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Relatório Deloitte: O Consumidor pós-Covid

Produzido pela Deloitte, o relatório “COVID-19: Mantendo a lealdade e a confiança do cliente em tempos de incerteza” apresenta doze sugestões para que as empresas gerenciem seus clientes durante a situação atual. Confira abaixo os principais pontos do documento.

1. Seja fiel à sua marca e propósito
Toda interação com seus clientes e parceiros é uma oportunidade de demonstrar do que se trata a empresa e de ser honesto com sua marca e seu propósito. As pessoas estão atentas a como as empresas estão respondendo ao atual cenário, e as empresas baseadas em propósito e que se mostrarem empáticas sairão da pandemia como líderes.

2. Comunique-se com os clientes
Entre em contato com seus clientes. Faça com que eles saibam que aprecia o interesse deles pelo seu serviço ou produto e que se preocupa com eles. Trabalhar com ainda mais proximidade dos clientes em tempos difíceis ajuda na construção de laços mais fortes que podem perdurar ao longo dos anos.

3. Comunique-se com seus funcionários
A comunicação com funcionários, especialmente os que lidam diretamente com os clientes é crucial. Verifique sempre que possível se a equipe está ciente dos processos operacionais para reduzir os riscos de transmissão do vírus de pessoa para pessoa e garanta que os clientes saibam dessas medidas de precaução.

4. Desenvolva novas maneiras de trabalhar com seus clientes
É provável que o COVID-19 tenha um impacto duradouro na forma como as empresas operarão quando a crise acabar. É esperado que as equipes prefiram trabalhar remotamente e as empresas terão que acelerar as mudanças para viabilizar essa preferência. As instituições educacionais também aumentarão suas plataformas de ensino on-line e colaboração em grupo. À medida que o trabalho remoto se tornar mais comum nas próximas semanas e meses, observe os setores da sua organização que já trabalham satisfatoriamente com suas equipes nesse modelo. Processos ágeis e ferramentas de gerenciamento de projetos fazem diferença em equipes focadas no cliente auxiliando na identificação de problemas e acompanhamento de status. Técnicas ágeis podem ser adotadas por uma ampla gama de equipes operacionais visando a transição do trabalho presencial para o remoto, incluindo organização do trabalho em sprints, com duração de 15 a 30 minutos, e reuniões stand-up pelo menos duas vezes ao dia.

5. Tente se unir
Estamos juntos nessa. É tempo de se unir a parceiros e até concorrentes para utilizar os recursos que dispõem para o bem. Por exemplo, se você estiver com problemas no inventário, por qual razão você não poderia obter a ajuda de um concorrente?

6. Faça o seu melhor para cuidar de seus clientes leais
Toda empresa tem seus clientes mais fiéis, selecione serviços e recursos especiais que você possa fornecer para esses clientes valiosos. Embora todos os clientes tenham importância, pode ser necessário tomar a decisão de cuidar dos clientes fidelizados primeiro.

7. Encontre novas maneiras de gerar receita
Este pode ser o momento para oferecer ofertas e descontos especiais para manter sua base de clientes e potencialmente atrair novos clientes. Mas lembre-se, você só pode fazer isso se souber que terá a capacidade de atender a todos. Se o seu planejamento demonstra pressão sobre sua receita de fluxos, considere maneiras pelas quais você possa temporariamente substituir essa receita.

8. Avalie seus pedidos, inventário e níveis de serviço
Inevitavelmente haverá interrupção da sua cadeia de suprimentos, o que, por sua vez, afetará seus clientes. Saber qual inventário você pode obter e quando, será a chave para gerenciar as expectativas dos clientes. À medida que as cadeias de suprimentos reiniciarem, levará algum tempo para a sincronicidade das operações voltar, por isso é importante que você comunique a prioridades de produtos aos seus clientes, para que eles saibam o que esperar. Agora também pode ser um bom momento para olhar a indústria e fortalecer o relacionamento com outras empresas do seu setor, buscando produtos e soluções alternativos ou enviar alternativas aos seus clientes.

9. Revise seu marketing e publicidade
Isto pode exigir mudanças e um novo balanço, já que não há sentido em oferecer produtos e serviços que possam ser insuficientes ou estarem indisponíveis. Você pode ter que atrasar o marketing e publicidade em torno de lançamentos de produtos e serviços, e revisar os gastos com pesquisa paga, mídia digital e social, bem como mídia paga tradicional, em relação à sua capacidade de cumprir os níveis de serviço.

10. Revise também suas propriedades digitais
Se alguns produtos e serviços não estiverem disponíveis, você precisará remover da experiência digital da sua empresa, ou pelo menos receber pedidos em atraso. Se for necessário um aumento de preço devido a COVID-19, certifique-se de explicar o raciocínio por trás para seus clientes. As empresas orientadas ao consumidor devem avaliar as implicações de uma possível mudança de demanda do varejo tradicional para o online, e moverem-se rapidamente para o novo cenário.

11. Use tecnologia avançada
Além do trabalho remoto, realidade aumentada (RA) pode ajudar a manter as pessoas seguras e saudáveis durante a epidemia. Por exemplo, utilizar RA para orientar as pessoas através de procedimentos fáceis de seguir, com instruções visuais, tem se mostrado bem-sucedido, especialmente em serviços de campo. Além disso, recentes inovações no processamento de linguagem natural, análise de sentimento, reconhecimento facial e ressonância emocional podem ser úteis para o seu negócio. As capacidades dos chat-bots estão assumindo mais e mais o trabalho humano, e isso poderia ser um eficaz maneira de manter as linhas de comunicação abertas com o seu clientes.

12. Lembre-se de que o dinheiro é importante
As empresas tendem a negligenciar recebíveis quando a economia está crescendo, as taxas de juros são relativamente baixas e o fluxo de caixa não é uma preocupação. Em tempos de incerteza, as empresas atrasam pagamentos a fornecedores; portanto, não se surpreenda se seus clientes estiverem pensando em fazer a mesma coisa para você. Por isso, é importante melhorar o rigor dos seus processos de coleta. Foco na performance de pagamento de clientes específicos e identificar empresas que possam estar mudando suas práticas de pagamento. Além disso, obtenha o básico corretamente, como faturamento oportuno e preciso. Quaisquer erros no seu processo de cobrança podem levar a custos por atraso no pagamento de recebíveis.

