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O regime de quarentena trouxe consigo questionamentos em todos os âmbitos que pudermos imaginar: social, psicológico, físico, profissional, familiar, entre tantos outros. É a primeira vez em nossas vidas que a ordem de distanciamento social foi uma norma em nível global.

Grande parte das empresas vêm concentrando esforços no fator humano, dedicando atenção e investimento no bem estar de seus funcionários e da sociedade como um todo. E, felizmente, muitas das iniciativas adotadas já começam a mostrar efeitos positivos.

O que fazer pelo seu time? – O Grupo Gaia, empresa paulistana especializada em securitização no mercado brasileiro, experimentou diversas maneiras de engajar o time e manter os funcionários em high spirits durante esse período de reclusão compulsória.

“Todo dia, às 9:00, realizamos uma meditação em grupo de 10 minutinhos com os funcionários e os familiares que se sentem interessados pela prática. Depois desse relaxamento coletivo, iniciamos as reuniões virtuais entre as equipes. Isso reforça a sensação de comunidade e de rotina, já pela manhã”, afirma Priscila Navarro, coordenadora de conteúdo da empresa.

Ao final do dia, uma reunião com todas as sedes do grupo é realizada. Mas Navarro afirma que apenas 20% do encontro virtual é dedicado a assuntos corporativos; o foco aqui é fazer com que todos se sintam acolhidos e conectados.

Além da rotina, a empresa traz incentivos de socialização como pizzada virtual (onde todos pedem uma pizza reembolsada pelo RH), webinars com especialistas na área da saúde e aulas de yoga.

E o depois, como será? – O período de prolongado estresse agudo e incertezas é uma realidade compartilhada. Mas qual será o saldo das práticas corporativas adotadas recentemente no cenário pós-pandemia? Entrevistamos Rafael Ávila, diretor de Tendências em Educação da Ânima Educação, grupo do qual a HSM faz parte, para vislumbrar os efeitos transformadores desse movimento de humanização no ambiente corporativo.

O regime de quarentena propiciou uma abertura na mente corporativa para as questões psicológicas e emocionais das equipes?
Rafael Ávila – A quarentena potencializou algumas possibilidades que já vinham sendo exploradas antes da pandemia. O home office, por exemplo, é uma flexibilidade que já vem sendo pauta no mundo corporativo há muito tempo. E isso também se aplica à preocupação com a saúde mental dos funcionários. Nos últimos anos, as empresas vêm se atentando ao nível de esgotamento psicológico e físico de colaboradores que realizam suas atividades por até 15 horas diárias. Algumas empresas eram vanguardistas no lido com essa questão, mas o distanciamento social fez com que o mundo corporativo como um todo passasse a adotar essa visão holística de que produtividade e qualidade de vida são pontos interdependentes.

Quais ações a Ânima tem praticado em prol da saúde mental dos colaboradores?
Rafael Ávila – O grupo tem aplicado práticas relacionadas ao bem estar dos funcionários já há certo tempo. Um dos programas voltados à saúde mental dos colaboradores inclui a disponibilização de aulas de yoga e meditação, que ocorrem desde meados de 2017, e que atualmente ministro virtualmente.

Você acha que após a pandemia a preocupação com o emocional e psicológico dos funcionários serão tratados com a mesma seriedade?
Rafael Ávila – Sem dúvida. Acredito que o marketing foi a questão corporativa mais importante dos anos 90, a gestão do conhecimento foi a bola da vez dos anos 00, inovação foi a palavra dos anos 10 e a década de 20 será integralmente voltada aos seres humanos. As pessoas estão cansadas, precisando se reconectar com propósitos mais abrangentes que a carreira. Estamos diante de uma necessidade de reumanizar as relações, não apenas profissionais. A pandemia reforçará essa demanda por foco na saúde psicológica, emocional e física, seja no mundo corporativo ou na esfera social. As empresas que perderem o foco no ser humano, após o cenário que estamos enfrentando, estarão praticando um retrocesso.

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