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Smartphones, smartwatches, pulseiras de monitoramento de atividade física, fones sem fio. Estamos cercados por esses e muitos outros pequenos objetos dotados de grande capacidade de processamento e armazenamento de informações. Eles têm inúmeras possibilidades de uso para facilitar nossa vida. Mas a tecnologia pode alcançar uma escala muito menor, na casa dos bilionésimos de metro, os nanômetros. É a chamada nanotecnologia, campo multidisciplinar que trata de tudo que é menor que 100 nm.

Obviamente, não podemos ver objetos tão pequenos a olho nu, mas, acredite, eles já estão por toda parte: no revestimento de aeronaves para reduzir o arrasto aerodinâmico, nas lentes dos óculos de sol para proteger nossas retinas dos raios ultravioleta, nas roupas feitas de tecidos que não amassam. Mesmo os dispositivos de que já falamos, como os smartphones, usam componentes que trabalham com essa minúscula escala de tamanho.
A nanotecnologia está apenas engatinhando, mas alguns de seus usos podem transformar nosso futuro. As aplicações possíveis vão desde a área de saúde e medicina, como a administração de medicamentos e vacinas de maneira muito mais precisa e localizada, até uma fusão com a Internet das Coisas, a IoT, para colocar sensores em nossos corpos e conectá-los. Não é por acaso que a Iniciativa Nacional de Nanotecnologia (NNI) dos EUA recebeu US$ 22 bilhões desde 2001.

 

Conectando nanocoisas

 

Você deve conhecer a Internet das Coisas, também conhecida como Internet of Things ou IoT, certo? É o nome dado à capacidade de conectar objetos do nosso dia a dia que, geralmente, não usam a rede, como geladeiras, lâmpadas e até mesmo motores de aviões, por exemplo.

 

E Internet das Nanocoisas, ou Internet of Nanothings (IoNT)? Você conhece? Já existem pesquisas nesse sentido, que visam criar dispositivos minúsculos conectados à rede. Assim, será possível ter sensores informando em tempo real nossas condições de saúde, de acordo com o nível de algumas substâncias do sangue. Nanodetectores de vírus e doen&cced il;as também poderão ser instalados em algum ambiente para monitorar esses riscos.

 

O principal desafio da IoNT reside justamente no tamanho minúsculo dessas coisinhas. Ao trabalhar em uma escala tão pequena, nem tudo funciona da maneira a que estamos acostumados, pois as dinâmicas estão muito mais próximas do nível molecular. Por isso, não basta tentar miniaturizar componentes: é preciso repensá-los para essa nova realidade.

 

Um exército de partículas microscópicas para tratar doenças

Uma das aplicações mais promissoras da nanotecnologia é na área de saúde e medicina. Será possível recorrer a nanopartículas para tratar doenças e administrar vacinas. Elas poderão carregar medicamentos ou mesmo luz e calor para células específicas, aumentando a eficiência e reduzindo efeitos colaterais de vários procedimentos.

 

Algumas pesquisas nesse sentido são bastante surpreendentes. Cientistas do Instituto Metodista de Pesquisa de Houston desenvolveram nanopartículas de silício capazes de levar drogas até células de câncer. O método já se mostrou bem-sucedido em ratos.

 

Pesquisadores da Universidade de Illinois também alcançaram avanços interessantes. Eles criaram nanopartículas gelatinosas para carregar medicamentos até tecidos cerebrais, muito mais eficientes do que os métodos convencionais que existem hoje.

 

Na Carolina do Norte, cientistas de duas universidades desenvolveram uma “esponja inteligente” em escala nanométrica. Ela contém insulina e detecta quando os níveis de glicemia estão altos demais, liberando o hormônio automaticamente no sangue. Isso pode transformar a vida de diabéticos, que precisam medir o nível de glicose com alguma frequência e administrar insulina.

 

Nanotecnologia para expandir nossos sentidos

 

E se tivéssemos a capacidade de saber para que lado está o norte sem depender de mapas ou bússolas? Esse sentido já está presente naturalmente em algumas espécies, como pombos, morcegos e moscas, mas nós, humanos, ainda não descobrimos nada em nosso corpo que nos permita fazer isso. A solução é virar um ciborgue, ou quase isso.

 

Uma startup está colocando essa ideia em prática: a Cyborg Nest desenvolveu um pequeno dispositivo chamado North Sense. Instalado na pele do peito, ele emite uma suave vibração cada vez que o usuário está voltado para o norte.

 

A funcionalidade pode parecer boba, mas é promissora em situações extremas. Pense em pessoas fazendo trilhas ou equipes de resgate com limitados recursos tecnológicos. As unidades do aparelhinho foram vendidas por US$ 425 cada e estão esgotadas no momento.

 

Pelo visto, não falta quem esteja disposto a viver no futuro desenhado pela tecnologia da escala dos nanômetros. Ela promete um impacto em nossas vidas inversamente proporcional ao seu tamanho.

 

Escrito pela Redação da HSM.

2018-04-10