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A era pós-pandêmica do mercado financeiro brasileiro

Na manhã de ontem, o mercado financeiro brasileiro foi surpreendido com a notícia de que a Berkshire Hathaway, gestora de Warren Buffett, é a mais nova acionista do Nubank.

Segundo o Wall Street Journal, a gestora comprou US$ 500 milhões em ações do banco digital brasileiro, o maior investimento individual já recebido pela empresa. Com quase 40 milhões de clientes, o Nubank já se consagra como um dos maiores bancos digitais independentes do mundo.

Ainda no universo das empresas brasileira com reputação internacional e cifras impressionantes, a Hashdex vem ganhando cada vez mais destaque (e cotistas). No último mês, a gestora brasileira de criptoativos estreou seu fundo negociado em bolsa (ETF), o Hashdex Nasdaq Crypto Fundo de Índice (ticker: HASH11), na B3.

Com o lançamento do HASH11, o Brasil se junta a um seleto grupo de jurisdições que possuem produtos de criptoativos listados em bolsa. Países como Suíça, Suécia e Alemanha possuem outros tipos de produtos que, apesar de não serem ETFs estritamente, são listados em bolsa e fornecem exposição a criptoativos. Segundo o CEO da Hashdex, Marcelo Sampaio, antes do Brasil somente o Canadá havia liberado a listagem de ETFs de bitcoin.

O fundo HASH11 já conta com 61,5 mil cotistas, em comparação aos cem mil cotistas da gestora, responsável por R$ 3 bilhões de patrimônio.

“Os números são um indicativo de que os investidores brasileiros buscavam ter mais essa forma de acessar os criptoativos. Em pouco tempo, o HASH11 apresentou para o mercado uma solução segura e simplificada que deve crescer ainda mais nos próximos meses”, explica Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex.

Mas vamos voltar alguns passos. Quanto você sabe sobre o mercado de criptoativos? Em entrevista ao Tech Talks, podcast da Singularity U Brazil (braço da HSM), Sampaio explicou um pouco mais sobre esse universo. E nós trazemos os highlights abaixo.

A origem do bitcoin: Satoshi Nakamoto
Diferentemente do Banksy que, pelo menos, acham que sabem quem é, ninguém é conclusivo sobre a identidade Satoshi Nakamoto – que pode ser uma pessoa, um grupo de pessoas ou um mero pseudônimo que ninguém consegue desvendar. Mas é dele a autoria do paper de nove páginas que transformou a recente história da humanidade. Marcelo Sampaio acredita que ele fez muito bem em não se revelar porque teria tido muitos problemas com inúmeros governos.

“O que ele fez, basicamente, foi inventar um dinheiro que seria desnacionalizado e descentralizado. Um dinheiro que não ficasse à critério de bancos centrais e governos, como uma resposta à crise de 2008, ao abuso dos bancos centrais e toda a ganância do mercado financeiro. O objetivo dele era criar uma maneira para que isso não fosse mais possível e o dinheiro não ficasse mais exclusivamente na mão dessa turma. Acredito que ele não imaginava que tivesse criado algo muito maior”, afirma Sampaio.

O CEO da Hashdex gosta de traçar um comparativo entre blockchain e cripto com o advento da internet. De acordo com o empresário, da mesma maneira que a rede surgiu da simples ideia de se transacionar mensagens, a ideia igualmente simples de se criar um dinheiro acabou criando uma estrutura muito maior, que resolve problemas que vão além das finanças.

Como se dá uma transação de criptoativos?
Segundo Sampaio, isso ainda é muito complicado. “Vocês vão me ver comparar muito a ideia de blockchain com a internet por um bom motivo: são ideias muito parecidas. Além da semelhança, são as duas últimas grandes disrupções da humanidade. Para aqueles que estão na faixa dos 30 anos ou mais, há a lembrança de que o começo da internet foi sofrível e essa complexidade inicial se aplica ao universo cripto”, adverte.