É importante lembrar que enfrentamos crises como essa no passado e enfrentaremos elas novamente no futuro. As empresas querem voltar ao crescimento e continuar fornecendo um excelente valor aos seus clientes. Quais momentos da vida das pessoas você pode melhorar através das suas ofertas? Que ofertas novas, aprimoradas e inovadoras você pode lançar no mercado que lhe darão impulso ao sairmos do COVID-19?

Agora é a hora de analisar e levar isso em consideração para seus futuros roteiros de ofertas. Informe seus clientes sobre a importância deles para você, mantendo os interesses deles em primeiro lugar. Você será recompensado pela lealdade e confiança.

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Festival Novo Mundo: Lala Deheinzelin e Rogério Cher

Vida profissional, inteligência emocional, economia e sociedade. A partir desses quatro pilares, a HSM organizou uma trilha de conhecimento exclusiva para o Festival Novo Mundo, evento que acontece até a próxima sexta-feira (dia 10).

A programação de lives iniciou na segunda-feira, com uma palestra de Lala Deheinzelin, futurista e pioneira em Novas Economias.

Segundo Deheinzelin, o futuro é fruto dos sonhos do passado. De maneira didática e muito visual, a futurista demonstra como as inovações advêm de uma capacidade imaginativa que leva os indivíduos a criarem meios de materializarem essa criatividade. “Apesar de profundamente atrelado ao passado, o futuro é interdependente das escolhas do presente”, afirma.

Você consegue assistir ao webinar com Lala Deheinzelin discorrendo sobre as diversas noções de futuro, compreensão das economias e preparo para operar nas quatro dimensões propostas por sua teoria, neste link.

No segundo dia da trilha, o consultor Rogério Chér abordou o tema “A vida depois do emprego”. Chér, que é considerado um dos principais consultores de carreira do país, trouxe à tona questões como identidade, competências, talento e, especialmente, propósito.

“Falta a compreensão de que o default do mercado do trabalho é as coisas darem errado. Então, o correto é sentir gratidão quando as coisas dão certo, não alívio”, recomenda. Para assistir ao webinar completo, basta clicar neste link.

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5 profissionais que fazem a diferença em políticas LGBT

Apesar de 77 países proibirem a discriminação baseada na orientação sexual no trabalho e de 93% das empresas da Fortune 500 possuírem políticas contra ela, a comunidade LGBTQIA+ ainda enfrenta inúmeros desafios relacionados ao preconceito e a desigualdade no ambiente corporativo. Confira alguns dados:

– 35% profissionais LGBTQIA+ brasileiros afirmam já ter sofrido algum tipo de discriminação velada ou direta.
– Menos de 0,3% dos diretores de conselhos de empresas da Fortune 500 se identificaram abertamente como LGBTQIA+ em 2020.
– 51% dos funcionários transgêneros no Reino Unido disfarçam sua identidade no trabalho por medo de discriminação.
– 22% dos LGBTQIA+ estadunidenses afirmam não receber ou ser promovidos na mesma forma que os seus pares.
– 82% dos LGBTQIA+ brasileiros acreditam que ainda falta muito para que as empresas os acolham melhor.

Selecionamos 5 executivos e empreendedores LGBTQIA+ que se destacam no mercado de trabalho:

Tim Cook – O ex-diretor da IBM e CEO da Apple desde 2011 assumiu publicamente que é homossexual em um editorial para a Bloomberg Businessweek, em 2014. “Eu tenho orgulho de ser gay e eu considero que ser gay é um dos maiores dons que Deus me deu”, declarou. No artigo, Cook explicou que é aberto sobre sua sexualidade há anos e, apesar de muitas pessoas na Apple estarem cientes de sua orientação sexual, procurou se concentrar nos produtos e clientes da empresa, ao invés de sua vida pessoal. Ele terminou o texto dizendo: “Nós pavimentamos juntos o caminho iluminado pelo sol na direção da justiça, tijolo por tijolo. Este é o meu tijolo”. Ele também se tornou o primeiro CEO abertamente gay na lista Fortune 500, da revista norte-americana Fortune.

Maite Schneider – A transexual, empresária e ativista curitibana é conhecida por seus trabalhos voltados à causa LGBT como o portal Casa da Maitê, Integra Diversidade e Transempregos, projeto de empregabilidade voltado para pessoas trans no mercado de trabalho e com o maior banco de dados de profissionais transgêneros. No último ano, foi uma das 25 personalidades eleitas Linkedin Top Voice e finalista do Prêmio Cláudia. Schneider é também co-fundadora da ABRAT (Associação Brasileira de Transgêneros). Você pode conhecer melhor as ideias de Schneider através do seu TED.

Arlan Hamilton – Inspirada por Mike Rothenberg, da Rothenberg Ventures, Hamilton fundou o Backstage Capital, um fundo que investe em “fundadores subestimados”: mulheres, negros, membros da comunidade LGBT, minorias étnicas e religiosas. Até o momento, o Backstage Capital levantou mais de US $ 7 milhões e investiu em mais de 130 startups. Em 2018, Hamilton lançou um fundo de US $ 36 milhões especificamente para fundadoras negras.

Niarchos Pabalis – Ex-Head de Diversidade e Inclusão da SAP, foi reconhecido pelo Financial Times como um dos 30 futuros líderes LGBT do mundo. É também Diretor Global de Diversidade, Equidade e Inclusão da Wikimedia Foundation, empenhado em capacitar e envolver pessoas de todo o mundo para coletar e desenvolver conteúdo educacional sob uma licença gratuita ou de domínio público, e divulgá-lo de maneira eficaz e global!.

Maira Reis – Palestrante e fundadora da Camaleao.co, startup focada em soluções para diversidade LGBTQIA+ e que também ajuda empresas a se conectarem com a comunidade. No último ano, foi uma das 25 personalidades eleitas Linkedin Top Voice.

