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Você certamente acompanhou, nos últimos meses, as notícias sobre a alta do Bitcoin. O rápido crescimento no valor dessa moeda digital fez com que ela recebesse muita atenção da mídia e atraísse gente interessada em ganhar dinheiro. Investidores norte-americanos estão até mesmo pensando em se mudar para Porto Rico e construir uma “criptopia” na ilha.

 

Porém, a grande inovação do Bitcoin vai muito além disso. Ela reside na própria estrutura de circulação desse dinheiro, o chamado blockchain. O Fórum Econômico Mundial estima que, em 2027, 10% do PIB mundial estarão em redes desse tipo. O próprio Banco Central do Brasil parece ter notado isso e vem realizando estudos sobre como empregar o blockchain em seus sistemas.

 

Ofertas de emprego para essa área estão cada vez mais comuns, e especialistas ainda são bastante raros.

 

Não é à toa que até a ONU adotou a tecnologia de criptomoedas e blockchain para ajudar na alimentação de refugiados sírios na Jordânia, já que as transferências de dinheiro e recursos por blockchain são muito mais baratas.

 

Bitcoin? Blockchain? Afinal de contas, o que é tudo isso?

 

Caso você não saiba o que é Bitcoin, vamos explicar. Ele é uma moeda digital, ou criptomoeda. Isso significa que esse dinheiro só existe na forma de dados em computadores. Diferentemente do que acontece com o dólar, o euro ou o real, não há moedas de metal ou cédulas de papel.

 

Mesmo sem poder ser tocado ou colocado no bolso, o Bitcoin é dinheiro. Como tal, pode ser usado para comprar produtos ou pagar por serviços. Dê uma olhada no site coinmap e descubra estabelecimentos que já aceitam essa forma de pagamento.

 

Mas como pagar alguém com moeda digital? A resposta está no blockchain.

 

Para guardar seus Bitcoins, você precisa de uma carteira digital. Ela nada mais é que um programa de computador que armazena esses arquivos, por assim dizer, e identifica quem é você entre os usuários da moeda.

 

Mas não é só isso: ao instalar uma carteira digital, você passa a fazer parte da rede descentralizada que processa as transações envolvendo Bitcoins. Quando você dá uma ordem para pagar, digamos, 0,01 BTC para uma loja, uma mensagem é propagada pela rede de usuários de Bitcoin, dizendo que você está transferindo aquela quantia para o estabelecimento.

 

Essa ordem de transação é armazenada numa espécie de livro-caixa virtual da rede. O registro fica guardado de maneira descentralizada entre os muitos computadores que possuem carteiras virtuais.

 

Para garantir a integridade das transações e evitar fraudes, as ordens de transação são organizadas em blocos, processados de uma vez só com uso de problemas de criptografia, que demandam alta capacidade computacional para serem resolvidos. Essa é a chamada mineração de Bitcoins, que libera novas moedas como recompensa para quem realiza esse trabalho.

 

É por esse trabalho de processar e encadear blocos de um livro-caixa que a rede do Bitcoin se chama blockchain. Mas ainda não começamos a falar da inovação que isso representa.

 

A grande novidade do blockchain

 

Não existe um banco central de Bitcoins emitindo novas moedas: o próprio blockchain se encarrega disso. O Bitcoin não é dependente de um governo ou autoridade: novamente, a rede de computadores se basta.

 

Não há necessidade de ter uma conta em banco para armazenar e transferir essa criptomoeda: dá para efetuar transações diretamente pela rede, mesmo que o destinatário do valor esteja em outro país. Além disso, esses registros garantem transparência para as transações.

 

Conseguiu perceber o tamanho do impacto? Estamos diante de uma estrutura descentralizada e transparente, que tem o potencial de tornar dispensável toda uma indústria de bancos e empresas de pagamentos e serviços financeiros.

 

Muito além de dinheiro

 

As possibilidades do blockchain, entretanto, vão bem além de seu uso no mercado financeiro. Redes desse tipo podem ser empregadas para diferentes e variados fins. Um bom exemplo é o Ethereum, um supercomputador descentralizado e independente organizado em blockchain.

 

O Ethereum funciona com contratos inteligentes, que conseguem manipular informações e preços para pagamentos automáticos. Isso pode ser empregado em serviços de hospedagem ou compra e venda de energia elétrica, por exemplo.

 

Por essas características, o Ethereum foi a ferramenta escolhida pela ONU para a distribuição de vouchers de alimentação a refugiados sírios que estão vivendo na Jordânia, que mencionamos no início deste artigo.

 

O blockchain também pode ajudar na inclusão social. Foi o que fez o indiano Ashish Gadnis: ele fundou a BanQu, empresa de tecnologia responsável por um app simples que integra pessoas em situação de extrema pobreza na África Subsaariana à economia mundial, usando uma rede de registros descentralizados.

 

A confiabilidade e a transparência dos blockchains também podem ser aproveitados na indústria alimentícia. Na França, o Carrefour já usa essa tecnologia para mostrar o caminho que cada item percorreu da granja ou da plantação até a sua mesa.

 

Por causa de todo esse potencial, o blockchain é visto como muito promissor. Seu impacto vem sendo comparado a tecnologias disruptivas, que mudaram setores inteiros. O jornal Washington Post também listou algumas das iniciativas mais interessantes que já fazem uso dessa tecnologia.

 

Prepare-se: nosso futuro promete ser muito mais tecnológico e transparente do que é hoje, e muito menos burocrático.

 

Escrito pela Redação da HSM.

2018-04-10