Inicialmente você realiza o download de uma carteira que pode ser atrelada a um serviço ou não (ela pode ser apenas um software). Assumindo que você tenha algum saldo em bitcoin, há ali uma string que é literalmente um código de 40 caracteres. Juntando essa carteira e esse código, você pode pode fazer uma transação, podendo mandar uma fração do seu saldo ou seu saldo completo para uma outra carteira – que, no caso, seria uma outra pessoa.

Marcelo Sampaio assume que fazer isso “na mão” é chato, mas que já começou a melhorar muito com empresas como a Coinbase. Ainda que esse processo permaneça estranho e relativamente complicado, o executivo acredita que o uso do cripto como dinheiro está em evolução para algo mais simples.

Quando se trata de cripto ativos, não espere por atores que exerçam o papel de gerente de banco ou SAC.
Isso não existe nesse mercado e é aí que tá o negócio“, declara Sampaio sem rodeios. Ele explica que não se deve buscar semelhanças com um banco, mas com uma carteira de dinheiro. Se você der dinheiro à pessoa errada ou colocar no bolso e cair no chão, essa quantia foi perdida.

“Nesse mundo, sua carteira digital é muito mais parecida com um cofre. Uma carteira pode ser acessada sem dificuldade, no cripto se você perder a chave do seu ‘cofre’, ele pode nunca mais abrir”, complementa.

E Sampaio adverte que, da mesma maneira que você busca uma corretora ou um banco para investir em um fundo, o ideal é procurar por empresas focadas em gerir aplicações de criptoativos. De acordo com ele, o mundo de investimentos ainda é um mistério pra muita gente mas ,na última década, isso tem evoluído muito no Brasil. “O brasileiro, de maneira geral, adotou nos últimos anos a ideia da importância de poupar e investir. E isso se expressa pelo crescimento expressivo de corretoras como a XP. Criamos produtos de investimento que são muito parecidos senão iguais aos produtos que os investidores já estão habituados. Hoje, se você quiser investir em alguns dos nossos fundos, isso está a um clique. Outra coisa que fazemos é explicar ao cliente final sobre o universo-cripto em entrevistas como essa e em qualquer oportunidade de disseminar a pauta. A educação desmistifica muito as coisas e cria o interesse para que, ao longo do tempo, os investidores estejam seguros sobre o assunto“, afirma.

Bitcoin, Ethereum e suas aplicabilidades.
Pensamos muito em cripto enquanto dinheiro. Mas esse é apenas um dos usos de cripto, e não é sequer o maior deles. Do ponto de vista de tamanho de mercado, bitcoin sem dúvida é o mais consagrado criptoativo. Mas cripto enquanto estrutura é muito maior. Se pegarmos o Ethereum, que é o segundo maior criptoativo, ele não tem absolutamente nada a ver com bitcoin. Não são coisas minimamente parecidas.

“Se tivesse que fazer uma comparação, o bitcoin está mais para um ouro digital e o etherium está mais para uma linguagem de programação. Podemos pensar no C++ para programa de computador e Ethereum para programa de blockchain”, explica Sampaio.

A blockchain tem associada a ela frações de um ativo que acaba sendo o pagamento de quem torna essa rede possível. Segundo Sampaio, a remuneração desse pessoal que torna a rede viável é também uma espécie de ingresso. Aqueles que se interessam pelo uso dessa tecnologia têm que comprar de quem já possui acesso. E aí você cria um mercado secundário, baseado em demanda. Por isso que esse ativo acaba tendo um papel que transcende a ideia de dinheiro.

“Seria como ter que adquirir o ticket da quermesse para poder jogar a bola na boca do palhaço. O cara que está ali ajeitando o palhaço e te dando a bolinha, também está sendo pago. Então, um mercado secundário baseado na demanda é criado. Se muita gente quiser jogar a bolinha na boca do palhaço, acabará tendo escassez de tickets e o valor vai aumentar”, complementa.

