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O futuro do trabalho – Lado B

“Lado B” entrega a idade, eu sei, mas a ideia foi essa, chamar a atenção de quem cresceu acumulando com carinho discos de vinil e fitas cassete, tesouros frágeis que tinham dois lados de meia hora, lembrança agridoce para quem, como eu, deve ter hoje uma pilha de álbuns e caixinhas embolorando em algum armário enquanto nos resignamos ao mundo sofrível do streaming ouvindo em fones sofríveis versões sofríveis de músicas sofríveis que o tal do algoz, digo, algoritmo nos empurra orelha adentro. Pois é, progresso nem sempre quer dizer melhoria, e hoje valem mais 8G de mp3 num pen drive do que um vinil mofando, e pode não parecer mas essa digressão acústico-musical é na verdade uma boa maneira de falarmos do futuro… daqueles que já têm um bom passado.

Eu tenho uma tese absolutamente infundada mas que dá um bom papo no bar: fomos feitos para durar quarenta anos. Passou disso, tudo complica. OK, a tese não é nenhuma revolução, afinal os sinais são muitos, dos cabelos brancos aos ausentes, daquilo que enrijece ao que muito pelo contrário, mas para tudo isso há tinturas, apliques e milagres de vinte minutos, nada que o dinheiro não pague, mas não é do corpinho que estou falando. O problema aqui é algo que o espelho não denuncia, algo que não incomoda, algo que curiosamente aumenta com o tempo: a sua autoestima, a sua autoconfiança, o autoengano.

Uma boa dose de autoengano é salutar, veja bem. Sem autoengano, sem otimismo, sem esperança em milagres ninguém sai da cama. Autoengano foi um presente maravilhoso da evolução, praticamente um prozac natural gratuito, e graças a isso cá estamos nós no ápice da evolução da espécie… vivendo duas vezes mais do que quarenta anos, e aí começa o problema.

Você teve uma infância incrível brincando sem riscos, você teve uma adolescência fantástica se arriscando muito experimentando de tudo e, dos vinte aos trinta, você foi peneirando o que valia a pena e deixando a experimentação de lado. Aos quarenta você olha no espelho e sabe muito bem quem você é, o você que gosta e o que não gosta, o que sabe e o que nem quer saber e sorri satisfeito. Seguindo o reloginho biológico dessa minha tese capenga, nessa altura o teu cérebro se dá por contente, fecha as portas, pendura a chuteira, engata a banguela e entra em piloto automático esperando a aposentadoria. Missão cumprida… #sóquenão, porque a missão agora é cOmprida, muito comprida, você não está nem na metade.

Resultado: teu cérebro para no tempo e o bandido do tempo não só não para nunca e nunca dura muito tempo enquanto você continua achando que está por cima da onda e que o que você aprendeu em quarenta anos continua valendo apesar da data de validade obviamente vencida. Música boa, por exemplo, era aquela que você ouvia aos vinte, e você vai repetir isso até os oitenta.

Um dia, porém, a casa cai, claro, mas nem sempre a ficha cai, e é triste ver tanta gente com histórias tão ricas continuar achando que a sua história vale a mesma coisa para sempre. É duro descer do trono, é duro descer do salto alto, é duro voltar à estaca zero, é duro perder a coroa e abdicar da majestade quando nossa natureza humana não foi preparada pra uma segunda rodada. É duro ver gente sênior insistindo em ser o que não funciona mais, em buscar o que não existe mais, em ser feliz de um jeito que não tem mais jeito.

Pois bem: duramos muito e não fomos feitos pra isso, ponto. Claro que gurus entusiásticos vão dizer que é só se reinventar, claro que os tecno-otimistas vão nos tranquilizar dizendo que sempre haverá saída para quem fizer o que robôs não fazem, claro que coaches vão vender alguma metodologia infalível aprendida em uma semana, claro que bestsellers vão dizer que o segredo é o f***-se, claro que workshops de fim-de-semana vão te vender SCRUM e Agile e Design Thinking, mas o risco é você se decepcionar com os resultados (se houver algum) e achar que o problema é você. Eu te garanto: não é. Não fomos feitos para a reinvenção permanente, por mais que você cante no banho Metamorfose Ambulante porque curtiu Raul Seixas… aos vinte anos. Mudar assusta, e você não sente medo faz tempo.

Há saída? Eu acredito que sim, e a saída é não ficar sem saída. A natureza humana já vem instalada no hardware de todo bebê mas não é por isso que estamos condenados a viver rodando Windows 95, dá para ligar o auto-update, dá para instalar drivers novos para as novidades que não são plug-and-play, dá para se conectar a mil redes e perceber que há outras maneiras de se pensar, de se viver e de ser feliz. Se algo nos tornou humanos foi justamente a capacidade de ir além dessa nossa herança biológica, foi justamente a capacidade de, como nossos ancestrais fizeram na África, tirar o traseiro da cadeira, botar o chapéu na cabeça e ir descobrir o que tem lá fora. OK, eles não tinham chapéu nem cadeira, eu sei, mas a atitude é o que conta.

Eu tenho visto muita gente descobrir que agora que a gente vive o dobro é possível sim virar o disco para começar o lado B em outra toada. Como descobriram isso? Alguns se enveredaram pelo Caminho de São Tiago, outros compraram uma bicicleta, alguns se tornaram voluntários… os caminhos são vários mas têm algo em comum: descer do salto alto e da SUV, tirar dos ombros o peso morto, se despojar do que não orna mais, sair fora da gaiolinha dourada e esquecer crachás, cargos, hierarquias e panelas. Pasme, mas sem crachá você ainda é uma pessoa.

Quanto mais fizermos isso, quanto antes começarmos, menor a chance de que a gente caia na ilusão de que estamos maduros, de que estamos entendendo tudo e de que somos senhores da situação. Como já dizia um graffiti (que eu li aos vinte anos…), quem acha que está entendendo tudo está mal-informado.

Pensando bem, acho que eu grafitaria algo diferente agora que tenho 55: quem acha que já viu de tudo precisa circular mais. Vá andar e keep walking.


* Um de seus projetos pessoais preferidos são as dicas de leitura no Leia, Vale a Pena: http://leiavaleapena.tumblr.com

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Trilha de carreira: como desenvolver na sua organização

A consolidação de equipes é um dos principais desafios de qualquer organização. Entende-se por consolidação uma equipe de alta qualidade em todos os níveis, com índices de motivação e proatividade e de autogestão em relação à conflitos, expectativas. Vivenciamos, nos últimos anos, porém, mudanças abruptas no mercado de trabalho, principalmente no Brasil. Em tempos de crise ou mercado turbulento, a dificuldade de retenção esteve relacionada à composição do planejamento orçamentário (e o grande desafio de não reduzir o headcount a um nível que fosse nocivo). Já em tempos de mercado aquecido, a voracidade de players em buscar talentos dentro de outras organizações tornaram a missão do setor de Recursos Humanos cada dia mais desafiadora.

