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Para provar que tamanho não é documento, a nanotecnologia tem mostrado que revoluções podem ser feitas usando-se materiais cada vez menores. Criada no Japão, com o objetivo de desenvolver ferramentas em escala atômica, essa nova tecnologia busca promover inovações em diversas áreas, como: medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia e engenharia dos materiais.

Com o passar dos anos, tornou-se uma área promissora, ainda que desperte muita curiosidade e dúvidas com relação a como a nanotecnologia poderá impactar o mercado. Apesar de todos esses receios, diversos cientistas e pesquisadores já têm experimentado essa inovação de várias maneiras, para solucionar problemas difíceis da sociedade de forma efetiva.

Pesquisas já apontam resultados surpreendentes na produção de semicondutores, nanocompósitos, biomateriais, entre outros. Mas como uma tecnologia em escala tão pequena consegue ter tanto potencial? Estudos comprovam que elementos já conhecidos, como fósforo, prata e ouro, quando empregados em tamanho minúsculo, têm comportamento diferente do usual, como se suas propriedades tivessem sido alteradas.

“Quando o tamanho da substância é diminuído em uma escala nano, o número de partes presentes é reduzido, criando um material cujo tamanho é maior que seu volume”, explica Lívia Elisabeth Vasconcellos, professora do Departamento de Engenharia da UFLA.

NANOTECNOLOGIA NA MEDICINA

Vários setores são impactados diariamente por essa tecnologia, mas um dos que mais se mostram empenhados em promover a inovação é a área da saúde. Na medicina, nanotecnologia já tem impacto revolucionário no tratamento e prevenção de várias doenças.

Por meio dela, é possível introduzir materiais de tamanho molecular em células para que façam reparações, catalisem reações químicas e observem como o organismo humano pode se comportar. Sua aplicação já tem sido testada em alguns processos, como: regeneração de tecidos, destruição de vírus e bactérias, desobstrução de artérias, entre outros.

Além disso, em 2017, uma pesquisa realizada pela P&T Community apontou que a nanotecnologia reduz o nível de toxicidade dos medicamentos e cerca de 50 deles já foram aprovados e estão sendo comercializados para uso clínico.

Tudo indica que no futuro a medicina poderá avançar ainda mais no tratamento de inúmeras doenças devido ao uso da nanotecnologia.

NANORROBÔS QUE COMBATEM CÂNCER

Pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, criaram nanorrobôs (dispositivos desenvolvidos em escala nanométrica com componentes moleculares) que eliminam cirurgicamente tumores, bloqueando a irrigação sanguínea para eles.

Por enquanto, essa técnica tem sido testada apenas em ratos de laboratório que sofrem de melanoma, tipo de câncer de pele, mas já aponta resultados animadores. De acordo com os estudos, ao introduzir os nanorrobôs na circulação sanguínea das cobaias, observou-se que os tecidos doentes foram eliminados e os saudáveis continuaram perfeitos.

Sendo assim, o tratamento só afeta o tumor primário, além de impedir a formação de metástases. O próximo passo agora é fazer testes em animais maiores, e a expectativa é otimista.

IMPACTOS AMBIENTAIS DOS NANOMATERIAIS

Apesar de todos os benefícios que a nanotecnologia traz para os setores tecnológico e industrial, há grande preocupação sobre os impactos no meio ambiente que ela possa vir a causar.

É o caso, por exemplo, da nanopoluição. Gerada na produção de nanomateriais, esse tipo de poluição pode representar forte perigo para o ser humano daqui a alguns anos, uma vez que os nanopoluentes podem flutuar facilmente pelo ar, devido a seu tamanho minúsculo.

Eles podem entrar nas células de todos os seres vivos: humanos, animais e plantas. O organismo de cada espécie pode não ter os meios apropriados para lidar com essa poluição e sofrer danos sem solução conhecida.

Por isso, apesar da empolgação, todo cuidado é pouco para que a nanotecnologia não se torne uma ameaça tanto para o meio ambiente, quanto para nosso bem-estar.

2018-12-05