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Futuro do trabalho: a inovação não virá da produtividade e da eficiência dos times

Se você já praticou canoagem em corredeiras, conhece a sensação estimulante de fazer curvas fechadas para evitar rochas; mudar de direção a cada poucos segundos; e confiar em sua equipe totalmente encharcada e cheia de adrenalina, enquanto atravessam correntes violentas. Poucos navegaram nos traiçoeiros fluxos da Covid-19 com tanta habilidade quanto Eric Yuan, CEO do Zoom, a agora onipresente empresa de tecnologia de videoconferência. O Zoom foi fundado em 2011, quando o mercado de videoconferência já estava em plena atividade. Naquele mesmo ano, a Microsoft comprou o Skype por US $ 8,5 bilhões. Quatro anos antes, a Cisco, a gigante das redes de internet, comprou a WebEx, outra empresa líder de videoconferência, por US $ 3,2 bilhões. No entanto, quando o mundo entrou em quarentena, empresas e escolas foram realocadas para salas de estar e todos passaram a “fazer zoom”.

Embora Yuan e sua equipe tenham treinado respostas a desastres naturais antes de abrir o capital em 2019, eles nunca imaginaram que enfrentariam um aumento desse tamanho na demanda. Mas eles se adaptaram: os data centers do Zoom foram configurados para lidar com picos de tráfego de 10 a 100 vezes o normal, diz Yuan. A empresa não perdeu o ritmo quando, da noite para o dia, todos perceberam que precisavam de uma ferramenta como o Zoom para conectar seu pessoal. No início da pandemia, 343.000 pessoas baixaram globalmente o aplicativo Zoom, em comparação com 90.000 pessoas, apenas dois meses antes, de acordo com a empresa de inteligência móvel Apptopia. Isso é quase quatro vezes mais downloads em um único dia. Com equipes de engenharia em todo o mundo, o Zoom conseguiu monitorar remotamente seus sistemas 24 horas por dia.

O trabalho dos líderes empresariais hoje pode ser semelhante a navegar em águas imprevisíveis, turbulentas, lotadas e até perigosas. Como John Seely Brown (JSB), ex-co-presidente do Center for the Edge da Deloitte, nos lembrou, “estamos vivendo em um mundo de águas bravas. É um mundo que está se movendo rapidamente de maneiras muitas vezes surpreendentes e imprevistas. ” Como um caiaque em corredeiras, os líderes empresariais devem aprender a ler habilmente as correntes e perturbações do contexto ao seu redor, “interpretando os fluxos, ondulações e corredeiras da superfície pelo que eles revelam sobre o que está abaixo da superfície.”

Navegar nas corredeiras também envolve bater ocasionalmente nas rochas ou virar. Yuan, o empresário, enfrentou esses desafios no início da quarentena, incluindo violações de segurança e privacidade. Ele respondeu reconhecendo os problemas e trabalhando mais para resolvê-los. Ele também aprendeu mais sobre sua base de clientes, sempre um foco principal. O cliente Zoom típico era o diretor de TI de uma empresa que havia sido apresentado à funcionalidade do produto, incluindo recursos de privacidade. Com a pandemia, vieram muitos usuários de primeira viagem que não se importaram em postar nas redes sociais uma visualização de galeria de uma chamada da Zoom, que eles não perceberam que incluía sua sala de reunião e senha. De repente, surgiram reclamações de “bombardeio de zoom”, com estranhos interrompendo chamadas de videoconferência. Yuan e sua equipe perceberam rapidamente que a crise da Covid-19 trouxe uma base de usuários diferente para seu produto, que não conhecia os recursos de segurança do Zoom. Como resultado, o Zoom mudou para se concentrar em “como torná-lo mais fácil para os usuários inexperientes”, explica Yuan. “Mudamos nossa prática.”

As empresas preparadas para prosperar no mundo das corredeiras de hoje e no futuro mundo do trabalho são organizadas para facilitar a criação rápida de novos produtos, serviços e experiências. Elas estão sentindo e construindo, respondendo e crescendo, enquanto se concentram na melhoria contínua. Trabalham em equipes altamente integradas, com foco no cliente dedicado e capacidade de entrega em sprints. Ágil por design, o próximo produto mínimo viável (MVP) é sua bússola.

A rápida ascensão do Zoom durante o primeiro semestre de 2020 provavelmente será um caso ensinado nas escolas de negócios. E deveria. Embora o Zoom atraia seus fãs e críticos, é difícil argumentar que não há algo essencial para aprender com essa história em evolução. Em mercados incertos e voláteis, empresas ágeis e empreendedoras podem enfrentar gigantes corporativos e reordenar indústrias. Esta é a oportunidade de crescimento de liderar no mundo das corredeiras, mantendo um foco quase fanático na usabilidade e experiência do cliente (“é tão fácil de usar”), construindo para escalabilidade, investindo em resiliência e gerenciando uma equipe focada na melhoria contínua e invisível problemas. A capacidade da equipe do Zoom de navegar pelo ambiente de corredeiras ilustra os tipos de desafios em que os humanos se destacam, e a IA, até agora, não.

Principais mudanças de mentalidade para líderes empresariais
Criar valor, significado e impacto, indo além da redução de custos e eficiência como objetivo principal

“Todo mundo está falando sobre o futuro do trabalho. Mas poucos estão fazendo a pergunta mais fundamental: como deve ser esse trabalho? ” John Hagel e John Seeley Brown (JSB), ex-co-presidentes do Center for the Edge da Deloitte desde 2007, têm feito perguntas como esta em trabalhos para identificar oportunidades emergentes e grandes mudanças no cenário de negócios.

