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NOW! Classics: Os grandes momentos dos 20 anos da HSM Expo

Em uma noite incrível e cheia de recordações dos 20 anos da HSM Expo, relembramos momentos marcantes na presença de 4 Ex-CEOs da HSM.

Reynaldo Gama, CEO da HSM e Co-CEO da Singularity University Brazil, deu início à sequência de talks mediados por Gabrielle Teco, Thomaz Gomes, Poliana Abreu e Adriana Salles.

Tom Peters: gestão e excelência
Maurício Escobar, membro do Conselho de Administração na Ânima Educação, bateu um papo com a editora-executiva na revista HSM Management, Gabrielle Teco, sobre a participação de Tom Peters na HSM Expo de 2016.

Escobar relembra o momento em que Tom Peters decide reformular sua apresentação após receber a notícia de que Donald Trump havia sido eleito presidente dos Estados Unidos.

“Peters falou de improviso por 15 minutos sobre o assunto e brilhantemente criou um gancho com a temática da excelência. Ao final, foi aplaudido de pé. Ele saiu do palco afirmando que foi a melhor palestra da vida dele e que o público brasileiro o salvou naquele momento”, conta.

Na palestra, Tom Peters fala sobre a adoção da excelência como uma atitude a ser tomada imediatamente, longe de ser um plano de curto, médio ou longo prazo, mas sim o seu próximo e-mail e os próximos 5 minutos da sua vida. Você pode assistir ao vídeo neste link.

Malcolm Gladwell: dos outliers à arte de enfrentar gigantes
Thomaz Gomes, gerente de Conteúdo na HSM, entrevistou Carlos Alberto Julio, atual CEO na Echos – Innovation Lab. O talk teve como pauta a celebrada apresentação de Malcolm Gladwell na HSM Expo de 2015.

Gladwell é um jornalista britânico e colunista da The New Yorker desde 1996. É conhecido pelos livros “Outliers”, “Blink” e “Davi e Golias”. Segundo Julio,

Em uma apresentação enérgica e repleta de cases, o jornalista apresenta a temática de um de seus livros. “Urgência, capacidade de reinventar o seu mundo, e discordância (liberdade de agir como quiser). Esses três componentes são absolutamente cruciais para o sucesso, e características mais facilmente encontradas nos desfavorecidos do que nos gigantes. Isso não quer dizer que estar do lado desfavorecido é fácil. Mas é importante entender, ser o lado mais fraco tem várias vantagens também“. Você pode assistir ao vídeo neste link.

Nassim Taleb: sobre antifragilidade e Cisne Negro
A Diretora de Conteúdo, Marketing e Parcerias na HSM e na SU Brazil, Poliana Reis Abreu, bateu um papo com o co-CEO na SingularityU Brazil e VP na Ânima Educação, Guilherme Soarez.

Durante a conversa, os dois executivos discorreram sobre a apresentação de Nassim Taleb na HSM Expo de 2018. Soarez ressalta a genialidade no olhar de Taleb que, entre outras abordagens, analisa o modelo de empresas que conseguem se beneficiar com seus próprios erros.

No evento, Taleb apresenta o conceito de antifragilidade, como ele se conecta a inúmeras situações e como um ambiente de escassez promove o pensamento antifrágil por meio da supercompensação dos recursos. Você pode assistir ao vídeo neste link.

Philip Kotler: lições do guru do marketing
Finalizando a noite, a diretora-editorial e cofundadora da revista HSM Management, Adriana Salles Gomes, entrevistou o cofundador da HSM e CEO na JSN Palestras e Mentoria, José Salibi Neto.

Durante o talk, Salibi relembra a apresentação de Kotler, que é considerado o pai do marketing, com muito carinho. “Kotler tem uma maneira incansável de buscar conhecimento. É um organizador de pensamentos e gerador de insights como poucos. Ele exerce grande influência em quem sou como pessoa, não apenas como profissional“.

Em sua apresentação, o especialista em marketing e professor da Kellogg School of Management, fala sobre a globalização e reforça a ideia de que um evento em uma área do mundo mexe com muitos de nós, tornando necessária uma mudança na administração dos negócios, reduzindo os custos e aumentando o faturamento. Você pode assistir ao vídeo neste link.

Nos próximos dias 9, 10 e 11, a partir das 9:00, você poderá acompanhar o NOW! Week, com nomes como Zonathan Zittrain, Ronaldo Lemos, Bozoma St John, Nizan Guanaes, Rodrigo Oliveira, Charles Duhigg. Efosa Ojomo e Henry Timms. Para acompanhar o evento, basta se cadastrar nesse link.




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O Brasil sob um novo ponto de vista

Escolhido como um dos afrodescedentes mais influentes do mundo, em 2018, pela organização Most Influential People of Africa Descent, Paulo Rogério Nunes é o baiano que você precisa conhecer.

Publicitário de formação, Nunes é co-fundador da aceleradora de negócios de impacto social, Vale do Dendê, e também sócio da Afar Ventures, consultoria de diversidade e atração de investimento para países emergentes. Autor do livro “Oportunidades invisíveis”, Nunes foi escolhido para discursar no primeiro evento internacional da Fundação Obama, em Chicago.

Em entrevista exclusiva ao blog da HSM, Nunes mostrou como a aposta na diversidade pode colocar o Brasil entre as maiores economias do mundo.

Paulo, você se sentou à direita do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em reunião privada com jovens lideranças brasileiras e pôde falar sobre a questão racial no Brasil. Na sua percepção, a imagem que se tem do Brasil nessa pauta está quão próxima da realidade?
PRN – Na minha opinião, o Brasil não percebe o potencial da sua diversidade e não se percebe como um país multi-cultural. E isso nos impede de exercermos todo nosso potencial enquanto um país de dimensão continental, com diversas regiões, sotaques, cosmovisões e maneiras de ver o mundo. Os Estados Unidos, por exemplo, possuem a compreensão do poder da diversidade e atraem os maiores cérebros, as mais brilhantes mentes, incorporando grupos de diversos países à economia local. Isso reflete em expansão de mercado, mais inovação e, por consequência, liderança. O Brasil perde oportunidades por não se entender como um país que deva ativar sua diversidade, estimulando uma proporcionalidade econômica. Fora daqui, ainda há uma visão limitada de Brasil. Muitas pessoas desconhecem o tamanho da comunidade afro-brasileira e nossa pluralidade regional, com polos para além de Rio e São Paulo. No momento em que o Brasil conseguir vender uma imagem mais próxima à realidade, conseguirá exercer uma influência maior no cenário internacional. Não à toa, não temos um instituto de promoção da cultura brasileira pelo mundo. A Alemanha tem o Goethe Institut, a França o Institut Molière, A Espanha o Instituto Cervantes e o Brasil poderia ter um Instituto Machado de Assis – um escritor afro-brasileiro, para promover a cultura brasileira pelo mundo. Mas isso não existe.

