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A era pós-pandêmica do mercado financeiro brasileiro

Na manhã de ontem, o mercado financeiro brasileiro foi surpreendido com a notícia de que a Berkshire Hathaway, gestora de Warren Buffett, é a mais nova acionista do Nubank.

Segundo o Wall Street Journal, a gestora comprou US$ 500 milhões em ações do banco digital brasileiro, o maior investimento individual já recebido pela empresa. Com quase 40 milhões de clientes, o Nubank já se consagra como um dos maiores bancos digitais independentes do mundo.

Ainda no universo das empresas brasileira com reputação internacional e cifras impressionantes, a Hashdex vem ganhando cada vez mais destaque (e cotistas). No último mês, a gestora brasileira de criptoativos estreou seu fundo negociado em bolsa (ETF), o Hashdex Nasdaq Crypto Fundo de Índice (ticker: HASH11), na B3.

Com o lançamento do HASH11, o Brasil se junta a um seleto grupo de jurisdições que possuem produtos de criptoativos listados em bolsa. Países como Suíça, Suécia e Alemanha possuem outros tipos de produtos que, apesar de não serem ETFs estritamente, são listados em bolsa e fornecem exposição a criptoativos. Segundo o CEO da Hashdex, Marcelo Sampaio, antes do Brasil somente o Canadá havia liberado a listagem de ETFs de bitcoin.

O fundo HASH11 já conta com 61,5 mil cotistas, em comparação aos cem mil cotistas da gestora, responsável por R$ 3 bilhões de patrimônio.

“Os números são um indicativo de que os investidores brasileiros buscavam ter mais essa forma de acessar os criptoativos. Em pouco tempo, o HASH11 apresentou para o mercado uma solução segura e simplificada que deve crescer ainda mais nos próximos meses”, explica Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex.

Mas vamos voltar alguns passos. Quanto você sabe sobre o mercado de criptoativos? Em entrevista ao Tech Talks, podcast da Singularity U Brazil (braço da HSM), Sampaio explicou um pouco mais sobre esse universo. E nós trazemos os highlights abaixo.

A origem do bitcoin: Satoshi Nakamoto
Diferentemente do Banksy que, pelo menos, acham que sabem quem é, ninguém é conclusivo sobre a identidade Satoshi Nakamoto – que pode ser uma pessoa, um grupo de pessoas ou um mero pseudônimo que ninguém consegue desvendar. Mas é dele a autoria do paper de nove páginas que transformou a recente história da humanidade. Marcelo Sampaio acredita que ele fez muito bem em não se revelar porque teria tido muitos problemas com inúmeros governos.

“O que ele fez, basicamente, foi inventar um dinheiro que seria desnacionalizado e descentralizado. Um dinheiro que não ficasse à critério de bancos centrais e governos, como uma resposta à crise de 2008, ao abuso dos bancos centrais e toda a ganância do mercado financeiro. O objetivo dele era criar uma maneira para que isso não fosse mais possível e o dinheiro não ficasse mais exclusivamente na mão dessa turma. Acredito que ele não imaginava que tivesse criado algo muito maior”, afirma Sampaio.

O CEO da Hashdex gosta de traçar um comparativo entre blockchain e cripto com o advento da internet. De acordo com o empresário, da mesma maneira que a rede surgiu da simples ideia de se transacionar mensagens, a ideia igualmente simples de se criar um dinheiro acabou criando uma estrutura muito maior, que resolve problemas que vão além das finanças.

Como se dá uma transação de criptoativos?
Segundo Sampaio, isso ainda é muito complicado. “Vocês vão me ver comparar muito a ideia de blockchain com a internet por um bom motivo: são ideias muito parecidas. Além da semelhança, são as duas últimas grandes disrupções da humanidade. Para aqueles que estão na faixa dos 30 anos ou mais, há a lembrança de que o começo da internet foi sofrível e essa complexidade inicial se aplica ao universo cripto”, adverte.

Inicialmente você realiza o download de uma carteira que pode ser atrelada a um serviço ou não (ela pode ser apenas um software). Assumindo que você tenha algum saldo em bitcoin, há ali uma string que é literalmente um código de 40 caracteres. Juntando essa carteira e esse código, você pode pode fazer uma transação, podendo mandar uma fração do seu saldo ou seu saldo completo para uma outra carteira – que, no caso, seria uma outra pessoa.