Hagel e JSB apontam a grande oportunidade de expandir as noções de valor além do custo para a empresa. As empresas têm alavancas adicionais para explorar novas fontes de valor e significado para se manterem competitivas em meio a dinâmicas de mercado em rápida mudança. As empresas que redefinem o trabalho com sucesso para se concentrar em qualidades humanas permitem que seus funcionários se envolvam em quatro tipos de atividades: identificar problemas e oportunidades invisíveis; desenvolver abordagens para resolver problemas e oportunidades; implementação de novas abordagens; e aprender com base no impacto alcançado. O exemplo do Zoom ilustra poderosamente os seres humanos se destacando em cada um desses quatro tipos de atividades.

Ações:

  • Mude o objetivo do trabalho além da eficiência para expandir o valor e o impacto entregues aos clientes, trabalhadores e comunidades.
  • Redefina fundamentalmente o trabalho, desde a execução de tarefas de rotina até a abordagem criativa de problemas e oportunidades invisíveis.
  • Cultive o trabalho para usar qualidades humanas, mudando de habilidades para capacidades.
  • Construa relacionamentos dentro e entre as equipes para que os gerentes e funcionários possam se concentrar na produção e no impacto, não apenas no fluxo de trabalho e nas atividades transacionais. Conecte equipes para que considerem o impacto e pensem sobre o que é importante para clientes e trabalhadores.
  • Incutir uma cultura de tolerância para ideias heterodoxas e assumir riscos.

Concentre-se na redefinição do trabalho como o caminho a seguir, não apenas na reformulação de tarefas

A inserção de robôs, automação de processos robóticos e tecnologias cognitivas e de IA oferecem oportunidades sem precedentes para melhorar a eficiência e a produtividade. Infelizmente, muitas empresas estão visando seu futuro de esforços de trabalho estritamente no redesenho do trabalho para eficiência e redução de custos, o que só vai mantê-los no agora, ao invés de redefinir o trabalho. Na visão limitada do redesenho de empregos, os trabalhadores representam economia de custos em vez da capacidade de criar novo valor para a empresa e para o cliente. Quando a maioria das empresas reprojeta trabalhos, seu foco estreito é a produtividade – os mesmos resultados de trabalho, só que mais rápido e mais barato, com menos erros. O desafio não é apenas redesenhar empregos, mas expandir o foco para redefinir o trabalho, incluindo estratégias de produtos e modelos de negócios.

Ao redefinir o trabalho, os funcionários em todos os níveis se concentram em encontrar e resolver problemas e oportunidades invisíveis. “O invisível é um aspecto-chave da redefinição do trabalho”, Hagel e JSB observaram que abordar um problema ou oportunidade oculta tem o potencial de criar mais valor porque não foi considerado nem compreendido; há espaço para muito mais aprendizado e impacto ao tentar entender melhor uma situação totalmente nova do que fazer melhorias incrementais em uma questão bem definida.

Uma mudança crítica para os líderes de negócios é equilibrar o foco na eficiência e produtividade. A inovação não surge da produtividade e da eficiência, a menos que equipes de trabalho, gerentes e funcionários sejam desafiados a reconhecer que um trabalho melhor não é apenas mais do mesmo. É algo novo: novo valor, produtos, novos serviços, novas experiências – também conhecido como empreendedorismo. É a fusão de valor para o cliente e bem-estar para a força de trabalho.

A economia de custos e a eficiência podem ter um valor maior e mais duradouro quando os líderes de negócios usam a economia de custos para financiar investimentos em novos produtos e para fortalecer relacionamentos e experiências com clientes. Como observamos, a proliferação de caixas eletrônicos resultou no redesenho dos empregos dos banqueiros de varejo para que eles oferecessem um serviço diferente do das máquinas. Os banqueiros de varejo não estavam mais simplesmente distribuindo dinheiro, mas podiam passar mais tempo com os clientes, apresentá-los a novos produtos e serviços e estender a capacidade do banco de oferecer um nível mais alto de interação e serviço com o cliente.

Ações:

  • Integre o redesenho do trabalho – para velocidade e produção aprimorada por meio da automação – com a redefinição do trabalho.
  • Desafie os grupos de trabalho e equipes a se concentrarem na descoberta de problemas invisíveis – não apenas na economia de custos.
  • Crie uma agência de grupo de trabalho para que as equipes tenham o foco e a flexibilidade para produzir o produto e aprimorá-lo. Como aprendemos com a linha de fábrica da Toyota, entre os fabricantes mais produtivos e inovadores do mundo, o trabalho do grupo na linha de frente não é apenas executar a produção, mas melhorar a produção e a qualidade.
  • Construa grupos de trabalho e equipes em torno dos relacionamentos que irão gerar inovação, contribuição e bem-estar, não apenas eficiência. Projete e conecte grupos de trabalho e equipes em redes, dentro e fora da empresa, para criar valor e oportunidade para trabalhadores e clientes.11

Fazer mais do mesmo, e mais rápido, não é onde a mágica acontece – a mágica é quando os trabalhadores e equipes podem resolver novos problemas e criar novos valores, serviços e relacionamentos.

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Conheça as IncentiveTechs

Mais de 12 mil iniciativas inovadoras no Brasil. Esse é o último dado sobre o tamanho do mercado de startups e inovação divulgado pela ABStartups (Associação Brasileira de Startups). Dentro desse imenso universo, que só faz crescer, existem algumas verticais que ganharam destaques ao longo dos últimos cinco anos.

Vimos o boom dos e-commerces, fintechs, agrotechs e mais recentemente as lawtechs têm chamado atenção, principalmente pelo fato das empresas passarem a levar mais à sério seus processos internos de compliance. Com algumas recentes mudanças nos cenários econômicos e políticos, o Brasil ganhou fôlego e os empreendedores, por consequência, ficaram ainda mais otimistas sobre seus mercados e, por que não, para a criação de novas iniciativas.