Tendo percorrido 20 países, abordando a temática da diversidade, você acha que há um denominador comum na inserção da diversidade como prática em organizações e órgãos políticos?
PRN – Há um denominador comum nas práticas de diversidade fora do Brasil sim, e é a ideia de proporcionar aos grupos historicamente discrimados acesso a esferas mais altas da economia. Seja na diversidade dentro das corporações, no acesso à cadeia produtiva ou na promoção da publicidade desses grupos. Esse é um ponto comum em países como Canadá, Reino Unido e África do Sul, mas que no Brasil ainda é algo muito recente.

Você fala bastante sobre a importância da comunidade deixar de ser apenas consumidora para se tornar também produtora de riquezas. Como você acredita que as empresas podem trabalhar um formato híbrido entre a filantropia e o estímulo à potência econômica reprimida das comunidades afro-brasileiras?
PRN Eu gosto muito do formato híbrido de filantropia com estímulo ao potencial econômico. É necessário que as empresas separem parte de suas verbas para realizarem filantropia e fornecerem assistência – já que estamos falando de um país ainda muito desigual. Mas, em paralelo, as corporações devem trabalhar para que as pessoas dependam cada vez menos de medidas como essas, podendo se empoderar economicamente e sair desse ciclo de pobreza. Isso só ocorrerá quando as empresas passarem a olhar esses territórios como agentes econômicos e essas pessoas como potenciais parceiros. Em termos práticos da cadeia produtiva, vemos iniciativas como Billion Dollar Roundtable e Supplier Diversity Development Council, que propõe iniciativas em que as empresas se comprometem a comprarem uma quantia significativa na mão de grupos historicamente discriminados. Na Billion Dollar Roundtable, por exemplo, a condição para entrar nesse clube é comprar US$ 1 bi/ano de grupos minoritários, especialmente os afro-americanos. Se não fizermos algo nesse sentido no Brasil, será difícil chegar a um cenário mais equiparado na economia.

Em algumas entrevistas, você diz que descobriu Salvador pelo olhar estrangeiro. Na sua opinião, o que falta ao brasileiro para que ele crie essa percepção positiva do potencial nacional?
PRN – Recebi muitos turistas em Salvador, e nesse contato com eles via como ficavam maravilhados com a cidade, gastronomia, dança e maneira de ser. O Brasil não valoriza esse fator competitivo, nosso soft power. A cultura brasileira pode ser exportada para todas as partes do mundo. Isso já é feito sem nenhum tipo de apoio ou investimento na capoeira, que está em mais de 180 países, e no próprio samba que conquistou uma relevância internacional muito grande. Temos muitos produtos globais potenciais que estão represados por conta do fastio empreendedor, do fastio econômico dos grupos que preferem não investir em inovação.
Países que, por muito tempo, foram mais pobres que o Brasil, como China e Coréia do Sul; ou países nórdicos como a Dinamarca, conseguiram se posicionar na questão tecnológica e sustentável. O k-pop, que era uma música local da Coréia do Sul, se tornou um fenômeno global. O Brasil tem plenas condições de exportar sua cultura e nosso know-how dessa maneira, mas são negócios que não escalam por falta de visão dos empresários. A música afro-americana explodiu para o mundo e promoveu os EUA através do jazz, do blues, do hip-hop. O Brasil tem tudo para vender sua criatividade, inovação e diversidade, com competitividade, para atrair turistas, exportar cultura e criar novos produtos.

O olhar da inovação é proposto em diversos cursos corporativos mundo afora. Para você, qual a maior escola para exercitar esse olhar?
PRN – A maior escola para isso é a rua, sair da bolha. Os publicitários, mercadólogos, profissionais de marketing, de tendências e futurismo, vivem em uma bolha. Não conhecem a cidade onde moram, não conhecem o Brasil. Isso faz com que tenham uma limitação muito grande, copiando o que tem fora do país. Temos tudo para inovar com a nossa realidade. É mais difícil? Sim. Mas se não houvesse dificuldade, não seria inovador. A ideia de inovar, a partir do nosso ponto de vista é fundamental.

Você se divide entre o mundo corporativo e o cenário social, baseado na sua vasta e plural experiência, onde se encaixa a política nas questões de diversidade?
PRN – As políticas de diversidades devem se encaixar nos dois polos, no cenário social e no mundo corporativo. Transitando pelo investimento de impacto social privado, core business das empresas, visão de negócio, ampliação de market share, fidelização de clientes, publicidade, marketing… Trabalho com os dois mundos e disso veio a tônica do meu livro “Oportunidades invisíveis”. Nele, relato como esses extremos precisam se encontrar para gerar mais diversidade corporativa, que é um caminho fundamental para a inovação. Apresento empresas que criaram produtos e serviços que ganharam escala e possuem potencial disruptivo. Mas isso, aqueles que vivem na bolha não conseguem enxergar.

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NOW! Business – Coragem para fazer diferente

Um dia dedicado aos impactos, tendências e modelos que estão moldando o futuro dos negócios, com Amy Webb, Paula Bellizia, Pascal Finette, Paulo Rogério, Gabriela Priori, Lama Tsering e outros speakers fazendo parte do movimento HSM Expo NOW!.

O poder do agora, por Lama Tsering
O dia começou Lama Tsering, coordenadora do centro budista Odsal Ling. Reconhecida por seu estilo contundente e bem-humorado, ela foca seus ensinamentos no desenvolvimento da compaixão e na aplicação da filosofia budista na vida diária.

Tsering nos convidou a lutar contra os hábitos, viver no presente e ter mais compaixão e amor por todos os seres vivos – ferramentas que, segundo ela, são capazes de mudar o mundo.

“Nossa mente sem medo e sem tempo, no presente, é o maior recurso para este momento. Traga sua luz e ofereça, mesmo que as pessoas não agradeçam, não se importem. A questão é o que você oferece. Dessa forma o mundo muda“, afirma Tsering.

O tempero do Vale do Dendê, por Paulo Rogério
Publicitário e fundador da aceleradora de negócios de impacto social, Vale do Dendê, Paulo Rogério Nunes foi escolhido como um dos afrodescedentes mais influentes do mundo, em 2018, pela organização Most Influential People of Africa Descent.

Em sua palestra, Paulo Rogério mostrou como a aposta na diversidade do consumidor pode colocar o Brasil entre as três maiores economias do mundo e como educação financeira e de empreendedorismo são essenciais nos currículos das escolas.