Marcelo Sampaio assume que fazer isso “na mão” é chato, mas que já começou a melhorar muito com empresas como a Coinbase. Ainda que esse processo permaneça estranho e relativamente complicado, o executivo acredita que o uso do cripto como dinheiro está em evolução para algo mais simples.

Quando se trata de cripto ativos, não espere por atores que exerçam o papel de gerente de banco ou SAC.
Isso não existe nesse mercado e é aí que tá o negócio“, declara Sampaio sem rodeios. Ele explica que não se deve buscar semelhanças com um banco, mas com uma carteira de dinheiro. Se você der dinheiro à pessoa errada ou colocar no bolso e cair no chão, essa quantia foi perdida.

“Nesse mundo, sua carteira digital é muito mais parecida com um cofre. Uma carteira pode ser acessada sem dificuldade, no cripto se você perder a chave do seu ‘cofre’, ele pode nunca mais abrir”, complementa.

E Sampaio adverte que, da mesma maneira que você busca uma corretora ou um banco para investir em um fundo, o ideal é procurar por empresas focadas em gerir aplicações de criptoativos. De acordo com ele, o mundo de investimentos ainda é um mistério pra muita gente mas ,na última década, isso tem evoluído muito no Brasil. “O brasileiro, de maneira geral, adotou nos últimos anos a ideia da importância de poupar e investir. E isso se expressa pelo crescimento expressivo de corretoras como a XP. Criamos produtos de investimento que são muito parecidos senão iguais aos produtos que os investidores já estão habituados. Hoje, se você quiser investir em alguns dos nossos fundos, isso está a um clique. Outra coisa que fazemos é explicar ao cliente final sobre o universo-cripto em entrevistas como essa e em qualquer oportunidade de disseminar a pauta. A educação desmistifica muito as coisas e cria o interesse para que, ao longo do tempo, os investidores estejam seguros sobre o assunto“, afirma.

Bitcoin, Ethereum e suas aplicabilidades.
Pensamos muito em cripto enquanto dinheiro. Mas esse é apenas um dos usos de cripto, e não é sequer o maior deles. Do ponto de vista de tamanho de mercado, bitcoin sem dúvida é o mais consagrado criptoativo. Mas cripto enquanto estrutura é muito maior. Se pegarmos o Ethereum, que é o segundo maior criptoativo, ele não tem absolutamente nada a ver com bitcoin. Não são coisas minimamente parecidas.

“Se tivesse que fazer uma comparação, o bitcoin está mais para um ouro digital e o etherium está mais para uma linguagem de programação. Podemos pensar no C++ para programa de computador e Ethereum para programa de blockchain”, explica Sampaio.

A blockchain tem associada a ela frações de um ativo que acaba sendo o pagamento de quem torna essa rede possível. Segundo Sampaio, a remuneração desse pessoal que torna a rede viável é também uma espécie de ingresso. Aqueles que se interessam pelo uso dessa tecnologia têm que comprar de quem já possui acesso. E aí você cria um mercado secundário, baseado em demanda. Por isso que esse ativo acaba tendo um papel que transcende a ideia de dinheiro.

“Seria como ter que adquirir o ticket da quermesse para poder jogar a bola na boca do palhaço. O cara que está ali ajeitando o palhaço e te dando a bolinha, também está sendo pago. Então, um mercado secundário baseado na demanda é criado. Se muita gente quiser jogar a bolinha na boca do palhaço, acabará tendo escassez de tickets e o valor vai aumentar”, complementa.

A utilização de cripto está começando a querer chegar no cidadão comum. Hoje, ela ainda é relativamente sofisticada. Há diversos casos de uso, mas muito voltados para finanças descentralizadas e blockchain de infraestrutura de internet. Um uso que está capturando o imaginário da maioria das pessoas é o próprio bitcoin como reserva de valor.

Não se fala de criptoativo sem falar de reserva de valor.
Todo mundo tem algum nível de reserva de valor. Para a maioria, a maneira mais mais óbvia é a poupança. Um outra amplamente difundida é a aquisição imobiliária, você compra uma casa pela sua utilidade mas também pelo valor – se algo der errado, basta vender o imóvel.

Sete características definem o que é uma reserva de valor: divisibilidade, transferabilidade, escassez, fungibilidade, durabilidade, portabilidade e reconhecimento. No mundo dos investimentos, a reserva de valor mais comum é o ouro. E o bitcoin, que está virando o ouro digital.

Segundo Sampaio, se observarmos sob uma ótica técnica o criptoativo não é um pouco melhor que o ouro, mas ordens de magnitude melhor que o ouro!