Sem dúvidas, a administração de carreira, sob a ótica mercadológica e intergeracional, é um dos principais desafios da área. Para apoiar essa integração, uma conhecida metodologia tem sido aplicada há alguns anos nas organizações: o Plano de Cargos e Salários, também conhecido como Plano de Carreira. Seu objetivo principal tem sido harmonizar a gestão de carreira e o crescimento das pessoas integrando tal crescimento com as políticas de remuneração atreladas a critérios específicos de competências individuais e coletivas.

Dentro da aplicação dessa metodologia, no entanto, encontram-se diversos pontos que demandam entendimento e até reflexão em relação à efetividade do modelo. A primeira delas está no enrijecimento da política de carreira e salarial que o plano pode trazer dentro de sua administração. Naturalmente, definir critérios, ou a “regra do jogo”, é uma das formas mais adequadas para aplicar a isonomia dentro das políticas da organização. No entanto, nos deparamos com a primeira reflexão: todos os colaboradores funcionam sob a mesma ótica de critérios e competências. Partindo para a ótica intergeracional, pode-se também inferir que há um grande hiato entre a apresentação do plano e a expectativa dos colaboradores.

Uma metodologia de gestão de carreira, que busca os benefícios do Plano de Cargos e Salários, levando em conta a diversidade encontrada nas empresas, é a Trilha de Carreira. O processo se inicia nos programas de treinamento e desenvolvimento continuados, que visam desenvolver competências em nível macro de líderes e equipes. Nesse momento, são concebidas as primeiras trilhas de desenvolvimento de competências das pessoas, onde há um percurso formativo em vários níveis. Adiciona-se o desenvolvimento via programa de coaching personalizado. Ultimamente, as trilhas de desenvolvimento também passaram a incluir processos de gamificação, desenvolvimento via sprints, design thinking, e várias outras formas inovadoras.

No caso da trilha de carreira, a metodologia é similar à trilha de desenvolvimento. Cada profissional possui suas competências, comportamentos e valores. Tudo isso impacta em sua capacidade de progressão dentro da organização. A partir da trilha de carreira, ele poderá não só criar uma projeção de carreira, mas saberá, de forma específica, quais são as principais competências necessárias para atender aos interesses gerais da organização (em vez de um mapa de competências padrão para seu cargo). Por fim, a trilha de carreira, proporciona um benefício central nas organizações: a capacidade de aprendizagem corporativa.

Por onde comecar

A capacitação dos líderes em nível estratégico é de suma importância para o sucesso do desenvolvimento da trilha de carreira. Esses profissionais serão os agentes mobilizadores de desenvolvimento da organização. Conhecer as equipes e pessoas é premissa fundamental para que cada líder atue como um gestor da carreira de seus liderados. Construir um processo de assessment individualizado, entendendo as soft e hard skills de cada colaborador, fará com que seu mapa de desenvolvimento de carreira esteja mais claro. A trilha de carreira, tem por objetivo integrar as ações de desenvolvimento, deixando sobre direta autonomia a gestão da carreira do colaborador.

Alinhar expectativas e deixar claro que a trilha de carreira não faz milagres é outra premissa importante. O objetivo é dinamizar o processo de progressão de carreira, e não criar expectativas de crescimento salarial ou de promoções de cargos em curtos espaços de tempo.

Nesse sentido, a criação de um modelo padrão pode ser uma boa maneira para dar início ao trabalho de trilha de carreira. A partir daí, pode-se definir as competências, indicadores e itens de desenvolvimento personalizados para cada pessoa. Aliar a tecnologia de usabilidade e aprendizagem a esse processo é outro fator essencial para trazer ainda mais benefícios à organização e aos colaboradores – e criar um processo mais fluido e integrado para o desenvolvimento de talentos.

Vinicius Souza é diretor da VOS Consultoria

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5 atitudes que irão ajudar a melhorar sua comunicação para liderança

Na minha jornada como mentora trabalhando com líderes de diversas organizações há sempre uma dor comum que todos carregam: pessoas. Para alcançar o C-Level em suas carreiras, todos trazem histórias de horas de muito estudo e trabalho, muita luta, resiliência, dedicação e noites insones pensando nas melhores decisões para a sobrevivência e o futuro do negócio. Mas há uma habilidade que não se aprende nas universidades e cursos de MBA – a comunicação interpessoal, saber ouvir, respeitar a diversidade de opiniões, compreender o sentimento expresso muito além das palavras.

Você tem alguma ideia de como seus colegas te enxergam? Que imagem carregam da sua “personalidade corporativa”? O que suas atitudes no dia a dia revelam sobre você? Qual sua real capacidade de gerar empatia?

Para cada público, uma mensagem

O primeiro passo para melhorar sua comunicação é entender que cada interlocutor e cada situação demandam uma linguagem, uma abordagem diferente. Você não conseguirá ser compreendido e gerar conexão com um millenial usando o mesmo vocabulário de quando está na reunião com a Diretoria. Assim como não adotará um linguajar informal com seus clientes enquanto não tiver mais intimidade com eles.

Ao iniciar uma conversa com quem quer que seja, lembre-se que está em frente a um ser humano, que, como qualquer outro, tem sua própria história de vida, seus traumas e frustrações, suas idiossincrasias, seus dias bons, seus dias ruins.

A primeira impressão é mesmo a que fica. E esta percepção é criada a partir de inúmeros sinais, verbalizados ou não, que você passa quando se comunica com seu time. Ela é moldada a partir da forma como você se comunica ou não se comunica. Seus gestos, sua postura, sua expressão facial, sua respiração, seu olhar; tudo diz muito mais sobre você do que você pensa.

Tímido ou arrogante?
Se acha que te enxergam como uma pessoa tímida, sinto muito, tenho uma má notícia: é mais provável que a imagem que está passando é de arrogância. Uma boa comunicação é uma ferramenta estratégica que, se bem utilizada, pode ser decisiva para conseguir engajar sua equipe e conquistar suas metas ou, ao contrário, se mal trabalhada, pode exterminar qualquer chance de alcançá-las. Portanto, a timidez não irá te ajudar em nada.

E não pense que é fácil. Um líder que passa o dia trancado em sua sala tocando a gestão somente de olho nas planilhas e não circula pelos corredores corre o sério risco de ter uma visão deturpada da realidade em sua volta. Mudar esta atitude não é tarefa fácil; e não necessariamente por ser esnobe, mas por, basicamente, não conhecer a si mesmo.