A utilização de cripto está começando a querer chegar no cidadão comum. Hoje, ela ainda é relativamente sofisticada. Há diversos casos de uso, mas muito voltados para finanças descentralizadas e blockchain de infraestrutura de internet. Um uso que está capturando o imaginário da maioria das pessoas é o próprio bitcoin como reserva de valor.

Não se fala de criptoativo sem falar de reserva de valor.
Todo mundo tem algum nível de reserva de valor. Para a maioria, a maneira mais mais óbvia é a poupança. Um outra amplamente difundida é a aquisição imobiliária, você compra uma casa pela sua utilidade mas também pelo valor – se algo der errado, basta vender o imóvel.

Sete características definem o que é uma reserva de valor: divisibilidade, transferabilidade, escassez, fungibilidade, durabilidade, portabilidade e reconhecimento. No mundo dos investimentos, a reserva de valor mais comum é o ouro. E o bitcoin, que está virando o ouro digital.

Segundo Sampaio, se observarmos sob uma ótica técnica o criptoativo não é um pouco melhor que o ouro, mas ordens de magnitude melhor que o ouro!

“Se pegarmos o critério da divisibilidade, por exemplo, você pode pegar uma pepita de ouro e dividir pela metade, 1/4, 1/10, 1/1000, se chegar em um milionésimo estaremos falando em nano partículas de ouro. É mais fácil fazer isso com ouro ou dividir um código? Se focarmos na transferabilidade, é mais fácil mover barras de ouro do Fort Knox dos Estados Unidos e mandar para a Europa ou mandar um código pela internet?“, provoca o CEO da Hashdex.

Então, por que o ouro permanece? Porque ele tem 7 mil anos de história como reserva de valor. Mas há quem defenda que, em algum momento, o fundamento prevalecerá; e o melhor será mais utilizado.

Sampaio ressalta que, além de dinheiro, imóvel e ouro, há também muito uso da arte como reserva de valor. Atualmente, esse mercado gira em torno dos US$27 trilhões. “Muitas pessoas realmente expõem peças artísticas adquiridas, mas a maior parte é comprada para guardar valor. Os principais quadros do mundo estão em bancos, não em paredes. Esse é o Admirável Mundo Novo”, afirma.

Como saber se o criptoativo é um hype ou se veio para ficar?
Dando um zoom out, o bitcoin está em um caminho de estabilidade. Sua adoção só cresce e não há perda de usuários. Sampaio defende que, do ponto de vista do investimento, todo mundo deveria ter pelo menos um pouquinho. Mas ressalta que esse é um ambiente de possibilidades, muito mais que de certezas.

“Se você coloca 1% do que tem e perde 1%, é uma perda mais que aceitável e, inclusive, comum. Agora, se esse negócio multiplica por 100, 200, 500 nos próximos 10, 20 anos, aí faz muita diferença você não ter comprado. Meu ponto é que você tem o chamado potencial de retorno assimétrico. E consideramos uma oportunidade geracional. O cavalo alado não passa o tempo todo. Só vamos descobrir se foi realmente um cavalo alado lá na frente, mas ele tem se mostrado real para quem tem paciência e estômago para topar a volatilidade que se mostra tremenda”.

Bancos centrais, moedas digitais soberanas e economias nacionais.
As CBDC (Central Bank Digital Currency) são as moedas digitais dos bancos centrais. Elas são inspiradas no universo blockchain-cripto, apesar de puristas defenderem que, tecnicamente, não possam ser consideradas criptomoedas. Para Marcelo Sampaio há sim uso do cripto, mas enquanto forma, não conteúdo.

Na prática, o governo consegue através dessas wallets digitais controlar muito mais sua população. CBDC nada mais é que um dinheiro fiduciário digital. Se pensarmos na China, o país sempre foi ultra digitalizado e protecionista com seu dinheiro, colocando o mínimo de papel moeda na rua. Lá, até mesmo a esmola para um morador de rua se dá através do celular. É um país muito bem sucedido nesse sentido – mas internamente, e, quando falamos de um cripto Yuan, a lógica se inverte e esse dinheiro viaja.

