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“Saí do meu último emprego porque eu e outras colegas do setor sofremos abuso da direção, foi sugerido ganhar uma bucha e detergente no Dia das Mulheres! No mesmo dia decidi procurar outro local para trabalhar. Não foi esse o motivo, mas foi o limite.” Comentário de uma profissional sobre o ambiente de trabalho, compartilhado no site HerForce.

O conceito de masculinidade que possuímos hoje é uma construção muito antiga e equivocada, com base na virilidade da figura masculina e forte tendência à desvalorização da mulher. Este conceito é reafirmado por valores como poder, dominância, força, ser ativo sexualmente e reprimir os sentimentos.

O resultado disso tudo já sabemos: homens emocionalmente restritos que não sabem acessar suas emoções ou aprenderam que lidar com os seus conflitos é inapropriado, causando neles e em quem estiver por perto, um misto de frustração e opressão.

Segundo o documentário “O silêncio dos Homens”, que discute esse assunto de forma brilhante, o índice de suicídio é quatro vezes maior entre os homens do que as mulheres.

A ideia distorcida de que tudo o que é másculo é mais valioso do que o que é feminino causa em muitos homens a sensação de superioridade, levando-os a diminuir, oprimir e agredir mulheres e homossexuais. Todo esse conjunto de crenças, que adquirimos desde a infância, afeta a maneira como interagimos no dia-a-dia.

Como exemplo recente disso, tivemos o caso de machismo protagonizado pelo presidente brasileiro sobre como a aparência física da primeira dama francesa, Brigitte Macron, supostamente afetava o julgamento do presidente francês com relação aos ideais políticos de Bolsonaro.

O episódio ganhou o mundo com a hashtag #desculpabrigitte e por consequência, Brigitte agradeceu ao povo brasileiro, em especial às mulheres, por todo o apoio recebido. Na esfera corporativa, o machismo pode custar caro, literalmente muito caro.

Segundo o Ministério do Trabalho, a cada hora, um caso de assédio sexual é levado à Justiça no Brasil. Em um processo trabalhista, o réu é sempre a empresa, nunca a pessoa física do assediador. No entendimento da Justiça, as empresas são responsáveis por manter o ambiente de trabalho saudável, seguro e livre de qualquer violência à intimidade.

É bastante comum o juiz ressaltar, durante as sentenças indenizatórias, que a empresa “acobertou” o assédio ou “nada fez para impedi-lo”. Portanto, o assédio sexual no ambiente de trabalho, além de causar danos incalculáveis para a vida da vítima, também acarreta danos para a reputação e cofres da empresa. Neste último caso, o desfalque pode chegar a R$ 280 mil, dependendo da gravidade do caso.

Um caso internacional que podemos citar é o caso da Uber Technologies, aplicativo de transporte compartilhado. Segundo a Bloomberg, a empresa de tecnologia foi condenada a pagar US$ 1,9 mi em indenizações para um total de 56 vítimas de assédio sexual e moral. Além disso, em outro processo coletivo de discriminação salarial, foi decretado que a empresa pagasse para aproximadamente 500 mulheres e pessoas pertencentes a minorias, por volta de US$ 11.000 para cada vítima.

Nestes novos tempos, as pessoas estão começando a compreender que este tipo de visão de desigualdade entre gêneros não é normal e não é algo a ser tolerado. Segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT), as mulheres lideram a taxa de desemprego, trabalham mais horas que os homens e apenas 48% delas possuem trabalhos formais, contra 72% dos homens.

A igualdade de gênero tem o potencial de gerar US$ 2 trilhões para a economia da América Latina até 2025, o que representaria um salto de 34% no PIB latino-americano. Com isso, podemos concluir que a desconstrução de valores tóxicos e antigos sobre a masculinidade é uma vitória para os homens, mulheres, sociedade e economia.

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