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Há pouco mais de dez anos, poucas pessoas concentravam muito poder. A informação era disseminada pelas mídias convencionais, o que criava sociedades com pouco senso crítico e que acreditavam bastante no que era transmitido na TV.

As mídias tinham alto poder de influência, além de promoverem personalidades que mantinham grande distância do público e eram tratadas como deuses e donas da verdade. Nas empresas, o comportamento entre líderes e equipes também era diferente do atual. Estar numa posição de liderança era quase como dizer que o gerente era o único na organização que tinha as respostas certas para tudo. Além disso, a maioria deles gostava de manter uma imagem de pessoa distante e temida.

Esse “velho poder”, geralmente detido por uma pessoa e caracterizado como fechado e inacessível, caiu em desuso graças às transformações digitais que impactaram o mundo nos últimos cinco anos. A internet e as redes sociais democratizaram a informação, quebraram barreiras sociais e geográficas, estabeleceram novos mindsets e modelos de negócio. Pessoas de todos os lugares se juntam em movimentos com o mesmo objetivo, e tal comportamento deu lugar ao “novo poder”.

As ferramentas tecnológicas desenvolveram um mundo hiperconectado, onde se geram inúmeras mudanças e benefícios em prol da coletividade. Não é de hoje que muitos estudiosos apontam que resolver problemas em grupo, muitas vezes, traz melhores resultados que solucioná-los individualmente. Agora imagine o impacto de ter a oportunidade de se unir a pessoas de qualquer parte do mundo para solucionar problemas de grande impacto.

Isso tudo só é possível graças às mudanças de comportamento da sociedade provocadas pela internet. Um dos exemplos atuais é o caso do produtor de cinema Harvey Weinstein.

Ele era a verdadeira imagem do “velho poder”, centralizador e inacessível. Em Hollywood, Harvey podia alavancar ou acabar com a carreira de qualquer profissional. Seus filmes eram aclamados pelos críticos de cinema e tiveram mais de 300 indicações ao Oscar.

Todo esse poder concentrado nele fez com que por anos os casos de estupro e assédio sexual em que Harvey se envolvia fossem parar debaixo do tapete. Comprando o sigilo de muitas vítimas e tendo a seu lado uma indústria milionária que o protegia, ele continuou sendo admirado pelo universo cinematográfico.

Em 2017, mulheres se juntaram em um movimento que começou no twitter com a hashtag #MeToo. A ideia era criar empatia entre as vítimas de assédio e passou a ganhar força na rede social após a acusação da atriz Ashley Judd, uma das vítimas de Weinstein.

Usando essa hashtag, várias outras mulheres contaram o que tinham sofrido na mão do produtor. Entretanto, o movimento que abalou as estruturas de Hollywood ainda foi além e ajudou a disseminar pelo mundo o combate ao assédio sexual. O impacto foi tão forte, que, em apenas 24 horas, 1 milhão de tweets foi feito com #MeToo.

O movimento deu voz e poder àquelas pessoas que por anos sofreram caladas: elas se julgavam sozinhas e que nunca seriam ouvidas. É essa descentralização de vozes que faz do “novo poder” um comportamento tão essencial nos dias de hoje, dando força ao coletivo.

Outro exemplo de comportamento coletivo impulsionado pelas redes sociais aconteceu no Brasil em 2013, com o movimento Passe Livre. Milhares de pessoas foram às ruas em manifestações contra o aumento da passagem de ônibus. A maioria dos atos era organizada por grupos na internet.

Isso nos deixa a impressão de que no futuro haverá bastante mobilização. Prosperarão os líderes e as organizações que forem capazes de canalizar a energia participativa dos que estão a seu redor.

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