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A Google já domina a pesquisa na web, os navegadores, os anúncios, o sistema operacional de smartphones e agora parece que chegou para dominar um outro mercado: o de games. Há cerca de um mês, a empresa anunciou seu novo produto, o Google Stadia, uma plataforma de streaming de jogos eletrônicos.

Mas o que essa gigante de tecnologia – que já tem dominância garantida em vários setores do mercado digital – quer ao se arriscar neste novo universo e como isso poderá afetar a indústria nos próximos anos?

No Brasil, o mercado de games ocupa o 3º lugar mundial em número de jogadores, ultrapassando o número de 60 milhões de pessoas, movimentando cerca de US$ 1,3 bilhão. Até 2022, estima-se que os jogos por celulares gerem aproximadamente US$ 878 milhões de receita, os de PCs, US$ 534 milhões, e os consoles serão responsáveis por US$ 269 milhões.

Apesar de ter sido anunciado que o Google Stadia será lançado neste ano apenas nos países da América do Norte e da Europa, os brasileiros já demonstram grande interesse e curiosidade em testar a plataforma.

Benefícios e Diferenciais

Talvez um dos grandes diferenciais do Stadia seja a versatilidade de poder jogar de qualquer tela. A plataforma combina uma boa infraestrutura e uma conexão com a internet razoável que faz com que o uso de PCs ou consoles se tornem obsoletos.

O Stadia vai funcionar em desktops, laptops, smartphones, tablets, e até na sua TV, via Chromecast. Além disso, também será viável alternar entre dispositivos, caso inicie um jogo no seu televisor e deseje continuar mais tarde em seu smartphone.

Integração com YouTube e Google Assistente
Outra vantagem interessante do Google Stadia é a sua integração com o YouTube, uma das maiores plataformas de vídeos online do mundo, que é movida por vídeos de jogos. Essa integração pode dar ainda mais relevância para esse nicho dentro do YouTube e, ainda, tornará possível que um usuário que esteja assistindo a um vídeo sobre determinado jogo, possa acessá-lo pelo próprio YouTube, facilitando ainda mais o seu acesso.

Além disso, de acordo com a Google, os usuários do Stadia poderão pedir ajuda ao Google Assistente em um ponto difícil durante um videogame. O Assistente do Google detectará automaticamente onde o jogador está no jogo e exibirá o vídeo mais relevante do YouTube para ajudá-lo.

Uso da banda larga e a internet no Brasil

A acessibilidade, sem dúvida, é a maior promessa e o maior benefício que o Google Stadia pode oferecer para seus gamers. Entretanto, para garantir um serviço de qualidade e poder jogar de qualquer lugar e em qualquer dispositivo é preciso ter uma boa estrutura de banda larga.

A internet de alta velocidade melhorou bastante nos últimos anos, porém, é preciso levar em consideração que, ainda hoje, nem todo mundo tem acesso a uma banda larga de qualidade, o que pode dificultar o acesso para algumas pessoas de determinados países, como o Brasil, por exemplo.

De acordo com a Google, sua plataforma utiliza 25 Mbps da internet. No entanto, de acordo com um relatório feito em 2018, por uma empresa britânica, a velocidade média global de banda larga está entre 9,10 Mbps. No Brasil, a média é de 18,5 Mbps, o que deixa o país em 71º lugar no mundo quando o assunto é velocidade da internet.

Todos esses dados podem não ser relevantes para a Google, atualmente, pois o Stadia será lançado apenas nos EUA, Canadá, Reino Unido e Europa, onde a média de todos esses países está na faixa de 20 a 25 Mbps, de acordo com o mesmo relatório, o que provavelmente não irá impactar no desempenho dos jogos.

Ainda assim, se a empresa tem como objetivo conquistar outros mercados, e o Brasil estiver entre eles, a velocidade média da internet deve ser levada em consideração.

Concorrência e desafios

A Microsoft e a Amazon já anunciaram que também terão suas próprias plataformas de streaming de games. Em um encontro de jornalistas, no começo deste ano, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, deu detalhes sobre o Projeto xCloud, que tem o mesmo objetivo do Google Stadia. Mas parece que o grande diferencial da marca será o uso da banda larga. Com o intuito de alcançar um público ainda mais amplo, a ideia é que o xCloud funcione a 10mbps, o que o torna mais acessível do que o Google Stadia.

Outro ponto que tem sido especulado, além das previsões de que essas novas plataformas poderão acabar com os consoles ou jogos de PC no futuro, é de como funcionará a assinatura e que jogos serão compatíveis com o serviço. Afinal, a maioria dos jogos feitos para PC não são compatíveis com o Google Stadia.

Ao mesmo tempo, a Google já anunciou que está construindo um estúdio para produzir jogos originais. Isso significa que haverá alguns jogos exclusivos da plataforma, intensificando assim a demanda por ofertas de conteúdo e distribuição. Esta é uma boa notícia para os editores e desenvolvedores, pois provavelmente mais conteúdo será produzido, movimentando ainda mais esse mercado. Tanto a Google, quanto a Microsoft e a Amazon estão prontas para investir pesadamente a fim de garantir catálogos cada vez mais atraentes e atrair mais usuários.

O futuro dos games ainda é uma estrada nebulosa, mas não se pode negar que essa nova plataforma ainda irá gerar muitas novas ideias, incentivando essa indústria a inovar e ser mais ousada.

Natália Fazenda
Área de Conteúdo da HSM

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