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HSM Expo 18 | 06 de novembro

Você já parou para pensar se é introvertido, extrovertido ou ambivertido? Como entender sua personalidade, aceitá-la e tirar o melhor de si? A escritora Susan Cain abriu o palco principal da HSM Expo 2018 mostrando técnicas para que os líderes ajudem suas equipes a expandir seus limites. Segundo ela, para os introvertidos é mais difícil participar de trabalhos em grupo, não porque não gostem do grupo, mas porque preferem pensar mais profundamente nos problemas. “Há um mito nas empresas de que a criatividade surge da troca entre grupos, mas cientistas descobriram que as pessoas mais criativas são extrovertidas o suficiente para mostrar suas ideias, mas introvertidos o bastante para aguentar a solidão que uma ideia precisa para ser desenvolvida”, afirmou. Susan ainda complementa que, para uma empresa ser bem-sucedida, é necessário que a equipe seja formada por profissionais tanto introvertidos quanto extrovertidos. E orienta: “No trabalho e na vida pessoal, é importante que ambas personalidades entendam a dinâmica uns dos outros para evitar mal-entendidos. Pelo bem de um projeto no qual você realmente se importa, saia da sua zona de conforto: agende mais reuniões do que gostaria ou invista mais tempo para escrever um relatório importante para os acionistas. Faça isso de maneira estratégica, quando for realmente relevante.”

A palestra seguinte demonstrou como um líder criativo não precisa necessariamente ser expansivo. Ed Catmull, presidente da Pixar e do Walt Disney Animation Studios, apresentou sua palestra sentado e com um bloco de folhas de papel como apoio. Sem PPT, vídeos, nem frases de efeitos. Em uma fala baixa e pausada, contou a história da Pixar, começando pela pergunta que tentava resolver quando fundou a empresa: “Como enfrentar os problemas que nós não conseguimos enxergar?”. Também falou sobre uma série de princípios que usam para estimular a criatividade nas reuniões de brainstorm: pares devem conversar com seus pares, e todos devem ouvir e falar com honestidade. As pessoas mais poderosas na sala não podem começar nenhuma discussão, deve-se focar nas pessoas: elas estão falando o que pensam ou estão guardando seus pensamentos para si? Mas, apesar dessa metodologia, nada pode ser tão previsível: “Os problemas acontecem e nossa criatividade se revela ao decidir como vamos encará-los.” Por fim, Catmul reforçou a importância do erro, algo tão falado no mundo do empreendedorismo: “Sabemos que os erros nos deixam mais fortes, aprendemos isso no passado, mas não sabemos o que vai acontecer no futuro. Um erro só é educativo depois que ele acontece.”

Na sequência, o pesquisador do MIT Caleb Harper falou como a tecnologia está mudando a forma como o mundo se alimenta. “Atingimos a convergência entre a tecnologia e a biologia,” declarou, “as disrupções que estão acontecendo agora vão fundamentar a mudança nas nossas vidas. Pode parecer louco produzir carne a partir de um processo químico, mas é assim que fazemos iogurte e vinho.” Caleb é diretor da iniciativa Open Agriculture (OpenAG), que visa desenvolver plataformas de agricultura em ambientes controlados. “Nós somos escravos do clima. No futuro, vamos ser capazes de digitalizá-lo e pensar: como adaptar uma planta para que seja produzida no deserto? Primeiro você transforma algo físico em algo digital, depois você entende como o digital funciona e tenta implementar essa nova tecnologia no mundo todo. Por exemplo, os alimentos têm cores e intensidades que não vemos a olho nu, e conseguimos diferenciar suas propriedades nutricionais a partir disso.” E isso não é somente plano para futuro ou tema acadêmico. “Empresas de tecnologia estão entrando no mercado da agricultura. A Toshiba, no Japão, já produz mais de mil pés de alface por semana, em hortas verticais em um ambiente controlado. Já a Ferrero foi nossa parceira para fazer uma simulação e prever os melhores lugares para plantar avelãs no hemisfério sul, onde ninguém imaginava que pudessem crescer”, revelou.

Na parte da tarde, o Diretor do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, Dr. Wagner Gattaz, tratou de um tema bem caro ao público, o burnout. “Os sintomas do burnout são parecidos e até coincidentes com os da depressão, mas estão limitados ao ambiente de trabalho. Uma pessoa com burnout pode ser muito ativa em outras áreas de sua vida”, declarou. A síndrome de burnout é caracterizada pelo esgotamento emocional, a despersonalização e a insatisfação pessoal. Os fatores de personalidade que aumentam seu risco são o perfeccionismo, o desejo de ser insubstituível e a sobrecarga de trabalho, até o ponto dele substituir a vida pessoal. Segundo o Dr. Gattaz, os líderes têm papel fundamental para lidar com o problema, caso aconteça a um colaborador: “A depressão não é fraqueza, não é má vontade, é uma doença. Quem tem depressão não precisa de ajuda, precisa de tratamento.”