Sim, para entender o outro é essencial, antes de mais nada, compreender a si próprio. Faça um exame de consciência. Qual sua percepção sobre você? Como se enxerga? Que imagem tem de sua própria persona? Provavelmente, ao embarcar nesta viagem de autoconhecimento, irá descobrir que há um gap entre o que você de fato é/está e como é visto/percebido. E isto é ótimo porque será o impulso que precisa para iniciar sua transformação.

Não é porque você não fala que não estão te escutando. Guarde bem isso.

Listo aqui 5 atitudes que irão te ajudar a aprimorar sua comunicação para liderança:

1) Cumprimente com sinceridade. Eu sei que sua cabeça está cheia de pendências pra resolver, que está atrasado para próxima reunião, que as contas não estão fechando, que seus filhos estão te enlouquecendo, mas, por favor, não faça de conta que o ser humano que está ali ao seu lado, dentro do elevador com você, não existe. Dê um bom dia sincero. Comente algo que mostre a ele o quanto o julga importante. Procure saber mais sobre sua vida. Além de ganhar um sorriso e sua simpatia, de quebra ainda poderá descobrir que aquela pessoa tem um grande potencial e pode estar na posição errada.

2) Estabeleça uma comunicação genuína. Lembre sempre que em um processo de comunicação há sempre um emissor (você) e um receptor (seu interlocutor). Se você não demonstrar verdade, autenticidade, sinceridade, o tiro certamente sairá pela culatra. Não tenha medo de ser e expressar quem você é. Você só estabelecerá uma comunicação eficaz e terá credibilidade se quebrar o gelo. Do contrário, é mais provável que não será compreendido. Prepare-se para situações de crise que irão exigir conversas difíceis e, se avaliar que não está sereno o suficiente, vá tomar um café, dar uma volta, respirar e, somente quando se sentir pronto, inicie o diálogo (eu disse diálogo, não monólogo). E, nestes momentos adversos, jamais esconda-se atrás de uma mensagem de e-mail ou de WhatsApp. A comunicação escrita pode levar a “N” interpretações e um texto é eternizado, compartilhado, comentado. Na crise, olho no olho!

3) Observe-se. Seja qual for a situação, não esqueça que há sempre um tom de voz adequado (nunca, jamais grite com ninguém!), um linguajar, um gesto, o contato visual e muitas outras sutilezas que são determinantes para passar segurança na sua comunicação e conquistar, envolver sua audiência. Se vai proferir uma palestra ou comandar uma reunião, prepare-se e pense como irá se apresentar mediante seu público. Se irá apresentar um projeto aos acionistas, construa dentro de si uma persona autoconfiante, que sabe o que diz e está segura sobre suas ideias. Esteja sempre pronto para ser confrontado e responder perguntas difíceis. Procure aprender com as situações em que alcançou uma boa performance na sua comunicação e não fuja daquelas que te tiram da sua zona de conforto. A boa comunicação só se aprende na prática, no dia a dia. Encare os momentos mais difíceis como as melhores oportunidades para se desenvolver.

4) Faça uma leitura do seu interlocutor antes de começar a se comunicar. Tenha sempre em mente que para ser compreendido é preciso primeiro compreender o outro, sua essência, sua história, sua vida dentro e fora da empresa. Você nunca chegará a um entendimento sobre o outro somente a partir daquilo que você vê. Portanto, esteja pronto para escutar (sempre!) e fique atento a todos os mínimos sinais. Muitas vezes, um olhar representa muito mais do que o outro consegue traduzir em palavras. Mantenha seu radar ligado.

5) Peça e dê feedback. Se você ainda não tem clareza sobre sua habilidade comunicativa converse com seus pares mais próximos. Peça a eles que digam com franqueza (pode ser uma única pessoa da sua confiança) o que pensam sobre a maneira como se comunica, como se apresenta, que imagem passa dentro da organização. Da mesma forma, não tenha medo de dar feedback. Os millenials valorizam muito ouvir de seus líderes o que pensam sobre eles. Se souber estabelecer esta troca é mais do que meio caminho andado para ter a tão desejada empatia.

Para encerrar, deixo o provocativo pensamento de Dalai Lama: “A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância”.

Pense nisso e boas conversas!

Claudia ColnagoFonoaudióloga e sócia da Verbare Comunicação, consultoria que oferece mentoria para desenvolvimento da competência comunicativa para liderança através de uma jornada de autoconhecimento e autoconsciência. Claudia tem formação em Neurocoaching e em Consultoria para Liderança.

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O esgotamento mental causado pela busca desenfreada pelo sucesso

Obter sucesso na carreira – e com ele, alcançar também a estabilidade financeira – é o que todo jovem almeja quando começa a pensar no futuro. E se antes já havia uma pressão da sociedade para que isso acontecesse, ultimamente, com a geração Millennial, essa pressão parece ser ainda mais forte.

Dados apontam que os Millennials se sentem mais pressionados do que as outras gerações a serem bem-sucedidos e 67% deles afirmam que sentem uma pressão “extrema” para que tenham sucesso na carreira. Tudo isso pode ser reflexo de uma sociedade que os define como fracassados caso não se tornem artistas de sucesso, empreendedores ou CEOs de startups até os 25 anos.

Mas a busca desenfreada para alcançar o êxito em sua profissão é uma preocupação da maioria das pessoas, independente de cargo ou geração. Você pode estar trilhando um caminho para conseguir uma promoção ou enfrentando desafios para que seu negócio dê bons resultados, mas uma coisa é certa: sempre existirá uma pressão sobre você dizendo que precisa fazer mais!

Isso sem contar com a cultura organizacional de muitas empresas – que está caindo em desuso, mas ainda existe – que associa longas jornadas de trabalho e outras práticas tóxicas ao sucesso. Trabalhar o dobro pode até te garantir bons resultados, mas pode também custar sua saúde mental. Será que vale a pena pagar esse preço?

O esgotamento que pode acabar com sua saúde mental

A saúde mental tem sido um dos temas mais debatidos nos últimos tempos, seja na internet – por meio de notícias ou nas redes sociais – ou dentro do seu ambiente de trabalho. Todos têm falado as mesmas coisas e buscado alternativas para manter a mente sã e salva.

Não é à toa que muitas empresas, hoje, invistam em mindfulness, e algumas estão até colocando psicólogos à disposição de seus funcionários para que eles tenham um momento de terapia durante o expediente quando precisarem.

Apesar de defenderem que mindfulness e outras técnicas de meditação trazem bem-estar, reduzem o estresse e ajudam a melhorar a concentração e a produtividade de seus funcionários, a discussão em torno da saúde mental é mais profunda e tem muito a ver com saúde organizacional. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é líder mundial em transtornos de ansiedade e ocupa o quinto lugar em taxas de depressão.