É nesse momento que aparece uma nova onda das startups. São as chamadas IncentiveTechs, ou seja, empresas com base tecnológica que atuam no segmento de marketing de incentivo. Ainda incipiente em nosso país, o setor chamou a atenção de alguns empresários e passou a ganhar ares mais robustos e modernos, deixando para trás estigmas arcaicos e arraigados sobre o que é como funciona o conceito de incentivo.

Em linhas gerais, podemos dizer que o marketing de incentivo é o conjunto de ações que tem como objetivo final motivar equipes de trabalho, sempre com foco em aumento de produtividade. Para se ter uma ideia, atualmente, apenas 68% das empresas brasileiras usam essa metodologia, apesar desse ser um mercado de R$8,3 bilhões ao ano.

Porém, as IncentiveTechs chegam para mudar o fato da maior parte dos gestores ainda acreditar que incentivo se resume ao bom e velho “brinde” no final de um determinado período ou mesmo apenas uma premiação por meio de dinheiro. Após quase dez anos de atuação nesse setor, notei a importância de ajudar o mercado a entender que os tempos são outros e é preciso se reinventar e seguir as tendências do mundo hightech que vivemos.

Na última década, os programas de incentivo sofreram grandes transformações, antes a maioria dos programas eram gerenciados manualmente e a ênfase estava na realização de recompensa – dar e receber. Hoje existe uma abordagem mais sutil, focada na performance do colaborador durante todo o programa, soluções criativas e transparente para influenciar o comportamento dos funcionários e gerar alto índice de engajamento.

Para uma campanha de incentivo ter sucesso é preciso ir na direção contrária a famosa planilha de Excel e comunicação boca a boca. O último relatório da Incentive Research Foudation (IRF) revela que, para gerar engajamento, reconhecimento e recompensa, é cada vez mais necessário o uso de soluções tecnológicas com facilidade de navegação e automação de estratégia, é preciso ter e tratar dados. O uso dessas soluções torna a campanha de incentivo tangível.

À medida que essas ações se transformam em algo mais sofisticado, as organizações passam a necessitar de um software fácil de usar, rico em recursos e flexível, capaz de integração total e com capacidade robusta de produzir insights analíticos e personalização.

A união de know-how de anos de marketing de incentivo com aplicações tecnológicas era o caminho natural de quem não deseja perecer nesse mercado e oferecer soluções cada vez mais eficientes para seus clientes. Por isso, o ponto central de quem é uma IncentiveTech é justamente entender as dores de quem está lá na outra ponta, ou seja, o colaborador.

Ele deseja ser ouvido, ele respira inovação e tecnologia, portanto as empresas e seus gestores precisam acompanhar esse mundo. Para ajudar, as IncentiveTechs chegam como a grande promessa de 2020, levando experiências imersivas, softwares completos para uma gestão assertiva e atuação sob modelos preditivos, ajudando na tomada de decisão com base em dados detalhados de cada campanha.

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Com a palavra, o C-Level

Já vi esse filme. De tempos em tempos as nossas certezas sem mais nem menos perdem o pé, as águas ficam turvas, o ar enevoado, a gente perde o norte e, para piorar, temos que correr sem saber pra onde. Já vi esse filme.

Quando a primeira bolha da internet estourou foi assim, de uma hora para outra o futuro virou fumaça e o próprio passado, o passado recente de um mês atrás virou história antiga, coisa de filme preto e branco. Mudança de verdade é assim da água pro gelo, da lenha pro fogo, do boato pro escândalo, da euforia para a tragédia. Mudança só é linear ou exponencial nos sonhos dos ingênuos ou economistas, para o resto é trancos e barrancos.

Até então era fácil pensar, era fácil escrever, era fácil posar de sabido. O chão balançou, eu perdi o prumo e de uma hora para outra eu não sabia mais o que dizer. Eu, que sempre escrevi artigos como respiro, não sabia mais por onde começar.

Não conseguir escrever não quer dizer parar de pensar, pensar é a minha sina, e o remédio na época não foi nenhum psicotrópico ou estupefaciente (nem cerveja eu bebo) mas sim… começar a gravar de improviso minhas reflexões onde quer que fosse, e assim nasceu um dos primeiros podcasts do país, o Roda e Avisa, no ar ininterruptamente desde 2003 e com mais de mil episódios. Pois é, eu falo.

Na hora de escolher um subtítulo para o podcast criei uma frase sutil que é mais verdadeira do que nunca: porque falar é fácil. A frase é curtinha mas tem entrelinhas, sobretudo uma pitada de ironia com aqueles que falam maravilhas mas não entregam, e um bom complemento seria: difícil é falar com quem importa, ainda mais agora que os interlocutores são outros e não falam necessariamente a nossa língua. Pior: talvez não queiram falar conosco.

Eu ainda estava na Microsoft quando ficou claro que o foco não deveria mais ser o diretor de TI mas sim o diretor de marketing ou – novidade! – o diretor de inovação. Éramos todos experts em conversar com a turma de TI, mas falar com a turma de negócios era tão diferente que precisava de outro guarda-roupa (e de outro discurso, e de outro PPT, e de outros eventos). Eu vi e vivi isso de perto, e aprendi muito.

De lá para cá o assédio ao CWO, Chief Whatever Officer, é tamanho que todo comercial que se preza tem lá nos seus objetivos: falar com o C-Level, e falar com eles não é fácil. O que eles querem ouvir? O que os move? O que os comove?