A China já está em diversas guerras com os EUA e a principal delas é a reserva de valor. Hoje, o dólar é uma reserva de valor e a China quer que, nas próximas décadas, o renminbi vire reserva de valor.

“Com isso na agenda chinesa, basta aplicar a lógica utilizada internamente na política externa. Por exemplo, basta eles se direcionarem a uma empresa como a Vale e dizer: para vender minério para cá, não é mais em dólar, é tudo em renminbi; sai até mais barato que transacionar para dólar e depois na nossa moeda. Para a Vale seria ótimo. No entanto, se o governo chinês se visse em desacordo com algum valor ou alguma aliança política por aqui, poderia congelar esse renminbi em reserva. Isso é possível em cripto, em nota e dinheiro digital não”, exemplifica.

Outro exemplo dado por Sampaio é o condicionamento do recebimento de beneficio social à vacinação. “Aos poucos, os governos já começaram a entender que o cripto pode fornecer mais controle e essa pode ser a melhor chance do bitcoin virar uma moeda global. Isso porque a sociedade pode se recusar a utilizar moedas digitais de bancos centrais, como por exemplo um cripto real. E preferir fazer uso do bitcoin por ser algo sem dono, desnacionalizado. Hoje, ainda estamos na era do dólar, dos EUA. Amanhã, quem sabe?”.

A série de podcast da SingularityU Brazil está em sua 2ª temporada e você pode escutar todos os episódios neste link.

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4 podcasts para mergulhar no mundo das finanças

Depois de um período de baixa, os podcasts retomaram o seu lugar cativo na web. A simplicidade de produção e a versatilidade de acesso estão entre os fatores que impulsionaram a popularidade do formato entre diversos perfis de público. A criação de séries segmentadas de aprendizado é outro traço marcante dessa nova fase. É o caso das séries sobre finanças. Ao abordar um tema que ainda gera muitas dúvidas entre o público brasileiro, esses programas se tornaram essenciais na desmistificação de assuntos como investimentos, criptomoedas e fluxo de caixa. Veja abaixo uma lista com quatro podcasts para mergulhar no universo financeiro.

1- Conexão Satoshi
Produzido pela Cointimes, o Conexão Satoshi tem como objetivo criar conversas descontraídas sobre temas que envolvem o mercado financeiro atual, focando em pautas sobre inovação, tecnologia e criptomoedas. O nome é uma homenagem a Satoshi Nakamoto, pseudônimo do criador do Bitcoin.

2- Poupecast
O podcast é apresentado por Nathalia Arcuri, fundadora da plataforma de educação financeira Me Poupe!, e oferece dicas variadas sobre o mercado financeiro. O foco são conselhos sobre investimentos e estratégias para poupar dinheiro.

3- Educação Financeira
Criado pelo G1, o Educação Financeira explora assuntos variados do setor financeiro. O foco está em temas ligados a notícias do cotidiano e no esclarecimento de dúvidas recorrentes entre o público.

4- Financast
A partir do cruzamento de temas como finanças, economia, investimentos e empreendedorismo, o Financast tem como missão promover a educação financeira da audiência. Os episódios abordam assuntos como dicas de investimento, estratégias de fundos e controle de gastos pessoais.

Quer conhecer as últimas tendências e tecnologias do mercado financeiro? Inscreva-se no Exponential Finance Brazil. O principal summit de finanças exponenciais do país acontece do dia 10 e 11 de setembro, em São Paulo.

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O que você precisa saber sobre a Libra, a nova criptomoeda do Facebook

Recentemente, o Facebook anunciou o lançamento da Libra, criptomoeda integrada a um aplicativo de carteira digital. Antes mesmo de chegar ao mercado (a previsão é para 2020), a Libra já contabiliza uma rede de 30 parceiros de peso, incluindo Visa, Uber, Mastercard e Stripe. O consórcio de empresas que apoia o projeto tem como objetivo criar uma alternativa de pagamentos mais global e inclusiva. A plataforma também deverá reunir serviços como investimentos e financiamentos.