No Experience você encontra nosso podcast especial gravado ao vivo na Arena CBN Professional, na HSM Expo 2019. Debatemos o tema com Maite Schneider e João Torres, sócio da consultoria Mais Diversidade. Schneider e Torres comentam sobre os desafios de tornar as relações mais humanas nos ambientes corporativos. Outro aspecto abordado é a produtividade em ambientes diversos e inclusivos.

A entrevista foi concedida ao jornalista Milton Jung, da CBN. Clica aqui e confira.

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Como o coronavírus mudou o olhar para o mercado de logística

A pandemia do novo coronavírus provocou um aumento na demanda de entregas de diferentes tipos de produtos: alimentos prontos, itens de supermercado, remédios e presentes, entre outros. A alta procura pelos serviços de entrega tem impactos na infraestrutura e na força de trabalho em diversos estabelecimentos no mundo.

Para a grande maioria das empresas no Brasil, incluindo as consideradas essenciais pelo governo, o serviço de entregas tornou-se a única maneira possível de manter os negócios funcionando. Por esse motivo, quando propomos a discussão sobre o “novo normal”, depois da pandemia, a expectativa é que a maior demanda pelo delivery permaneça.

Acredito que, durante a pandemia, ficou claro que qualquer produto pode ser entregue. Isto não quer dizer, entretanto, que estruturar uma estratégia de logística seja uma tarefa fácil. Muitos empresários que ‘resistiram’ a entregar seus produtos antes do isolamento tiveram que rapidamente procurar alternativas para continuar funcionando.

Vivemos uma verdadeira mudança no comportamento do consumidor. Tal transformação impacta toda a cadeia produtiva, pois o fato de os consumidores estarem evitando as compras em lojas físicas não quer dizer que o consumo diminuiu – ele apenas migrou para o e-commerce. Nos Estados Unidos, por exemplo, a demanda cresceu tanto que alguns dos maiores players de vendas online alertaram sobre possíveis atrasos e indisponibilidade do delivery no mesmo dia ou no dia seguinte à compra.

Mas em meio às incertezas, podem existir muitas oportunidades. Uma pesquisa do Business Continuity Institute descobriu que mais de dois terços (69%) das empresas não conhecem todos os estágios da cadeia logística de seus produtos, o que pode levar a dificuldades no planejamento e na reação a situações atípicas, como a pandemia que estamos vivendo ou crises econômicas localizadas.

Com isso, as pequenas e médias empresas (PMEs) estão em posição vantajosa porque podem dinamizar rapidamente, aproveitando a tecnologia existente e adaptando-se às mudanças mais facilmente.

A verdade é que as necessidades do mercado estão mudando e os serviços de entrega precisam se adaptar rapidamente às novas demandas, especialmente agora, pois a segurança no transporte de produtos é primordial. Além dos custos mais acessíveis, a eficiência ganhou um papel mais importante do que nunca. Com isso, a implantação de serviços de entrega terceirizados pode ser uma opção capaz de manter os custos baixos.

Acredito que, da mesma forma que foi difícil prever as medidas para controlar a crise, prever as circunstâncias pós-coronavírus não é uma tarefa exata. No entanto, há algumas tendências que devem se fortalecer, como, por exemplo, a criação de empresas de qualquer setor que funcionarão apenas como delivery. Por praticidade e também por segurança, cada vez mais os consumidores irão adotar práticas cotidianas online, sem sair de casa. E, como vivemos uma época volátil, incerta, complexa e ambígua, todos os empreendedores devem ficar atentos a mudanças no seu modelo de negócios. Quem estiver mais preparado para as mudanças terá mais oportunidades de crescimento.

Albert Go, diretor regional da Lalamove América Latina

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O novo normal já começou e o home office faz parte dele

Mark Zuckerberg foi o primeiro entre os C-levels de big techs a anunciar o home office como parte da política de segurança durante a pandemia do Coronavírus, seguido pela Microsoft e Amazon. Dois meses depois, em maio, o CEO do Facebook declarou em uma live que os 48 mil funcionários da empresa seguirão em regime de trabalho remoto até o fim de 2020 e que os mais experientes permanecerão trabalhando à distância mesmo após o fase de distanciamento social. Segundo ele, em um prazo de 5 a 10 anos, metade dos funcionários trabalhará de casa.

Em entrevista ao The Verge, Zuckerberg afirma que essas projeções levam em consideração todo o investimento em tecnologias e soluções de presença remota que contribuem com a comunicação à distância, como o Portal e o Workplace.

A decisão marca uma mudança monumental na cultura de uma das empresas mais importantes do mundo. Não por acaso, outras companhias adotaram a transformação. Amazon, por exemplo, anunciou que manterá o home office até outubro – exceto para as equipes dos centros de distribuição. Google, através de seu CEO, Sundar Pichai, disse aos funcionários em uma reunião geral da empresa que provavelmente trabalharão remotamente pelo resto de 2020.

Jack Dorsey, CEO do Twitter, enviou um e-mail a seus 5 mil funcionários dizendo que os mesmos podem adotar o trabalho à distância para sempre, se desejarem. “Se nossos funcionários estiverem em uma função e situação que lhes permita trabalhar em casa e quiserem continuar fazendo isso para sempre, faremos isso acontecer”, disse um porta-voz da rede social em comunicado ao The Verge. “Caso contrário, nossos escritórios (que reabrirão em setembro) serão calorosos e acolhedores, com algumas precauções adicionais, quando acharmos que é seguro voltar”.

Diferentemente dessas empresas, a Apple já iniciou a retomada gradual das atividades. Em abril, o CEO da empresa, Tim Cook, já havia compartilhado com os funcionários o plano de retomada gradual. A volta aos escritório decorre principalmente do grande número de funcionários que trabalham com hardwares. Por isso a necessidade da presença física é mais requerida.

No Brasil, a Nubank teve o home office liberado pela CPO, Renee Mauldin, até dezembro de 2020. “Estou aqui para anunciar que continuaremos a trabalhar remotamente até o fim de 2020. Ainda que seja possível que abramos nossos escritórios antes, não exigiremos que os ‘Nubankers’ compareçam às nossas dependências antes do fim do ano”, declarou Mauldin aos quase 3 mil funcionários.