“Se pegarmos o critério da divisibilidade, por exemplo, você pode pegar uma pepita de ouro e dividir pela metade, 1/4, 1/10, 1/1000, se chegar em um milionésimo estaremos falando em nano partículas de ouro. É mais fácil fazer isso com ouro ou dividir um código? Se focarmos na transferabilidade, é mais fácil mover barras de ouro do Fort Knox dos Estados Unidos e mandar para a Europa ou mandar um código pela internet?“, provoca o CEO da Hashdex.

Então, por que o ouro permanece? Porque ele tem 7 mil anos de história como reserva de valor. Mas há quem defenda que, em algum momento, o fundamento prevalecerá; e o melhor será mais utilizado.

Sampaio ressalta que, além de dinheiro, imóvel e ouro, há também muito uso da arte como reserva de valor. Atualmente, esse mercado gira em torno dos US$27 trilhões. “Muitas pessoas realmente expõem peças artísticas adquiridas, mas a maior parte é comprada para guardar valor. Os principais quadros do mundo estão em bancos, não em paredes. Esse é o Admirável Mundo Novo”, afirma.

Como saber se o criptoativo é um hype ou se veio para ficar?
Dando um zoom out, o bitcoin está em um caminho de estabilidade. Sua adoção só cresce e não há perda de usuários. Sampaio defende que, do ponto de vista do investimento, todo mundo deveria ter pelo menos um pouquinho. Mas ressalta que esse é um ambiente de possibilidades, muito mais que de certezas.

“Se você coloca 1% do que tem e perde 1%, é uma perda mais que aceitável e, inclusive, comum. Agora, se esse negócio multiplica por 100, 200, 500 nos próximos 10, 20 anos, aí faz muita diferença você não ter comprado. Meu ponto é que você tem o chamado potencial de retorno assimétrico. E consideramos uma oportunidade geracional. O cavalo alado não passa o tempo todo. Só vamos descobrir se foi realmente um cavalo alado lá na frente, mas ele tem se mostrado real para quem tem paciência e estômago para topar a volatilidade que se mostra tremenda”.

Bancos centrais, moedas digitais soberanas e economias nacionais.
As CBDC (Central Bank Digital Currency) são as moedas digitais dos bancos centrais. Elas são inspiradas no universo blockchain-cripto, apesar de puristas defenderem que, tecnicamente, não possam ser consideradas criptomoedas. Para Marcelo Sampaio há sim uso do cripto, mas enquanto forma, não conteúdo.

Na prática, o governo consegue através dessas wallets digitais controlar muito mais sua população. CBDC nada mais é que um dinheiro fiduciário digital. Se pensarmos na China, o país sempre foi ultra digitalizado e protecionista com seu dinheiro, colocando o mínimo de papel moeda na rua. Lá, até mesmo a esmola para um morador de rua se dá através do celular. É um país muito bem sucedido nesse sentido – mas internamente, e, quando falamos de um cripto Yuan, a lógica se inverte e esse dinheiro viaja.

A China já está em diversas guerras com os EUA e a principal delas é a reserva de valor. Hoje, o dólar é uma reserva de valor e a China quer que, nas próximas décadas, o renminbi vire reserva de valor.

“Com isso na agenda chinesa, basta aplicar a lógica utilizada internamente na política externa. Por exemplo, basta eles se direcionarem a uma empresa como a Vale e dizer: para vender minério para cá, não é mais em dólar, é tudo em renminbi; sai até mais barato que transacionar para dólar e depois na nossa moeda. Para a Vale seria ótimo. No entanto, se o governo chinês se visse em desacordo com algum valor ou alguma aliança política por aqui, poderia congelar esse renminbi em reserva. Isso é possível em cripto, em nota e dinheiro digital não”, exemplifica.

Outro exemplo dado por Sampaio é o condicionamento do recebimento de beneficio social à vacinação. “Aos poucos, os governos já começaram a entender que o cripto pode fornecer mais controle e essa pode ser a melhor chance do bitcoin virar uma moeda global. Isso porque a sociedade pode se recusar a utilizar moedas digitais de bancos centrais, como por exemplo um cripto real. E preferir fazer uso do bitcoin por ser algo sem dono, desnacionalizado. Hoje, ainda estamos na era do dólar, dos EUA. Amanhã, quem sabe?”.

A série de podcast da SingularityU Brazil está em sua 2ª temporada e você pode escutar todos os episódios neste link.

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Qual é o impacto ambiental das criptomoedas?