Paralelamente às questões de privacidade e segurança que rodeiam o Facebook, o projeto conta com o apoio de boa parte da comunidade financeira e digital. Os torcedores incluem Jack Dorsey, cofundador do Twitter. Em entrevista concedida ao site Quartz, Dorsey afirmou que espera que o mercado possa perceber o valor de criar uma moeda acessível a todos e que não seja limitada por nenhum governo ou entidade corporativa.

Agora é pagar para ver. Literalmente.

Como a Libra vai funcionar?
A missão da Libra é ser uma moeda global e lastreada em ativos reais. Baseada em tecnologias de blockchain, a Libra tem como diferencial as parcerias com instituições financeiras de porte global. As reservas que orientarão o seu valor serão administradas pela Associação Libra, também encarregada de desenvolver o ecossistema de aplicações para o mercado.

A Libra será igual o Bitcoin?
A base tecnológica é similar. Mas, diferentemente do bitcoin, a Libra tem como objetivo ser uma moeda de baixa volatilidade, permitindo que seus usuários façam compras simples e enviem dinheiro para conhecidos (a taxas mais baixas). A expectativa é que o seu valor seja equivalente à cotação do dólar.

Libra ou Calibra?
O Facebook já desenvolveu o seu próprio aplicativo de carteira digital. Batizado de Calibra, o app poderá ser integrado ao WhatsApp e ao Messenger. O usuário poderá recarregar, sacar dinheiro, pagar contas e fazer transferências na mesma plataforma.

Quer conhecer as últimas tendências e tecnologias do mercado financeiro?
Inscreva-se no Exponential Finance Brazil. O principal summit de finanças exponenciais do país acontece do dia 10 e 11 de setembro, em São Paulo.

Natália Fazenda
Área de conteúdo da HSM

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Blog Tecnologia & Inovação

Blockchain: 4 bons motivos para aprender a trabalhar com essa nova tecnologia

Em tempos de crise política, o brasileiro vem aprendendo a questionar a forma como são feitos os negócios, de onde vêm os recursos para executá-los e qual é o nível de transparência. Sendo assim, não é à toa que uma tecnologia como o Blockchain chame a atenção e ganhe status de ferramenta capaz de reinventar novos caminhos em diversos setores da economia.

Sem dúvida, o Blockchain é uma das invenções mais geniais dos últimos tempos. Ele chegou para permitir que a informação digital seja distribuída, e não copiada, o que garante muito mais segurança e confiabilidade, com inúmeras possibilidades de utilização.

Porém, uma das grandes dificuldades é a falta de mão de obra qualificada no Brasil. Muitos projetos acabam não saindo do papel por falta de profissionais qualificados – e de investimento também. “O Blockchain já existe há algum tempo, mas muitos profissionais ainda não se deram conta da transformação que ele representa”, afirma Henrique Leite, fundador da GOBlockchain, empresa de tecnologia especializada em Blockchain e plataformas DLT.
Henrique lista quatro bons motivos pelos quais vale a pena trabalhar com essa tecnologia:

Mais oportunidades para empreender

O Blockchain é uma espécie de livro que registra transações, sendo que todos podem vê-lo, mas ninguém pode alterá-lo. Embora seja algo simples, é inovador, porque suas transações são continuamente verificadas e armazenadas na rede, que por sua vez são conectadas aos blocos anteriores, criando uma cadeia. Cada bloco deve se referir ao bloco anterior para ser válido.

Esta estrutura evita de forma permanente que alguém altere o livro contábil básico. Para roubar qualquer valor, seria necessário alterar a metade de toda a cadeia mais um, e assim mudar o consenso da rede. A partir daqui, é possível compreender como é possível reinventar muitos modelos de negócios utilizando a tecnologia Blockchain.