As causas podem ser provocadas por vários fatores, entretanto, estudos apontam que um deles pode ser associado ao esgotamento e ao estresse gerados em um ambiente de trabalho tóxico, que também conhecemos como Síndrome de Burnout.

Ressignificar o sucesso promove a saúde e o bem-estar

No Brasil, cerca de 32% dos profissionais sofrem com estresse e esgotamento nas organizações. Em 2017, a Previdência Social apontou que os transtornos mentais ficaram entre as 10 principais causas que têm afastado muitos trabalhadores de seus cargos. Episódios depressivos geraram 43,3 mil afastamentos e transtornos ansiosos também apareceram na lista, na 15ª posição.

A busca pelo sucesso – seja para alcançá-lo ou mantê-lo – pode fazer com que você deixe sua saúde de lado e acabe sofrendo alguns desses transtornos. Arianna Huffington, fundadora do The Huffington Post, CEO da Thrive Global e autora de 15 livros, alcançou o sucesso na sua carreira e se viu vítima dele.

Ela, que foi eleita pela Revista Time como uma das 100 mulheres mais influentes do mundo, afirma que a cultura de que devemos trabalhar demais para progredir tornou-se um problema global e hoje luta para mudar esse mindset dentro das empresas, mostrando que o bem-estar de seus funcionários pode ser a maior vantagem competitiva do futuro.

“Agora temos muitas evidências, e muitos dados, que mostram que quando estamos esgotados, não tomamos as melhores decisões. Não operamos do lado mais sábio de nós mesmos e muitos líderes estão começando a perceber isso”, afirmou Huffington em entrevista.

Em 2007, Arianna teve um colapso causado pela exaustão, quando desmaiou em sua própria mesa e acordou sobre uma poça de sangue e com a maçã do rosto quebrada. Foi aí que ela percebeu que algo estava errado. Após passar por essa experiência traumática, resolveu escrever dois livros, Thrive e The Sleep Revolution, baseados em pesquisas científicas que constatam que o bem-estar cria pessoas para serem bem-sucedidas. E Huffington está determinada a usar a ciência e os dados para provar seu ponto de vista:

“Quais são os gatilhos de estresse que levam a problemas maiores como doenças cardíacas e diabetes? Setenta e cinco por cento dos custos e problemas de saúde são causados por doenças relacionadas ao estresse e que poderiam ser evitadas. Isso é enorme se você olhar para o fato de que a maioria das empresas têm custos crescentes com saúde. É por isso que é importante medir o impacto que estão tendo.”

Huffington ainda afirma que “quando cuidamos de nós mesmos, somos mais eficazes, somos mais criativos e temos mais sucesso em uma definição ampla da palavra”. Talvez o grande desafio para as próximas gerações seja a construção de uma nova cultura que tire o foco dessa luta desesperada cujo objetivo é o alcance de dinheiro e poder, ressignificando a definição do sucesso para algo que traga prosperidade, e que tenha como principal objetivo estimular uma vida saudável, que abra as portas para mais significado, propósito, alegria, paz e bem-estar.

Natália Fazenda
Área de Conteúdo da HSM

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Como Mindfulness gera Alta Performance na Empresa?

Se você quer fazer algo bem feito, faça com atenção. Se você quer fazer algo muito bem feito – com alta performance – faça com total atenção. Esta simples frase é facilmente verificada em qualquer ação humana, seja na relação com um filho/cônjuge, seja na elaboração de uma planilha de excel, seja em um feedback ou em uma tomada de decisão na empresa. Centros de estudos sobre alta performance, como o Flow Genome Project, comprovam este fato, mostrando a atenção como um dos elementos para se entrar no fluxo, onde tudo acontece de forma otimizada.

Mindfulness, ou a importância da atenção plena, também une grandes expoentes do que chamo de cultura de alta performance, como Otto Scharmer (do MIT), Bill George (de Harvard) e Daniel Goleman (de muitos lugares), entre muitos outros. Entretanto, esta não é a realidade que verificamos na maioria das pessoas e, consequentemente, nas empresas. Uma conhecida pesquisa de Harvard, por exemplo, mostra que em boa parte do nosso tempo estamos agindo sem prestar atenção. Fazemos as coisas de forma mecanizada, no modo piloto automático, reagindo ao invés de agir, o que traz sérias consequências na nossa performance.

Para reverter essa realidade, é preciso treinar a atenção. Minha experiência de 25 anos me treinando e treinando outras pessoas em atenção aponta que a falta de hábito, o pensamento compulsivo, a crença de que todo pensamento é importante, a baixa autoconfiança, o senso de imediatismo e o excesso de estímulos (WhatsApp, Facebook, Instagram, e-mail, internet, etc.), entre outros motivos, tornam o desenvolvimento da atenção plena (ou Mindfulness) um grande desafio.

Entendo que o primeiro passo para ajudar a maioria das pessoas a ir além das dificuldades e vencer este desafio é o entendimento adequado do que acontece com a nossa mente e como o treino da atenção impacta positivamente nela e no nosso encéfalo (cérebro). Uma grande aliada é a neurociência – que estuda o sistema nervoso e se relaciona com diversas ciências, como a biologia, a psicologia, a medicina, a filosofia, etc. – que dá suporte a milhares de pesquisas científicas recentes e que mostram os benefícios objetivos de Mindfulness.

A palavra Mindfulness, além de significar um estado de atenção plena, também é usada para descrever diversos tipos de técnicas que desenvolvem atenção. Explicando de uma maneira muito simplificada, estas técnicas estimulam o córtex pré-frontal – que é a parte da frente do nosso cérebro e onde acontecem processos como planejamento, tomada de decisão e foco – e nos permitem não nos perdermos nos pensamentos que ativam a nossa amígdala cerebral, que faz parte do sistema límbico e controla as nossas emoções, geralmente gerando reações negativas e resistência aos desafios que enfrentamos. O grande diferencial e motivo de crescimento de Mindfulness está justamente em seu embasamento científico, mostrando inclusive as alterações físicas no cérebro (devido à neuroplasticidade) de quem faz práticas específicas.

Não é por acaso que centenas de grandes instituições e empresas, como Harvard, Stanford, UC Berkeley, Google, Facebook, Aetna, Goldman Sachs, Intel e outras tantas, já trabalham com Mindfulness. A aplicação da atenção total no ambiente empresarial implica diretamente na performance e traz diversos benefícios, como aumento da criatividade, produtividade, liderança positiva, relacionamentos harmoniosos, ética, aceitação de mudanças, bem-estar e satisfação com o trabalho. Mas, talvez o melhor dos benefícios de Mindfulness seja a capacidade de discernirmos a realidade, de separarmos o real do irreal – que é criado pela nossa mente compulsiva. No ambiente organizacional, isso significa utilizar os recursos reais, de forma otimizada, buscando benefícios efetivos. Em outras palavras, não gastar o tempo das pessoas com reuniões improdutivas, com disputas de poder, com falta de colaboração, com retrabalho, entre outros performance killers.