“O Brasil é muito diverso e isso é um grande ativo. Se investirmos nas populações historicamente mais marginalizadas, temos tudo para estar nas três maiores economias do mundo”, afirma.

Networking: construindo redes e relacionamentos em ambientes digitais, por Gabriela Prioli
O vice-presidente de crescimento e educação continuada da Ânima Educação, Guilherme Soarez, entrevistou a advogada e comentarista da CNN Brasil, Gabriela Prioli.

Mestre em Direito Penal, Prioli leciona no curso de Pós-Graduação em Direito e Processo Penal da Universidade Presbiteriana Mackenzie e é seguida por milhares pessoas em suas redes sociais.

No bate-papo, a advogada traz valiosos insights sobre o poder do networking nos ambientes digitais. “É necessário que haja transparência sobre nossas intenções em relações profissionais e também que o bem estar do outro seja sempre levado em conta, precisamos ponderar no que uma parceria acrescenta ao outro – não somente aos nossos interesses“, sugere Prioli. “Tenha pelos projetos dos outros e mesma deferência e respeito que tem pelos seus, esse é o meu maior conselho”.

Pensamento Exponencial, por Pascal Finette
Cofundador da be.radical e Chair de Empreendedorismo e Inovação Aberta da Singularity University, Pascal Finette é também associado da BOLD Capital Partners, o fundo de capital de risco de $250 milhões de Peter Diamandis.

Finette discorreu sobre o desenvolvimento do conceito de exponencialidade e os impactos do pensamento exponencial nas empresas, nas tecnologias e na humanidade.

“Descobrir hoje o que será importante amanhã. É isso que precisamos fazer como líderes, descobrir como será o futuro, entendê-lo e criar uma narrativa com relação a este futuro. Quando conseguimos exercer essa tarefa, estamos nos preparando enquanto organizações e sociedade“.

Tecnologia e tendências: ainda é possível prever o futuro?, por Amy Webb
A ex-CEO da Microsoft Brasil e atual Conselheira do Burger King do Brasil, Paula Bellizia, entrevistou Amy Webb.

Amy é considerada uma das principais analistas de tendências da atualidade e fundadora do Future Today Institute, organização que ajuda corporações, governos e startups a se prepararem para futuros complexos.

“Não acho que trabalharemos de casa para sempre, no entanto vejo dados que sinalizam que o futuro demandará flexibilidade quanto a isso. Por conta do Covid-19, fomos apresentados às possibilidades de trabalho remoto e estamos acompanhando um novo modelo de migração humana“, afirma.

No que se refere a tecnologias exponenciais, Amy menciona a IA. “Sei que parece estranho mas acho que uma das aplicações mais interessantes da Inteligência Artificial será a biologia sintética. Os pesquisadores conseguirão projetar e reprojetar organismos, isso é uma coisa boa pois, em um futuro próximo, precisaremos propostas para lidar com as mudanças climáticas, soluções de saúde que evoluam com a progressão da sociedade e vacinas que sejam produzidas mais rapidamente“.

Segundo Webb, neste momento há a oportunidade de começarmos a ligar os pontos e observarmos os resultados possíveis de tudo o que está ocorrendo no mundo. “Acredito que as catástrofes podem ser um catalizador para mudanças positivas”, declara.

Em relação ao futuro do emprego, Amy Webb pondera sobre o que estamos fazendo hoje, já que será a base do que ocorrerá amanhã. “Há essa ideia negativa sobre automação e inteligência artificial, que é equivocada. Acho que seria interessante refletirmos sobre o que pode ser delegado a um sistema automatizado. Se voltarmos no tempo, há 20 anos, desenvolvimento de audiência ou supervisão de redes sociais soariam como profissões inventadas. Não quero amenizar a situação, alguns trabalhos realmente desaparecerão, mas outros surgirão” , conclui.

A partir do dia 9 de novembro, você poderá acompanhar o NOW! Week, três dias sobre os movimentos que estão transformando o mundo, a economia e a sociedade. Para acompanhar o evento, que contará com a participação de nomes como Bozoma Saint John, Charles Duhigg, Henry Timms, Jonathan Zittrain e Efosa Ojomo, basta se cadastrar nesse link.

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Como os profissionais realmente se sentem em relação ao trabalho remoto?

O Fórum Econômico Mundial está preparando o evento virtual The Jobs Reset Summit, que ocorrerá entre os dias 20 e 23 de outubro.

A edição de 2020 contará com 4 temáticas: 1) Economia, Crescimento e Transformação 2) Trabalho, Salários e Criação de Empregos 3) Educação, Habilidades e Lifelong Learning 4) Equidade, Inclusão e Justiça Social.

Como parte do evento, a organização vem publicando artigos como este, com pesquisas que trazem resultados surpreendentes.

  • De acordo com nova pesquisa mundial, os gerentes acreditam que estão tendo um bom desempenho no apoio às equipes durante as mudanças provocadas pela pandemia.
  • Mas os funcionários discordam, dizendo aos pesquisadores que estão cansados ​​e sobrecarregados.
  • Os trabalhadores dizem que não têm o treinamento e o suporte necessários.
  • Mais de um quinto dos trabalhadores globais foram dispensados ​​ou perderam seus empregos.

Muitos chefes podem se sentir aliviados ou até mesmo satisfeitos com a forma como lidaram com a mudança para o trabalho remoto em resposta ao COVID-19, mas os funcionários não compartilham dessa visão.

Na verdade, muitos trabalhadores se sentem cansados ​​e sobrecarregados, afirma a pesquisa do IBM Institute for Business Value. Enquanto isso, os gerentes seguem confiantes de que suas equipes estão recebendo o suporte e o treinamento de que precisam.

Quase três quartos dos gerentes da pesquisa dizem que estão ajudando suas equipes a aprenderem habilidades para trabalhar de uma nova maneira. Mas menos de dois quintos dos funcionários pensam que estão recebendo o treinamento que precisam. Eles também estão sentindo falta da interação cara a cara que estar no escritório traz.

A divisão é ainda maior quando se trata de apoiar a saúde física e emocional. Oito em cada 10 gerentes dizem que estão fazendo exatamente isso. Mas apenas 46% dos trabalhadores acreditam que sua organização está fazendo o suficiente para ajudá-los com seu bem-estar.

Para reunir os dados para a pesquisa, os pesquisadores entrevistaram 3.450 executivos em 20 países, incluindo 400 CEOs nos Estados Unidos. Eles também enviaram questionários online para 50.000 pessoas em oito países.

As informações resultantes mostram um quadro diferente das pesquisas pré-pandêmicas, que mostraram que muitas pessoas pensavam que trabalhar em casa seria preferível a ir para o trabalho. Em 2019, uma pesquisa global revelou que 99% queriam trabalhar remotamente pelo menos parte do tempo.