A SAP me convidou, semanas atrás, a participar de um evento focado em Customer Experience. O tema me interessa, eu adoro me atualizar e fui para aprender, fui para ouvir. Ouvi, aprendi e, adivinhem, falei também. Comentei com os palestrantes (todos ótimos) o drama que é traduzir as virtudes de uma tecnologia de uma forma que fale ao coração de quem não é técnico, de quem não se fascina com tecnicices, e a conversa foi boa, pois o desafio é geral.

O aprendizado transformador, mesmo, ficou para o final: o CEO (um C-Level em carne e osso!) da Impecável, uma loja masculina no Rio, contou o impacto que a tecnologia teve no seu negócio. A palestra foi bárbara, foi uma aula riquíssima de varejo popular e comportamento do consumidor, e a cereja do bolo foi ouvi-lo dizer algo assim:

– Se me perguntarem por que eu adotei essa tecnologia eu respondo dizendo que só não adota quem é louco. Dá para viver sem smartphone? Dá, mas só um louco abre mão dele. Idem para essas tecnologias: eu seria louco se não embarcasse de cabeça.

Alguém perguntou o que eu gostaria de ter perguntado: e como você mensura o impacto nas suas vendas? Como você calcula o ROI?

A resposta foi algo assim:

– Não tem como, não dá para medir o efeito isolado. A questão é: ou eu fazia isso ou eu estaria hoje fora do jogo.

Taí: passamos o dia todo matutando como falar a língua do C-Level e ganhamos de graça essa aula magna. Quem só fala, fala, fala para o C-Level e não escuta o que ele tem a dizer, esse sim é louco e vai ficar fora do jogo.


* Um de seus projetos pessoais preferidos são as dicas de leitura no Leia, Vale a Pena: http://leiavaleapena.tumblr.com

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O valor da visão

Convenhamos: o bom de eventos são os corredores. Sim, há palestras, sim, há stands, sim, há brindes e canetinhas e bloquinhos e sacolinhas e cafés e brigadeiros grátis, mas quem precisa de mais badulaques promocionais ou mais carboidratos? Quem precisa ver mais gente se autopromovendo ou promovendo a última versão de mais badulaques? Eu prefiro os corredores, prefiro puxar prosa com quem não conheço e, sobretudo, reencontrar velhos amigos de quem tenho saudade.

Pois é, sou sentimental. Houve um tempo (faz tempo) em que trabalhar com internet era uma aventura romântica que atraía gente de todo tipo, uma turma eclética movida pela mesma visão improvável: fazer a internet acontecer.

A internet aconteceu, o digital “chegou chegando” e se acelerou tanto que acabou atropelando quem arrastou esse piano por tanto tempo. A turma dos visionários perdeu o pé, se diluiu, cada um foi para um canto e a gente acaba se revendo assim, de passagem em grandes eventos. Boas risadas, bons abraços, nostalgia de tempos mais divertidos.

No último CIAB encontrei um amigo querido, veteraníssimo, daqueles que nem precisam de sobrenome pra sabermos quem é. Caminhando pela balbúrdia de stands e engravatados, ele me confessou algo assim:

“Faz alguns anos que não consigo enxergar além de cinco meses, e isso me angustiou muito. Cinco meses depois, nada tinha acontecido e eu só conseguia imaginar os próximos cinco meses, e depois mais cinco meses e assim tem sido há anos. Hoje desisti de enxergar à frente e não me angustio mais, não adianta.”

Rimos juntos.

Hoje, meses depois, li um belo artigo não sobre digital, não sobre blockchain nem lean nem apps nem scrum, mas sobre… prédios. O autor, o construtor Rafael Birmann, conta no artigo o que o levou a construir um edifício inovador, ousado e de grande impacto: visão. Visão de uma cidade mais humana, visão de um espaço público mais fecundo, visão de um futuro melhor, visão forte e teimosa o suficiente para resistir à mesquinharia das planilhas e métricas e índices e financistas e gente que se pauta unicamente pelas coisas que o Excel entende.

Se o construtor pensasse como muitos de nós “digitais” pensamos e corresse atrás de métricas e dashboards e sprints e resultados imediatos, construiria mais um prédio igual a todos os outros, assim como nós estamos cuspindo mais do mesmo sem parar. Como ele foi e é visionário e bancou essa visão, ele inovou de verdade, criando algo que vai mudar o futuro… com brick and mortar, e não com fumaças de bits e bytes. O artigo é inspirador, leia aqui: O Urbanismo Se Paga?

O IPhone mudou o mundo porque Steve Jobs ouviu o CFO? Os PC’s com Windows mudaram o mundo porque Bill Gates foi atrás do que os gigantes da época faziam e criou um copycat? Se a Amazon tivesse que ser rentável desde o início ela seria o gigante que é? Game of Thrones ou Star Wars foram criados por alguém que só acredita em hard numbers?

Dá pra pensar em uma lista imensa de marcos na história humana que nasceram não de cálculos conservadores ou de imediatismos ou da aplicação xiita do lean da Toyota, mas sim de visões de futuro, de sonhos grandiosos, de ideias arrebatadoras, e pensar nisso consola meu coração romântico mas também aumenta a angústia de quem se vê cercado pela fissura por métricas e planilhas e KPI’s e growth hacking e unicórnios e gurus de palco e impostores carismáticos e batedores de carteira irresistíveis.

Onde foram parar os visionários, os apaixonados, os criativos, os verdadeiros inovadores? Como eles conseguem respirar nesse mundo míope e pobrinho sem ousadia, sem coragem, sem paixão, esse mundo cada vez mais mecânico, cada vez mais maquinal, nesse mercado que tritura tudo o que é vivo e saboroso para transformar em salsicha e doritos? Eu preciso saber, e é por essas e outras que estou sempre pelos corredores procurando por quem ainda tem algum brilho nos olhos.