Um exemplo de empreendedorismo nesse setor é a Digital Asset, que está em Nova York nos Estados Unidos. Em recente entrevista à revista Bloomberg Market, a CEO da empresa, Blythe Masters, diz que a empresa está projetando um software que permitirá aos bancos, investidores e demais participantes do mercado, utilizar Blockchain para mudar a maneira de negociar empréstimos, títulos e outros ativos.

Entrar em um mercado onde não existe mão de obra suficiente

Muitas grandes empresas já estão usando o Blockchain para conceber e desenvolver produtos e serviços. Ainda que haja desconfiança frente à tanta inovação, empresas como a Microsoft e a bolsas de valores já estão investindo.

Um exemplo é a BMW, que está utilizando Blockchain a fim de garantir que as baterias para seus carros elétricos contenham apenas o cobalto obtido livre de mão de obra infantil, o chamado “cobalto limpo”. Cerca de 65% do mineral existente no mundo é fornecido pela República Democrática do Congo, onde sabe-se que 25% da extração ocorre em minerações artesanais não regulamentadas, daí a preocupação da montadora.

No Brasil, as empresas estudam formas de se beneficiar do Blockchain, mas ainda esbarram na falta de profissionais qualificados para pensar soluções com a tecnologia.

Estímulo à economia colaborativa

Este é o tipo de economia em que bens e serviços são obtidos de forma compartilhada. Por exemplo, em vez de comprar um objeto que será usado apenas uma vez, você opta por alugá-lo em um aplicativo de celular. E muitas iniciativas de compartilhamento não se baseiam apenas no empréstimo ou no aluguel, mas também na troca.

A partir daí, imagine como o Blockchain pode ser uma poderosa ferramenta para garantir confiabilidade nessas transações, por meio de contratos inteligentes e executando ações, desde que as condições sejam atendidas.

Possibilidade de disruptura com práticas já existentes

Graças aos contratos inteligentes, a necessidade de moderação por uma terceira parte pode ser drasticamente reduzida ou eliminada. Ao automatizar o que anteriormente exigia intermediários, muitos serviços podem ser oferecidos por um custo menor. Essa mudança será disruptiva para muitas indústrias, principalmente para aquelas com potencial para o comércio no modelo P2P (peer-to-peer).

GOBlockchain startup brasileira de tecnologia que nasceu em 2017 com o objetivo de impactar positivamente o ecossistema de Blockchain, atendendo uma nova demanda. Sua gestão é realizada de acordo com a filosofia de colaboração, consenso e transparência. A organização conta com três frentes de negócios. A primeira delas é a GOSolutions, focada em serviços de consultoria e cursos in company. Já a segunda é a GOLabs, cujo foco é a criação de produtos. E a terceira é a GOEducation, cuja missão é formar e capacitar profissionais em Blockchain por meio de cursos, workshops, meetups, entre outras atividades.

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Blog Liderança & Pessoas

Para analisar cenários e resolver conflitos, vá até a varanda

Um desconhecido pensador contemporâneo disse: a paz não custa nada. É claro que muitos economistas e políticos discordam dele. Para algumas nações, manter acordos de paz pode custar mais do que viver anos em guerra. Mas, levando em consideração o lado poético dessa frase, podemos entender que, às vezes, bastam pequenos atos para construir uma negociação pacífica.

Há poucos meses vimos isso muito claro acontecer na economia mundial, quando um simples ato de dois líderes trouxe a paz a dois países que viveram em constante guerra durante décadas: Coreia do Sul e Coreia do Norte.

Desde 1945 o território coreano, recém-saído da Segunda Guerra Mundial, saiu do domínio japonês para o da União Soviética e dos Estados Unidos. Entretanto, essa divisão, que inicialmente seria provisória, tornou-se definitiva até os tempos atuais, passando pela Guerra das Coreias, em 1950, e pela Guerra Fria.

