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Depois de muito falar sobre velocidade e tempos ágeis no primeiro dia de evento, o segundo dia foi focado em comportamento, mudança de hábitos e produtividade.

Afinal, não há inovação sem que haja uma quebra de paradigmas e transformações de comportamentos a fim de que caminhemos juntos em todo o processo de inovação que o mercado anda acompanhando.

Entretanto, mudar um hábito não é fácil, ainda mais para nós que somos seres analógicos vivendo numa era digital. Charles Duhigg, autor do best-seller O poder do hábito, abriu o segundo dia de palestras com a seguinte afirmação:

“A cultura organizacional só muda a partir de indivíduos, da mudança individual de cada um de nós”.

Dito isto, Charles conta que passou 7 anos da sua vida se perguntando por que algumas empresas conseguem ser mais produtivas do que outras? E descobriu que a resposta está nos hábitos.

Mudança de hábito e produtividade empresarial

O grande desafio que um líder pode encontrar na Era que vivemos hoje é saber identificar quais hábitos podem acelerar a produtividade de sua equipe, e qual deles atrapalham.

Um grande erro organizacional que muitas empresas enfrentam é achar que quanto mais uma pessoa está ocupada, mais produtiva ela é. Isso não é real! Nosso cérebro se acostuma com a rotina que criamos, e chega uma hora que acaba fazendo tudo no automático, sem parar para pensar.

Por isso, realizar o maior número de tarefas possíveis no dia impede sua equipe de ser mais criativa e produtiva. O que você como líder pode fazer para mudar isso é tentar promover momentos de distração, que quebrem essa rotina, e façam o cérebro trabalhar melhor.

“As pessoas mais produtivas são aquelas que desenvolvem hábitos para reduzir o ritmo e focar em prioridades. ”

Mas como mudar um hábito? Charles explica que ele é construído através de 3 fatores: um gatilho, uma rotina e uma recompensa. A recompensa é o que muda o hábito de uma pessoa. As mais poderosas, que criam hábitos mais fortes, são todas emocionais.

Criar laços emocionais dentro da sua equipe pode ser o melhor caminho para torná-los mais criativos e produtivos. Construir uma relação de confiança entre líderes e seus colaboradores, mostrar que está tudo bem em falhar, e aprender com os erros são atitudes positivas e transformacionais, que fazem da sua equipe um time bem sucedido.

Agilidade emocional e a aceitação do fracasso

Aceitar o fracasso nunca foi uma experiência positiva. Ainda mais em um mundo onde os sentimentos negativos – tristeza, angústia, medo – são constantemente rejeitados pela sociedade.

Segundo Susan David, psicóloga premiada e professora na Harvard Medical School, a agilidade emocional é uma poderosa chave para obter resiliência e prosperidade. Mas como lidar com isso no mundo corporativo onde estamos tão acostumados a deixar nossas emoções de lado na hora de tomar decisões?

Susan defende que quando você desliga suas emoções, isso interfere ativamente em tudo o que está fazendo, e não é diferente em seu trabalho.

Líderes ágeis são aqueles que entendem que todos somos humanos, e humanos falham, sentem, ficam tristes e com raiva. Mas de tudo isso sempre há um aprendizado. A inovação é um tiro no escuro, se não estivermos preparados para falhar, nunca iremos aprender a lidar com as mudanças de mercado.

“Toda inovação há um potencial em falhar. Quando a empresa abre o coração para aceitar a falha, a inovação acontece! ” – Afirma Susan David.

É preciso oferecer aos seus funcionários uma segurança psicológica onde eles possam se sentir confortáveis em ser exatamente quem são no seu local de trabalho. Essa revolução é o princípio do caminho para a inovação e prosperidade.

“As equipes mais felizes e bem-sucedidas nascem de uma abertura natural das emoções, pois são mais centradas com relação aos seus valores, desenvolvendo hábitos mais produtivos. ”

Geração de valor em um mundo de abundância de informação

Mas como manter o foco e desenvolver todos esses valores dentro de uma organização quando todos os dias somos bombardeados por um volume extremo de dados e informação? Essa foi a questão que Denise Eler, especialista em Sensemaking, se propôs responder.

Ela acredita que é preciso desenvolver algumas competências e mudanças de hábitos para que suas equipes desenvolvam a habilidade em lidar com o grande volume de informação que nos rodeia nos dias de hoje.

“É preciso uma combinação entre clareza e persuasão para que a informação dentro da sua empresa seja passada de forma ágil. ”

Passar a mensagem de forma rápida e assertiva é o maior desafio encontrado dentro das empresas, e Denise defende que é preciso focar naquilo que é importante. Mas ela ainda vai além, afirmando que só vamos conseguir encontrar aquilo que é relevante em meio a uma abundância de informações quando deixarmos nossas emoções nos guiar.

“As pessoas estão sensibilizadas pela inovação, querem contribuir e colaborar, mas o dia a dia delas é tão cheio de incêndio para apagar, e atividades repetitivas, que elas não têm tempo de planejar e nem investir em novas estratégias.”

Adaptar-se ao novo

As coisas estão evoluindo exponencialmente, por isso precisamos estar preparados para os desafios que o mundo traz. Adaptar-se a essas transformações é o primeiro passo para que a inovação aconteça, e isso só é possível com uma mudança de hábito guiada por seus valores e força de vontade.

Paulo Caroli, autor do livro Canvas MVP: uma ferramenta ágil para transformação digital e inovação, deixou bem claro em sua palestra que o mercado e seu produto vão mudar!

O futuro é muito incerto e muito competitivo, a cada dia as tecnologias digitais criam novas formas de trabalhar. É importante entender como sua empresa pode se reinventar para que ela não fique para trás no mercado, e esteja aberta as mudanças de mindset.

Sendo assim, podemos encerrar dizendo que tempos ágeis pedem mudanças de comportamento, mindset e hábitos diante dos negócios, para a construção de uma cultura organizacional que propicie um ambiente favorável a inovação.

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