René de Paula Jr. é um profissional com 25 anos de experiência no mercado interativo e seu currículo inclui empresas como Microsoft, Yahoo, Sony e diversas agências digitais como Wunderman, FLAG e AgênciaClick. René é alumni da Singularity University (EP2011) e é um consultor certificado em Tecnologias Exponencias pela ExO Works com participação em vários projetos internacionais. Um de seus projetos pessoais preferidos são as dicas de leitura no Leia, Vale a Pena

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Cidades (nada) Inteligentes

As cidades inteligentes são atualmente desejo de consumo das autoridades municipais no Brasil e no mundo. Esse tipo de cidade, mais do que vias e construções, são constituídas de dados, que se por um lado ajudam a melhorar a qualidade de vida da população ao otimizar serviços e ações públicas, por outro lado capturam boa parte da privacidade dos cidadãos com enormes bancos de dados que podem ter sua segurança violada. É nessa dicotomia que vem emergindo o conceito e instrumentos tecnológicos para tornar as cidades mais inteligentes.

Em todo o mundo, cidades antigas foram adaptadas e algumas novas cidades estão sendo construídas em terrenos totalmente renovados, totalmente planejadas e orientadas para serem inteligentes desde os primeiros projetos de planos. Quanto mais antiga e mais desenvolvida for uma cidade, mais complexo é para adaptar e se adaptar.

Economias emergentes como a China e a Índia estão investindo pesadamente em cidades que são forjadas como modelos de vida urbana sustentável, combinando as mais recentes tecnologias avançadas de informação e comunicação com o projeto arquitetônico de ponta totalmente integrado em ambientes urbanos onipresentes.

De muitos pontos de vista, as cidades inteligentes não são apenas uma tendência de moda, elas são vistas como necessárias para toda a civilização. Apresentam-se como uma solução sustentável para a vida urbana. Soluções relacionadas ao gerenciamento de água, energias limpas e renováveis, redes inteligentes, controle inteligente de tráfego, governo eletrônico, mobilidade urbana, acessibilidade à internet sem fio e gerenciamento de resíduos são apenas alguns exemplos que podem ser destacados em uma longa lista de soluções propostas orientadas à resolução dos problemas urbanos.

O desafio não é a tecnologia em si, mas como projetar e usar a tecnologia para o benefício real do bem-estar dos cidadãos. O problema é o outro lado da moeda. A coleta de dados privados pelos sensores das smart cities. Antes, as empresas de construção civil eram as construtoras das cidades. Agora são as empresas de tecnologia que estão entrando na concorrência para construir as cidades inteligentes. Uma radical mudança que ocasiona outros impactos, como a coleta dos dados privados, por meio de milhares de sensores via inteligência artificial, em toda a cidade. Os dados são o negócio dessas empresas.

Um plano de saúde pode não cobrir o tratamento de seu colesterol ou de um ataque cardíaco, após detectarem que em seu histórico no supermercado está registrado a compra de carne vermelha por mais de 2 anos seguidos e nenhuma matrícula em academia. Ou, o seguro de seu carro pode custar R$ 500,00 mais caro se você levou duas multas por excesso de velocidade no último ano.

A China está introduzindo um sistema de crédito social até 2020. Esse sistema irá permitir ou inibir, por exemplo, a moradia em certos lugares, viagens dentro do país ou para o exterior, matrícula dos filhos em algumas escolas em específico, acesso a restaurantes, etc. Tudo a depender de sua pontuação social, ou seja, o número de “likes” irá definir quem você é.

Pelo lado bom, no Nordeste brasileiro, Salvador é a única cidade da região no ranking IESE Cities in Motion Index, que elenca as smart cities (cidades mais inteligentes) do mundo. A capital baiana ocupa a 147ª posição no ranking internacional, num ranking de 165 cidades e que traz Nova York (EUA) como a primeira colocada pelo segundo ano consecutivo. A cidade ocupa ainda a quinta posição entre as seis únicas brasileiras na listagem do IESE Business School.

As outras representantes nacionais são: a capital paulista, na 116ª colocação e a primeira entre as smart cities nacionais; Rio de Janeiro, na 126ª posição e a segunda entre as brasileiras; Curitiba, na 135ª, terceira colocada; Brasília, na 138ª e quarta posição; e Belo Horizonte, na 151ª posição e a sexta, respectivamente. É um importante reconhecimento para a cidade, num ranking que leva em conta o capital humano, coesão social, economia, meio ambiente, governança, planejamento urbano, alcance internacional, tecnologia, mobilidade e transportes.

Contudo, as posições das cidades brasileiras nesse ranking mostram o quão distantes estamos, seja do Black Mirror traçado para as cidades inteligentes mais conectadas, seja do exemplo de cidadania e sustentabilidade, quando olhamos para as capitais nordestinas e nem as calçadas, nem a coleta seletiva de lixo são padronizadas. Garantindo mobilidade e sustentabilidade ambiental.

E, hoje, não sei o que é pior, perder os dados, mas ter mais qualidade de vida, como eu vi nas cidades chinesas que visitei, ou manter minha privacidade e abrir mão da cidadania, como vemos todos os dias nas cidades brasileiras.

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Tendências, futuro e o Web Summit 2019

Quando se está no mercado de inovação e tecnologia, algumas conquistas demonstram a evolução da empresa que você carrega no peito: o lançamento do produto, o primeiro cliente, o escritório que cresce, a primeira ida ao Silicon Valley, em San Francisco (EUA), e a participação no Web Summit, em Lisboa, são alguns exemplos. Participar deste imenso evento como espectador já é uma experiência que engrandece. Imagine ser um entre apenas quatro brasileiros palestrantes em um universo de 1200 speakers.