De acordo com o relatório da IBM, a maioria dos trabalhadores hoje se sente desconectada e sobrecarregada. “Nossa pesquisa destaca um abismo enorme entre o que os executivos pensam que estão oferecendo a seus funcionários e como esses funcionários se sentem”, diz o documento.

“Os empregadores superestimam significativamente a eficácia de seus esforços de suporte e treinamento”, observa, acrescentando que não é apenas uma questão de percepções diferentes. A pesquisa descobriu que 22% dos funcionários haviam sido dispensados ​​ou demitidos permanentemente desde o início da pandemia.

Os pesquisadores também dizem que a ênfase da gestão no controle de custos e na mudança para tecnologias como inteligência artificial – embora “prática e até necessária” – em resposta ao impacto econômico da pandemia pode estar aumentando a sensação dos funcionários de que são substituíveis.

Construindo melhores negócios

Os executivos devem aceitar que as mudanças provocadas pela pandemia são permanentes, diz o relatório.

E destaca a oportunidade atual de construir negócios melhores, que “começa com a capacitação de uma força de trabalho diversificada para um desempenho ideal”. Aqui, ele recomenda ações para os líderes, incluindo fornecer mais suporte para opções de trabalho flexíveis e enfatizar o bem-estar e o treinamento dos funcionários.

O recente relatório Diversity, Equity and Inclusion 4.0 do Fórum Econômico Mundial convida os empregadores a usarem a tecnologia para criar uma cultura de trabalho justa e inclusiva que permita que as pessoas sejam elas mesmas no trabalho.

Você consegue acessar a programação e se registrar no evento através deste link.

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HSM Now! People: O despertar de uma nova consciência

Um dia focado em transformações pessoais e mudanças de relacionamento na vida e no trabalho, com os speakers Jorge Forbes, Kaká Werá, Lourenço Bustani, Eduardo Schenberg, Esther Perel e Paulo Lima.

“O novo anormal”, por Jorge Forbes

Médico psiquiatra, psicanalista e co-fundador da Escola Brasileira de Psicanálise, Jorge Forbes iniciou o dia de palestras apresentando o conceito de TerraDois.

Segundo o presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana, à primeira vista, não há diferenciação entre a fase moderna (TerraUm) e pós-moderna (TerraDois) da humanidade, já que geograficamente nada mudou. Mas a maneira com que as pessoas passaram a viver é totalmente diferente.

“A diferença fundamental entre TerraUm e TerraDois é que a primeira é uma sociedade verticalizada, enquanto a segunda é horizontalizada. É uma diferença imensa. É uma sociedade em rede, sem padrão. Isso abre espaço para a criatividade e, ao mesmo tempo, leva a mais responsabilidade. Se diante do padrão temos de ser disciplinados, diante do criativo precisamos ser responsáveis. Estamos em uma sociedade que é menos padronizada e mais criativa”, explica.

E essas mudanças não se limitam à esfera pessoal ou social, chega também nas relações profissionais. Para Forbes, as organizações que tentarem manter um modelo relacional focado em eficiência e não em diversidade vão ficar para trás.

“De volta às origens: identidade e pertencimento”, por Kaká Werá

Escritor, ambientalista e palestrante, o indígena de origem tapuia, Kaká Werá, é também fundador do Instituto Arapoty – voltado à difusão dos saberes indígenas por meio da educação e de saberes sociais. Há mais de 20 anos, ele leciona na Universidade da Paz (UNIPAZ), instituição de ensino superior localizada em Díli, capital do Timor-Leste.

Durante sua apresentação, Werá trouxe luz à questão da ancestralidade. “Nossos arquétipos estruturam as virtudes sagradas que sustentam o nosso ser. Quando nos conectamos com a ancestralidade divina, nos aproximamos da nossa verdadeira essência, o que somos” afirma.

Kaká sugere que, para o cultivo da ancestralidade divina, pratiquemos as seguintes ações:

  • Honrar, agradecer, liberar e reordenar a constelação de antepassados
  • Integrar a natureza exterior como extensão da natureza interior
  • Cultivar a essência primeva, que é uma fonte pacífica mas poderosa, por nos dar o senso de pertecimento que nos conecta ao todo

“Mente aberta: um novo caminho para a saúde mental”, com Eduardo Schenberg e Lourenço Bustani

O empreendedor e conselheiro do Instituto Phaneros, Lourenço Bustani, bateu um papo com o biomédico Eduardo Schenberg.

Schenberg empreende no desenvolvimento de novos tratamentos psiquiátricos. E coordenou o primeiro estudo com uso terapêutico de MDMA em sessões de psicoterapia para tratamento de casos graves de transtorno de estresse pós-traumático, com aprovação da ANVISA em 2015.

Durante a conversa, o biomédico alerta que entre 30% e 40% dos pacientes não responde bem aos tratamentos psiquiatricos medicamentosos atuais.

“A OMS estima que no séc. XXI a área mais critica de saúde no planeta seja a da saúde mental. A cidade de São Paulo tem a maior taxa de transtornos mentais e depressão de todas as maiores megalópoles do planeta, segundo estudo da Harvard. O Brasil é líder em transtorno de ansiedade e o segundo do mundo em casos de depressão”, afirma Schenberg.

Os dois convidados finalizaram o encontro reiterando a importância de se dar voz à ciência no Brasil.

“As relações humanas no mundo pós-isolamento social”, com Esther Perel e Paulo Lima

Para encerrar o dia, o fundador da Editora Trip, Paulo Lima, entrevistou a aclamada psicoterapeuta belga Esther Perel.

Considerada como uma das principais vozes sobre relacionamentos individuais e coletivos do mundo, é também experiente em tratamentos de traumas coletivos, como o ataque terrorista de 11 de setembro. Segundo Esther, a quarentena maximiza o repertório de emoções dos indivíduos.

“O Covid é um desastre. E como em um desastre natural, a sensação de incerteza de quando isso chegará ao fim intensifica o stress. Há quem se torne mais prático e estruturado para enfrentar o desconhecido. E há quem passa por isso de uma maneira mais emocional. A maneira com que cada pessoa processa esse período de pandemia é reverberada nas relações sociais.“, afirma Esther.

Para a psicóloga, a gentileza e possibilidade de ser útil à sociedade é uma ótima maneira de redefinir seu propósito.

No próximo dia 15, a partir das 9:00, você poderá acompanhar o NOW! Business, com nomes como Amy Webb, Gabriela Priori, Paula Bellizia, Lama Tsering, Pascal Finette, e Paulo Rogério. Para acompanhar o evento, basta se cadastrar nesse link.