Após décadas de separação, desde 1990, as duas Coreias começaram a tentar uma reunificação, dando pequenos passos em direção a isso. Entretanto, em quase 20 anos, nenhum ato tinha ido tão longe com a intenção de melhorar as relações intercoreanas. Em abril de 2018, Kim Jong-un fez história como o primeiro líder norte-coreano a pisar na Coreia do Sul, quando foi ao encontro do líder sul-coreano, Moon Jae-in.

Entre risadas, e um aperto de mãos fraterno, o líder norte-coreano disse que estava disposto a discutir de coração aberto as questões dos dois países, com foco na prosperidade e reunificação da Península da Coreia. Afirmou que uma nova era estava começando naquele momento, uma era da paz.

Olhando para essa situação de fora, você deve se perguntar, por que um ato tão simples para resgatar a paz não fora feito antes? Porém resolver conflitos, seja ele de qual natureza for, nunca é tão simples assim. Mesmo em boas negociações, são necessários anos para estabelecer um acordo.

O que muitos não sabem é que a verdadeira chave para obter resultados satisfatórios em negociações está dentro de nós mesmos. Analisando esse cenário político das Coreias, fica fácil perceber que nada disso teria acontecido se os dois líderes não tivessem tomado a decisão de abrir o coração para ouvir o próximo e chegar a um acordo por um bem maior, que beneficiasse não os desejos particulares de cada um deles, mas toda a população coreana, que sofre há décadas com essa separação.

Nós, seres humanos, somos falhos e costumamos tomar muitas decisões precipitadas quando nos deixamos levar por sentimentos de raiva. Por isso, o negociador William Ury defende a metáfora de ir até a varanda: dê um passo para trás nas negociações para conseguir enxergar o cenário completo. Ir até a varanda é ter uma nova perspectiva, obter um olhar diferente, para então encontrar a melhor saída.

Somente assim é possível perceber que às vezes você só precisa de uma atitude pequena e singela para estabelecer acordos bem-sucedidos em busca de um bem comum: a paz.

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Blog Tecnologia & Inovação

Bitcoin e o impacto da tecnologia blockchain na economia mundial

No ano passado, uma das criptomoedas mais conhecidas dos últimos tempos sofreu uma supervalorização, chegando a ser cotada a quase US$ 20 mil. O boom foi tamanho que bitcoin se tornou palavra comum nas conversas, presente nas mesas de bares em happy hours, e até mesmo como potencial problema político, atrelado à lavagem de dinheiro, por exemplo.

Todo mundo queria ter um pedaço de bitcoin para chamar de seu. Segundo Rodrigo Batista, presidente-executivo do Mercado Bitcoin, o número de investidores chegou a 750 mil em 2017, 275% a mais que no ano anterior.

Entretanto, apesar da febre recente, essa criptomoeda existe desde 2009, mas era tão pouco conhecida que gerou uma história curiosa envolvendo a cantora britânica Lily Allen. Quando a artista se deu conta dessa supervalorização, ela própria contou em um tweet que havia mais ou menos cinco anos recebera uma oferta de 200 mil bitcoins para fazer um show online… e ela recusara.

Naquela época, a moeda não valia quase nada e era usada principalmente em jogos online, porém, se a cantora tivesse aceitado a oferta, em 2017 ela teria uma fortuna de US$ 1.470.800.000. Ah, se arrependimento matasse!

Como toda nova tecnologia traz certo receio, com bitcoin não é diferente. Ainda há muitas pessoas que não investem na criptomoeda por não a acharem um investimento seguro. O que pouca gente sabe é que a tecnologia por trás dela, blockchain, é uma das mais seguras do mundo. Graças a ela, é possível realizar transações pela internet sem que haja um intermediador, como um banco, por exemplo.

