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Recentemente, todas as catástrofes e calamidades naturais que causaram desastres sociais — como o furacão Harvey, que deixou milhares de pessoas desabrigadas nos Estados Unidos — e as ambientais nas últimas décadas têm como uma de suas raízes o aquecimento global.
Esse processo de aumento de temperatura da superfície da Terra, que tem ocorrido gradativamente ao longo dos anos, faz com que as advertências para o futuro da humanidade não sejam tão animadoras. Stephen Hawking, o grande físico e cientista que faleceu há quase um ano, deixou algumas previsões sombrias com relação ao fim da humanidade.
Além de afirmar que nos próximos anos será possível criar um tipo de “super-humano”, modificado geneticamente para melhorar capacidades corporais e aperfeiçoar as características humanas, Hawking também propôs dois fins bem cruéis para a espécie humana: uma guerra nuclear e uma calamidade ambiental.
Dentre todas as previsões, incluindo a substituição do homem pela máquina, talvez a que passe mais perto de se tornar realidade, com seus danos acontecendo de forma mais impactante a cada ano, seja o fato de a Terra vir a passar por um colapso ambiental.
AS CONSEQUÊNCIAS EXTREMAS DO AQUECIMENTO GLOBAL
O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU apontou que estamos perto de sofrer um genocídio. De acordo com o The New York Times, nos próximos 20 anos, se as potências mundiais não tomarem medidas drásticas com relação ao meio ambiente e iniciar um movimento para a economia sustentável, milhares de vidas podem estar em perigo devido ao aquecimento do planeta.
Ainda segundo o mesmo relatório, a meta internacional estabelecida de limitar o aquecimento global a dois graus Celsius é ineficiente. Se o mundo aquecer mais de 1,5 grau Celsius nos próximos anos, as consequências seriam desastrosas. Poderia haver a extinção de todos os recifes de corais, incêndios florestais e ondas de calor varrendo a Terra; o suprimento mundial de alimentos sofreria danos irreparáveis por conta das secas e inundações, impactando os setores agrícolas dramaticamente.
Isso sem mencionar os países que já correm risco de ser extintos com o aumento do nível do mar causado pelo derretimento das geleiras. Kiribati, arquipélago localizado no Oceano Pacífico, está em alerta desde 1989. Além dele, a Unesco afirma que alguns lugares considerados patrimônios da humanidade, como Veneza, podem se ver ameaçados pelos impactos causados por essas mudanças climáticas.
Para evitar que isso aconteça, é preciso que ocorra uma transformação estrutural na economia, agricultura e cultura mundiais. Mesmo assim, talvez seja esse o “menos pior” cenário de toda essa situação. Segundo o IPCC, a tendência é que até o final deste século o aquecimento passe de dois para quatro Celsius, levando o planeta a uma verdadeira catástrofe climática.
MAS E AS TECNOLOGIAS EXPONENCIAIS?
Peter Diamandis, autor do livro Abundância: o futuro é melhor do que você imagina, é um otimista nato. Ele defende que, no futuro, as tecnologias exponenciais serão tão acessíveis que poderão ser a grande solução para a maioria dos problemas ambientais.
Ao mesmo tempo, Diamandis concorda que as mudanças climáticas são uma realidade e causadas, sobretudo, pelas atividades humanas. Sabendo disso, ele aponta quatro alternativas que acredita sejam grandes soluções para esses problemas:
•criar uma legislação que incentiva a redução na produção de carbono;
•impulsionar a adoção em massa da energia solar e da tecnologia de baterias;
•ensinar as pessoas a se adaptar às mudanças climáticas;
•investir em projetos de engenharia geoscale.
Todos esses pontos são medidas que precisam acontecer de imediato. Além disso, a sociedade como um todo tem de passar logo por um processo profundo de conscientização para que juntos consigamos evitar que o pior aconteça.
Entretanto, de fato, as tecnologias também podem auxiliar nesse caminho, Diamandis cita o exemplo da China:
Na China, uma equipe de cientistas modificou com sucesso o arroz para crescer em água salgada, o que lhes permitirá alimentar sua população à medida que o nível do mar aumentar. A Universidade de Cornell projeta que 2 bilhões de pessoas — cerca de 20% da população mundial — correm o risco de ser deslocadas pelo aumento do nível do mar.
É claro que evitar certos desastres seria a melhor opção, mas as medidas para isso tinham de ser tomadas de forma muito radical, ou com muita antecedência. Por isso, atualmente, talvez a saída mais eficaz para lidar com uma calamidade ambiental nos próximos anos seja contar com a ajuda da tecnologia para que a civilização vá se moldando a todas essas transformações.
Será que podemos acreditar em um futuro realmente melhor para as gerações vindouras?

2018-10-19