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A pós-modernidade nas organizações, segundo Jorge Forbes

“Não sei se a gente sai melhor da pandemia, mas tenho a convicção de que sairemos diferentes. Melhor ou pior depende do que cada um entende por essas coisas. Mas, a meu ver, estamos lidamos com um mundo menos padronizado, e isso exige que cada um invente uma solução para si. Vejo a a criatividade como um dos elementos essenciais ao humano, então é possível que saiamos melhores”.

Assim interpreta o médico psiquiatra, presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana e professor de curso sobre liderança empresarial da escola Saint Paul de Negócios, Jorge Forbes. Em debate promovido pela rádio Jovem Pan, Forbes afirmou que, na quarentena, os acontecimentos dos espaços maiores hipertrofiaram, tendo nossos lares como palco.

Mas antes mesmo do mundo ser surpreendido pelo coronavírus, Forbes, que é um dos maiores especialistas mundiais em psicanálise lacaniana e vencedor do Prêmio Jabuti (2013), já chamava atenção para uma importante transição social: a passagem da era moderna para a pós-moderna.

Em entrevista exclusiva à HSM Management, o autor do livro “Você quer o que deseja?” trouxe sua percepção das características pós-modernas no ambiente empresarial. Selecionamos alguns dos pontos abordados na edição 129 da revista.

Como é o mundo pós-moderno, a TerraDois?
É como se tivéssemos mudado de planeta. Ele é geograficamente igual ao anterior, mas se olhar como as pessoas vivem é totalmente diferente. Ninguém nasce ou cresce do mesmo jeito, ninguém anda, casa, estuda, trabalha, se aposenta ou morre como antes. Temos de reaprender tudo.

Que diferenças de TerraDois afetam as organizações?
A diferença fundamental entre TerraUm e TerraDois é que a primeira é uma sociedade verticalizada, enquanto a segunda é horizontalizada. É uma diferença imensa. O modo de ser de uma época é chamada de período ético (o termo grego ethos é a disciplina que estuda o caminho do comportamento). Nos últimos 2,5 mil anos, tivemos três períodos éticos e, agora, vivemos o quarto [veja a figura abaixo]. As três primeiras éticas mudam a transcendência, mas não a arquitetura: são todas verticais, padronizadas. Já a era atual muda de transcendência e de arquitetura. É uma sociedade em rede, sem padrão. Isso abre espaço para a criatividade e, ao mesmo tempo, leva a mais responsabilidade. Se diante do padrão temos de ser disciplinados, diante do criativo precisamos ser responsáveis. Estamos em uma sociedade que é menos padronizada e mais criativa. Agora, é preciso dizer que a criatividade demora para ser reconhecida e isso gera muita angústia.

Será que o Brasil pode ter vantagens nesse contexto pós-moderno?
Sim. O curioso é que o brasileiro sempre acha os países nórdicos ótimos, nos quais a assepsia das relações é a tônica. O modelo da vanguarda mundial, na verdade, é o Brasil. Nós exportamos o modelo do laço social para a pós-modernidade. Agora, apesar de praticarmos isso, ainda não entendemos que não se trata de uma brincadeira. É incrível que as empresas brasileiras, em vez de criar seus modelos com base em nossa cultura, buscam copiar a forma de funcionamento das norte-americanas. São ignorantes e acovardadas! O problema é que nós não nos legitimamos.

Até que ponto o sebastianismo luso-brasileiro não sabota isso?
De fato, temos um modo de ser infantil, por sempre esperar que o outro resolva nossas mazelas. O Brasil, como qualquer organismo social, é vivo e contraditório. Mas, de outro lado, o Brasil e o brasileiro têm, há muito tempo, flexibilidade e horizontalidade no laço social. Repare que o brasileiro não se assusta com globalização, nem com a pós-modernidade. Há muito ele desconfia das hierarquias e das tradições. Não é à toa que
nós mal conhecemos o nome de família das pessoas, que estabelecemos uma intimidade imediata com os outros, que falamos de nós mesmos com bastante facilidade. A vantagem brasileira realmente já existe, resta incorporá-la.

O que as empresas brasileiras podem fazer para incorporá-la?
Vale para as empresas uma recomendação de Goethe, da qual Freud gostava muito. Goethe dizia: “Aquilo que herdaste de teus pais, conquista para fazê-lo teu”. As empresas brasileiras herdaram do jeito de ser brasileiro a vantagem de saber trabalhar e produzir no laço social horizontal, criativo, flexível. Falta se apoderar dessa característica e desistir
da cultura do vira-lata – os meus problemas só o outro consegue resolver. As empresas precisam finalmente descobrir que já temos no Brasil a característica mais importante da globalização – e usar isso a seu favor.

Você fala no líder pós-moderno, mas algumas organizações
que se horizontalizam sugerem a ideia de abolir líderes…

Como não querem perder o bonde, as empresas fazem dois tipos de tentativas de passar de TerraUm para TerraDois: o superficial, que é adequar-se a certos modismos atuais; e o real, de mudar a estrutura de vertical para horizontal. No modismo, a mudança acontece só na aparência: os gestores mudam os nomes dos cargos, rebatizam o código de conduta como código de ética, mostram que são radicais com esse discurso de abolir líderes, mas não criam realmente mecanismos de correção dos comportamentos. Não havendo mudança estrutural, não adianta nada.

O que você mais destacaria nas características da nova liderança?
Eu destacaria a importância da diversidade. O líder moderno estimula eficiência – ser cada vez melhor na mesma coisa – e o pós-moderno privilegia a criação da diversidade. As empresas falam muito sobre diversidade, porém é mais para fora do que para dentro. Sabe por quê? Diversidade traz angústia, o tempo todo. Como eles não sabem
lidar com angústia, querem acabar com ela. Angústia na psicanálise é igual a colesterol na clínica médica. Não dá para tirar o colesterol da pessoa, mas existe colesterol bom e ruim, e temos de transformar o ruim em bom. Também não dá para tirar a angústia das pessoas, mas dá para transformar a angústia ruim em boa.

Jorge Forbes se apresentará na Expo Now! no próximo dia 30, abordando o chamado “novo normal”. Para assistir, basta se inscrever neste link.

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Off the Grid Retreat Gravidade Zero: retomando a presença

O segundo dia do Off the Grid Retreat, retiro virtual que abre o movimento da Expo Now!, começou com o diretor de Inovação e Tendências da Ânima, Rafael Ávila, conduzindo um momento de meditação.

Murilo Gun introduziu as apresentações de Tania Mujica e Otto Scharmer

Diálogos que curam
A instrutora de meditação e analista comportamental, Tania Mujica, era uma empreendedora extremamente ansiosa que passou por uma profunda transformação ao encontrar o equilíbrio entre os extremos de uma rotina corrida e o desejo de se sentir plena em todas as áreas de sua vida.

