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Como manter as áreas alinhadas durante o trabalho remoto?

Em São Paulo, assim como em centenas de cidade ao redor do globo, o período de quarentena foi prorrogado. Para cumprir a recomendação da OMS de manter o distanciamento social, o mundo corporativo precisou se adaptar à nova realidade sem que houvesse tido tempo para se preparar.

Nesse cenário, o departamento de Recursos Humanos despontou como um dos principais gabinetes de crise para acalmar os ânimos das equipes e auxiliar as lideranças na tarefa de manter os times engajados e alinhados. Mas como garantir resultados de um cenário pré-pandemia enquanto todos navegamos por um mar de incertezas nas áreas da saúde, política e economia? Muitas organizações apostaram em duas estratégias básicas para tentar preservar um clima de diálogo aberto e serenidade.

Em constante contato – Reuniões semanais de check-in, com metas e prazos sendo apresentados e o andamento das tarefas sendo verificados são um bom ponto de partida. Além disso, é necessário verificar aspectos sobre bem-estar e eventuais dificuldades e problemas que os colaboradores podem estar sentindo.

Aquele tempo que nunca foi criado, chegou – O momento de reclusão forçada pode ser uma oportunidade para investir na qualificação à distância, investindo em cursos de acordo com as habilidades que a empresa deseja potencializar. Na China, por exemplo, onde a pandemia de Covid-19 teve origem, o ensino a distância cresceu 20% nos últimos meses, já que cada vez mais pessoas estão buscando a tecnologia para estudar por conta própria.

A AMARO, marca pioneira do modelo majoritariamente virtual, no Brasil, se viu em posição vantajosa enquanto outras empresas do ramo da moda ainda se adaptavam ao e-commerce. Entrevistamos Susana Lisboa, líder de treinamento e desenvolvimento da marca para saber como o atual cenário foi contornado pela varejista futurística.

Em tempos como este que estamos vivendo, qual foi a maneira encontrada pela AMARO para manter as equipes das diversas áreas da empresa na mesma página?
Susana Lisboa – O papel dos líderes foi fundamental nessa fase, mantendo proximidade com os times, fazendo reuniões diárias, ajudando a passar a visão e alinhando estratégia e propósito da empresa com cada funcionário. Como a AMARO já nasceu em ambiente digital, ferramentas como Slack, Asana, Workplace e Google Meets já faziam parte da rotina da equipe. Mas, com a pandemia, criamos uma estrutura de planejamento com tudo que precisa ser comunicado, para não pequemos por excesso e nem por falta de informação; escolhendo com cuidado o que e quando comunicar em cada canal. Na primeira semana da implementação do regime de homeoffice pós-pandemia, o uso destes canais aumentou em 98%. Isso provou que o time soube rapidamente direcionar as interações pessoais para os canais digitais já existentes.

O trabalho remoto universal traz consigo desafios mas também oportunidades. Como o RH da AMARO agiu para manter o engajamento dos colaboradores?
Nosso plano de engajamento é fundamentado em 5 pilares: informação institucional, saúde e bem estar, cultura, desenvolvimento e integração e diversão.
– Informação Institucional: posts recorrentes dos fundadores e heads, updates do plano de ação para toda a empresa e pesquisas semanais com os funcionários sobre infraestrutura e percepção sobre como estamos lidando com a crise.
– Saúde & Bem estar: enviamos aos funcionários kits de tela, teclado, headset e mouse para que tenham em casa uma estrutura tão boa quanto no escritório. Disponibilizamos apps para a realização de exercícios, ginástica laboral e um tool kit com conteúdos de prevenção, saúde mental, atividades para os filhos e boas notícias sobre a crise.
– Cultura: conteúdos semanais acerca de liderança remota, adaptação de programas da cultura já existentes para o modo on-line, tais como o Scale Me (Inovação), o Canal de Reconhecimento Público no Slack e divulgação de todos os ativos digitais como Vídeo do Manifesto e Cards da Cultura.
– Desenvolvimento: diversos programas de desenvolvimento já ocorriam online, mas estamos trabalhando para que programas pensados para o presencial também sejam praticados em regime de trabalho remoto. Alguns exemplos: Programa de Onboarding, Knowledge Hub (treinamentos com especialistas internos), Plataforma de aprendizado de Idiomas e demais parcerias educacionais. Também criamos um handbook de como ser produtivo em Home Office e um guia de Cyber Security.
– Integração & Diversão: criamos a #RemoteAndTogether e temos posts diários fomentando a interação. As equipes compartilham seus espaços de home office, apresentam os pets, participam do Happy Hour Virtual com aula de drinks e recebem dicas do que fazer no tempo livre. Criamos um espaço colaborativo aberto onde fomentamos temas e todos são bem vindos a construir conteúdo.

