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Com o propósito de levar aos líderes e profissionais de RH as novas tendências que guiarão a cultura organizacional das empresas no futuro, o HR Conference cumpriu seu papel e apresentou de forma clara e objetiva todos os fatores necessários para que as organizações consigam alcançar o sucesso: levar em consideração a experiência do colaborador.

Tracy Maylett foi o speaker que abriu o evento. Autor dos livros MAGIC e The Employee Experience, há mais de 20 anos ele está no mercado focando pesquisas e análises de dados sobre como engajar de maneira eficaz os colaboradores das organizações e reter talentos: o grande desafio do cenário corporativo atual!
Em sua palestra, quando procurou interagir bastante com o público e instigá-lo com algumas dinâmicas e perguntas, Maylett apresentou um dos resultados de sua pesquisa: 78% dos colaboradores não estão engajados em seus trabalhos.

O que isso significa?

Segundo Maylett, é da natureza humana tentar ser melhor do que a média e se divertir enquanto o faz. Por isso, a maioria dos colaboradores busca ambientes de trabalho desafiadores, onde sintam que estão sendo incentivados a dar o seu melhor. Isso faz parte do processo de engajamento. O resultado dessa pesquisa mostra que a maioria das empresas ainda não achou um caminho certo para criar um ambiente organizacional desafiador e empenhado em desenvolver as habilidades de seus funcionários.

“Como é um dia bom no trabalho?”, o palestrante perguntou para a plateia.

“Quando aprendemos ou concluímos algo.”

“Quando consigo realizar todos os desafios do dia.”

“Quando cumpro os desafios do dia.”

“Quando meu time me ajuda a vencer os desafios.”

“Quando desenvolvo algo com significado e propósito, e eu consiga associá-lo com os valores da minha organização.”

Todas essas respostas estão certas. Engajar não é ficar feliz com o salário que cai na conta no final de todo mês. Engajar não é oferecer cerveja no escritório ou permitir que você leve seu cachorro de estimação. Tudo isso ajuda a deixar os colaboradores felizes, mas pode não os deixar satisfeitos. A definição de engajamento, segundo Tracy Maylett, se baseia em três fatores: paixão, energia e comprometimento.

Ele ainda afirma que parte da responsabilidade em engajar a equipe precisa vir da liderança. Entretanto, há 10 anos ninguém se importava com isso. O conceito utilizado nas empresas para alcançar números cada vez mais altos era o Costumer Experience, segundo o qual fazer clientes felizes era sinônimo de conseguir mais dinheiro. Porém, com o passar dos anos, percebeu-se que quando os colaboradores tinham boa experiência na empresa, os clientes também tinham ótimas experiências.

Quando o gestor se mostra engajado, seus colaboradores têm mais chances de se engajar também. Segundo Maylett, quando o funcionário tem uma experiência negativa com seu líder direto, ele tem 7 vezes mais tendência de ter uma experiência ruim dentro da empresa e pode querer sair dela.

O papel da liderança dentro do Employee Experience é de extrema importância e quando o colaborador sente que tem o apoio de seus gestores, eles acabam querendo se engajar mais na organização. O papel do RH é servir de mediador e dar suporte para ambas as partes.

A regra dos três contratos

Para engajar e reter talentos dentro da empresa, Maylett destaca a regra dos três contratos:

Contrato de marca: é sua face pública. Quando a marca honra com os valores e propósitos que prega publicamente, consegue atrair e manter seus funcionários comprometidos.

Contrato transacional: consiste em definir e respeitar os termos básicos de operação desse relacionamento. Quando esse contrato é honrado, todos os lados saem satisfeitos.

Contrato psicológico: são as expectativas de ambos os lados, aquilo que não foi falado.

O palestrante ainda compara esses contratos a um casamento: quando você cumpre os contratos que foram acordados entre si, o relacionamento tem tudo para dar certo. Seja num relacionamento amoroso, seja na vida profissional.