Além disso, cada vez que uma transação acontece — de dados ou de valores —, ela passa por um processo de validação, não sendo mais permitida qualquer alteração. Bitcoin é a primeira criptomoeda totalmente segura da história, mas não é a única. Hoje existem várias outras com o mesmo suporte e diferentes valores para investir.

Para saber mais sobre bitcoin e o motivo de ele ser tão conhecido, confira a entrevista a seguir com Luiz Calado, economista-chefe do Mercado Bitcoin.

HSM: A tecnologia blockchain colocou as criptomoedas no mercado. Qual a vantagem de investir em criptomoedas como o bitcoin? Pode-se dizer que é um investimento seguro?

R: O primeiro motivo de muitos ao comprarem bitcoin é como uma forma de diversificar os investimentos. Algumas pesquisas já mostraram que as criptomoedas possuem pouca correlação com outros ativos, como ações ou moedas. Assim, é possível aumentar o retorno de seu portfólio e ainda diminuir os riscos gerais. Claro, o investidor deve ter cuidado com quanto de seu patrimônio colocar em criptomoedas. No Mercado Bitcoin, não recomendamos mais que 10%.

Além disso, o bitcoin é seguro por conta da blockchain, tecnologia por trás das criptomoedas, sendo imutável e permanente. Quando fazemos uma transação com bitcoins, ela é reunida a outras, em um bloco. Esses blocos geram equações matemáticas complexas, que devem ser validadas pelos mineradores. A única forma de resolver essas equações é com grande poder computacional, o que gasta muita energia. Quando conseguem adicionar um bloco, eles ganham novos bitcoins como recompensa.

A questão é, como os blocos são verificados por todos na rede, não adianta um minerador tentar incluir um bloco com transações inválidas. Ele será recusado. E o minerador terá gastado energia para nada.

HSM: Existem inúmeras criptomoedas no mercado hoje em dia. Podemos dizer que houve grande “boom” com o bitcoin no final do ano passado. Por que somente o bitcoin se tornou tão conhecido?

R: O bitcoin é a primeira criptomoeda, então é natural que seja o mais conhecido. Claro, outros fatores contribuem para isso. O conceito de bitcoin surgiu em um fórum de criptografia em 2008, e ninguém sabe ao certo quem escreveu o artigo com essas ideias. Tudo o que sabemos é um de seus nomes online — Satoshi Nakamoto. Esse tipo de mistério mexe com o imaginário das pessoas e contribui para a popularidade da moeda.

Além disso, a comunidade de bitcoin existe há mais tempo, considerando desenvolvedores e entusiastas. Eles começaram a se comunicar falando de bitcoin. Então, dentro do meio, as falas sobre bitcoin tendem a ser mais comuns.

HSM: Você acredita que a popularização das criptomoedas criará, ou já está criando, uma nova economia?

R: Com certeza, mas não gosto de chamar as possibilidades dadas pelas criptomoedas de nova economia. Não se trata de um novo ramo da Economia, e sim uma evolução de alguns conceitos básicos. Quando a internet surgiu, muitos também falaram de uma nova economia, mas o que realmente mudou? Fundamentalmente, as interações permanecem as mesmas. Só que agora, para comprar um livro, além dos comentários de nossos amigos, levamos em consideração os comentários de um estranho na Amazon.

Dito isso, as criptomoedas podem, sim, mudar algumas interações sociais. Talvez o conceito de identidade física, expresso em um documento em papel, se torne obsoleto. Como blockchain é permanente e imutável, pode ser a solução ideal para identidades no mundo. O Banco Mundial estima que mais de um bilhão de pessoas não têm formas de atestar sua identidade. Além disso, pense em refugiados que não conseguem comprovar a própria identidade. Isso os exclui de atividades sobre as quais nem pensamos, como ter uma conta bancária ou dirigir. Blockchain pode resolver esse problema de maneira rápida e barata.

Assim, essa tecnologia pode mudar muitos dos processos atuais, mas a maneira fundamental pela qual fazemos as coisas permanecerá mais ou menos a mesma.