A mudança do comportamento dos consumidores traz também uma mudança no modelo de gestão ou reforça a implementação dos valores já definidos pela marca?
No nosso caso o cenário reforçou a adoção de valores que já fazem parte do nosso DNA. Esta situação tem nos mostrado na prática como um time com propósito claro, alinhado com os valores da empresa, é capaz de superar obstáculos e encontrar soluções e oportunidades. Mas houveram algumas adaptações, sem dúvidas. Por exemplo, implementamos a retirada das peças nas residências das clientes em casos de troca, frete grátis para todas as compras e uma ampliação do prazo de devolução – de 30 para 60 dias. Todo esse trabalho vem sendo percebido de forma positiva pelo time. Na pesquisa que fizemos sobre como os colaboradores percebem a maneira com que estamos lidando com a crise, tivemos um indicador de 92% de favorabilidade. E eles também informam estar se sentindo mais produtivos nesse período. É muito gratificante saber que estamos gerando este impacto positivo nas pessoas e no negócio.

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Home Office: como fica o senso de comunidade na era do trabalho remoto

As novas tecnologias impactaram o mercado, os negócios e o ambiente de trabalho, de várias formas possíveis. Por meio delas, a maioria dos processos e das tarefas que envolvem o dia a dia de qualquer empresa foram simplificados, tornando-se mais integrados e eficientes.

Além disso, a tecnologia mudou a maneira como as pessoas se comunicam no local de trabalho. A chegada dos smartphones, das redes sociais e dos aplicativos de mensagens instantâneas levou a comunicação entre os colegas de trabalho a um outro nível, e até videoconferências já são comuns em reuniões quando alguém da equipe não está presente na empresa.

Entre todos os benefícios implementados na cultura organizacional de muitas empresas devido às inovações tecnológicas, o trabalho remoto talvez seja um dos fatores que mais chama a atenção, além de ser um indicativo de como será o trabalho do futuro.

Mas já houve um tempo em que trabalhar em casa não era nem sequer cogitado. Se seus colegas quisessem entrar em contato com você fora do escritório, não conseguiriam te enviar e-mails nem mensagens instantâneas. O que tornou o trabalho remoto uma realidade – além da mudança comportamental e cultural encabeçada pelas startups de inovação – foi a popularização da banda larga e da internet sem fio.

Apesar de ainda não ter 100% de aprovação em muitos lugares, o trabalho remoto – também conhecido como home office – traz benefícios tanto para a empresa quanto para o funcionário. De acordo com a Global Workplace Analytics, colaboradores que trabalham de forma remota, em tempo integral, podem reduzir em US $ 10.000 os custos da organização, por funcionário, durante 1 ano.

E não é só a empresa que sai ganhando! O home office incentiva uma maior produtividade, a criatividade e o bem-estar de seus colaboradores. Um relatório da Owl Labs revelou que os funcionários americanos que trabalhavam de forma remota pelo menos uma vez por mês eram 24% mais propensos a se sentirem mais felizes e mais produtivos em comparação àqueles que não tinham essa opção.

Se os números continuarem a crescer, pesquisas indicam que o trabalho remoto poderá ser igual – se não ultrapassar – a quantidade de escritórios fixos até o ano de 2025. Entretanto, essa possibilidade de conseguir trabalhar de casa, longe dos colegas do escritório, está levantando alguns questionamentos com relação ao senso de comunidade, que acaba ficando em falta nestes ambientes.

Se na sua época de colégio, sair para tomar uma água era sinônimo de aproveitar para interagir com os colegas de classe, nas organizações, tirar cinco minutos para tomar um café equivale a mesma coisa. Além disso, muitas ideias costumam surgir dessas conversas despretensiosas que acontecem na hora do café. Porém, com os colaboradores trabalhando de casa, esse bate-papo acaba se tornando cada vez menos frequente.

Para ir mais a fundo nessa discussão, Pedro Nascimento, que faz parte da área de Desenvolvimento Organizacional no Grupo Anga, contou um pouco sobre os pontos positivos e negativos que envolvem trabalhar remotamente. Com uma cultura que incentiva a autonomia e a autogestão, no grupo – onde trabalham cerca de 60 pessoas -, a maior parte delas realiza suas tarefas de forma remota, todos os dias da semana. “Não acho que se perde o senso de comunidade, ele só precisa ser construído de outras formas e, especialmente, de forma consciente, com processos e rituais para tal”, afirmou Pedro. Segundo ele, apesar da distância e da falta de contato no dia a dia, a vontade de se socializar não se perdeu e os colegas de trabalho costumam se encontrar presencialmente com alguma frequência, a fim de sanar essa necessidade da conversa informal.

Pedro completa dizendo que há pontos positivos e negativos no trabalho remoto, que podem depender de pessoa para pessoa e da cultura organizacional de cada empresa. De forma geral, há algumas desvantagens. São elas:

• Menos conversas informais para gerar laços de amizade;
• A colaboração para a construção coletiva é mais difícil;
• É mais complicado utilizar práticas tradicionais de gestão para engajar o time;
• Os líderes têm menos controle sobre as atividades.

Mas para cada desvantagem, há um benefício que torna o home office mais atraente, afinal, por meio dele, os colaboradores podem:

• Ter mais qualidade de vida;
• Maior flexibilidade no trabalho;
• Maior senso de autonomia e responsabilização;
• Menor gasto com custos fixos.

Em suma, podemos concluir que o trabalho remoto tem todos os atrativos para ser adotado cada vez mais pelas empresas do futuro, mas também é preciso que elas criem políticas e ações entre seus colaboradores para evitar essa sensação de isolamento que o home office pode promover.

Natália Fazenda
Área de Conteúdo da HSM