Entre altos e baixos no mercado financeiro, as criptomoedas vêm se tornando mais acessíveis para empresas e consumidores. A popularização, no entanto, pode colocar em xeque um setor que ainda passa desapercebido por boa parte dos analistas de tecnologia: o de energia.

A geração de moedas virtuais demanda um alto consumo de energia elétrica. O alto consumo tem como origem a operação dos mineradores, como são chamados os usuários que fazem o garimpo virtual das moedas (o processo é feito a partir de redes computadores com processadores extremamente potentes).

Segundo dados coletados pelo Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI), ferramenta que mede em tempo real a quantidade de energia necessária para gerar um bitcoin é de seis gigawatts. Em um ano, esse valor pode chegar a 64 TWh.

De acordo com um relatório feito pela Agência Internacional de Energia, o consumo de energia pela rede de criptomoedas continuará aumentando. O impacto ambiental é preocupante: a organização estima que a mineração será responsável pela emissão indireta de cerca de 20 milhões de toneladas de CO2 até 2025.

O cenário é ainda mais preocupante em relação à China. Apontada como uma das maiores fontes de mineração, o país tem uma economia fortemente baseada no uso combustíveis fósseis, aumentando ainda mais a emissão de dióxido de carbono.

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4 podcasts para mergulhar no mundo das finanças

Depois de um período de baixa, os podcasts retomaram o seu lugar cativo na web. A simplicidade de produção e a versatilidade de acesso estão entre os fatores que impulsionaram a popularidade do formato entre diversos perfis de público. A criação de séries segmentadas de aprendizado é outro traço marcante dessa nova fase. É o caso das séries sobre finanças. Ao abordar um tema que ainda gera muitas dúvidas entre o público brasileiro, esses programas se tornaram essenciais na desmistificação de assuntos como investimentos, criptomoedas e fluxo de caixa. Veja abaixo uma lista com quatro podcasts para mergulhar no universo financeiro.

1- Conexão Satoshi
Produzido pela Cointimes, o Conexão Satoshi tem como objetivo criar conversas descontraídas sobre temas que envolvem o mercado financeiro atual, focando em pautas sobre inovação, tecnologia e criptomoedas. O nome é uma homenagem a Satoshi Nakamoto, pseudônimo do criador do Bitcoin.

2- Poupecast
O podcast é apresentado por Nathalia Arcuri, fundadora da plataforma de educação financeira Me Poupe!, e oferece dicas variadas sobre o mercado financeiro. O foco são conselhos sobre investimentos e estratégias para poupar dinheiro.

3- Educação Financeira
Criado pelo G1, o Educação Financeira explora assuntos variados do setor financeiro. O foco está em temas ligados a notícias do cotidiano e no esclarecimento de dúvidas recorrentes entre o público.

4- Financast
A partir do cruzamento de temas como finanças, economia, investimentos e empreendedorismo, o Financast tem como missão promover a educação financeira da audiência. Os episódios abordam assuntos como dicas de investimento, estratégias de fundos e controle de gastos pessoais.

Quer conhecer as últimas tendências e tecnologias do mercado financeiro? Inscreva-se no Exponential Finance Brazil. O principal summit de finanças exponenciais do país acontece do dia 10 e 11 de setembro, em São Paulo.

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O que você precisa saber sobre a Libra, a nova criptomoeda do Facebook

Recentemente, o Facebook anunciou o lançamento da Libra, criptomoeda integrada a um aplicativo de carteira digital. Antes mesmo de chegar ao mercado (a previsão é para 2020), a Libra já contabiliza uma rede de 30 parceiros de peso, incluindo Visa, Uber, Mastercard e Stripe. O consórcio de empresas que apoia o projeto tem como objetivo criar uma alternativa de pagamentos mais global e inclusiva. A plataforma também deverá reunir serviços como investimentos e financiamentos.

Paralelamente às questões de privacidade e segurança que rodeiam o Facebook, o projeto conta com o apoio de boa parte da comunidade financeira e digital. Os torcedores incluem Jack Dorsey, cofundador do Twitter. Em entrevista concedida ao site Quartz, Dorsey afirmou que espera que o mercado possa perceber o valor de criar uma moeda acessível a todos e que não seja limitada por nenhum governo ou entidade corporativa.

Agora é pagar para ver. Literalmente.

Como a Libra vai funcionar?
A missão da Libra é ser uma moeda global e lastreada em ativos reais. Baseada em tecnologias de blockchain, a Libra tem como diferencial as parcerias com instituições financeiras de porte global. As reservas que orientarão o seu valor serão administradas pela Associação Libra, também encarregada de desenvolver o ecossistema de aplicações para o mercado.

