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Mark Zuckerberg foi o primeiro entre os C-levels de big techs a anunciar o home office como parte da política de segurança durante a pandemia do Coronavírus, seguido pela Microsoft e Amazon. Dois meses depois, em maio, o CEO do Facebook declarou em uma live que os 48 mil funcionários da empresa seguirão em regime de trabalho remoto até o fim de 2020 e que os mais experientes permanecerão trabalhando à distância mesmo após o fase de distanciamento social. Segundo ele, em um prazo de 5 a 10 anos, metade dos funcionários trabalhará de casa.

Em entrevista ao The Verge, Zuckerberg afirma que essas projeções levam em consideração todo o investimento em tecnologias e soluções de presença remota que contribuem com a comunicação à distância, como o Portal e o Workplace.

A decisão marca uma mudança monumental na cultura de uma das empresas mais importantes do mundo. Não por acaso, companhias do mundo inteiro adotaram a transformação. Amazon, por exemplo, anunciou que manterá o home office até outubro – exceto para as equipes dos centros de distribuição. Google, através de seu CEO, Sundar Pichai, disse aos funcionários em uma reunião geral da empresa que provavelmente trabalharão remotamente pelo resto de 2020.

Jack Dorsey, CEO do Twitter, enviou um e-mail a seus 5 mil funcionários dizendo que os mesmos podem adotar o trabalho à distância para sempre, se desejarem. “Se nossos funcionários estiverem em uma função e situação que lhes permita trabalhar em casa e quiserem continuar fazendo isso para sempre, faremos isso acontecer”, disse um porta-voz da rede social em comunicado ao The Verge. “Caso contrário, nossos escritórios (que reabrirão em setembro) serão calorosos e acolhedores, com algumas precauções adicionais, quando acharmos que é seguro voltar”.

Diferentemente dessas empresas, a Apple já iniciou a retomada gradual das atividades. Em abril, o CEO da empresa, Tim Cook, já havia compartilhado com os funcionários o plano de retomada gradual. A volta aos escritório decorre principalmente do grande número de funcionários que trabalham com hardwares. Por isso a necessidade da presença física é mais requerida.

No Brasil, a Nubank teve o home office liberado pela CPO, Renee Mauldin, até dezembro de 2020. “Estou aqui para anunciar que continuaremos a trabalhar remotamente até o fim de 2020. Ainda que seja possível que abramos nossos escritórios antes, não exigiremos que os ‘Nubankers’ compareçam às nossas dependências antes do fim do ano”, declarou Mauldin aos quase 3 mil funcionários.

A XP, outra brasileira do setor financeiro, também anunciou a adoção do trabalho remoto aos seus 2.700 funcionários até dezembro, com a possibilidade de implementá-lo de maneira permanente. A medida foi pautada em uma pesquisa interna que indicava que 95% dos funcionários gostariam de manter o home office por pelo menos um dia da semana e 60% entre três e quatro dias.

“Aprendemos muito nos últimos dois meses e vimos nossas equipes se unirem de suas casas para manter a empresa avançando de forma nunca vista. Além disso, o fato de estarem mais próximos da família nesse momento tão difícil faz com que todos se sintam mais motivados”, declarou, em nota, o sócio e responsável pela área de gente e gestão da XP, Guilherme Sant’Anna.

O que muda? – A revista Exame publicou estudo da consultoria Cushman & Wakefield que ouviu 122 executivos de multinacionais que atuam no país. Segundo a publicação, 73,8% das empresas pretendem instituir o home office como prática definitiva. Antes da pandemia, 42% das empresas nunca tinham adotado a prática e 23% descartavam a possibilidade.

Ao que parece, o novo normal implica na reconsideração dos hábitos pré-pandemia, como o extenso deslocamento diário nas grandes cidades. O distanciamento social trouxe consigo a possibilidade de trabalho remoto e isso apresentou às empresas um cenário de economia inesperada, com redução de gastos com aluguel, energia, água, limpeza e outros itens.

Isso faz com que as empresas passem a cogitar transformar seus espaços físicos em um local de reuniões e treinamento, não mais um ambiente para expediente de trabalho. Em meio à indefinição do que será a nova realidade do mundo corporativo após o coronavírus, há a certeza de que o propósito dos escritórios e prédios corporativos já não será o mesmo de 4 meses atrás.

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