais dinheiro, do que em qualquer outra época. A questão é: o que você quer fazer com tudo isso?”

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O que o conceito de abundância de Peter Diamandis tem que ver com o chef de cozinha Massimo Bottura?

Segundo Peter Diamandis, não há necessidade de se preocupar com o futuro, pois, daqui a alguns anos, teremos água potável, alimentos, energia e tudo mais do que precisamos para oferecer em excesso, graças a tecnologia e inovação.

Um conceito simples, ainda que bem polêmico, leva-nos a ter um olhar otimista com relação ao futuro. Ao mesmo tempo, podemos também entender como abundância o ato de conseguir trazer soluções para problemas, ou em situações de escassez de algo, sendo criativos com aquilo que temos em mãos.

E é exatamente isso que Massimo Bottura, dono do restaurante italiano Osteria Francescana, eleito o melhor do mundo pelo segundo ano consecutivo, soube fazer com maestria. Sua trajetória é tão inspiradora que virou parte da série da Netflix Chef’s Table.

Uma de suas histórias mais famosas conta como ele usou toda sua criatividade e inovação na cozinha para evitar o desperdício de um dos queijos mais preciosos da Itália: o Parmigiano-Reggiano.

Esse queijo, de origem controlada, demora cerca de um ano para ficar pronto. Sua produção é em grande escala, e quando um terremoto atingiu a Itália em 2012, na região de Modena, 360 mil peças do parmesão foram danificadas pelo tremor.

O renomado chef italiano fez do limão uma deliciosa limonada! Em contato com um dos produtores do queijo, ele se propôs fazer uma receita de risoto cujo arroz seria cozinhado no parmesão.

“Quero mostrar a todos o que aconteceu a Modena e ajudar a vender tudo o que produzem. Japão, Londres, Nova York, em todo lugar, estavam preparando o risoto Cacio e Pepe. Quarenta mil pessoas estavam preparando o risoto Cacio e Pepe. Todas as 360 mil peças de queijo foram vendidas, acabou tudo. Ninguém perdeu o emprego. Nenhum queijeiro fechou as portas. Foi uma receita com função social”, afirmou o chef Bottura.

Massimo usou o conceito de abundância de Peter Diamandis ao trazer a abundância àquilo que era um problema em grandes proporções, evitando o desperdício de comida. Hoje, sua gastronomia é conhecida mundialmente por misturar inovação, criatividade e função social.

Além dessa história emblemática, que difundiu a receita do risoto Cacio e Pepe em todo o mundo, o papel social e sustentável de Massimo na culinária não parou por aí. Em Milão, Bottura criou o projeto Refettorio Ambrosiano, onde usa os ingredientes excedentes da Expo Milão para servir pessoas pobres na periferia da cidade italiana.

Esse mesmo conceito foi utilizado nas Olimpíadas do Rio, em 2016. O chef veio até a capital carioca e abriu o Refettorio Gastromotiva. Localizado na Lapa, o restaurante continua a alimentar a população menos favorecida da cidade.

São projetos como esse que fazem com que a gente tenha um olhar mais otimista para o futuro e comece a entender o conceito de abundância de que Diamandis tanto fala.