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“O caminho para encontrar a sua própria significância é, ativamente, reconhecer a significância do outro.”
Les Carter, O princípio da
significância.

Entre tantos autores que abordam os temas influência e relacionamento interpessoal, eu literalmente me apaixonei pelo livro de Les Giblin How to Have Confidence and Power in Dealing With People [Como ter segurança e poder nas relações com as pessoas], que li pela primeira vez em 2001. Na ocasião, ele não me causou tanto impacto, de alguma forma eu não tinha consciência da necessidade daquele aprendizado. Hoje, percebo que não estava preparado para aquele texto.

Para escrever meu livro Influência na carreira — Desperte o protagonista que há em você, a obra de Les Giblin foi a que mais me inspirou, pois nela é apresentada a fórmula do “Tríplice A” para atrair pessoas. Com base nisso, acrescentei dois “As”, ampliando para cinco os desafios dos relacionamentos interpessoais. Vamos a eles.

Desafio 1: Abertura

O primeiro desafio é a abertura, ou seja, a coragem de tornar-se vulnerável. Antes de decidir-se por implementar essa prática, é necessário responder às seguintes questões:

• Quanto estamos abertos a novos relacionamentos?
• Quanto estamos abertos a mudar nossa postura com os relacionamentos existentes?
• Quanto estamos abertos a nos conectar com pessoas diferentes de nós?

O fato é que a construção de um relacionamento pressupõe uma postura ativa, isto é, considera que devemos dar o primeiro passo: o passo da confiança.

O passo da confiança torna-nos vulneráveis. O lado positivo é que humanizamos as relações, indo além dos papéis e abrimo-nos como gente, gente de verdade. A nossa autenticidade revela-se e ficamos mais leves e desarmados. Isso gera conexão. O sentimento que bloqueia esse passo, principalmente no ambiente corporativo, é o medo. O medo de ser visto como fraco ou ingênuo.

Engana-se quem pensa assim. A vulnerabilidade tem poder e ser vulnerável não significa permitir que abusem de nós. Precisamos alcançar a essência das pessoas, potencializando o melhor delas. Porém a maioria está condicionada por conversas pouco significativas, alegando falta de tempo, quando, no fundo, estão com os valores e prioridades distorcidos pela pressão de resultados. Como abrir a caixa-preta do outro para que ele se revele? Abrindo a nossa primeiro.

Tenho duas recomendações para quem quer entender o poder que a vulnerabilidade proporciona para nos conectarmos com as pessoas. Assista à palestra “O poder da vulnerabilidade”, ministrada por Brené Brown no TED, e depois leia seu livro sobre o mesmo assunto, publicado no Brasil com o título A coragem de ser imperfeito.

Desafio 2: Atenção

Estarmos abertos ao outro é o primeiro passo de confiança para gerar conexão. Contudo, se não dermos a devida atenção, poderemos quebrar o elo que nos aproxima. Atenção consciente é a melhor maneira de respeitar os sentimentos e a presença do próximo. Uma vida apressada e com preocupação excessiva com nossos problemas nos separa do que está acontecendo ao nosso redor: não percebemos nós mesmos e muito menos os outros no ambiente, entramos todos numa espécie de comportamento automático.

A atenção não deve estar focada somente no outro, mas também em nós próprios para identificar o que estamos sentindo, de maneira que possamos decidir conscientemente sobre como reagir, quando ouvir, o que perguntar e como escolher as palavras certas para demonstrar que estamos inteiros com o outro durante o processo de conversação.

Desafio 3: Aceitação

Fiz questão de iniciar este artigo com essa ideia simples e poderosa de Les Carter, extraída de seu livro O princípio da significância. Carter afirma que buscar significância é uma necessidade básica do ser humano. Ele acredita que cada pessoa vive com um desejo inato de ser alguém significativo. Toda disfunção emocional, segundo ele — como depressão, ira e impaciência —, é apenas uma maneira por meio da qual as pessoas expressam a necessidade por significância.

Aceitar o outro não significa concordar com ele, mas sim tentar compreender a origem de seu comportamento para saber como lidar com a pessoa. Em verdade, todos nós queremos ser aceitos tal como somos. Queremos ser nós mesmos e relaxar na presença do outro, sem culpa. No ambiente corporativo, somos forçados a representar determinados papéis, e essa atitude gradativamente nos afasta de nós mesmos. Moldamos nosso comportamento para sermos aceitos pelos colegas de trabalho, pelo chefe, pelo cliente. Isso, de alguma forma, causa dor. Temos de evitar ser juiz do comportamento das pessoas, com normas rígidas de como os outros deveriam ser e agir segundo o nosso conceito. Temos de aprender a acolher sem necessariamente concordar.

Desafio 4: Aprovação

O quarto desafio representa outro desejo do ser humano: o de ter aprovação.
A aprovação vai um pouco além da aceitação. Comparando as duas, é possível descobrir que a aceitação é principalmente negativa. Aceita-se a outra pessoa com suas falhas e defeitos e, não obstante, lhe concedemos nosso companheirismo. A aprovação, porém, significa algo mais positivo. Ela vai além do que simplesmente tolerar os “erros” do outro e encontrar algo a mais que possa nos agradar.

A aprovação é um reforço positivo por algum comportamento. Esse reforço nos alegra e impulsiona a repeti-lo ou a tentar desenvolver outras características para conseguirmos mais aprovação, para sentirmos novamente aquela sensação agradável.

Desafio 5: Apreciação

O quinto desafio retrata outra de nossas aspirações, a de sermos apreciados. Apreciar significa ascender em valor. Quando apreciamos alguém, tornamos esse alguém mais valioso e propenso ao êxito.
Precisamos tratar as pessoas com singularidade, demonstrar que estamos nos conectando com ela de forma específica, apreciando os valores únicos que ela representa. Quando empacotamos as pessoas, agimos de maneira oposta: nós as depreciamos. Uma maneira simples de demonstrar apreciação é chamar a pessoa pelo nome e fazer um elogio específico, que quase ninguém tenha notado e, se notou, não disse à pessoa.

Gianini Ferreira Consultor HSM, escritor, autor do livro Influência na carreira, palestrante, coach e professor na FIA. É certificado pelo Barrett Values Centre.

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