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Hoje conhecido pelas casas noturnas e restaurantes e por seu protagonismo em levantar locais de São Paulo antes degradados, o argentino radicado no Brasil Facundo Guerra é formado em engenharia de alimentos, tornou-se gerente da AOL aos 20 e poucos anos, fez mestrado e doutorado em ciência política e, aos 30 anos, se viu desempregado e com uma trajetória tão errática que mal conseguia rascunhar um currículo. “Me vi sem emprego aos 30 anos, não era mais engenheiro, não era jornalista. Não era nada”, contou ao se apresentar à plateia do Fórum de Liderança e Alta Performance, realizado pela HSM nos dias 17 e 18 de maio.

Abstêmio e sem qualquer relação com a noite, ele resolveu empreender e começou abrindo o Vegas, casa noturna que marcou o início da recuperação da região central da rua Augusta, hoje conhecida como Baixo Augusta. Hoje, tem quase dez empreendimentos e outros oito projetos em andamento, sempre com equipes muito enxutas.

Em sua apresentação, ele falou sobre o novo perfil de empreendedores que vem surgindo, em função das mudanças radicais por que passa o capitalismo. “O capitalismo atual é autoral, transestético. Conheço várias pessoas que estão abandonando a frente de grandes corporações para ser barista. São os pós-luditas, pessoas que, como eu, passavam a maior parte do tempo em callsque não levavam a nada, tentando proteger o próprio cargo e ascender, mas sem realmente investir no produto ou no cliente.”

Provocador, Guerra afirmou: “A corporação é uma corte, onde o CEO é rei. Se tirarmos a energia gasta dentro da corporação voltada para as aparências, o ganho de efetividade será tremendo”.

Hoje ele tem mais de 400 colaboradores e construiu um grupo totalmente sem hierarquias, onde o garçom pode tomar decisões financeiras em um momento de pressão e ele recolhe o lixo quando necessário. “Não sou comunista, mas para mim o lucro é secundário. E garanto que a satisfação é muito maior. O que faço hoje é entregar uma visão ética, estética – estou me expressando em visão de mundo, de uma forma que transcende o dinheiro. Impactar a sua indústria é tão ou mais importante do que galgar posições.”

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