Em sua apresentação, Tânia trouxe a importância da relação com nós mesmos para que a experiência social ocorra em sua excelência. “Os universos interno e externo se retroalimentam. Os diálogos externos refletem os diálogos internos. E os diálogos internos refletem os diálogos externos”, afirma.

Segundo Mujica, a vulnerabilidade, honestidade e transparência são ingredientes que materializam a humanidade nas relações. “Comunicação sempre gera ruído, e isso se deve às diversas possibilidades de interpretações. No momento em que aprendemos a praticar a escuta ativa, tentando entender o mundo da pessoa através do que ela diz, a interação entre as pessoas se torna real”.

Presença – Um diálogo profundo
Otto Scharmer preside o programa MIT IDEAS para inovação intersetorial e foi nomeado ao Conselho Consultivo de Aprendizagem da ONU para a Agenda 2030.

Ele sugere que transformemos padrões tóxicos em nós mesmos, sejamos o que esperamos da sociedade e que a gente apresente o mesmo horror às características negativas da sociedade em nós mesmos, tais como: falta de empatia, ignorância e ódio.

“Nós, enquanto sociedade, estamos indo para a direção errada. A maioria genuinamente gostaria de colaborar com uma guinada para o sentido contrário, mas não sabe como fazer isso. De fato, isso demanda ferramentas e metodologias para que o indivíduo seja capaz de integrar uma mudança. Meu trabalho é disseminar democraticamente o acesso a esse conhecimento”, afirma.

Para Scharmer, estamos diante de um momento disruptivo. E disrupção significa basicamente que o futuro será totalmente diferente do passado. Para tanto, é necessário entender que a falta de ação tem um impacto enorme.

“Precisamos nos comprometer com o trabalho interno, mas isso não é o suficiente. Coletivamente precisamos fazer mais, responder de maneira coletiva ao que acontece. Pois isso gerará mudanças estruturais na democracia, na economia e na aprendizagem.”

No próximo dia 30, a partir das 9:00, entramos em um segundo momento da Expo, o NOW! People, com nomes como Jorge Forbes, Kaká Werá, Eduardo Schenberg, Lourenço Bustani, Esther Perel e Paulo Lima. Para acompanhar o evento, basta se cadastrar nesse link.

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Off the Grid Retreat Gravidade Zero: a hora da desaprendizagem

O primeiro dia do Off the Grid Retreat, retiro virtual que abre o movimento da Expo Now!, reuniu uma programação voltada à desaprendizagem, fazendo um convite aberto ao público para esvaziar suas mochilas.

Murilo Gun e Rafa Brites conduziram o evento online trazendo as percepções e análises de nomes como Dan Brulé, Wilma Bolsoni, Clóvis de Barros Filho e os fundadores do Gravidade Zero, Dante Freitas e Renan Hannouche.

Descompression Zone
Uma das principais atrações do dia, Dan Brulé, pioneiro de renome mundial na Arte e Ciência da Respiração, destacou a importância de simplesmente respirarmos, sem a necessidade de alterar essa ação, apenas sentir conforme ela acontece, sem julgamentos.

“Comece a inspirar, expirar e dê uma pausa antes de repetir o processo. Experimente segurar cada um desses movimentos por 5 segundos. Isso provocará uma regulação na sua respiração. Você estará respirando conscientemente”, orienta Brulé. É possível incrementar esse exercício colocando uma pausa após a inalação e outra após a expiração, criando uma prática de quatro passos.

Na opinião de Brulé, são necessários poucos instantes para equalizar mente e emoções. Os movimentos corporais, a temperatura, os pensamentos, tudo se tornará mais claro. E essa clareza pode se estender a diversos outros campos da sua vida em apenas alguns minutos.

“É uma coisa linda para se fazer por si mesmo: se conectar ao seu corpo. Você está vivo e consciente, poderoso, criativo. Desfrute! Aproveite e se liberte dos pesos desnecessários sobre os seus ombros: medos, dúvidas, crenças limitantes”, declara Dan que treina médicos, psicoterapeutas, executivos corporativos e celebridades, incluindo Tony Robbins.

Back to Basics
Dante Freitas é egresso da Singularity University e, hoje, atua como chapter da instituição aqui no Brasil, em Recife. Ele é um dos fundadores do Gravidade Zero, um laboratório de inovação e impacto social cujo princípio é nos libertar das normas e fazer com que a gente aprenda a desaprender.

Em sua apresentação, Dante traz luz à incompatibilidade dos atuais sistemas (familiar, educacional, político, econômico), com a vida humana. “A gente precisa sair do modo de sobrevivência. Buscar possibilidades de vida que potencializem nossa capacidade humana. Não sabemos ainda viver, seguimos o modelo secular de sobrevivência”, declara.

Ainda nesse contexto, ele nos convida a refletir sobre a prática de adiarmos o momento de sermos quem somos, de fato, em nossas vidas; focando nos papéis a serem exercidos e cedendo às pressões. “Às vezes, os livros nos distanciam de nós mesmos. Fazer uma carreira acadêmica com mestrado, doutorado, pode trazer mais que um título, mas um importante questionamento: quanto eu me distanciei de mim mesmo através do saber do externo?”.

Into the Feelset
Terapeuta e artista plástica, membro do Arts & Healing Network – Califórnia, organização que celebra a conexão entre Arte e Cura, Wilma Bolsoni aborda a temática da inteligência emocional apontando para questões como o déficit energético, que é a tendência das pessoas gastarem mais energia que recuperarem.

Para Wilma, muitas das nossas competências intelectuais podem ser aprendidas através do estudo teórico, mas o mesmo não ocorre com a inteligência emocional, já que ela depende de vivência e musculatura decorrente de tentativa e erro.

“Interromper padrões de stress depende de técnicas simples como o heart focused breathing e o inner ease. Você é capaz de magnetizar seu coração através da respiração consciente, ancorando um estado sustentável, prolongando isso a cada prática mais”, afirma.

A tecnologia a serviço da humanidade
Renan Hannouche foi listado em 2019 pela Forbes Under 30 como um dos jovens empreendedores promissores em tecnologia e inovação. E é um dos fundadores do Gravidade Zero.

Como um engenheiro, com uma trajetória profissional tão plural e consistente encontrou o caminho para dentro de si, conseguindo pensar em resoluções de problemas mundiais mas também na própria realização pessoal? Segundo Hannouche, o processo que passou ao lado de Dante Freitas na Singularity University foi um despertar.