E se a sobrecarga de trabalho pode aumentar o risco de burnout, o que dizer de quem, além disso, não tem as habilidades necessárias para realizar suas tarefas com excelência? David Blake, fundador da Degreed e especialista em inovação no ensino superior e no aprendizado contínuo, trouxe dados alarmantes sobre a educação e o mercado de trabalho no Brasil. Segundo ele, em 2030, seremos os líderes no ranking dos países que terão vagas de emprego sobrando porque não haverá pessoas com as habilidades necessárias para preenchê-las. “Antes, se você precisasse se especializar, ia até o RH pedir um treinamento. Hoje os colaboradores vão até o YouTube”, afirmou. Para resolver esse problema, Blade diz que as empresas devem desenvolver uma cultura de aprendizado que empodere seus colaboradores a aprender aquilo que é importante para atingir seus objetivos. Mas adverte: “O treinamento deve ser personalizado. Seus gerentes não têm as mesmas habilidades e dificuldades, isso tem que ser feito em um nível pessoal.”

Treinamento também foi um dos temas da apresentação de Luiza e Fred Trajano, mãe e filho à frente do Magazine Luiza. É assim que eles estão fazendo uma grande transformação digital, digitalizando seus processos de venda, colaboradores, consumidores e até outras empresas, que fazem vendas através de sua plataforma. “Quem não inventar o futuro vai ser engolido por ele”, declarou Fred. “Ninguém é obrigado a crescer, mas se você quiser crescer tem que pagar o preço por isso!”, acrescentou Luiza. Entre várias histórias sobre a empresa, deixaram claro a importância de se manter a cultura (“Não tem que estar na parede, mas nas atitudes.”), errar da maneira correta (“Errar a gente erra todos os dias, o importante é direcionar esse erro e aprender rápido.”) e inovar sempre (“O Silicon Valley não tem o monopólio da inovação”). Luiza saiu do palco deixando uma mensagem de esperança: “O que eu mais desejo hoje é que o Brasil encontre seu caminho. Não podemos aceitar o desnível social da população. Se o Brasil vai bem, as empresas vão bem.” E saiu aplaudida de pé pelas quase 5 mil pessoas presentes na plateia.

A programação do dia foi encerrada por Don Tapscott, uma das maiores autoridades mundiais sobre blockchain, um assunto do qual muito escutamos falar, mas que poucos entendem. Ao menos na plateia, 60% responderam uma pesquisa dizendo que não sabiam quase nada sobre o tema. Para Tapscott, isso é compreensível. “Em 1994 quase ninguém usava ou sabia do que se tratava a internet. Com o blockchain, estamos vendo essa história acontecer novamente”, afirmou. Ele explicou que é uma tecnologia praticamente impossível de hackear. E para facilitar o entendimento, fez uma analogia inesperada: “O blockchain é como um nugget. Se alguém quiser hackear um nugget, precisa transformá-lo de volta num frango.” Em seguida, apresentou diversas aplicações para tecnologia, que muitos conhecem apenas pelo Bitcoin. Desde enviar dinheiro de um país para o outro de maneira segura até a comunicação entre aparelhos elétricos em nossas casas, como a geladeira e a torradeira. Também reforçou a segurança e como o blockchain pode ajudar na questão da privacidade, que, para ele, é a base da liberdade: “Sua personalidade virtual sabe mais sobre você do que você mesmo. Onde você esteve, o que comprou, o que comeu há um ano. O problema é que você não é o dono do seu “eu” virtual. Em breve, você será dono dos seus dados e irá poder escolher quem terá acesso a eles.” Parece impossível? Para Tapscott, “o futuro não deve ser profetizado, mas sim conquistado. A integridade é a base da confiança. E confiança é a expectativa de que o outro vai agir com integridade, que vai fazer a coisa certa.”

Um dia longo, com uma extensa programação que tratou de introvertidos, criatividade, agricultura, depressão, educação, varejo e blockchain. Mas esse é um dos princípios da HSM Expo: quanto mais expostos a ideias e pessoas com visões diferentes, mais expandida torna-se nossa percepção. Mesmo.

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