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“Se eu pudesse dizer uma coisa para os donos de negócios, gostaria de incentivá-los a incentivar seus filhos não a seguir seus passos no negócio da família, e sim perseguirem sua paixão.” Este foi o conselho de David Bentall, professor canadense da University of British Columbia e consultor para empresas familiares, em entrevista para a PwC do Brasil, realizada em outubro do ano passado. Apesar de ter sentido na pele o poder da influência – assim que terminou a universidade, Bentall foi chamado por seu pai para trabalhar na incorporadora imobiliária de seu avô – o empresário não recomenda que as famílias ajam da mesma forma com as gerações seguintes.

De acordo com o empresário, membro da terceira geração de uma empresa familiar com mais de 70 anos, é normal que pais desejem que seus filhos ingressem nos negócios da família o quanto antes. Bentall considera este um impulso “nobre e adequado”, mas nem sempre sábio. Para ele, os pais mais inteligentes exigem que as novas gerações trabalhem em outras empresas – e até sejam promovidos durante esse processo – antes de entrarem para o negócio da família. O requisito pode parecer rigoroso, mas é necessário principalmente para um bom treinamento das novas gerações. Por quê?

Sabemos que a maioria das pessoas hoje pensa em treinar os mais jovens para se tornarem grandes líderes, presidentes e CEOs. Para Bentall, porém, o mais importante é treinar esses jovens para que sejam, antes de tudo, bons proprietários. Segundo ele, nem todos têm as habilidades necessárias para se tornarem líderes, mas todos têm a chance de serem bons proprietários do negócio. Ele considera prejudicial aos jovens que o incitemos a se tornarem grandes líderes logo de cara, e afirma que é importante que os novos membros comecem, na verdade, como bons seguidores.

Quando questionado por que as famílias tendem a evitar implantar mecanismos de resolução de conflitos, Bentall respondeu que acredita que as famílias simplesmente não acham que precisam desses mecanismos. Segundo ele, ninguém gosta de falar sobre seus problemas, e talvez por isso as famílias prefiram varrê-los para debaixo do tapete ao invés de solucioná-los.  Entretanto, é possível antecipar esses problemas. Para o empresário, as famílias mais sábias pensam em como resolver suas divergências antes que elas aconteçam. Uma forma de solucionar esses potenciais problemas é fazer acordos a respeito de situações que podem vir a acontecer, por exemplo.

É normal que pais e filhos tenham opiniões divergentes devido às diferenças na transição de gerações. Por isso, Bentall sugere que as famílias tenham um conselho diretor com membros independentes que ajudem as gerações a se comunicarem melhor. Além disso, as famílias resistem à ideia de tomarem decisões juntas por não gostarem da formalidade que isso traz, mas, para ele, é importante ensiná-las a tomar decisões em conjunto por meio de discussões, e não por meio de votação. Ninguém deve ser deixado para trás ou excluído das decisões, afirma, pois isso pode causar problemas futuros. Citando o clássico de Alexandre Dumas, Bentall lembra o lema dos Três Mosqueteiros: “Um por todos e todos por um”, sugerindo que o consenso seja sempre a prioridade nos negócios familiares.

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