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Criptomoedas, blockchain, fintechs, cibersegurança e economia exponencial. O Exponential Finance Brazil foi pautado pelas discussões sobre as novas tecnologias e as startups que estão revolucionando o setor financeiro – e os desafios de equilibrar essas inovações com as demandas de mercado. Realizado pela Singularity University Brazil, o evento aconteceu entre os dias 10 e 11 de setembro, em São Paulo.

Responsável pela organização dos Global Summits da SU, o americano Will Weisman abriu a programação apresentando um panorama geral sobre o poder do pensamento exponencial. Em sua visão, “é possível perceber melhor o futuro ao estudar a linha de crescimento exponencial”, afirmou.

Ao analisar o mercado financeiro atual, Weisman ressaltou que há 2,7 bilhões de pessoas no mundo que não têm acesso a serviços financeiros. “Trata-se de uma oportunidade incrível para criar novos modelos de negócios que possam mudar esse cenário”, afirmou.

Os desdobramentos do pensamento exponencial na economia, por sua vez, foram abordados por Amin Toufani, chairman de finanças e economia da SU. Especialista em projeções do impacto tecnológico em diversos setores da sociedade, Toufani destacou que “o futuro da indústria bancária é sem dinheiro, sem papel, totalmente direcionado por IA e sem bancos físicos”.

Blockchain: da teoria à prática
“Quem aqui pode me emprestar 10 mil euros neste exato momento?” Com essa frase, a canadense Anne Connely, Faculty da Singularity University, abriu a sessão dedicada ao blockchain e às criptomoedas. Considerada uma das principais especialistas em blockchain da atualidade, Connely ressaltou o papel da confiança na curva de adesão de novas tecnologias.

Entre as soluções que já estão impactando a vida dos consumidores, ela destacou que a consolidação de um mercado onde tudo gira em torno da descentralização – e que esse fator vai muito além das criptomoedas. “Em muitos países muçulmanos, uma mulher não consegue tirar um passaporte se não tiver autorização de um homem. O blockchain tem potencial para mudar essa realidade”, afirmou.

Os benefícios da descentralização também foram ressaltados por Luiz Antônio Sacco, diretor regional da Ripple. Com mais de três décadas de experiência no mercado financeiro, Luiz apontou os fatores necessários para a consolidação global da tecnologia: fluxo de informação aberto, produtos eficientes e circulação segura e rápida de dinheiro.

As aplicações para o mercado de seguros, por sua vez, foram apresentadas em um painel que reuniu Rodrigo Ventura, CEO e cofundador da 88 Insurtech e Marcelo Biasoli, diretor de inteligência de negócios e marketing da SURA, com moderação de Sérgio Biagini, líder da área de serviços financeiros da Delloite. “Apenas 4% dos seguros são comercializados por canais digitais. Estamos diante de um oceano azul”, afirmou Ventura, da 88.

Fintechs, bancos e investidores: como viver juntos
A relação entre fintechs e grandes corporações foram debatidas em um painel que contou com a presença de Fábio Zveibil da Creditas, Jefferson Honorato, do Next, e Bernardo Carneiro, da Stone – esta última, uma das mais notórias integrantes da última leva de unicórnios brasileira. A conversa foi moderada por Adriana Salles Gomes, Diretora Editorial da revista HSM Management.

Passada a fase de enfrentamento (e estranhamento) inicial entre fintechs e grandes corporações do setor, os participantes apontaram a colaboração e a integração de novas tecnologias como um movimento inevitável. “Os nativos digitais nasceram em uma época de experiências 100% online. Eles querem ter uma experiência fluida, independentemente da plataforma com qual se relacionam”, afirmou Honorato.

Em seguida, Manoel Lemos, sócio do fundo Redpoint eventures, apresentou o cenário de investimento e o crescimento do ecossistema brasileiro de fintechs. Em sua visão, o cenário de novas tecnologias aplicadas ao universo financeiro continua como um dos mais atraentes para os investidores brasileiros.

Ética e segurança de dados na era digital
Os desafios de segurança e as responsabilidades de lidar com dados pessoais foram discutidos por Glauco Sampaio, diretor de Segurança da Informação da Cielo e Leandro Bissoli, sócio da PG Advogados, em um painel mediado pela jornalista Silvia Bassi, publisher da The Shift.

Sobre os frequentes vazamentos de informações armazenadas por grandes empresas, Silvia Bassi destacou a predominância (de 75%) de fraudes financeiras”.

Ao final do primeiro dia, Marc Goodman, Chair de Política, Lei e Ética da SingularityU e autor do best-seller Future Crimes, subiu ao palco para apresentar uma das palestras mais esperadas: O futuro dos crimes financeiros. Conhecido por apontar o lado obscuro de tecnologias de massa, Goodman apontou que “assim como as novas tecnologias, os crimes cibernéticos também crescem exponencialmente”.

