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No exato momento em que este texto foi escrito, 29/12/2018, ao digitarmos “China” na aba de notícias do Google, dos 10 resultados iniciais, 7 se referiam à presença do país como potência econômica e de negócios no mundo.

Definitivamente é a vez dela! Mas antes de falar o porquê de a China estar em todos os lugares, de assuntos ligados à economia até inteligência artificial, vamos tentar entender um pouco sobre sua sociedade e cultura, que, naturalmente, são bem diferentes das dos países ocidentais, além de serem relevantes para entender melhor todo o cenário em que esse país se encontra atualmente.

A China é hoje uma das maiores potências socioeconômicas do mundo. O país mais populoso do planeta, com mais de 1,38 bilhão de habitantes, tornou-se a segunda maior economia do mercado, é considerado o maior exportador e o segundo maior importador de mercadorias.

Como isso aconteceu tão rapidamente?

Uma das civilizações mais antigas do mundo, a China tem muita história para contar. Entre guerras, dinastias e revoluções, muito aconteceu e fez com que o país se tornasse uma das potências mais importantes da atualidade. No entanto, uma das reformas mais significativas foi a mudança de uma economia centralizada, cuja produção era controlada pelo Estado, para uma economia mista, em 1978, com o chamado Gaige Kaifang, movimento chinês de reforma econômica que deu os primeiros passos para a constituição do gigante econômico que conhecemos hoje.

Segundo o professor e especialista em análises políticas Joshua Muldavin, essa modificação foi a principal causa do crescimento econômico chinês. O Partido Comunista desacelerou o controle governamental sobre a vida dos cidadãos e muitos camponeses receberam múltiplos arrendamentos de terra, causando aumento de incentivos e da produção agrícola. Aos poucos, o país foi se tornando um mercado cada vez mais aberto, com um sistema que o Partido Comunista da China oficialmente descreve como “socialismo com características chinesas”.

Ademais, a China também é conhecida por sua mão de obra extremamente barata, razão pela qual os produtos chineses conseguem ser comercializados a custos baixíssimos no mercado. Isso se dá devido ao grande número de pessoas que não querem trabalhar na agricultura, fazendo com que os chineses busquem trabalho nas indústrias, onde a grande concorrência por posições de trabalho no setor resulta em salários mais reduzidos.

Investimentos em tecnologia e inovação

Outro fator que tem alavancado a China no mercado internacional é sem dúvida o pioneirismo na inovação. Houve uma época, não faz muito tempo, quando produtos que vinham da China eram vistos como malfeitos ou considerados cópia barata de outros produtos do mercado. Isso acontecia principalmente no desenvolvimento de celulares, só que agora quem tem criado os modelos mais tecnológicos são os chineses.

Prova disso é que em 2018 a empresa Huawei superou a Apple e garantiu o lugar de segunda maior fabricante mundial de smartphones. Só no segundo trimestre do ano, a marca vendeu cerca de 351 milhões de celulares no mundo todo.
Dominando tanto o mercado da China, quanto o da Índia, outra empresa que tem chamado a atenção no desenvolvimento de smartphones é a Xiaomi. Lançada em 2011, hoje a marca é a quarta maior em smartphones no mundo e pretende crescer ainda mais em 2019.

Além disso, a Forbes publicou em junho de 2018 o Global 2000, listando as maiores empresas públicas do mundo. Das 10 primeiras, pelo menos 5 são empresas chinesas.

Esses números serviram de alerta para as gigantes de tecnologia dos Estados Unidos — Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google — que agora têm concorrentes à altura. Para cada uma delas há um equivalente chinês emergindo no mercado: Baidu, Alibaba e Tencent, entre outras, mas a tendência é que esse número aumente ainda mais nos próximos anos.

A nação asiática, que foi durante muito tempo conhecida como o país da imitação, tornou-se um dos líderes mundiais em tecnologia. De acordo com esse relatório, só em 2011 foram mais de 100 milhões de dólares investidos em pesquisas e desenvolvimento nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.

“Os chineses perceberam que, na era tecnológica, o caminho mais curto para crescer é apostar em três frentes: inovação, inovação e inovação”, afirmou Eduardo Tancinsky, consultor especializado em tecnologia. “No século 21, nenhuma nação passou por uma transformação tão drástica quanto a desencadeada agora pelos chineses.”

Eduardo tem razão. Ciência e tecnologia são assuntos sérios para os chineses, que enxergam os investimentos nessa área como essenciais para o crescimento econômico do país. As principais empresas de tecnologia são deles, os maiores centros de inovação também. Marcas como Huawei e Lenovo se tornaram líderes mundiais em telecomunicações e computação pessoal, além disso, os supercomputadores chineses estão classificados entre os mais poderosos do mundo, chegando a ultrapassar os dos Estados Unidos em 2017.

“O futuro pertence à China”, afirmou Lei Jun, fundador da fabricante chinesa de celulares Xiaomi, em um seminário que aconteceu recentemente em São Francisco, nos Estados Unidos, e resumiu em uma frase o que está por vir: “Quem não enxergar isso estará fora do jogo nos próximos anos”.

Então é melhor começar a se preparar!

Natália Fazenda
Área de conteúdo HSM

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