A Libra será igual o Bitcoin?
A base tecnológica é similar. Mas, diferentemente do bitcoin, a Libra tem como objetivo ser uma moeda de baixa volatilidade, permitindo que seus usuários façam compras simples e enviem dinheiro para conhecidos (a taxas mais baixas). A expectativa é que o seu valor seja equivalente à cotação do dólar.

Libra ou Calibra?
O Facebook já desenvolveu o seu próprio aplicativo de carteira digital. Batizado de Calibra, o app poderá ser integrado ao WhatsApp e ao Messenger. O usuário poderá recarregar, sacar dinheiro, pagar contas e fazer transferências na mesma plataforma.

Quer conhecer as últimas tendências e tecnologias do mercado financeiro?
Inscreva-se no Exponential Finance Brazil. O principal summit de finanças exponenciais do país acontece do dia 10 e 11 de setembro, em São Paulo.

Natália Fazenda
Área de conteúdo da HSM

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Blog Tecnologia & Inovação

Blockchain: 4 bons motivos para aprender a trabalhar com essa nova tecnologia

Em tempos de crise política, o brasileiro vem aprendendo a questionar a forma como são feitos os negócios, de onde vêm os recursos para executá-los e qual é o nível de transparência. Sendo assim, não é à toa que uma tecnologia como o Blockchain chame a atenção e ganhe status de ferramenta capaz de reinventar novos caminhos em diversos setores da economia.

Sem dúvida, o Blockchain é uma das invenções mais geniais dos últimos tempos. Ele chegou para permitir que a informação digital seja distribuída, e não copiada, o que garante muito mais segurança e confiabilidade, com inúmeras possibilidades de utilização.

Porém, uma das grandes dificuldades é a falta de mão de obra qualificada no Brasil. Muitos projetos acabam não saindo do papel por falta de profissionais qualificados – e de investimento também. “O Blockchain já existe há algum tempo, mas muitos profissionais ainda não se deram conta da transformação que ele representa”, afirma Henrique Leite, fundador da GOBlockchain, empresa de tecnologia especializada em Blockchain e plataformas DLT.
Henrique lista quatro bons motivos pelos quais vale a pena trabalhar com essa tecnologia:

Mais oportunidades para empreender

O Blockchain é uma espécie de livro que registra transações, sendo que todos podem vê-lo, mas ninguém pode alterá-lo. Embora seja algo simples, é inovador, porque suas transações são continuamente verificadas e armazenadas na rede, que por sua vez são conectadas aos blocos anteriores, criando uma cadeia. Cada bloco deve se referir ao bloco anterior para ser válido.

Esta estrutura evita de forma permanente que alguém altere o livro contábil básico. Para roubar qualquer valor, seria necessário alterar a metade de toda a cadeia mais um, e assim mudar o consenso da rede. A partir daqui, é possível compreender como é possível reinventar muitos modelos de negócios utilizando a tecnologia Blockchain.

Um exemplo de empreendedorismo nesse setor é a Digital Asset, que está em Nova York nos Estados Unidos. Em recente entrevista à revista Bloomberg Market, a CEO da empresa, Blythe Masters, diz que a empresa está projetando um software que permitirá aos bancos, investidores e demais participantes do mercado, utilizar Blockchain para mudar a maneira de negociar empréstimos, títulos e outros ativos.

Entrar em um mercado onde não existe mão de obra suficiente

Muitas grandes empresas já estão usando o Blockchain para conceber e desenvolver produtos e serviços. Ainda que haja desconfiança frente à tanta inovação, empresas como a Microsoft e a bolsas de valores já estão investindo.

Um exemplo é a BMW, que está utilizando Blockchain a fim de garantir que as baterias para seus carros elétricos contenham apenas o cobalto obtido livre de mão de obra infantil, o chamado “cobalto limpo”. Cerca de 65% do mineral existente no mundo é fornecido pela República Democrática do Congo, onde sabe-se que 25% da extração ocorre em minerações artesanais não regulamentadas, daí a preocupação da montadora.

No Brasil, as empresas estudam formas de se beneficiar do Blockchain, mas ainda esbarram na falta de profissionais qualificados para pensar soluções com a tecnologia.

Estímulo à economia colaborativa

Este é o tipo de economia em que bens e serviços são obtidos de forma compartilhada. Por exemplo, em vez de comprar um objeto que será usado apenas uma vez, você opta por alugá-lo em um aplicativo de celular. E muitas iniciativas de compartilhamento não se baseiam apenas no empréstimo ou no aluguel, mas também na troca.

