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Previsto para o ano que vem, o lançamento da Libra, criptomoeda desenvolvida pelo Facebook, aumentou as expectativas sobre a popularização dos sistemas financeiros descentralizados. Antes mesmo de chegar ao mercado, a iniciativa – apoiada por um consórcio que inclui gigantes como Uber, Paypal e Mastercard – vem despertando sentimentos conflitantes entre analistas do setor. Os possíveis impactos positivos e negativos foram discutidos em um artigo publicado recentemente pela canadense Anne Connelly, Faculty da Singularity University. Considerada uma das principais especialistas em blockchain da atualidade, Connely é um dos destaques da programação do Exponential Finance Brazil, que acontece entre os dias 10 e 11 de setembro, em São Paulo.



Na opinião de Connelly, o lado cheio do copo está no potencial de inclusão financeira de populações desbancarizadas. Os altos índices de penetração do Facebook entre diversos extratos sociais teria muito a contribuir nesse sentido (imagine pagar contas e fazer depósitos pelo Messenger ou pelo WhatsApp, por exemplo?). A possibilidade de escolher moedas de lastros alternativos e serviços livres de taxas seria outro benefício. Todos esses fatores pressionariam governos, bancos e órgãos regulatórios a adotarem políticas mais justas e transparentes.

Agora, o lado vazio: o Facebook não é exatamente conhecido pelas políticas de transparência e respeito à privacidade dos usuários (existem controvérsias se a Libra pode ser considerada uma solução 100% blockchain, inclusive). O ecossistema apoiado por grandes players, por sua vez, pode ser outro problema. Embora seja essencial para acelerar a curva de adesão da Libra, a presença dessas corporações poderia levar ao conflito de interesses de empresas e consumidores. No médio prazo, a rede de parcerias tende a colocar o próprio conceito de descentralização em xeque.

Para se consolidar como uma solução de massa, a Libra tem como principal desafio conquistar a confiança dos usuários finais e de representantes da indústria tradicional. Na visão de Connelly, tudo se resume à seguinte questão: quando separamos a circulação do dinheiro da gestão pública, quem herda o controle sobre o sistema financeiro?

Thomaz Gomes
Gerente de conteúdo da HSM

2019-07-03