A XP, outra brasileira do setor financeiro, também anunciou a adoção do trabalho remoto aos seus 2.700 funcionários até dezembro, com a possibilidade de implementá-lo de maneira permanente. A medida foi pautada em uma pesquisa interna que indicava que 95% dos funcionários gostariam de manter o home office por pelo menos um dia da semana e 60% entre três e quatro dias.

“Aprendemos muito nos últimos dois meses e vimos nossas equipes se unirem de suas casas para manter a empresa avançando de forma nunca vista. Além disso, o fato de estarem mais próximos da família nesse momento tão difícil faz com que todos se sintam mais motivados”, declarou, em nota, o sócio e responsável pela área de gente e gestão da XP, Guilherme Sant’Anna.

O que muda? – A revista Exame publicou estudo da consultoria Cushman & Wakefield que ouviu 122 executivos de multinacionais que atuam no país. Segundo a publicação, 73,8% das empresas pretendem instituir o home office como prática definitiva. Antes da pandemia, 42% das empresas nunca tinham adotado a prática e 23% descartavam a possibilidade.

Ao que parece, o novo normal implica na reconsideração dos hábitos pré-pandemia, como o extenso deslocamento diário nas grandes cidades. O distanciamento social trouxe consigo a possibilidade de trabalho remoto e isso apresentou às empresas um cenário de economia inesperada, com redução de gastos com aluguel, energia, água, limpeza e outros itens.

Isso faz com que as empresas passem a cogitar transformar seus espaços físicos em um local de reuniões e treinamento, não mais um ambiente para expediente de trabalho. Em meio à indefinição do que será a nova realidade do mundo corporativo após o coronavírus, há a certeza de que o propósito dos escritórios e prédios corporativos já não será o mesmo de 4 meses atrás.

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Os aprendizados do sistema de saúde durante a pandemia

Na última terça-feira, tive o prazer de realizar em parceria com o Hospital Sírio-Libanês o webinar “Público e Privado: os aprendizados do sistema de saúde durante a pandemia”.

Para o tema, contamos com o Doutor Drauzio Varella, médico oncologista e cientista, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. E Doutor Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e fundador da Anvisa.

Nosso país chegou à triste marca de mais de 1 milhão de infectados, tendo perdido desde o início dessa pandemia mais de 50 mil vidas. Com o auxílio dos doutores Dráuzio e Gonzalo, nós da HSM, buscamos entender a situação, suas problemáticas e, especialmente, quais os papéis competentes aos sistemas público e privado de saúde.

Selecionei alguns trechos do webinar, que está disponível nesse link, para que mais pessoas possam acessar as ideias dessas que são duas das mentes mais brilhantes da ciência brasileira.

Responsabilidade social:
“Eu vejo a situação do Brasil com muita preocupação! A epidemia está correndo solta. As cidades que soltam um pouco aumentam seu número de mortes. A população também não entendeu a importância do isolamento pois há um Governo Federal que diz “olha, isso daí não tem problema nenhum, temos que pensar na economia”. Isso é de uma burrice catastrófica. Não é o isolamento que paralisa a economia, é o vírus. Pega as cidades que estão liberando as pessoas, isso está ativando a economia?”. – Dr. Dráuzio Varela

“50% dos recursos do SUS são federais, 25% estadual e 25% municipal. Então, estamos falando de um país que precisa do governo federal, precisa de liderança para direcionar a ajuda. Há falta de estratégia neste isolamento, especialmente com os pobres. Por que as pessoas pobres vão para a rua? Porque não há comida em casa, eles não têm a possibilidade de estocar”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

Sistemas público e privado de saúde (SUS):
“O SUS é o maior sistema de saúde pública do mundo. Nós temos 210 milhões de habitantes e ousamos dizer que todos têm direito à saúde pública gratuita. Vejo as pessoas falando “ah, o NHS na Inglaterra é maravilhoso”, tudo bem. Um país pequeno, com 60 milhões de habitantes, desenvolvido, uma população com alto nível educacional, até eu organizo o sistema de saúde. O Brasil, com essas discrepâncias sociais que temos, de dimensão continental, com diferenças regionais, 210 milhões de habitantes, não é uma tarefa simples!

Qual é a política de saúde pública do Brasil? Ninguém é capaz de dizer, porque não existe política de saúde pública no Brasil. Eu acho que o SUS deu uma grande demonstração de agilidade nesse momento. Foi só entrar um pouco mais de dinheiro, as pessoas se organizarem, a iniciativa privada ajudar. O SUS tem feito um esforço enorme para poder enfrentar essa situação toda nas piores condições possíveis, sem Ministério da Saúde praticamente.

Essa diferença entre a medicina privada e pública vai existir por muito tempo ainda. Mas ela não pode ter a disparidade que tem. Não podemos ter uma medicina para quem tem dinheiro, com os maiores recursos, toda tecnologia e o melhor tipo de atendimento. E uma medicina pobre feita para gente pobre. Não pode ser assim! Isso não é coisa de um país civilizado. Enfim, quando se chega numa situação de calamidade pública, essa fronteira entre o público e o privado deve desaparecer”. – Dr. Dráuzio Varela

“O SUS, assim como o sistema de saúde europeu, está fazendo o que dá para fazer. nosso Sistema Único de Saúde não é um desastre! o SUS é responsável por praticamente 100% da hemodiálise e 95% dos transplantes feitos no Brasil. É responsável pela vigilância sanitária, pela vigilância criminológica, pela distribuição de medicamentos de alto custo, por tratar quase a totalidade de hemofílicos e portadores do vírus da Aids do país. Ou seja, o SUS é um bruta de um sistema de saúde. Essa epidemia vai deixar bem claro isso: não é um problema do SUS, é um problema do Estado brasileiro. O Estado Brasileiro é muito mal gerenciado, e a gestão se dá na Administração Pública brasileira.