A partir daí, imagine como o Blockchain pode ser uma poderosa ferramenta para garantir confiabilidade nessas transações, por meio de contratos inteligentes e executando ações, desde que as condições sejam atendidas.

Possibilidade de disruptura com práticas já existentes

Graças aos contratos inteligentes, a necessidade de moderação por uma terceira parte pode ser drasticamente reduzida ou eliminada. Ao automatizar o que anteriormente exigia intermediários, muitos serviços podem ser oferecidos por um custo menor. Essa mudança será disruptiva para muitas indústrias, principalmente para aquelas com potencial para o comércio no modelo P2P (peer-to-peer).

GOBlockchain startup brasileira de tecnologia que nasceu em 2017 com o objetivo de impactar positivamente o ecossistema de Blockchain, atendendo uma nova demanda. Sua gestão é realizada de acordo com a filosofia de colaboração, consenso e transparência. A organização conta com três frentes de negócios. A primeira delas é a GOSolutions, focada em serviços de consultoria e cursos in company. Já a segunda é a GOLabs, cujo foco é a criação de produtos. E a terceira é a GOEducation, cuja missão é formar e capacitar profissionais em Blockchain por meio de cursos, workshops, meetups, entre outras atividades.

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Blockchain quântica: entenda como a Rússia vem se preparando para as transformações digitais do futuro

[vc_row][vc_column][vc_column_text]As tecnologias exponenciais e inteligências artificiais vêm avançando de forma cada vez mais ágil. Diante de tanta inovação e mudanças, todos precisamos aprender a lidar com essas transformações, além de entender como elas vão afetar nossa rotina, a sociedade e a economia no futuro.

O computador foi uma das invenções mais disruptivas da humanidade. Entretanto, mesmo com a tecnologia avançada, ele ainda tem muitas limitações, principalmente com relação a sua velocidade de processamento. Segundo a Lei de Moore, a velocidade de um computador é dobrada cada 18 meses, porém essa evolução tem um limite.

Essa barreira fez com que pesquisadores começassem a estudar a criação de uma máquina mais potente e veloz: os computadores quânticos. Ainda em desenvolvimento, eles têm o poder de resolver algoritmos muito difíceis e de forma incrivelmente rápida. Já existem quatro tipos de computador quântico sendo elaborados e estudados pelos cientistas, mas eles afirmam que essa nova tecnologia poderá mudar o rumo de muita coisa em menos de dez anos, inclusive tornar possível uma rede de internet ainda mais rápida do que a atual.

Graças a essa eficiência, a redução do tempo de resolução de problemas facilita a quebra de um dos sistemas mais seguros do mundo hoje em dia: a blockchain.

A tecnologia por trás das criptomoedas como o bitcoin pode estar ameaçada com a chegada do computador quântico, isso porque, devido ao algoritmo de Shor, ele poderia quebrar a criptografia RSA, ferramenta usada para proteger a transmissão de dados na internet.

Além disso, as assinaturas digitais usadas para garantir a segurança das criptomoedas também podem ser afetadas, facilitando a falsificação.

“Isso significaria que você poderia falsificar transações e roubar moedas”, explica Bernardo David, criptógrafo do Instituto de Tecnologia de Tóquio.

Para tranquilizar o ânimo de muitos criptógrafos que já estão preocupados com essa nova ameaça, o especialista em computação quântica do Google, John Martinis, afirmou em um evento de criptografia na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, que poderia levar uma década ou mais para construir um computador quântico.

Mesmo que pesquisadores já estejam trabalhando em alguns deles, ainda restam muitos anos para que isso se torne realidade. Até lá, há um tempo para promover melhorias nessas assinaturas e resolver esse problema.

No entanto, a Rússia parece não querer esperar tanto tempo assim para resolver um problema do futuro, e já saiu na frente. O banco russo Gazprombank diz ter implementado com sucesso uma plataforma com base na mecânica quântica, a “blockchain quântica”.

A ideia é que as assinaturas digitais que protegem os dados dentro do sistema blockchain sejam trocadas por chaves quânticas. Isso tornará praticamente impossível fraudá-las — sucesso garantido pela física.

Mesmo que todas essas tecnologias ainda estejam um pouco longe de entrar em vigor, a Rússia mostrou que é sempre bom se antecipar a mudanças que poderão ocorrer.

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