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– Tô aqui pensando… é bom envelhecer.

Lá vem você, Grilo, falando o avesso do avesso… como assim? Envelhecer é a pior coisa que tem, a gente fica doente, desinteressante, o mundo parece que não tá nem aí pra gente, parece que a gente perde o papo… a gente se torna invisível. O mundo só quer saber dos jovens!

– Eu penso diferente… tem até um ditado que diz que “a vida começa aos 40”… veja, até os 40, a gente passa o tempo correndo, cumprindo mil expectativas que são impostas para nós sem a gente ter muito a chance de refletir: a construção de uma carreira, a criação de uma família e por aí vai… mas aí, quando se chega aos 40, parece que, enquanto os olhos passam a ter mais dificuldade para enxergar de perto, os ouvidos começam a escutar mais o coração…

– Ih, lá vem ele…

E mais, quando se chega perto dos 50, é comum ter crise de tudo, quando a gente se pergunta o que está fazendo da própria vida. Altos executivos buscam propósito para canalizar a energia criativa. Isso é uma porta para a consciência, a chave de tudo. Com o aumento dos cuidados com saúde e bem estar, depois dos 50, podemos seguir jovens, saudáveis… Nas classes privilegiadas, temos mais dinheiro pra gastar e estamos cheios de vontade de viajar, relaxar, reencontrar os amigos. Diferente dos mais jovens, damos real valor a esses momentos. E tem corporações que já estão abrindo os olhos para isso, para todo potencial de comportamento e, claro, consumo dos 50 e muuuuito mais.

Trata-se da “Economia Prateada”. O Brasil hoje tem mais de 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Até 2050, seremos o 5º país mais longevo do mundo, com 68 milhões de cidadãos 60+. Hoje, estima-se que a população “prateada” movimenta R$ 7,1 tri ao ano no mundo.

Já há no Brasil mais avós do que crianças com até cinco anos. Avós que bancam financeiramente duas, às vezes, três gerações de descendentes, mas que estão invisíveis para a maior parte das grandes marcas, que gostam mesmo é de falar em millennials.

A gente está na antessala da maior crise geracional já vivida na História da humanidade, na qual o comportamento humano já não pode mais ser organizado por faixas etárias e que precisa considerar simultaneamente todas os momentos da vida. Um mundo no qual produtos e serviços desenvolvidos para os “prateados” são pensados por gerações mais jovens e que, também talvez por isso, não atendam nossas reais demandas.

Um momento na vida que é cheio de potencial de criação com sabedoria, com alinhamento de propósito…. veja, se não fosse o vovô Geppetto, eu não seria o Grilo Falante!

Há iniciativas que têm olhado para esse público com bastante entusiasmo. A Hype 60+ é uma startup de longevidade que criou e realizou o maior estudo de longevidade já desenvolvido no Brasil e tem ajudado empresas a desenvolver produtos e serviços para este público.

O que é o calcanhar de Aquiles de todos os planos de saúde virou a mina de ouro para a Prevent Senior, que criou a maior plataforma de saúde dedicada ao público 60+. Uma inovação brasileira que presa a qualidade e o tratamento integral do paciente, com resultados muito mais eficientes para toda a cadeia, do médico ao paciente, passando pela rede hospitalar. A Prevente Senior é hoje um dos cases de maior sucesso em saúde no mundo.

Lá no Civi-co, hub de impacto social, desenvolvemos em parceria com a SynCo, uma plataforma de empreendedorismo 60+, com a finalidade de ajudar esses executivos seniores a se tornarem empreendedores, investidores em novos negócios, mentores e conselheiros de startups de impacto social.

A plataforma alia a energia criativa e disruptiva dos empreendedores com a experiência de altos executivos que já não podem mais trabalhar em grandes empresas por conta do compliance, mas estão longe de querer aposentadoria. O match permite que cada agente possa oferecer o melhor que tem na criação de impacto social positivo.

Você deve estar falando: “Ei, Grilo, e a crise das previdências no mundo todo?”. São reais e naturalmente impactam a economia em todas as idades. A sugestão aqui é ampliar o olhar. A pessoa de 50, 60 anos tá mais viva do que nunca, pode e deve ser incluída em toda cadeira produtiva, seja por sua senioridade, seja por seu poder de consumo. Vamos viver cada vez mais e a possibilidade de criar novas vidas dentro dessa vida pode ser bastante animadora.

E você, já pensou o que vai fazer da vida após os 50? E os 60? Encontrar um propósito de impacto social e investir tempo, conhecimento e patrimônio no desenvolvimento de soluções de alto impacto para questões estruturais pode ser um elixir para a vida prateada.

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