Mindfulness não se restringe às empresas. Ele tem sido estudado em praticamente todos os campos de conhecimento da vida humana, como na saúde, educação, esporte, relacionamento, etc.

Para você poder avaliar como anda a qualidade da sua atenção e, consequentemente, a sua necessidade de conhecer e treinar Mindfulness, observe o quanto você consegue se manter atento, sem se perder em distrações externas e internas (como os seus pensamentos). Por exemplo, se você, durante a leitura deste texto, ficou pensando a respeito de várias afirmações, com “diálogos/conversas internas”, este fato provavelmente ilustra uma baixa capacidade de manter a atenção e, portanto, a necessidade de treiná-la. Costumo mostrar que desenvolver Mindfulness é o mesmo que desenvolver uma metacompetência, pois ela dá suporte para o desenvolvimento de diversas outras competências fundamentais na nossa vida pessoal e profissional, já que todas dependem da nossa qualidade da atenção.

O entendimento cognitivo sobre Mindfulness é uma grande oportunidade e o primeiro passo para que se compreenda e se acredite em seu potencial, bem como para se eliminar preconceitos e ideias equivocadas, como em relação ao vínculo com uma religião específica ou à incapacidade que muitos acreditam ter em aquietar e concentrar a mente.

Entretanto, este entendimento apenas abre as portas para o segundo e mais importante passo, que é praticar, com regularidade. É preciso exercitar constantemente o seu cérebro para desenvolver o córtex pré-frontal, colher os benefícios desta prática tão poderosa e alcançar uma melhor performance. Além de ser mais feliz…

Eduardo Farah pesquisador de si mesmo, palestrante da HSM, doutor e professor da FGV (desde 2001), com 17 viagens à Índia e autor do livro “Mindfulness para uma vida melhor”, pela editora Sextante. Saiba mais em www.edufarah.com.br

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12 caminhos para inspirar e direcionar a busca pelo propósito

“Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar.” Aristóteles (384 – 322 AC)

Essa frase acima tem me inspirado e ajudado nas reflexões sobre a vida nos últimos 15 anos. Acredito que a única forma de vivermos a plenitude do SER é nos conhecermos profundamente, observando e aprendendo sobre a complexidade e a simplicidade do mundo, e assim nos tornando conscientes sobre a nossa evolução para contribuir com o planeta. Agir fazendo a nossa existência ter sentido, para que deixemos o nosso legado para a humanidade.

Os reais talentos possibilitam que nos expressemos de forma potente, colocando a nossa essência no universo. Com isso, transformamos quem somos em verdadeiras obras, que fazem diferença para pessoas, organizações e sociedades.

Quais são os seus talentos? O que você faz realmente bem?

As verdadeiras paixões expandem o nosso significado sobre o mundo: como interpretamos e internalizamos o mundo, o que ressoa com força dentro de nós e dá sentido à vida. Nossas paixões são como chamas que mantêm o fogo da nossa existência. Sem paixões, a vida não tem brilho, não tem essência.

Quais são as suas paixões? O que você gosta profundamente de fazer?

Quando conseguimos conectar nossos talentos com nossas paixões, a mágica começa a acontecer. O nosso poder pessoal é experimentado com toda a sua força, atraímos as pessoas para perto e estamos conectados com o nosso propósito. Temos a sensação de sermos únicos, de que toda a nossa existência vale a pena, brilhamos intensamente e expressamos a nossa luz no mundo. Nesse momento, temos a chance de fazer com que talentos e paixões se conectem com as necessidades do planeta e, com isso, possamos cooperar para a sua evolução.

Vivemos em tempos desafiadores para a evolução da humanidade. Tempos em que o individual e o coletivo estão em conflito tentando encontrar o seu ponto de convergência e assim, elevar a nossa condição humana para adquirirmos novas capacidades. Muitas vezes esse conflito é completamente desarmônico e pende para o lado do individualismo. Egoísmo, incapacidade de respeitar o outro, solidão, ganância, medo, falta de convivência em grupos, violência e guerra são algumas das características e consequências que podemos observar no mundo atual e no comportamento das pessoas.

São duas forças antagônicas e harmônicas ao mesmo tempo fazendo o que parece ser um cabo de guerra ou a construção de uma lemniscata com infinitas possibilidades. A questão que se apresenta é a seguinte: “Vamos deixar a corda arrebentar e nos dividirmos em dois ou mais mundos e sentirmos as consequências negativas disso?”, ou “Vamos encontrar novas possibilidades, onde a tensão da corda possa inspirar, transformar e experimentar caminhos que nunca foram desbravados? Onde a harmonia entre o individual e o coletivo exista? Onde possamos nos elevar a uma oitava acima experimentando novos tempos e inclusive vivendo novos desafios?”.

Nos tempos atuais, muitas pessoas têm buscado entender e vivenciar o real propósito de suas vidas, o significado e o sentido das suas atividades laborais e o estilo de viver que traga harmonia, equilíbrio, paz e felicidade. A cada dia, mais pessoas têm vivido seus talentos e paixões de forma intensa, muitas vezes transformando-os em trabalho, equilibrando o SER e o TER.

Elas estão buscando tomar as rédeas das suas vidas. Têm buscado ter mais controle sobre seus destinos ou, como se diz, tomar o destino em suas próprias mãos. Parece haver uma busca por aprender a ser individual e ao mesmo tempo coletivo, ser um indivíduo integrado ao todo. Integrado no sentido de, além de atingir a plenitude do ser, contribuir positivamente para a sociedade. O que antes era privilégio de poucos, agora tem sido a busca de muitos. A questão é: “Isso é possível para todos?”

Há uma notável intensificação dos questionamentos com relação às formas e dinâmicas de trabalho. De como encontrar o propósito no que se faz. As empresas têm tido grandes desafios em atrair, reter e motivar talentos, não só das novas gerações, mas também de pessoas experientes. Talvez seja por isso que o fenômeno do empreendedorismo esteja crescendo tanto.