Durante os anos de pesquisa nessa área, Goodman chegou a uma conclusão que ainda divide opiniões: as inovações tecnológicas, na maioria das vezes, chegam primeiro nas mãos de hackers e criminosos. E que essas pessoas também sabem inovar. “Há criptomoedas criadas especialmente por criminosos e para os criminosos. Geralmente usadas para lavar dinheiro”, completou.

O lado sombrio da tecnologia, no entanto, é ofuscado pelo seu potencial. Foi com essa mensagem que Goodman encerrou o primeiro dia do Exponential Finance Brazil: “A tecnologia é uma força para o bem. Ela tem o poder de tirar pessoas da pobreza e educar as massas”.

Já o segundo dia do Exponential Finance Brazil foi marcado por conversas que giraram em torno de inteligência artificial, impacto social, plataformas de pagamento e os desafios e oportunidades de um mercado cada vez mais orientado pela descentralização de dados.

A programação foi aberta com uma apresentação de Wolfgang Fengler economista-chefe de finanças, competitividade e inovação do Banco Mundial para a Europa e Ásia Central. A partir da apresentação de um panorama do cenário econômico e social, brasileiro, Fengler mostrou como o Big Data pode ser usado para traçar diagnósticos precisos de cenários globais – e como a tecnologia pode ser usada para desenvolver soluções em tempo real para essas questões.

Seguindo a trilha das oportunidades apresentadas por Fengler, o brasileiro Cristiano Oliveira, criador da Olivia, assistente virtual de finanças pessoais, subiu ao palco para falar sobre como usar a inteligência artificial para melhorar padrões de educação financeira e melhorar a qualidade de vida do usuário final. “A popularização do uso do celular e a desintermediação de serviços abriu um novo panorama para a relação das pessoas com o dinheiro”, afirmou.

Impacto social e inclusão financeira
A necessidade de inclusão da população de desbancarizados – um em cada três brasileiros adultos – foi o tema da palestra de Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva. “É impossível falar de inclusão financeira sem falar de desigualdade”, afirmou. Para tentar reverter esse cenário, uma nova geração de empreendedores vem oferecendo soluções para diversas pontas da cadeia financeira. É o caso de Mônica Sacarelli fundadora da Diin, e de Alexandre Albuquerque, do Banco Maré, que falaram sobre esse desafio em um painel moderado por Daniel Izzo, da Vox Capital.

“O brasileiro costuma não saber nem quanto ele ganha, nem quanto ele gasta”, afirmou Sacarelli. “Fomos pessoalmente até o Complexo da Maré ouvir o que os moradores precisavam. Eles não tinham onde pagar as contas e demoravam até quatro horas pra fazer isso em outro lugar”, destacou Albuquerque, do Banco Maré.

Paytechs: revolucionando o mercado de pagamentos
Em um dos paineis mais aguardados do evento, gigantes do mercado de tecnologia se encontraram para falar sobre o novo cenário de tecnologias de pagamento. A discussão foi composta por Paula Paschoal, diretora geral da PayPal no Brasil, Paulo Cesar Nascimento, da Samsung Pay, Stelleo Tolda, COO do Mercado Livre e Fábio Coelho, diretor executivo do Google Brasil, com mediação de Guilherme Horn. “A participação dos grandes bancos neste ecossistema é essencial para a transformação e crescimento exponencial do segmento financeiro como um todo”, afirmou Tolda, do Mercado Livre

A sessão da tarde ainda abrigou um talk-show sobre a chamada economia da recorrência, com Rodrigo Dantas, da Vindi, e Sandra Boccia, diretora de redação de Época Negócios. Sobre os desafios de introduzir novas soluções no mercado, Dantas relembrou a máxima de que “onde tem problema, tem oportunidade.”

Banking 4.0: inovação e novas oportunidades
Samantha Radocchia, cofundadora da startup Chronicled e especialista em blockchain, abrou o último bloco do Exponential Finance Brazil com uma palestra sobre o potencial do open banking. Destacando o empoderamento do cliente, Radocchia destacou “muito da conversa sobre open banking gira em torno de apenas do aumento do acesso ao sistema financeiro, mas essa tecnologia tem muito mais potencial para mudar o mundo e a nossa relação com o dinheiro.”

Em seguida, João André Calvino, do Banco do Central, apresentou o panorama atual e as perspectivas para o cenário regulatório no país. “O avanço do open banking é uma tendência irreversível. O que está acontecendo com o mercado financeiro é um reflexo do que está acontecendo com a nossa sociedade”, completou.

Para fechar o evento, Amin Toufani, chair de finanças e economia da Singularity University, voltou ao palco para apresentar os princípios do pensamento exponencial que orientaram os dois dias do evento. Em seu balanço final, ele deixou uma mensagem que parece cada vez mais latente em todas as áreas da nova economia digital: “antes de qualquer coisa, precisamos aprender a desaprender”

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