São mais de 70 mil espectadores que viajam pelo mundo para estar presentes nos quatro dias de troca de conhecimento e experiência únicas. Lá, tive a oportunidade de falar sobre as pequenas e médias empresas brasileiras e como a tecnologia está transformando o cenário delas no país. Ser o único representante de um software ERP integralmente nacional e poder contar sobre essa camada tão importante da nossa economia foi algo especial. Os aprendizados foram diversos, pois quando se está aberto a absorver outras visões, você sai com muitas respostas, mas com muito mais questões para olhar para dentro e evoluir.

Durante esses dias pude participar de uma ação que era quase uma maratona de encontros com investidores. Mesmo não estando em busca de uma rodada, essas conversas são muito positivas, pois uma das maiores dores que uma empresa pode ter é não ser conhecido por esse stakeholder tão importante. Quando se realiza essa apresentação prévia, muitos caminhos se encurtam e a chance de um sucesso mais rápido na captação aumenta. Esse é um exercício cansativo, pois você pode falar com muitos investidores seguidamente, então possuir uma estrutura de temas importantes para falar pode te ajudar no momento de destacar suas ideias e feitos.

Como a feira possui um espírito de mutação constante, bem característico nas empresas de tecnologia, ela possui uma dinâmica em que as startups presentes com balcões e stands mudam entre os dias, assim um número grande de ideias é apresentado para os visitantes. Muitas dessas ideias são embrionárias e não se sabe se terão sucesso, mas há alguns anos a Airbnb era tida como loucura e hoje é a maior rede de hospedagens do mundo, então você pode cruzar com futuros unicórnios que ainda engatinham.

Participar como palestrante foi outro momento de aprendizado. Mesmo tendo alguma experiência em palestrar, estar em outro país com um público totalmente novo foi algo especial, pois cria uma tensão extra que se transforma em orgulho por poder representar o Brasil em um evento tão único. Ouvir de pessoas que o projeto realmente possui um impacto e que existem outros exemplos ao redor do mundo é recompensador.

Ver a palestra do Edward Snowden, que falou sobre a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) que entra em vigor no meio de 2020, foi importante, pois, por mais controversa que seja a figura dele, ele passou uma visão sobre como devemos tratar o tema não como proteção de dados, mas sob a ótica de coleta de dados. A questão principal deveria ser como se consegue os dados e não sobre com quem se compartilha as informações. Não que isso não tenha relevância, mas essa outra ótica teria um impacto maior na vida das pessoas.

Por fim, não podemos deixar de fora a supremacia quântica do Google e os robôs. Esses temas estiveram presentes também e mostram como estamos próximos de uma nova revolução. A nova forma de processar dados vai ser algo incrível e fez com que o setor saísse de um cenário teórico para algo palpável. Isso impacta na Lei de Moore, que fala sobre os computadores que ficam melhores e mais baratos conforme o tempo , algo que tinha quase parado nos últimos anos. Essa novidade – mesmo que não pareça nesse momento, pois o custo ainda é inatingível – faz essa roda voltar a girar.

Os robôs da Boston Dynamics também estiveram presentes para uma demonstração de seu primeiro modelo comercial. A empresa, que ainda não gerou nenhum dólar de receita, começa a caminhar para isso e indica uma tendência muito forte.

É incrível como cenário de tecnologia move multidões e se torna ainda mais relevante todos os dias. As pessoas começam a entender como a vida delas serão impactadas e as empresas compreendem que,no fim do dia, se o negócio não mudar a vida das pessoas, significa que ele é inevitavelmente limitado.

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A indústria 4.0 e os artesãos da era digital

Todas as revoluções que vivenciamos, acompanhamos ou estudamos têm algo em comum, a conexão entre tecnologias que impulsionam e geram disrupções. Do surgimento do tear mecânico até o lançamento de aplicativos, por exemplo, de transportes, como o Uber, a sociedade passou e passa por inúmeras transformações, que trazem naturalmente mudanças, inclusive nas formas e maneiras de se trabalhar.

A mais recente transformação veio em decorrência da Quarta Revolução Industrial, também conhecida por Indústria 4.0, que trouxe consigo inúmeras tecnologias impulsionadoras que geram megas tendências e disrupções sem precedentes e que emergiram com ainda maiores impactos durante a próxima década.

Um dos mercado que representa esta mudança é o de mobilidade urbana, tanto no Brasil quanto no mundo. Os taxistas que, assim, como os artesãos da indústria 1.0 eram detentores de grande conhecimento sobre seu ofício, sentiram grandes impactos durante as suas devidas revoluções.

O conhecimento invejável sobre a geografia e locomoção nas cidades e Megas metrópoles como por exemplo São Paulo, construído durante anos de treino e trabalho, passaram a enfrentar a concorrência de motoristas de plataformas, esse “conhecimento digital”, permite que uma pessoa somente habilitada a dirigir, possa navegar facilmente pelas menos conhecidas vias da cidade, isso só é possível por meio da conexão de tecnologias, como mapas que somados a satélites, nos deram o GPS, que juntamente com a economia compartilhada e plataformas mobiles evoluíram para o Waze, que novamente somados com economia sob demanda e e-commerce nos habilitaram os apps de mobilidade como o Uber, permitindo trazer o melhor custo benefício ao setor.

Assim como na Inglaterra do século XVII, a tecnologia rompeu a barreira do conhecimento pessoal, não era mais necessário anos de treinamento para formar um artesão, apenas instruções de operação de máquinas e a abundante oferta de mão de obra, gerou impactos sem precedentes na indústria têxtil e posteriormente em outras. Agora novamente é possível observar a mesma dinâmica no mercado de transporte pessoal.

