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Há mais de 20 anos no Brasil o conceito de inovação como alavanca para o desenvolvimento econômico e social vem se intensificando. E, certamente, as dificuldades enfrentadas pelo nosso país neste momento de pandemia, coloca mais uma vez o foco na importância que os investimentos em inovação tem no enfrentamento da crise de saúde e econômica que assistimos e o quanto devem ser prioridade para o país retomar seu crescimento sustentável. É também neste momento que no Brasil é registrada a queda no consumo de famílias em torno de 2%, gerando uma queda de 1,5% do PIB somente no primeiro trimestre de 2020, segundo o IBGE. O numero de desempregados chegando a quase 13 Milhões de brasileiros.

Como um dos grandes teóricos e arquiteto das teorias de inovação que nos inspiram, o Professor Clayton Christensen, em seu último livro, em co-autoria com Karen Dillon e Efosa Ojomo, “O Paradoxo da Prosperidade: Como a Inovação é Capaz de Tirar Nações da Pobreza” destacou o poder que a inovação pode ter ao criar um ciclo virtuoso com a geração de crescimento e prosperidade. Entretanto, a chave para que isso aconteça não está simplesmente na correlação existente entre inovação e crescimento, mas sim no que causa este crescimento. A primeira indicação é que geralmente categorizamos as inovações da mesma forma, sendo que diferentes tipos de inovação podem impactar economias diferentemente. É importante avaliar três fatores: o tipo, a escala e o impacto que as inovações geradas por empresas ou empreendedores podem influenciar a economia de forma mais ampla. Conhecer essas diferenças poder ser a chave para entendermos que tipo de inovação pode nos levar a um real desenvolvimento econômico sustentável.

Os vários tipos de inovação e seu impacto – Um primeiro tipo de inovação seriam as Inovações de Sustentação, as quais trazem aprimoramentos a soluções já existentes no mercado e que tipicamente focam em consumidores que buscam uma melhor performance de um produto ou serviço. Por sua vez, Inovações de Eficiência, como o nome indica, permitem que as empresas façam mais com menos recursos. Normalmente, as inovações de eficiência são inovações de processo — elas se concentram em como o produto é fabricado. Não se pode deixar de salientar que nem as Inovações de Eficiência nem as de Sustentação são inerentemente ruins para um país. Na verdade, elas são boas para as nossas economias, mas desempenham papéis muito diferentes na promoção do crescimento econômico sustentável e na criação de empregos. Isso é o resultado de um tipo completamente diferente: as Inovações Criadoras de Mercado (MCIs – Market-Creating Innovations).

As Inovações Criadoras de Mercado ou MCIs fazem exatamente o que o nome indica — elas criam novos mercados. Porém não são apenas quaisquer novos mercados, mas do tipo que atendem pessoas para as quais não havia produtos, ou os produtos existentes eram caros demais ou inacessíveis por uma série de razões. Empreendedores ou empresas que visam o “não-consumo” têm o potencial de desenvolver negócios que podem criar uma enorme riqueza para seus acionistas e também podem ter impactos transformadores no desenvolvimento. Em 1998, Mo Ibrahim decidiu abrir uma empresa de telecomunicações sem fio no Malawi, Zâmbia, Serra Leoa e Congo, alguns dos países mais pobres do mundo. Sete anos depois, e depois de construir um modelo de negócios direcionado ao não-consumo, o mercado de telecomunicações na África hoje adiciona mais de US$150 bilhões à economia africana anualmente. Com a expectativa de promover a criação de 4,5 milhões de empregos, contribuir com US$20,5 bilhões em impostos e adicionar mais de US$214 bilhões em valor às economias africanas.

Cada tipo de inovação tem um papel a desempenhar em uma economia, seja o de criar ou manter mercados vibrantes. Porém as Inovações Criadoras de Mercado (MCIs) são especialmente poderosas, pois muitas vezes se direcionam a grandes segmentos da população ou mercado com uma solução que os ajuda a progredir frente a uma dificuldade. Pense assim: todo novo mercado de sucesso criado, independentemente do produto ou serviço vendido, tem três resultados distintos: lucros, empregos e o mais difícil de acompanhar, mas talvez o mais poderoso dos três, mudança cultural. Juntos, eles criam uma base sólida para o crescimento futuro.

No caso do Brasil se torna impossível não correlacionar a pandemia e suas crises geradas ao encolhimento do mercado consumidor ativo. Sendo assim, a alternativa para que a visão em que a inovação se torne realmente a alavanca de crescimento só será viável com a segmentação dos investimentos por empresas e empreendedores em inovações que possam alcançar este novo mercado não consumidor, como as Inovações Criadoras de Mercado, MCIs. Trazendo assim, não só o desenvolvimento econômico e social almejados há tanto tempo, como prosperidade para o nosso país.

Efosa Ojomo é escritor e pesquisador do Instituto Clayton Christensen de Inovação Disruptiva. Em novembro, o autor do livro “The Prosperity Paradox” estará na Expo 2020 para apresentar os princípios de sua pesquisa revolucionária ao público brasileiro. A programação completa pode ser visualizada no site da Expo.

Christimara Garcia é especialista em inovação, estando a frente de vários negócios no Brasil ligados a gestão da inovação e boas práticas de mercado. Juntamente com Efosa Ojomo, vem desenvolvendo uma nova iniciativa de como as Inovações Geradoras de Mercado (MCIs) podem ser incorporadas por empresas e empreendedores para a geração de novas oportunidades de negócios e desenvolvimento social e econômico.

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