fbpx
Tempo de leitura: 2 minutos

Determinar nosso valor a partir de como os outros nos enxergam sempre foi, na maioria das pessoas, uma grande causa de aflição. Nos dias de hoje, é possível traçar um paralelo com pessoas que passam a determinar seu valor a partir do desempenho no trabalho. Sentindo-se bem quando o dia é produtivo e ficando mal quando não é. A sensação pode ser perturbadora e causar até mesmo crises de ansiedade e depressão, mas é possível aprender a tratar dessas questões de forma mais leve e saudável.

Não me entenda mal: questionar-se se o dia foi produtivo, se os resultados desejados foram alcançados e se o checklist está preenchido é necessário para atingir um alto nível de produtividade. Isso se torna um problema quando passamos a determinar nosso valor como pessoa a partir da nossa produtividade ou dos resultados. Aquela sensação de se sentir inferior ou descartável quando as expectativas não são alcançadas não é necessária nem saudável.

Normalmente, isso acontece quando nos vemos totalmente imersos no trabalho, ou em qualquer outra coisa, trazendo a sensação de que a atividade nos define como pessoas e determina nosso valor. Estar completamente mergulhado em algo, deixando de lado qualquer outra coisa, provoca uma espécie de simbiose. Como se aquilo em que estamos dando nosso máximo e nós mesmos fossemos uma coisa só. Desnecessário ressaltar o quanto isso pode ser perigoso para nossa saúde e bem-estar.

Preocupar-se é importante, a pressão é necessária para a performance atingir o máximo, mas, em excesso, ela se torna pânico e paralisa. Importar-se com os resultados é uma coisa. Achar que somos pessoas menos competentes por causa deles, é outra.

Falando dessa forma pode parecer que sou imune a isso, mas essa percepção não poderia ser mais distante da realidade. Lutei com essa questão por anos e, para ser sincero, ainda preciso me policiar bastante para não cair nessa armadilha. Em conversa com um amigo e mentor, um empreendedor que é uma grande inspiração para mim, ouvi que deveria colocar mais leveza na forma como desempenho minhas funções. Ele disse para enxergar a empresa como um esporte. Tenho que dar o meu melhor todos os dias, mas o mundo não acaba se eu perder o jogo.

Quando um grande jogador perde uma disputa ou o campeonato, ele fica chateado, claro, mas sabe que pode transformar essa derrota em motivação para treinar mais forte e ganhar no próximo jogo ou, quem sabe, na próxima temporada. Uma outra analogia que ele me trouxe nessa conversa foi “Se o cardiologista estiver sentindo a dor do infarto no momento da cirurgia, ele não vai conseguir operar o coração do enfermo”. Não sentir do paciente não significa que o médico não se importa.

O segredo para começar a se dissociar desses sentimentos que tentam tomar sua vida e diminuir seu valor como ser humano é abrir novas frentes, ter outras pequenas conquistas no dia a dia. Desde olhar no olho e estar realmente presente para uma pessoa querida, ao invés de escutar artificialmente por estar com a cabeça no trabalho, até a criação de um hábito diário de aprendizado ou a prática de um esporte.

O exercício de aprender um pouco nos pequenos momentos, além de contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional, traz pequenas vitórias mensuráveis para o seu cotidiano. Ouvir um podcast na fila do banco, ler algumas páginas de um livro divertido, assistir a um vídeo depois do almoço ou escutar um microbook na ida para o trabalho já podem melhorar seu dia.

Quando você diversifica a atenção e cria pequenas conquistas em outras áreas da vida, fica mais fácil perceber que sua existência não se resume ao trabalho. Que você tem muitas facetas, como todo ser humano. E que, por si só, já é repleto de essência, aptidões e qualidades. Na complexidade da vida humana, é fundamental lembrar de dar amor para o trabalho, mas antes disso para outras pessoas e, em primeiro lugar, para nós mesmos.

Receba novidades por e-mail.