Com essa “mecanização”, derruba-se uma barreira de entrada, o conhecimento intrínseco da geografia da cidade. A existência desse conhecimento é muito bem observado em Londres, onde por exemplo, para se obter a licença de trabalho nessa profissão, se faz necessário passar por treinamentos extensivos, aprendendo a navegar entre milhares de ruas e lugares da cidade, posteriormente validado por um conjunto rigoroso de exames aplicados por policiais.

Com oferecimento desse mecanismo tecnológico de grande acessibilidade, em virtude da difusão dos smartphones, somados a crise econômica que deixou milhares de pessoas desempregadas, inclusive na cidade de São Paulo, criou-se ambiente perfeito para uma revolução. Essa nova tecnologia de navegação foi impulsionadora para a disrupção do Uber, um dos principais players do mercado até hoje.

O aumento da oferta do serviço de transporte individual, naturalmente ocasionaria na redução dos preços oferecido. Essa variação é simplesmente explicada pela própria lei de oferta e demanda. O mercado regulado restringe a oferta e não permite que se chegue a um preço mais baixo dado a baixa concorrência.

Quando o setor passou ser mais concorrido, melhora-se a qualidade e reduz-se os preços praticados. A recente pesquisa Origem-Destino feita pelo Metrô revelou que, diariamente, são realizadas 362,4 mil viagens por aplicativos, contra 112,9 mil feitas pelos táxis comuns. Ou seja, as corridas feitas por apps já superam em três vezes os táxis, isso só na cidade de São Paulo.

Com a redução dos valores estabelecidos para o serviço de transporte pessoal muitas pessoas puderam se beneficiar dessa comodidade, fenômeno parecido com o observado durante a primeira fase da revolução industrial na Inglaterra onde milhares de pessoas puderam ter acesso a roupas leves e de qualidade.

Os taxistas usufruíram duas proteções, sendo a proteção do mercado regulado e, a do conhecimento do ofício. A quebra dessa segunda, por meio da “mecanização” proporcionada pelo Waze, permitiu que mais pessoas estivessem aptas para prestar esse serviço e nem mesmo o mercado regulado foi capaz de deter a onda de mudança, exemplificando muito bem os efeitos de uma revolução .

A plataforma de conexão dessa legião de novos prestadores, propiciada pela empresa Uber, gerou uma disrupção, impactando na sociedade local, assim como mudando o hábito de locomoção urbana de muitas pessoas, impactando na economia, gerando renda para milhares de famílias e ativando o mercado. Esses são os efeitos de uma revolução.

Outros efeitos que poderíamos rapidamente classificar são: a diminuição do faturamento de estacionamentos particulares, redução de arrecadação de estacionamentos públicos (zona azul), redução de vendas de veículos, redução de faturamento de apólices de seguros de automóveis entre outras. É preciso olhar atentamente para o futuro próximo com o entendimento de tecnologias impulsionadoras e disruptivas, analisando as mega tendências e verificando o quanto o seu mercado de atuação é vulnerável.

Sem dúvida a quarta revolução traz naturalmente muitas ameaças, mas também outras oportunidades para novos players e stakeholders, até o presente momento a civilização em sua maior parte vem sendo a grande privilegiada. Assim, podemos concluir que a população está se locomovendo com mais facilidade, passa menos tempo “presa” em trânsitos e ainda paga-se menos por um serviço de qualidade.

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Política, economia e tecnologia, por Fareed Zakaria

Um dos mais respeitados âncoras da CNN, Fareed Zakaria tornou-se mundialmente conhecido por suas análises sobre o cenário político internacional. Crítico declarado do governo Trump, ele aborda uma gama de assuntos, que vão dos impactos do capitalismo aos ecossistemas de inovação globais.

Um dos destaques da programação da HSM Expo, Zakaaria se apresentará ao público brasileiro no dia 4 de novembro. Veja abaixo alguns dos temas que estarão presentes em sua palestra.

Líderes mundiais
A sensação de perda de dignidade dos cidadãos está corroendo instituições políticas do mundo inteiro. Segundo Zakaria, boa parte dessa crise está relacionada à falta de confiança nas lideranças públicas e privadas – mais do que questões econômicas ou salários estagnados. Em sua visão, fatores como honra e respeito continuam como agentes motivadores essenciais para a população.

A ameaça do nacionalismo
Políticas e sentimentos nacionalistas estão avançando em diversos países. O movimento, além de ultrapassado, pode impactar negativamente a economia. De acordo com Zakaria, a globalização econômica e tecnológica das últimas décadas tornou o mundo mais colaborativo, estabelecendo uma ordem internacional que substituiu as guerras pelo comércio e pela cooperação entre as nações.

A influência das Fake News
As fake news tiveram um papel decisivo nas eleições de países como Brasil e Estados Unidos. Por essa razão, Zakaria costuma provocar o público a se aprofundar nas notícias que encontram nas redes sociais. Nesse contexto, o desafio é encontrar fontes de notícias equilibradas e confiáveis.

Crescimento econômico
Fareed Zakaria tem uma visão otimista sobre os avanços econômicos das últimas décadas: milhões de pessoas saíram da extrema pobreza. A desigualdade social, sob uma perspectiva global, diminuiu drasticamente. Em sua opinião, boa parte desse desenvolvimento deve-se a abertura de países como a China e a Índia, assim como a sua consolidação como polos internacionais de tecnologia.

Fareed Zakaria estará no palco principal da HSM Expo ’19. Garanta sua inscrição no site oficial do evento.

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Hugh Herr e a ascensão da era biônica

Líder do grupo de pesquisa de biomecatrônica do MIT, o americano Hugh Herr perdeu as duas pernas durante um acidente de alpinismo. A notícia de que nunca mais poderia voltar a praticar o esporte serviu como motivação para que ele começasse uma série de pesquisas para recuperar o que parecia impossível por meio da robótica.

