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Conhecido como “Ocean Wave Power”, o conceito de energia das ondas não é novo, e é considerado um dos recursos naturais mais significativos do planeta. Desde 1890 muitas tentativas foram testadas, mas foi preciso o avanço das tecnologias para que o sistema começasse a dar bons resultados.

Durante os anos anteriores de testes e estudos, os esforços em comercializar “Ocean Wave Power” falharam devido a problemas de custo, eficiência e vulnerabilidade às tempestades. Algumas tempestades geravam ondas muito altas – de até 25 a 30 pés de altura, ou mais –, o que ameaçava danificar o equipamento de coleta de energia.

Entretanto, as novas tecnologias estão mudando a forma como a energia das ondas é coletada. Um novo sistema projeta boias que não precisam de manutenção cara e podem ser deixadas alimentando a energia da rede elétrica silenciosamente. E, quando há tempestades, as boias podem ser submergidas ou retiradas da água.

Em um estaleiro em Portland, Oregon, um novo dispositivo gerador de energia está quase pronto. Em meados de maio, ele será levado até o Havaí para o primeiro teste em larga escala da tecnologia conectada à rede. Meses depois, outras duas novas tecnologias também irão para o Havaí para começar seus próprios testes. É um grande passo em direção à adoção mais ampla de uma forma de energia renovável que ainda não existe comercialmente: as ondas.

A energia das ondas, que captura a eletricidade gerada pelo movimento das ondas do oceano, é um recurso que poderia suprir 10% das necessidades mundiais de eletricidade, diz John McCarthy, CEO da Ocean Energy, empresa sediada na Irlanda, que testa o primeiro dispositivo.

A plataforma da empresa, que já passou por mais de três anos de testes no Atlântico, gera energia à medida que a água empurra o ar através de uma turbina, e as turbinas de fiação convertem o movimento em eletricidade. Uma fazenda de ondas de 100 megawatts poderia abastecer mais de 18.000 casas. O equipamento também poderia ser usado para alimentar usinas de dessalinização, fazendas de peixes no mar ou até mesmo data centers subaquáticos do tipo que a Microsoft está testando (servidores geram muito calor, então colocá-los no oceano é uma maneira de mantê-los frescos).



Mesmo que fontes energéticas como a energia eólica e a energia solar continuem a crescer rapidamente e tenham seus custos reduzidos, a energia das ondas pode ter um papel importante neste setor. “Em muitos locais ao redor do mundo, é mais um recurso complementar do que um recurso competitivo, e isso tem a ver com as horas do dia e da estação que as ondas tendem a atingir o pico em relação à energia solar”, diz Balakrishnan Nair, presidente e diretor técnico de Oscilla Power, outra empresa de “Ocean Wave Power”, que planeja começar os testes no mesmo local do Havaí.

No noroeste do Pacífico, por exemplo, as ondas tornam-se mais intensas no inverno, quando a luz solar diminui. As ondas também são uma fonte de energia mais estável e previsível do que a energia eólica ou solar, que precisam de baterias ou de outra forma de armazenamento (ou backup de usinas de energia fóssil), quando o sol ou o vento não estão disponíveis.

“Para alguém que está tentando operar a rede elétrica, saber quando esse recurso vai estar disponível para eles é incrivelmente valioso”, diz Bryson Robertson, professor de engenharia da Oregon State University e codiretor do Pacific Marine Energy Center. Pesquisadores de três universidades estão trabalhando para avaliar o potencial dessa energia e ajudar a impulsionar o setor. A tecnologia também pode ser particularmente útil para ilhas remotas que atualmente dependem de fontes de energia importadas, como o diesel, que são caras e não têm espaço para usinas solares ou eólicas de grande escala, ou que desejam suplementar outras energias renováveis.

Nair descreve o sistema da Oscilla Power, por exemplo, como “o oposto de um barco”. Em vez de ficar o mais estável possível na água, ele se move ao máximo, capturando energia de diferentes tipos de ondas. Em ondas mais fortes, pode balançar de frente para trás ou para cima e para baixo e, para ondas mais fracas, pode se mover de um lado para o outro. “O efeito líquido de tudo isso é que se traduz em uma captura de energia muito alta, que aborda uma das principais fraquezas dos dispositivos de energia das ondas”, diz Nair. “Tradicionalmente”, diz ele, “a maioria dos projetos se concentra em tentar capturar energia de um tipo de onda, o que significa que eles são ineficientes.”

Apesar da falta de investimentos na área, essa fonte de energia pode finalmente estar mais perto de acontecer. Após os testes de um ano no Havaí, por exemplo, a empresa diz que em breve estará pronta para começar a vender seu sistema.

“É uma oportunidade que está à espera de florescer há muito tempo”, diz Nair. “Se você olhar para as patentes mais antigas de energia, elas voltaram na década de 1790. Por isso, as pessoas vêm tentando fazer isso há muito tempo.” Mas foi apenas nos últimos anos que a tecnologia avançou a ponto de possibilitar mais testes e acelerar o ritmo da inovação. “Nós, como uma indústria, estamos em um bom momento agora para realmente fazer isso acontecer.”

No Brasil, um projeto piloto de energia de ondas foi instalado na Usina do Porto do Pecém, no Ceará, em 2012. O projeto é financiado pela Tractebel Energia e conta com apoio do Governo do Estado do Ceará, mas foi interrompido por falta de verba.

No futuro, espera-se que o potencial da energia das ondas oceânicas possa gerar até 2,64 trilhões de quilowatts por ano, o equivalente a 66% da eletricidade gerada nos EUA em 2017. No entanto, pode-se levar uma década ou mais para desenvolver sistemas de energia das ondas que sejam eficientes e seguros para o meio ambiente. A energia das ondas é um recurso energético renovável promissor que pode substituir uma parte dos combustíveis fósseis que consumimos atualmente.

*texto traduzido e adaptado de Fast Company

2019-05-09