Essas questões relativas à articulação entre o público e o privado são muito importantes. Nós temos que discutir a melhoria de escalas e a melhoria do apoio. Tem que se ver o Estado como parte da Administração Pública, esse é o grande desafio. Se não tiver administração pública, não sobra Brasil! Tem que ter Estado com capacidade de gerir. Não é menos Estado, mas um Estado melhor”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

Vacinação:
“Os EUA acabaram de comprar US$ 400 milhões em vacina da AstraZeneca, que ainda não foi testada. A empresa já está construindo sua fábrica para, quando terminarem os testes, já terem um local de produção – correndo o risco de jogar toda essa produção no lixo, caso não funcione. Essa vacina será comercializada por um preço relativamente pequeno US$ 3 – cerca de R$ 21. Vinte e um reais vezes 200 milhões dá muito dinheiro. Agora, se eu decidir construir uma fábrica hoje no Brasil para essa vacina, essa fábrica vai custar mais algumas centenas de milhões de reais. Ou seja, posso acabar jogando fora alguns bilhões de reais se a vacina não tiver dado certo. O que o Tribunal de Contas dirá se esse dinheiro for público?


E essa é uma decisão estratégica de Estado, não de governo. Os países que têm governo hoje e um bom Estado estão analiticamente tomando essa decisão. E nós não temos com quem conversar sobre esse assunto no Brasil. Essa pauta custará mortes desnecessárias por alguns tostões. Isso porque, numa economia de R$ 3 trilhões como a nossa, vamos discutir R$ 2 bilhões que poderiam ser muito bem investidos para que tivéssemos capacidade de evitar a morte de 50 mil brasileiros. É disso que falamos quando falamos de vacina”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

“Suponhamos que até o final do ano tenhamos a vacina. Vamos imaginar que a gente comprasse da AstraZeneca ou da Sinovac, um dinheirão grande. Nós disporíamos dessa vacina, na melhor das hipóteses, em fevereiro, março. Nesse momento, será que a vacina será tão necessária assim? Tem esse risco de a epidemia começar a se esvair, em todos os lugares tem acontecido isso. E aconteceu com todas as outras epidemias. Os parentes mais próximos do coronavírus provocam epidemias de gripe e resfriados, que não dão imunidade duradoura. Tudo isso aumenta muito a complexidade dessa questão das vacinas.


Nessa hora, nós tínhamos que ter o que? Uma estratégia. Um Governo Federal que seja um Governo Federal, um Ministério da Saúde, uma pessoa de liderança, com capacidade profissional e técnica, e um bom trânsito entre as outras autoridades de fora da área médica, que pudesse estabelecer critérios. Onde é que nós vamos pôr o dinheiro? De que maneira vamos aplicar esse dinheiro? Qual o jeito melhor? De que modo podemos combater a epidemia? Mas isso é um sonho. Não estamos nem perto disso”. – Dr. Dráuzio Varela

O “novo normal”:
“O novo normal não é algo que vai acontecer, é algo que nós vamos construir. Seja na questão da informática ou direito à saúde pública, esse novo normal será construído por nós. Por isso é tão importante essa discussão, para difundir ideias e criar vontades. Nós temos que criar a vontade de ter um país melhor, de ter uma sociedade melhor, de ter um mundo melhor. Essa é a função de cada um de nós, transmitir os desafios e boas novas que esses tempos trazem consigo”. – Dr. Gonzalo Vecina Neto

“Vejo as pessoas revoltadas, mas assim é a vida, a natureza nos impôs esse limite. Essas crises ensinam muito à humanidade de um modo geral. Temos o ímpeto de querer reconstruir. Mas cabe a nós pensarmos como queremos viver a vida passado tudo isso. Será que faz sentido viver como era antes? Pegar um carro e levar 2 horas para percorrer 15km, precisa disso? Precisamos repensar muita coisa, em especial que país queremos deixar aos nossos filhos, aos nossos netos. Temos que reorganizar o país! Eu acho que na saúde, deixaremos o país melhor. O que precisamos é refletir: de que maneira somos capazes de melhorar o mundo em que vivemos? De que maneira vamos modernizar o Brasil?”. – Dr. Dráuzio Varela

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O Conceito 4Cs para a retomada dos ambientes corporativos

A provocação deste texto é sobre a retomada dos escritórios, ambientes de trabalho e a prática do teletrabalho. Muito se tem escutado sobre o ‘Novo Normal’ – visões diversas e ricas, e às vezes, contraditórias – só para trazer um exemplo bem simples, uns defendem o acrílico como proteção e barreira para retomada da convivência corporativa, outros dizem que é mais um item que exigirá limpeza constante e se não for bem limpo, vira um agente de transmissão. Para onde ir e o que realmente considerar para a retomada do ambiente corporativo?

Por isso, após um mergulho em artigos, estudos nacionais e internacionais e análises de diversos setores, eu entendo que a discussão precisa ser muito mais estratégica e inspirada nos tão famosos 4Ps (eu não posso perder minha raiz, sou formada em Marketing), desenvolvi um conceito para o FUTURO DO TRABALHO que chamei de 4Cs – ele é mais do que discutir o acrílico, espaçamento entre pessoas ou circulação – ele é um PLANO DIRETOR que discute 4 PILARES ESTRUTURAIS sobre o que acreditamos que viveremos nos próximos anos. Lembrando que ações táticas e imediatas são necessárias agora, entretanto serão repensadas quando a vacina for encontrada e democratizada. Então vamos colocar nossa energia em pensar estrategicamente.

O que são os 4Cs? – Este conceito foi desenvolvido considerando o humano no eixo central das decisões e do futuro do trabalho: Confiança | Cuidado | Casualidade-Conforto | Conexão e abordaremos cada uma delas a seguir.

Antes, vale resgatar uma frase provocativa que adoramos do pai da Administração Peter Drucker:
“Estratégia de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro das decisões presentes”.

Confiança – Este é um pilar amplo, recheado de variáveis controláveis e incontroláveis – agora mais do que nunca, com uma camada a mais de incertezas – porém nada fará sentido se a porta de entrada não for a CONFIANÇA! ‘Confiança’ pode ser traduzida por sinceridade, transparência, lealdade, te dou meu melhor, competência, bem-feito, fé – não algo espiritualizado e sim meu voto de confiança em você. Entendemos que o Home Office – que veio para ficar – só cabe numa gestão por CONFIANÇA. A empresa, seus gestores confiam no colaborador e o colaborador dá o seu melhor porque confia na liderança… é uma via de mão dupla, como em todo relacionamento.