E termina com os 5 elementos do engajamento “MAGIC”, que se resume em:

Significado, autonomia, crescimento, impacto e conexão.

Quando esses 5 fatores estão presentes, o contrato psicológico é honrado e, segundo pesquisas, as organizações conseguem atingir 95% de engajamento.

O lifelong learning e as habilidades do futuro

Tracy Maylett cedeu seu espaço no palco para Kelly Palmer. A integrante da equipe executiva da Degreed, que já atuou como diretora de aprendizagem do LinkedIn, VP de aprendizagem do Yahoo!, além de ocupar cargos executivos em aprendizagem, fusões e aquisições, e desenvolvimento de produtos na Sun Microsystems, iniciou sua palestra com o questionamento “O que acontece com empresas que não se reinventam, que não investem em seus colaboradores e nas habilidades que eles precisam desenvolver para o futuro?”

As transformações digitais permitiram que as mudanças acontecessem de forma cada vez mais rápida e disruptiva nas organizações. Hoje, as empresas não contam mais com tempo hábil para conseguirem se adaptar às mudanças do mercado. É o que aconteceu com muitas das empresas que se viram engolidas pelas plataformas, por exemplo.

A inteligência artificial é outro exemplo! Estamos caminhando cada vez mais em direção à automação. Humanos e IA já trabalham juntos, e novas profissões estão sendo criadas para suprir a demanda do mercado. No entanto, há uma lacuna de habilidades nas organizações e no Brasil não é diferente. Há trabalhos, mas não há pessoas com habilidades especiais para preencher essas vagas.

Palmer afirma que, segundo pesquisas, 92% dos líderes temem que seus colaboradores não tenham as habilidades de que precisarão no futuro.

Quais serão as habilidades do futuro?

É difícil prever quais serão as habilidades que as empresas vão requerer. A agilidade talvez seja a melhor delas e envolve: ser curioso, motivado e estar disposto a aprender o tempo todo. O conceito “long life learning” também é outra habilidade do futuro.

Com a internet, há muito conteúdo de fácil acesso para você aprender algo novo todo dia. Esse aprendizado pode acontecer por meio de vídeos do YouTube, artigos em blog e até podcasts. Palmer ressalta que muitos funcionários buscam fazer especializações e se manter atualizados quando estão fora da empresa, mas que eles fariam isso mais vezes se sentissem que têm o apoio de seus gestores.

Como as empresas estão pensando no aprendizado de seus colaboradores?

Com a chegada das novas tecnologias e a inteligência artificial cada vez mais inserida em nosso dia a dia, se você não estiver aprendendo de 5 a 10 horas por semana, suas habilidades serão superadas pela tecnologia no futuro próximo. Além disso, 62% dos executivos acreditam que precisarão treinar ou substituir pelo menos ¼ de sua força de trabalho.

Por isso, mudar a cultura de aprendizagem dentro da empresa deve ser urgente. “É necessário ter o apoio dos executivos para dizer: sim, o aprendizado é importante, precisamos investir nisso”, afirma Kelly Palmer.

A comunicação de uma via não é suficiente, é preciso trabalhar o aprendizado em equipe! Independentemente do cargo que você ocupa, se acabou de sair da faculdade ou se ocupa um lugar sênior, ninguém sabe sobre tudo. Por isso, incentivar o aprendizado entre as equipes é essencial para desenvolver novas habilidades e melhorar o desempenho.

As habilidades hoje são a moeda da expertise economy: isso afeta como você recruta e retém talentos, o engajamento de seus colaboradores e torna o aprendizado algo que eles sentem paixão em fazer.

Se você quer que seus funcionários cresçam, aprendam e não saiam da empresa, é preciso dar a eles a oportunidade de colocar em prática esse aprendizado.

Continue acompanhando a segunda parte dos aprendizados deste dia, neste link!

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