“Não acredito em ambientes de competição, mas de conexão, de soma. Meu objetivo é unir pessoas com princípios e propósitos em comum que estão dispostas a se dedicar, a se doar, para tornar o mundo melhor”, afirma.

De acordo com o engenheiro e empreendedor, o princípio do Gravidade Zero é libertar as pessoas das normas. “Devemos buscar mais da nossa anormalidade, a nossa naturalidade, que é a forma como nascemos, com as diferenças que temos da sociedade, não simplesmente pessoas que têm que seguir regras e aí todo mundo parece mais do mesmo”.

Fidelidade à finitude da vida
Clóvis de Barros Filho é atualmente um dos mais requisitados palestrantes do Brasil. Suas aulas e palestras sobre ética já foram ouvidas por milhões de pessoas.

Durante o evento, o jornalista lembra que a situação de pandemia funciona como um importante lembrete de que o momento presente deve ser levado com maior comprometimento, já que é tudo o que temos.

Neste sábado, a partir das 9:30, Murilo Gun e Rafa Brites voltam com a segunda parte do programa Off the Grid Retreat Gravidade Zero, trazendo uma meditação guiada com Rafael Ávila, seguida das palestras de Tania Mujica e Otto Scharmer. Para acompanhar o evento, basta se cadastrar nesse link.

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Estratégia & execução Finanças & Cenários

A história da criação de um novo mercado: Nubank

“O motor financeiro que gera a metade dos empregos do mundo está prestes a travar”, essa é a forma como Michael Schlein, CEO da Accion, uma ONG americana que promove inclusão financeira, se posiciona. Assim como a pandemia tem forçado micro, pequenas e médias empresas (MPME) a fecharem, muitas outras terão sérios problemas em reabrir.

De acordo com o Banco Mundial, MPMEs empregam mais de 50% da força de trabalho global, mas são frequentemente excluídas do sistema bancário formal, o qual é necessário para suas operações em bons e maus momentos. Enquanto estão impossibilitadas de operar, o impacto sobre cai na vida de milhões de pessoas que tem seus salários pagos por estes pequenos negócios. Mas mesmo antes da pandemia, a desigualdade de acesso ao sistema bancário já afetava bilhões de pessoas ao redor do mundo. Seja a total falta de acesso bancário ou pela impossibilidade de acesso ao crédito, estes não dispunham de qualquer engenharia financeira a seu serviço.

Através de uma outra visão, enxergamos essas pessoas e empresas excluídas do sistema financeiro de não-consumidores. Para diversas organizações, não-consumidores podem parecer um mercado não-atrativo em razão do seu modesto potencial de consumo, mas para inovadores criadores de mercado, como o Nubank, estes não consumidores significam uma grande oportunidade.

No início, era apenas um grande problema

A história do Nubank, diferentemente de várias histórias de inovadores criadores de mercado que temos estudado, começa quando seus fundadores experimentaram pessoalmente a dificuldade de acesso ao sistema de serviços bancários no Brasil. Nenhum deles poderia ser considerado “pobre”, mas perceberam que perdiam muito tempo no relacionamento com seus bancos, o que certamente também fazia parte da realidade de muitos outros brasileiros. Eles estavam certos.

Acontece que aproximadamente 45 milhões de adultos no Brasil sofrem com a falta de acesso a serviços financeiros. Explorando o problema mais a fundo, os empreendedores do Nubank que, mesmo aqueles que tinham o privilégio de acesso ao sistema financeiro, estão bastante insatisfeitos com os serviços que recebiam. Desde as altas taxas bancárias cobradas à quantidade de tempo que levavam para terem suas demandas atendidas para terem um simples serviço prestado, o que parecia ser o modelo de negócio para vários bancos o que levava a uma grande frustação de seus clientes. O setor bancário brasileiro é um dos mais burocráticos e caros do mundo e muito pouco competitivo considerando os cinco maiores bancos que dominam o mercado. O co-fundador do Nubank, David Vélez e seus colegas estavam convencidos que havia uma enorme oportunidade para a criação de um novo mercado que fizesse a experiência bancária simples e acessível. Nas palavras de outra co-fundadora, Cristina Junqueira, “Cada problema pode ser uma oportunidade para inspirar e ser solucionado através do empreendedorismo”.

É importante notar que as oportunidades de criação de novos mercados em países como o Brasil, com um PIB per capta de mais de R$ 34.000,00, geralmente pode parecer diferente do que as em países em extrema pobreza. Em países muito pobres o não-consumo é muitas vezes óbvio – porque muito poucos produtos e serviços são acessíveis, sendo que a grande parte da população não consegue ter acesso a eles. Em países, onde a economia é um pouco mais estruturada, uma grande parcela da população pode invariavelmente ter acesso a serviços como o bancário, mas por causa de várias barreiras encontradas, milhões permanecem como não-consumidores de vários serviços financeiros.

Como o Nubank mudou essa situação

 Como os mercados existentes são estruturados para atender a certos clientes de uma forma específica, as inovações criadoras de mercado, que viabilizam um modelo de negócios completamente novo para atingir os não consumidores, geralmente parecem impossíveis antes que empreendedores criem este novo mercado. A maioria dos feedbacks recebidos inicialmente pelos empreendedores do Nubank foram negativos, mas eles perseveraram. Intuitivamente eles focaram em alavancar sua plataforma tecnológica e buscaram um novo modelo de negócio para transpor típicas barreiras ao consumo: acesso, tempo, dinheiro e capacidade.

Acesso e Tempo

Antes do Nubank, no Brasil, era comum a necessidade da ida pessoalmente a uma agência bancária todas as vezes que você tivesse que resolver um problema relacionado a sua conta. Isso significava faltas ao trabalho, custos em transporte e a espera em longas filas esperando seu atendimento, com a esperança sempre que ao final tivesse seu problema resolvido. O Nubank se antecipou na remoção dessas barreiras colocando a interação bancária a partir do seu smartphone como sua principal estratégia. A empresa permitiu aos seus clientes a criação de contas, requisição de linhas de crédito e a solução de uma enorme variedade de questões apenas a partir de seus smartphones. Dessa forma, as pessoas conseguiam economizar seu tempo e aumentar seu acesso aos serviços bancários.

Capacidade

Em países onde a infraestrutura de acesso ao histórico de adimplência é existente e confiável, é extremamente fácil conseguir acesso ao crédito, o que possibilita milhões de pessoas se plugarem ao sistema. No caso do Brasil, como acesso ao histórico de crédito é bastante burocrático e, nem sempre confiável, as pessoas têm que desenvolver seu próprio modo, ou capacidade, para comprovar que são confiáveis e merecedoras. Geralmente, é necessário conhecer as pessoas “certas” e descobrir por si próprios como acumular, avaliar e garantir seus ativos e ainda estimar qual é a melhor taxa de juros que se adequa a sua realidade e capacidade de pagamento. O Nubank removeu essa barreira para seus clientes através do desenvolvimento de um novo modelo de pontuação de crédito, um método baseado em data science através da interação com os smartphones de seus clientes.