No futuro do trabalho precisamos fortalecer as relações de confianças que já temos e restabelecer as que de alguma forma foram abaladas. Se em algum momento existiam dúvidas da produtividade em Home Office, certamente, isto já foi por água abaixo. Os colaboradores precisaram se adaptar, mas as lideranças também. Quantos ainda não se utilizavam do modo ‘comando-e-controle’ para supervisionar suas equipes e não gerencia-las. Além do modo de gestão, precisamos readquirir a confiança que ficou fragilizada, como de frequentar lugares públicos, estar perto do outro. E aí sim entram as ações táticas de pontos de higienização, limpeza e cuidado – que nos leva ao próximo pilar.

Cuidado – Acredito que nunca antes tivemos uma consciência tão presente em cada um de nós sobre a importância do coletivo. A lição mais forte que este momento nos deixa é que precisamos do outro para seguir, seja para ampliar nossas competências, seja para compartilhar e cuidar do coletivo. Por isso, nosso segundo pilar é sobre CUIDADO.

Aqui vale uma pequena lembrança… num momento também marcante para nosso país, para ser mais exata em 2.018, passamos pela Greve dos Caminhoneiros. Assistimos um desabastecimento preocupante, no qual todos corriam aos supermercados e compravam tudo o que podiam. Mudamos tão sutilmente nosso mindset, que eu já presenciei pessoas tirando produtos de seus carrinhos de compra e entregando para senhoras diante de uma prateleira vazia. Quantas doações! O setor privado nunca doou tanto! Os indivíduos nunca se mobilizaram tanto nas lives solidárias. Estamos na era do CUIDADO CONSCIENTE (só para acrescentar mais um ‘C’ nesta reflexão’.

Somos muito mais conscientes e atentos para o autocuidado – no qual eu tomo ações de proteção pensando no meu bem estar individual, mas também no cuidado coletivo – que eu seja também um agente do bem estar da comunidade. Isto para o FUTURO DO TRABALHO é vital… eu preciso confiar no ambiente que frequento, ter a percepção que ele é cuidado e fazer minha parte, cuidando para que ele se mantenha – atitudes tão simples e que se tornaram primordiais.

Casualidade/conforto – Outra lição aprendida para o FUTURO DO TRABALHO é que quebramos muitos protocolos e nos reconhecemos humanos… quantas reuniões virtuais com latidos de cães ao fundo, com filhos querendo colocar a cara no vídeo, com o som do micro-ondas apitando porque o prato está pronto para o almoço e tudo bem! Como mudamos nosso comportamento! Quem não se lembra do meme onde o filho invade o escritório em uma transmissão ao vivo do pai, professor e comentaria de uma respeitada rede internacional de TV em 2017. Será que em tempos de hoje haveria tanto desespero em tirar a criança de cena?

Queremos que nossos espaços de trabalho sejam a extensão de nossas casas, ofereça conforto, acolhimento, casualidade. Não, não significa que queremos trabalhar de pijama, mas todos queremos baixar a guarda das formalidades que não agregam. Sim, queremos ter áreas de convívio, descompressão, tomar um café, perguntar como foi o dia e trocar ideias de como produzir melhor. Alguns ambientes corporativos já estavam nesta linha, mas sabemos que ainda era mais aspiracional para muitos do que uma prática.

Conexão – E este último e quarto C, abrange várias leituras:
• Conexão com Pessoas: somos humanos, seres sociais, precisamos conviver e compartilhar e PONTO DE ENCONTRO será uma fascinante função do ambiente corporativo. Não viremos todos em Home Office continuamente (sim esta prática será mantida de forma alternada), queremos estar com nossos colegas!
• Conexão Tecnológica: é a infraestrutura mínima necessária para o teletrabalho, para manter a conexão com a rede da empresa, para realizar reuniões virtuais. Certamente, a transformação digital que o mundo passou foi o alicerce para enfrentarmos a pandemia e seguirmos produtivos remotamente como estamos. Inclusive emocionalmente. As comemorações virtuais, as lives de entretenimento, as conversas e apoios por grupos que trocamos mensagens. O encanto da tecnologia.
• Conexão com Valores e Propósito da Empresa: e aqui cabe uma frase que desenvolvi e acredito: ‘um propósito só tem razão de existir quando você enxerga e entende o outro’… e voltamos para a CONFIANÇA e o CUIDADO COLETIVO onde tudo se encaixa e vira um grande círculo virtuoso

Nas pesquisas e levantamentos sobre produtividade no Home Office ‘distanciamento dos colegas’ sempre é o atributo mais identificado como desvantagem na prática do teletrabalho, Somos humanos… faz parte da nossa natureza a conexão, a convivência, o compartilhamento, o coletivo. Comunidade expressa tão bem esse espaço ‘público’ utilizando a qualidade, os valores comuns que conectam a diversidade com o cuidado coletivo acima de tudo – que antes já era importante, agora é vital.

E para finalizar este artigo sobre o FUTURO DO TRABALHO, vamos colocar um horizonte de tempo. Entendemos a retomada do trabalho em 3 fases:
Reagir (imediato)
Ações de resposta a crise/ garantir a continuidade da operação/ manter o negócio
Retornar (curto-médio prazo)
Um retorno gradual às condições de trabalho ainda conciliando reaproveitamentos, reusos e adaptações com o objetivo de sustentar o negócio
Recriar (médio-longo prazo)
Um retorno geral às condições de trabalho sob novas regras e condutas, respeitando os 4Cs do Futuro do Trabalho
Os espaços só fazem sentido quando concretizam a cultura da empresa.

Claudia Trentin é especialista em pensamento analítico, uso da informação e futuro do trabalho. E atua como consultora e professora HSM

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Startups e grandes corporações: um relacionamento de sucesso

Do latim Innovatio.onis, a palavra inovação pode ser resumida como “aquilo que é novo”. Apesar de parecer um conceito muito simples, não podemos ser simplistas: seja para vender um produto ou um serviço, pensar em soluções diferentes, rápidas e atraentes para o público é sempre um grande desafio para as marcas. Isso porque não basta pensar fora da caixa, é preciso entender o que o seu target de fato quer.