O trabalho desenvolvido por Herr resultou na criação da prótese BiOM. Baseado em um sistema de sensores e circuitos que controlam um músculo artificial da panturrilha, o modelo oferece uma experiência mais confortável aos usuários, resultando em movimentos mais naturais.

A prótese criada por Herr fez mais do que possibilitar a sua volta ao alpinismo: ela melhorou seu desempenho durante a escalada. “Rapidamente atingi um nível superior ao que tinha antes do acidente. Ou seja, a minha performance ficou melhor com as próteses do que com as minhas pernas biológicas”, afirmou em uma entrevista ao EuroNews.

O sucesso da pesquisa levou à criação da BionX Medical Technologies. Fundada em 2011, a empresa tem como objetivo desenvolver soluções biônicas para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência ou problemas de mobilidade.

O sistema desenvolvido pela Bionx tem como diferencial uma tecnologia capaz de prever movimentos a partir da força que o usuário exerce sobre a prótese. O próximo passo é estabelecer uma conexão com o sistema nervoso. O avanço permitirá que o usuário “sinta” as pernas biônicas. “Estamos constantemente cercados de mensagens sobre como a tecnologia está nos prejudicando: poluição, armas nucleares e assim por diante… Acredito que me tornei um exemplo oposto dessa tendência”, diz.

Hugh Herr estará no palco principal da HSM Expo ’19, onde contará detalhes sobre a inovação por trás das suas pernas robóticas. Garanta sua inscrição no site oficial do evento.

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Empreendedorismo na década das ilusões perdidas

Estamos as portas de perder uma geração de jovens com ensino superior, mas perdidos para a sociedade. Empreender pode ser uma solução. Comecei minha vida na docência do ensino superior em 1999, na época estava finalizando o mestrado e as reformas do ensino, realizada em 1996, estavam começando a surtir efeito na expansão do ensino superior. Mais gente formada, mais possibilidade de emprego e maior renda, certo? Nem sempre, como veremos ao longo do texto.

De verdade, mais do que procurar emprego, nossos estudantes precisam ser ensinados a criar sua própria ocupação, sob pena de diante da crise que se instalou, se consolida no Brasil uma geração de jovens desiludidos com seu papel na sociedade.

Particularmente hoje, com o advento da Inteligência Artificial, Internet das Coisas e uma série de tecnologias que estão ocupando, cada vez mais, atividades rotineiras e automatizáveis. Pensamento, planejamento e atitude é a solução. Mas vejamos os dados e informações que me leva a escrever isso aqui.

Inicialmente essa expansão ocorreu via ensino privado e só a partir de 2006 teve início a expansão das universidades públicas. No início as vagas nas faculdades e universidades em expansão eram tomadas por uma gama de profissionais que já estavam no mercado de trabalho e necessitavam de qualificar sua função com um diploma do
ensino superior ou conseguir uma segunda formação.

A partir de 2006, com a expansão do ensino superior público, a implantação dos sistemas de cotas, aprofundamento da política do financiamento estudantil público e outras políticas de inclusão social via ensino, houve a abertura para a entrada dos jovens oriundos das classes sociais de menor renda.

O primeiro grupo de estudantes, os profissionais, já estavam no mercado de trabalho e de certa forma se esforçavam para aumentar a renda. Esse pessoal também lotou as turmas dos cursos de especialização lato-sensu e grande parte dele conseguiram seus objetivos ao longo dos anos recentes de crescimento econômico no Brasil.

O segundo grupo, que até hoje continua entrando nas universidades públicas e nas faculdades privadas, pode não ter seus objetivos no mercado de trabalho alcançados. Aos que foram os primeiros a entrar no ensino superior, entre 2006 e 2010, ainda alcançaram em sua saída da universidade um mercado de trabalho aquecido e contratante.

A partir dessa data, os que ingressaram no ensino superior estão encontrando dificuldades para encontrar empregos. Nunca é demais reforçar a importância da formação superior para a qualificação profissional em uma economia cada vez competitiva. Além de oferecer maiores garantias para conseguir ou se manter em um emprego.

Mas recentemente, devido a atual crise que se instalou no Brasil deteriorando fortemente o mercado de trabalho, a formação superior principalmente entre os mais jovens já não garante mais emprego a ninguém. Isso é possível perceber com a taxa de ocupação das pessoas acima de 14 anos em Alagoas foi em média 43% entre o 2º trimestre de 2014 ao 2º trimestre de 2017.

Ou seja, 57% das pessoas aptas a trabalhar em todas as idades estavam sem ocupação. Segundo dados do INEP, entre 2009 e 2013, Alagoas formou cerca de 100 mil estudantes nas mais diversas categorias de ensino superior, e em 2014, 13% dos empregos formais no estado eram ocupados por pessoas com nível superior de formação, que totalizou 70
mil empregos.

Ou seja, se houvesse em Alagoas os formados apenas no período citado acima, nem todos teriam conseguido emprego até 2014. Como a situação do país e do estado se deteriorou muito após essa época, com certeza a situação hoje não está melhor, confirmando a noção da década das ilusões perdidas.

Isso reforça a proposta do texto em que os jovens precisam aprender a criar sua ocupação, sob pena de aumentar a frustração e o desalento. O ensinamento do ato de pensar estrategicamente, planejar e executar o planejado deve estar vinculado aos programas de empreendedorismo das universidades, sendo trabalhado nas mais diversas vertentes do que vem a ser o comportamento empreendedor.

Se isto não for incorporado, de forma universal em todos os tipos de formação superior, corre-se o risco de que os profissionais formados por nossas escolas sejam meros repetidores de rotinas operacionais em plena Era da Inteligência Artificial, da Indústria 4.0 e da Internet das Coisas. Podemos estar criando um exército de excluídos com nível superior.