Aproveito para deixar alguns caminhos possíveis que me inspiram na direção de encontrar o próprio propósito e assim viver com significado e plenitude:

1) Desenvolva a sua espiritualidade;
2) Não tenha medo de intuir, mas se torne consciente desse processo e capacidade;
3) Crie e proponha novas possibilidades e cenários, mostre caminhos diferentes, desafie e questione o status quo;
4) Compartilhe experiências e vivências;
5) Seja artista, viva a arte em todas as suas formas e possibilidades, amplie seus horizontes internos e externos;
6) Busque autoconhecimento e autodesenvolvimento e entenda o seu papel no mundo;
7) Aprenda a aprender com o mundo e com as pessoas;
8) Seja proativo, faça as coisas acontecerem, tome o seu destino nas suas mãos, seja líder da sua própria vida;
9) Explore o mundo e as possibilidades da vida, busque novas paixões;
10) Desenvolva seus talentos naturais, cerque-se de pessoas que possam complementá-los e adquira novos em sintonia com as suas paixões;
11) Faça tudo com excelência e humildade;
12) Use os recursos financeiros como meios e não como a finalidade única de sua vida.

Permita-se, entregue-se e integre-se. Temos que deixar que nossos potenciais explodam na nossa cara e na cara do mundo. Temos que desafiar o nosso SER. Não tenhamos medo de saber quem realmente somos. “Se joga!”

Raphael Rodrigues Consultor com foco no desenvolvimento organizacional e humano, cofundador e facilitador do Impulso Emerge e dono da Pharrel Consultoria

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Home Office: como fica o senso de comunidade na era do trabalho remoto

As novas tecnologias impactaram o mercado, os negócios e o ambiente de trabalho, de várias formas possíveis. Por meio delas, a maioria dos processos e das tarefas que envolvem o dia a dia de qualquer empresa foram simplificados, tornando-se mais integrados e eficientes.

Além disso, a tecnologia mudou a maneira como as pessoas se comunicam no local de trabalho. A chegada dos smartphones, das redes sociais e dos aplicativos de mensagens instantâneas levou a comunicação entre os colegas de trabalho a um outro nível, e até videoconferências já são comuns em reuniões quando alguém da equipe não está presente na empresa.

Entre todos os benefícios implementados na cultura organizacional de muitas empresas devido às inovações tecnológicas, o trabalho remoto talvez seja um dos fatores que mais chama a atenção, além de ser um indicativo de como será o trabalho do futuro.

Mas já houve um tempo em que trabalhar em casa não era nem sequer cogitado. Se seus colegas quisessem entrar em contato com você fora do escritório, não conseguiriam te enviar e-mails nem mensagens instantâneas. O que tornou o trabalho remoto uma realidade – além da mudança comportamental e cultural encabeçada pelas startups de inovação – foi a popularização da banda larga e da internet sem fio.

Apesar de ainda não ter 100% de aprovação em muitos lugares, o trabalho remoto – também conhecido como home office – traz benefícios tanto para a empresa quanto para o funcionário. De acordo com a Global Workplace Analytics, colaboradores que trabalham de forma remota, em tempo integral, podem reduzir em US $ 10.000 os custos da organização, por funcionário, durante 1 ano.

E não é só a empresa que sai ganhando! O home office incentiva uma maior produtividade, a criatividade e o bem-estar de seus colaboradores. Um relatório da Owl Labs revelou que os funcionários americanos que trabalhavam de forma remota pelo menos uma vez por mês eram 24% mais propensos a se sentirem mais felizes e mais produtivos em comparação àqueles que não tinham essa opção.

Se os números continuarem a crescer, pesquisas indicam que o trabalho remoto poderá ser igual – se não ultrapassar – a quantidade de escritórios fixos até o ano de 2025. Entretanto, essa possibilidade de conseguir trabalhar de casa, longe dos colegas do escritório, está levantando alguns questionamentos com relação ao senso de comunidade, que acaba ficando em falta nestes ambientes.

Se na sua época de colégio, sair para tomar uma água era sinônimo de aproveitar para interagir com os colegas de classe, nas organizações, tirar cinco minutos para tomar um café equivale a mesma coisa. Além disso, muitas ideias costumam surgir dessas conversas despretensiosas que acontecem na hora do café. Porém, com os colaboradores trabalhando de casa, esse bate-papo acaba se tornando cada vez menos frequente.

Para ir mais a fundo nessa discussão, Pedro Nascimento, que faz parte da área de Desenvolvimento Organizacional no Grupo Anga, contou um pouco sobre os pontos positivos e negativos que envolvem trabalhar remotamente. Com uma cultura que incentiva a autonomia e a autogestão, no grupo – onde trabalham cerca de 60 pessoas -, a maior parte delas realiza suas tarefas de forma remota, todos os dias da semana. “Não acho que se perde o senso de comunidade, ele só precisa ser construído de outras formas e, especialmente, de forma consciente, com processos e rituais para tal”, afirmou Pedro. Segundo ele, apesar da distância e da falta de contato no dia a dia, a vontade de se socializar não se perdeu e os colegas de trabalho costumam se encontrar presencialmente com alguma frequência, a fim de sanar essa necessidade da conversa informal.

Pedro completa dizendo que há pontos positivos e negativos no trabalho remoto, que podem depender de pessoa para pessoa e da cultura organizacional de cada empresa. De forma geral, há algumas desvantagens. São elas:

• Menos conversas informais para gerar laços de amizade;
• A colaboração para a construção coletiva é mais difícil;
• É mais complicado utilizar práticas tradicionais de gestão para engajar o time;
• Os líderes têm menos controle sobre as atividades.

Mas para cada desvantagem, há um benefício que torna o home office mais atraente, afinal, por meio dele, os colaboradores podem:

• Ter mais qualidade de vida;
• Maior flexibilidade no trabalho;
• Maior senso de autonomia e responsabilização;
• Menor gasto com custos fixos.

Em suma, podemos concluir que o trabalho remoto tem todos os atrativos para ser adotado cada vez mais pelas empresas do futuro, mas também é preciso que elas criem políticas e ações entre seus colaboradores para evitar essa sensação de isolamento que o home office pode promover.

Natália Fazenda
Área de Conteúdo da HSM

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Lifelong Learning: construindo carreira através do aprendizado constante

Manter-se em constante aprendizado nunca foi tão importante quanto nos tempos atuais. A concorrência do mercado de trabalho somada à crise econômica que o Brasil atravessa faz com que os profissionais precisem estar continuamente atualizados e melhorando seu desempenho, para não fazerem parte do índice de desempregados do país que, de acordo com o IBGE, está na casa dos 11%.

Para se destacarem e se manterem empregados, os profissionais devem assumir que os estudos nunca cessam. Foi-se o tempo que graduação e pós-graduação garantiam o sucesso profissional. É preciso trabalhar constantemente na aprendizagem ao longo da vida: ler, pesquisar, consultar seus pares, ter a curiosidade aguçada, participar de eventos, workshops, fazer cursos, networking, e nunca parar.