Além disso, hoje, mais do que nunca, é necessário se antecipar e estar um passo à frente da concorrência, oferecendo algo que seu público ainda nem imaginava que queria ou que precisaria. Por isso, gigantes de diversos setores sempre apostaram departamentos de inovação para criarem essas tais soluções disruptivas e saírem a frente de seus concorrentes.

Porém, não muito tempo atrás, em meados dos anos 2010, um novo fenômeno começou a surgir no mercado mundial: as startups, que nada mais são do que modelos de negócios focados em criar um ecossistema de inovação que seja repetível e escalável. Para se ter uma ideia, de acordo com a Abstartups (Associação Brasileira de Startups), em 2015 o Brasil possuía mais de 4 mil iniciativas inovadoras. Hoje, o número já deu um salto de 217% e ultrapassa 13 mil iniciativas cadastradas.

Contudo, ao contrário que muitos pensaram na época, as startups não vieram para disputar espaços com as grandes companhias e gerar concorrência, mas para caminhar de mãos dadas em direção à geração de valor. Com isso, muitos empresários perceberam a sinergia entre ambos e começaram o flerte com esse modelo de negócios, o que tem trazido bons resultados tanto para empreendedores quanto para essas corporações.

Um bom exemplo disso são os programas de aporte e aceleração, em que as marcas buscam soluções disruptivas, e em troca injetam capital nessas iniciativas. E o resultado não poderia ser diferente: um casamento longo e muito feliz, cujos pilares da relação são a confiança e aumento de receita para ambas as partes.

Veja, enquanto as iniciativas de inovação consolidam seus nomes e recebem os investimentos necessários para tirarem seus projetos do papel, as empresas – que também estão atuando como investidores-anjo – colhem as novidades, participam dos lucros das startups como acionistas e, de quebra, ainda conseguem reduzir os custos com a resolução de problemas dentro de suas próprias empresas.

Por isso, caro colega empreendedor, às vezes nada melhor do que dar uma olhada à sua volta e se permitir conhecer novos mundos. É como diz o ditado: “sempre tem uma startup nova para uma grande empresa inovar”. Aposte nessa ideia!

Samir Iásbeck é CEO e Fundador do Qranio, plataforma mobile de aprendizagem que usa a gamificação para estimular os usuários a se envolverem com conteúdos educacionais em todos os momentos

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Por que o dinheiro vai acabar? O CFO do PayPal explica

Podemos dizer que o dinheiro é uma das maiores invenções da humanidade. E, apesar da proliferação de outras modalidades, principalmente no decorrer do último século, pagamentos “in cash” têm particularidades que os métodos alternativos parecem não poder igualar – dentre os quais, a garantia do anonimato, compensação imediata e aceitação universal (principalmente se estivermos falando de dólar ou euro).

Além disso, ele pode ser usado mesmo se o mundo acordar sem energia elétrica, por exemplo. No entanto, apesar de todas essas “maravilhosas” características, um número cada vez maior de economistas vem defendendo que cédulas e moedas sejam definitivamente aposentadas – até por questões de higiene.

Você deve estar se perguntando: “Tanto espírito crítico por quê?”. A melhor resposta talvez esteja em um livro chamado A Maldição do Dinheiro, de Kenneth Rogoff. O autor, professor de Políticas Públicas na Universidade de Harvard e ex-economista-chefe do FMI, ressalta o lado obscuro do dinheiro – que, no atual cenário tecnológico, torna absolutamente sem efeito suas pseudoqualidades.

Rogoff tece comentários sobre o tal “anonimato” de seu uso. “Só poderia ser considerado algo bom se não houvesse criminosos na face da Terra.” Mas eles existem – aliás, aos montes! E o chamado “dinheiro vivo” é a melhor forma de financiamento para atividades que envolvem tráfico, sonegação e terrorismo.

Pelas contas do economista, há, neste exato momento, mais de US$ 1,5 trilhão em notas circulando fora do sistema bancário. Para quem trabalha no setor financeiro e assiste, todos os dias, ao surgimento de mais e melhores ferramentas eletrônicas antifraude, esse número é simplesmente espantoso. Porque nada pode ser pior para o cidadão cumpridor de seus deveres do que deixar seu dinheiro à própria sorte. Porém, como sabemos, parte considerável desse montante não está nas mãos de gente honesta.

Rogoff defende também que um mundo sem dinheiro (no qual as pessoas comprariam produtos e serviços, pagariam suas contas e fariam todo tipo de transferência monetária única e exclusivamente via cartões de débito ou crédito e sistemas de pagamentos digitais) tornaria a política monetária dos países mais eficaz. Além disso, a segurança das operações é uma realidade palpável, que torna baixíssimo o custo de cada operação (e nem estou comparando ao custo de produzir dinheiro).

Muitos detratores do fim do dinheiro citam a população que não faz parte do sistema bancário como um problema, já que ela ficaria ainda mais marginalizada – no Brasil, são cerca de 60 milhões de pessoas. Mas esses detratores estão presos a um cenário antigo – e mais ainda no pós-pandemia. Com a tecnologia atual, qualquer pessoa que tenha um smartphone (e eles estão cada vez mais baratos) pode ter uma conta virtual, para receber ou fazer pagamentos, sem necessidade de manter vínculo com bancos ou financeiras. Pode, também, ter uma empresa operando online na palma da mão e acesso a todo tipo de produto/serviço financeiro.

Há também os que batem na tecla de que ONGs e igrejas sobrevivem, sobretudo, de doações – e estas se dão, muitas vezes, de forma anônima na maioria das vezes, até porque, segundo a pesquisa Giving Report 2019 Brasil, realizada pela IDIS, cerca de 68% das pessoas preferem que suas doações não sejam identificadas. Ou seja: creem que devem “fazer o bem sem olhar a quem”, mas também “sem dizê-lo a ninguém”.

Pode ser… Mas já está provado que é mais fácil e seguro doar o quanto quiser eletronicamente. Além disso, via aplicativo, a doação se torna absolutamente transparente tanto para quem a faz quanto para quem a recebe – o que, a princípio, ajuda a convencer mais gente a doar. Basta ver os mais de US$ 10 bilhões doados por clientes do PayPal em 2019 por meio de nossa plataforma para milhares de instituições mundo afora.