Dinheiro

Dinheiro ou capacidade financeira é de longe uma das maiores barreiras ao consumo. O Nubank removeu essa barreira através da não cobrança de taxas bancárias (até esta data os clientes do Nubank já economizaram quase R$ 8 Bilhões de reais em taxas). Além disso, as taxas de juros dos cartões de crédito do Nubank giram entre modestos 2,75% a 14%, bem abaixo dos que os 14% a 26% cobrados pelos bancos tradicionais.

A prosperidade trazida pelo impacto do Nubank

Neste momento, o Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia do coronavirus. Em um momento em que brasileiros – e a comunidade global em sua maioria – sofrem para sair desta crise, é necessário que todas as pessoas tenham acesso garantido e seguro a linhas de crédito e outros serviços financeiros. Com este intuito, o Nubank já promoveu um enorme impacto. Dentre os seus 26 milhões de clientes, aproximadamente dois milhões ganham menos do que um salário mínimo, o que indica que a empresa teve êxito em garantir acesso bancário de forma simples e barata para todos.

Uma das principais características das inovações criadoras de mercado é que elas criam abertura para que novos empreendedores e investidores participem no novo mercado, levando um aquecimento da atividade econômica que resulta ao final na geração de novos empregos, infraestrutura e receita tributária. Apenas o Nubank emprega hoje mais de 2700 pessoas e, assim que outros players entram no mercado, muitos outros empregos podem ser criados. Além disso, desde a criação do Nubank, o mercado de fintechs no Brasil tem crescido rapidamente. Existem hoje cerca de 740 fintechs, comparados com apenas 200 em 2016.

A história do Nubank está ainda sendo escrita, uma vez que a empresa tem apenas sete anos de criação, mas seus fundadores já tem no seu radar o potencial de atingir mais de 250 milhões de latino-americanos que permanecem sem acesso bancário. Na visão e nas palavras de David “o livre acesso bancário para a América Latina”. Eles estão no caminho certo.

Efosa Ojomo é Pesquisador e Senior Fellow no Clayton Christensen Institute.
Tradução e adaptação: Christimara Garcia, fellow volutária no Clayton Christensen Institute.

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Lei Geral de Proteção de Dados: a hora de se adequar chegou

Com a pandemia do coronavírus, a virtualização das nossas vidas nos deixou ainda mais expostos ao compartilhamento de dados na internet. No Brasil, a coleta de informações se faz presente do cafezinho à compra de medicamentos na farmácia. E essas constantes solicitações tornavam uma lei voltada à preservação dos dados pessoais dos brasileiros necessária e urgente.

A vigência da Lei Geral de Proteção de Dados, aprovada em 2018, teve parecer favorável pelo Senado Federal na última quarta-feira, 26. No entanto, somente após sanção ou veto do restante do projeto de lei de conversão pelo presidente Jair Bolsonaro entrará em vigor, nos exatos termos do artigo 62 da Constituição.

“Artigo 62 (…) Parágrafo 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou tetado o projeto.”

É esperado que isso ocorra em até 15 dias úteis, após o recebimento do projeto na Casa Civil.

Corrida pela adequação – As empresas devem se adequar à lei até a data de sua vigência, que pode ocorrer ainda este ano ou no próximo. Essa preocupação com os dados coletados e precaução com invasões às redes empresariais têm feito com que as organizações recorram a seguros de riscos cibernéticos.

A aquisição desse segmento mais que dobrou de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O valor dos sinistros ocorridos em 2019, foi de R$ 145 mil – de janeiro a junho. Em 2020, foram de R$ 12,9 milhões.

Mais que uma preocupação reputacional, a adesão ao que a LGPD propõe é uma maneira de evitar as advertências e punições previstas pela lei que correspondem a até 2% do faturamento da empresa, no limite de até R$ 50 milhões em multa.

Enquanto a ANDP não chega – A LGPD estabelece também a criação da Agência Nacional de Proteção de Dados para zelar e implementar a lei, assim como fiscalizar e aplicar suas sanções. Além disso, regulamentará mais de 20 pontos da legislação e emitirá diretrizes sobre o tratamento de dados.

Enquanto o governo federal não cria a ANDP, órgãos como Procon e Ministério Público estarão aptos a fiscalizarem o cumprimento da lei e aplicar sanções previstas em outras normas, como as do Direito do Consumidor.

Conversamos com Leonardo Militelli, CEO da IBLISS Digital Security, que atende grandes empresas como iFood, Itaú, Magazine Luiza e Braskem.

De que maneira as empresas devem preparar seus colaboradores para a vigência da LGPD?
Militelli – Quando se trata dos colaboradores é essencial estabelecer um programa continuado de conscientização a respeito da navegação segura, implicações da privacidade e fraudes virtuais, de forma que se estabeleça um senso comum da importância da Segurança de dados e Privacidade e introduza esses aspectos na cultura organizacional.

O que muda para os consumidores e integrantes de redes corporativas com a LGPD?
Militelli – Para os consumidores, as empresas deverão respeitar os direitos do titular dos dados pessoais, como o direito ao esquecimento, e poderão reportar casos de descumprimento aos dados pessoais junto ao MP e PROCON, enquanto a ANPD não seja formalizada. Já nas redes corporativas, o que muda é a forma como as áreas de negócio deverão tratar os dados pessoais. Precisará haver uma mudança cultural para que pensem na privacidade em primeiro lugar e isso terá um impacto em comportamentos e procedimentos, seja antes de exportar planilhas, escolher fornecedores e trocar dados pessoais de forma arbitrária. Para isso, as áreas de negócio precisarão compreender todo o ciclo de vida dos dados pessoais na organização, conhecer a origem, locais de processamento e armazenamentos dessas informações com consentimento do titular, bem como as implicações do armazenamento e riscos.

Com a inexistência da Agência Nacional de Proteção de Dados, quem pode auxiliar as empresas na adequação à LGPD?
Militelli As empresas brasileiras já podem contar com o suporte do Governo Federal que regularmente lança cartilhas e materiais que dispõem sobre o assunto, além dos materiais disponibilizados por autoridades de privacidade de outros países (na Europa,por exemplo, há o ICO e CNIL). Quando a empresa não possui estrutura interna ou conhecimento acerca da LGPD ainda raso, é importante contar com consultorias especializadas no tema que podem acelerar o processo de adequação.