A aprendizagem ao longo da vida – em inglês, Lifelong Learning – deve ser enxergada como uma responsabilidade compartilhada. Governos e organizações devem criar contextos onde o aprendizado seja fácil, acessível e seguro. As escolas devem se concentrar em habilidades de aprendizagem. Em contrapartida, os indivíduos precisam dedicar tempo pessoal ao aprendizado e serem proativos.

Autoconhecimento

Tão importante quanto estar em um processo contínuo de aprendizagem, é saber onde investir seu tempo e dinheiro. Ou seja, buscar conhecimento de forma aleatória, sem conhecer suas deficiências e sem direcionamento para a sua carreira, pode ser pouco produtivo para um real crescimento profissional. Por exemplo, alguém que vê sucessivas oportunidades de promoção sendo passadas para colegas, pode achar que o problema está em alguma habilidade técnica, enquanto, na verdade, a fragilidade dele pode estar na falta de autoconhecimento para assim conseguir liderar melhor.

Por isso, é muito importante que o profissional se conheça profundamente, para saber quais são, realmente, os pontos que ele precisa fortalecer ao longo da carreira. Para isso, muitos gestores estão usando a ferramenta DOM, feita para atender as necessidades de executivos com visão estratégica que valorizam a gestão de Recursos Humanos com foco em resultados. Através dela, os líderes têm a oportunidade de conduzir diagnósticos de comportamentos de profissionais, suas competências e educação, estabelecendo o perfil profissional e a aderência à vaga pretendida.

O laudo é obtido através da análise detalhada do teste de múltipla escolha realizado pelo candidato – o algoritmo analisa a combinação dos fatores e faz uma relação com o cargo. Além disso, também analisa dados situacionais, que demonstram o momento que o profissional está vivendo.

De forma geral, são avaliadas 15 competências em escala de 1 a 5, que são capazes de apresentar onde o profissional está em cada uma delas. A partir disso, é possível criar um cenário, avaliar potenciais e fragilidades, e construir um plano de ação de aprendizado, para que seja possível atingir resultados através do planejamento estratégico humano.

Cada vez mais, as carreiras precisam ser construídas no dia a dia. Buscar conhecimento é fundamental, mas direcionar esse conhecimento pode ser decisivo para o sucesso.

Dados: De acordo com o último Censo EAD Brasil, realizado em 2015 pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), há no Brasil mais de 1,5 milhão de estudantes matriculados em cursos EAD no país. Recentemente, uma pesquisa conduzida pelo CONECTAí Express (uma iniciativa do IBOPE), mostrou que os cursos livres lideram a preferência dentre os cursos online: do total de entrevistados que já fizeram algum curso online, 56% fizeram cursos livres.

TOPdesk Multinacional, fundada há 25 anos na Holanda, está há 5 anos no Brasil e desenvolve uma ferramenta de Servicedesk que trabalha com sistema de gestão de serviços internos que pode ser utilizado para integrar a comunicação entre departamentos como TI, Facilities, RH e outros. Na ferramenta, os usuários têm a visão completa dos serviços disponíveis, desde o registro e acompanhamento de solicitações de incidentes até a gestão do processo de mudança na companhia.

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Ainda há espaço para super-heróis nas organizações?

Tempos atrás, almocei com um grande amigo que, além de ser um dos melhores executivos de varejo que conheço, também é muito perspicaz e tem insights ótimos: Sandro Benelli, que atualmente preside o Grupo Intermarket, em Angola. Conversa vai, conversa vem, entre uma garfada e outra falávamos da vida executiva nas grandes organizações. E ele fez uma observação genial, que eu apreciei tanto que gostaria de compartilhar com vocês.

Ele me dizia que os executivos precisavam “cair na real” e entenderem de uma vez por todas que não eram o Superman. No máximo, poderiam ser o Homem de Ferro. Não se trata apenas de expressar preferência pelas franquias da Marvel ou DC Comics, que disputam a preferência do público nos cinemas do mundo inteiro.

Mas, por muito tempo, imaginou-se que o sucesso em uma carreira executiva estaria diretamente relacionado a um “poder especial” que alguns profissionais possuiriam quando comparados a outros. Assim, os líderes eram forjados dentro de ambientes competitivos e avaliados em sistemas meritocráticos. A progressão na carreira seria possível apenas para “os fortes”. Aliás, “os mais fortes”.

O que meu amigo Sandro dizia, naquele agradável almoço, é que os executivos no auge de suas carreiras não deveriam cair na armadilha de se verem como Super-Homem ou Mulher-Maravilha. Seus poderes não são sobre-humanos. Esses poderes, em grande parte, residem na armadura que usam. E por baixo dela, há um ser humano como outro qualquer.
Superpoderes ou Fail Fast?

Imagine a seguinte cena: um grupo de investidores precisa contratar um novo CEO e perguntam a ele quantas vezes ele já “quebrou” uma empresa. E ele responde, todo orgulhoso: “Nunca!”. O próximo candidato, com as mesmas qualificações técnicas do primeiro, diante da mesma indagação, responde: “Eu já quebrei uma empresa e a segunda eu tive que vender muito abaixo de seu valor, pois os resultados estavam em queda”. Qual dos dois candidatos você imagina que seria contratado?

Bem, caso se tratasse de um grupo de investidores, por exemplo, de Venture Capital, e os candidatos fossem os CEOs de duas startups, provavelmente o segundo candidato, que já havia falhado em duas gestões anteriores, levaria a melhor.

Como assim? Qual é a lógica de uma decisão dessas?

Muito simples: investidores, principalmente americanos, sabem que as estatísticas demonstram que as startups que deram certo não costumam ser a primeira experiência de seus empreendedores. Na média geral, as startups que realmente decolam costumam ser a 3ª tentativa de negócio desses indivíduos. Ou seja, aquele que já havia falhado em dois empreendimentos anteriores, do ponto de vista estatístico, está mais propenso a acertar dessa vez.

Para quem acha difícil acreditar, é bom lembrar que Steve Jobs foi demitido em 1985 da Apple (empresa que havia fundado em 1976) por atritos com o CEO e devido aos resultados ruins da empresa naquele momento, tendo retornado para o mesmo cargo apenas em 1997. Somente neste segundo período é que a Apple se tornou uma máquina de vendas e lucros, como ficou conhecida. Antes, apesar de inovadora, não conseguia entregar resultados.

Esta nova economia, inspirada pelo mundo das startups, está mostrando que é muito difícil acertar de primeira. Por isso, ao invés de tentar acobertar seus erros, as empresas têm buscado estimular um ambiente onde o importante não seja não errar, mas sim, corrigir o erro.