E há os que simplesmente gostam de saber que levam dinheiro no bolso – para comprar um chiclete ou pagar o almoço. Esta, convenhamos, me parece a alegação mais estranha de todas para que se mantenham cédulas e moedas em circulação – já que todas as tecnologias levam ao modelo contactless.

E mais ainda depois da Covid-19.

Quer outra razão pandêmica para apostar na moeda 100% eletrônica? Pois faça uma pesquisa no Google com as palavras “dinheiro”, “bactérias” e “vírus”. Aliás, clique aqui, porque eu já fiz isso para você. Mas cuidado: os resultados podem ser bastante indigestos.

Lucas Medola, CFO do PayPal para a América Latina

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Pós COVID-19 e a inovação necessária ao crescimento sustentável do Brasil

Há mais de 20 anos no Brasil o conceito de inovação como alavanca para o desenvolvimento econômico e social vem se intensificando. E, certamente, as dificuldades enfrentadas pelo nosso país neste momento de pandemia, coloca mais uma vez o foco na importância que os investimentos em inovação tem no enfrentamento da crise de saúde e econômica que assistimos e o quanto devem ser prioridade para o país retomar seu crescimento sustentável. É também neste momento que no Brasil é registrada a queda no consumo de famílias em torno de 2%, gerando uma queda de 1,5% do PIB somente no primeiro trimestre de 2020, segundo o IBGE. O numero de desempregados chegando a quase 13 Milhões de brasileiros.

Como um dos grandes teóricos e arquiteto das teorias de inovação que nos inspiram, o Professor Clayton Christensen, em seu último livro, em co-autoria com Karen Dillon e Efosa Ojomo, “O Paradoxo da Prosperidade: Como a Inovação é Capaz de Tirar Nações da Pobreza” destacou o poder que a inovação pode ter ao criar um ciclo virtuoso com a geração de crescimento e prosperidade. Entretanto, a chave para que isso aconteça não está simplesmente na correlação existente entre inovação e crescimento, mas sim no que causa este crescimento. A primeira indicação é que geralmente categorizamos as inovações da mesma forma, sendo que diferentes tipos de inovação podem impactar economias diferentemente. É importante avaliar três fatores: o tipo, a escala e o impacto que as inovações geradas por empresas ou empreendedores podem influenciar a economia de forma mais ampla. Conhecer essas diferenças poder ser a chave para entendermos que tipo de inovação pode nos levar a um real desenvolvimento econômico sustentável.

Os vários tipos de inovação e seu impacto – Um primeiro tipo de inovação seriam as Inovações de Sustentação, as quais trazem aprimoramentos a soluções já existentes no mercado e que tipicamente focam em consumidores que buscam uma melhor performance de um produto ou serviço. Por sua vez, Inovações de Eficiência, como o nome indica, permitem que as empresas façam mais com menos recursos. Normalmente, as inovações de eficiência são inovações de processo — elas se concentram em como o produto é fabricado. Não se pode deixar de salientar que nem as Inovações de Eficiência nem as de Sustentação são inerentemente ruins para um país. Na verdade, elas são boas para as nossas economias, mas desempenham papéis muito diferentes na promoção do crescimento econômico sustentável e na criação de empregos. Isso é o resultado de um tipo completamente diferente: as Inovações Criadoras de Mercado (MCIs – Market-Creating Innovations).

As Inovações Criadoras de Mercado ou MCIs fazem exatamente o que o nome indica — elas criam novos mercados. Porém não são apenas quaisquer novos mercados, mas do tipo que atendem pessoas para as quais não havia produtos, ou os produtos existentes eram caros demais ou inacessíveis por uma série de razões. Empreendedores ou empresas que visam o “não-consumo” têm o potencial de desenvolver negócios que podem criar uma enorme riqueza para seus acionistas e também podem ter impactos transformadores no desenvolvimento. Em 1998, Mo Ibrahim decidiu abrir uma empresa de telecomunicações sem fio no Malawi, Zâmbia, Serra Leoa e Congo, alguns dos países mais pobres do mundo. Sete anos depois, e depois de construir um modelo de negócios direcionado ao não-consumo, o mercado de telecomunicações na África hoje adiciona mais de US$150 bilhões à economia africana anualmente. Com a expectativa de promover a criação de 4,5 milhões de empregos, contribuir com US$20,5 bilhões em impostos e adicionar mais de US$214 bilhões em valor às economias africanas.

Cada tipo de inovação tem um papel a desempenhar em uma economia, seja o de criar ou manter mercados vibrantes. Porém as Inovações Criadoras de Mercado (MCIs) são especialmente poderosas, pois muitas vezes se direcionam a grandes segmentos da população ou mercado com uma solução que os ajuda a progredir frente a uma dificuldade. Pense assim: todo novo mercado de sucesso criado, independentemente do produto ou serviço vendido, tem três resultados distintos: lucros, empregos e o mais difícil de acompanhar, mas talvez o mais poderoso dos três, mudança cultural. Juntos, eles criam uma base sólida para o crescimento futuro.

No caso do Brasil se torna impossível não correlacionar a pandemia e suas crises geradas ao encolhimento do mercado consumidor ativo. Sendo assim, a alternativa para que a visão em que a inovação se torne realmente a alavanca de crescimento só será viável com a segmentação dos investimentos por empresas e empreendedores em inovações que possam alcançar este novo mercado não consumidor, como as Inovações Criadoras de Mercado, MCIs. Trazendo assim, não só o desenvolvimento econômico e social almejados há tanto tempo, como prosperidade para o nosso país.

Efosa Ojomo é escritor e pesquisador do Instituto Clayton Christensen de Inovação Disruptiva. Em novembro, o autor do livro “The Prosperity Paradox” estará na Expo 2020 para apresentar os princípios de sua pesquisa revolucionária ao público brasileiro. A programação completa pode ser visualizada no site da Expo.


Christimara Garcia é especialista em inovação, estando a frente de vários negócios no Brasil ligados a gestão da inovação e boas práticas de mercado. Juntamente com Efosa Ojomo, vem desenvolvendo uma nova iniciativa de como as Inovações Geradoras de Mercado (MCIs) podem ser incorporadas por empresas e empreendedores para a geração de novas oportunidades de negócios e desenvolvimento social e econômico.