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De acordo com o último levantamento da Associação Internacional de Gestão de Estresse (ISMABR, na sigla em inglês), a síndrome de burnout afeta até 30% dos profissionais brasileiros. No recorte mundial, outros estudos apontam que os millennials são o público que mais sofre com episódios de esgotamento mental. Uma pesquisa divulgada pela Yellow Brick Program, por exemplo, aponta que cerca de 90% dos profissionais dessa geração já passaram por algum tipo de burnout.

O relatório também apontou que 31% dos entrevistados sentem dores físicas causadas pela doença. Ansiedade, cansaço, palpitações, insônia e dificuldade de concentração foram alguns dos sintomas citados pelos entrevistados. Nenhum dos estudos aponta motivos diretos que relacionem o burnout à faixa etária dos millennials.

Mesmo sem dados concretos, alguns especialistas acreditam que o crescimento em uma época marcada pela disrupção e pela quebra de paradigmas influencia na formação de uma atitude mais otimista e idealista. Tais características tendem a aumentar as expectativas desses profissionais em relação a suas carreiras. O relatório The Millennial Mindset, realizado pela Deloitte, por exemplo, aponta que a realização e a felicidade no trabalho são metas essenciais para eles.

Um exemplo prático do choque entre sonho e realidade: a jornalista Anne Helen Petersen entrevistou millennials que sofreram algum tipo de burnout para o BuzzFeed News. Durante as conversas, ela descobriu que muitos deles buscavam os mesmos ícones de estabilidade financeira que seus pais já haviam conquistado quando tinham suas idades, como carros próprios e carreiras consolidadas. Existe um paradoxo, portanto, entre o que os millennials querem, o que recebem e o que idealizam. O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal parece ser uma prioridade inquestionável. Por outro lado, o sentimento de culpa por trabalhar – e receber – pouco está igualmente presente em suas rotinas.

Obviamente, as causas do burnout não podem ser simplificadas pela quebra de expectativas. O desgaste e a pressão resultantes de ambientes de trabalho tóxico também são fatores cruciais para a escalada da síndrome. A saúde mental está cada vez mais presente na pauta corporativa. Já existem diversos movimentos de gestão que valorizam modelos flexíveis, acolhedores e que valorizam a saúde mental dos colaboradores.

Mas, ao que parece, ainda há um longo caminho para atender os anseios de uma geração cada vez mais conectada e imediatista. Nesse novo cenário, o desafio é encontrar caminhos para que as próximas gerações de profissionais alcancem o equilíbrio entre saúde, felicidade e produtividade.

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