Diz-se que Thomas Alva Edison, a figura mais inovadora de todos os tempos (segundo pesquisa do MIT junto a jovens de 16 a 25 anos), fundador da General Electric e inventor da lâmpada elétrica, antes de finalmente registrar a patente desse seu grande feito, descobriu mais de 100 outras formas de como “não fazer” a lâmpada elétrica. E todas essas tentativas frustradas anteriores ele considerava bem-sucedidas, pois foram elas que o guiaram a finalmente descobrir como fazer o produto perfeito.

Para finalizar, reproduzo uma parábola budista que considero muito inspiradora:

“O discípulo pergunta ao mestre:

– Mestre, como faço para me tornar sábio?
– Boas escolhas – Responde-lhe seu Mestre.
– Mas como fazer boas escolhas? – Indaga o jovem.
– Experiência – Ouve como resposta.
– E como adquirir experiência? – Pergunta-lhe o discípulo.
– Más escolhas – Ensina seu Mestre.”

Ótimas escolhas em sua jornada profissional e em sua trilha de aprendizado!

Jorge Inafuco Professor e Palestrante da HSM e Sócio-diretor do OasisLab Innovation Space. Sociólogo, pós-graduado em Economia e Negócios.

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Não basta aprender, é preciso fazer da prática um hábito

Na maioria das organizações, uma das habilidades mais requisitadas do século XXI é a aprendizagem. Com as tecnologias evoluindo cada vez mais rápido e mudando as condições de negócios, os funcionários devem permanecer no modo de aprendizado para que suas habilidades não fiquem engessadas.

Devido a isso, é importante para o crescimento das empresas ter uma liderança que se preocupe em incentivar seu colaborador a sempre aprender novas técnicas e habilidades, oferecendo cursos, treinamentos ou até algumas especializações, a fim de aprimorar as competências e o conhecimento geral de sua equipe, além de transformá-la em um time de alta performance. Entretanto, muitas vezes, o que falta é tempo, disposição e espaço para colocar em prática todo o conhecimento que você absorve no seu dia a dia.

Por isso, tornar a execução dos processos um hábito dentro das tarefas do seu cotidiano pode ajudar tanto você quanto sua equipe a alcançar o progresso desejado.

Fazer da prática um hábito leva à perfeição e traz bons resultados

Durante toda a nossa vida, estamos cercados de conhecimento, seja quando lemos um livro, vemos um filme, assistimos a uma peça de teatro ou nos matriculamos em algum curso. Porém, com tanto conhecimento acessível ao nosso redor ultimamente – devido à Era da Informação, onde somos o tempo todo bombardeados com novas informações e aprendizados –, muitas vezes não encontramos maneiras de aproveitar essa enorme quantidade de conhecimento por completo. Contudo, alguns estudos afirmam que a melhor forma de absorver um aprendizado é colocando-o em prática.

Segundo Eduardo Tevah, Diretor-presidente da DE Consultores Associados do Sul do pais, “Estamos vivendo um momento diferente, em que já se deixou para trás a “Era da Informação”. “Hoje estamos no que se pode classificar como a Era da Atitude. Vive-se uma época da hipercompetição, onde existe muito de tudo. Muitos profissionais, muitos médicos, muitos enfermeiros, muitos gerentes, muitos advogados, muitas lojas, muitas indústrias, e por isso o que faz a diferença em relação ao mercado não é mais o conhecimento, é a atitude.”

Ele ainda afirma que conhecimento hoje todos têm, e se não tiver basta digitar na internet que a resposta surge em segundos. “Mas a atitude é atributo de poucos, e o mercado está buscando e remunerando atitudes, encerra.”

Quando aprendemos uma nova habilidade, seja na área de programação ou até em um jogo de xadrez, estamos mudando a forma como nosso cérebro se comporta. No início, a nova habilidade pode parecer rígida e desajeitada. Mas, à medida que praticamos, fica mais suave, natural e confortável para que assimile essa nova informação. Por isso, praticar o que aprendeu ajuda o cérebro a otimizar esse conjunto de atividades coordenadas, através de um processo chamado mielinização.

Mas, colocar em prática todo conhecimento e informação que você consome diariamente precisa se tornar um hábito, mesmo que hábitos sejam difíceis de mudar ou desenvolver. De acordo com pesquisadores da Duke University, os hábitos são responsáveis por cerca de 40% do nosso comportamento em um determinado dia. Entender como construir novos hábitos (e como os seus atuais funcionam) é essencial para progredir e alcançar o sucesso.

Apesar de parecer um desafio, o especialista em hábitos, James Clear, também autor do livro Atomic Habits: Pequenas Mudanças, Notáveis Resultados, aponta que é preciso apenas um aumento de 1% a cada dia para obter uma melhoria de 37x até o final do ano. Ele afirma: “Hábitos são o interesse composto do auto aperfeiçoamento, você é o que você repete”.

Como implementar sua aprendizagem dentro da organização

Mesmo que você se comprometa a executar todo o aprendizado que obteve e fazer disso um hábito, é normal encontrar dificuldade no início. Por isso, um grupo de especialistas em coaching da Revista Forbes listou algumas estratégias que podem ajudar nesse processo de aprendizagem:

1. Identifique seus principais pontos fortes: para aplicar o que você aprendeu em etapas práticas, é importante começar pelos seus pontos fortes. Todos nós temos nossos pontos fortes que ajudam a completar nossas tarefas com satisfação e excelência.

2. Tenha um parceiro de feedback: dois componentes essenciais e eficazes de aprendizado são a responsabilidade e o feedback para garantir que todo o conhecimento esteja sendo implementado. Compartilhar suas metas de aprendizagem e escutar os que os outros têm a dizer pode ajudar no seu progresso e de sua equipe.

3. Descobrir o seu ‘porquê’: antes de aprender, deve-se perguntar: “Qual é o problema atual que estou tentando resolver através do meu aprendizado? Qual é o ‘porquê’ por trás do que preciso aprender?” Qualquer aprendizado não se traduz em ação sem uma grande necessidade.

4. Crie métricas para aprender: uma nova habilidade não é nada enquanto não for implementada na sua rotina. Por isso, crie sua própria métrica para incorporá-la em seus hábitos.

5. Estabelecer um plano de ação e rever seus objetivos: você deve estabelecer um plano de ação para criar hábitos. Nada jamais se tornará parte de quem somos até que se torne parte da nossa rotina diária.

6. Preste atenção às mudanças no seu comportamento: à medida que você aprende, não importa o que seja, como você implementa os pontos altos do que aprendeu? Você os coloca em prática? Isso sempre leva a uma mudança no comportamento, seja ela positiva ou negativa.

Portanto, para obter melhores resultados em sua organização e em sua equipe é preciso criar meios de colocar sempre todos os aprendizados em prática, e fazer desse comportamento um hábito!

Natália Fazenda
Área de Conteúdo da HSM