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Como seus relacionamentos irão mudar, por Esther Perel

Considerada como uma das principais vozes sobre relacionamentos individuais e coletivos, a aclamada psicoterapeuta belga Esther Perel é uma das palestrantes da HSM Expo 2020. Perel, que é também experiente em tratamentos de traumas coletivos, como o ataque terrorista de 11 de setembro, traz neste artigo uma análise sobre os impactos sociais após seis meses de pandemia.

À medida que ultrapassamos a marca de meio ano desde que a pandemia de Covid-19 começou a se espalhar na América, a terrível novidade de tudo se desgastou em uma estabilidade misteriosa onde eu moro. Mas em muitas partes da América, o pico de Covid-19 chegou relativamente recentemente. Hoje, não importa onde você esteja, quero dizer o que está por vir em seus relacionamentos mais próximos e o que fazer a respeito.

O Novo Normal não é mais novo
Você ansiará por pessoas específicas. Para mim e meu marido, eram nossos filhos adultos, que não vimos ao longo dos meses de cuidadoso isolamento. Ainda não vi meu filho mais velho por causa das restrições de viagens internacionais.

Você estabelecerá regras básicas como nunca antes. Não abracei ninguém, exceto meu marido e um dos meus filhos.

Você ocupará um estado de “separados, mas juntos” e até mesmo começará a parecer normal. Tanto que cometerá erros. Não pensei duas vezes antes de compartilhar minha água com um amigo enquanto caminhava a dois metros de distância, sem perceber que o hábito se tornou um perigo. Com um gole, meses de preocupação, cautela e negociação espacial foram completamente desfeitos. Eu me peguei dizendo o que se tornou uma das minhas frases mais usadas hoje em dia: “Se não podemos seguir nossas regras, para que serve tudo isso?”

Você descobrirá que são esses pequenos momentos de intimidade que parecem mais difíceis de restringir. Não apenas porque é doloroso privar-se do toque, mas porque mesmo o menor lapso de julgamento pode desencadear uma “Paranoia Pandêmica”. Meu marido e eu temos muito em comum, mas, como a maioria dos casais, nossas diferenças se exacerbam nas crises. No início da pandemia, eu estava em constante estado de ansiedade, temendo que meu marido adoecesse e morresse. Ele, por outro lado, estava me tranquilizando, o que eu gosto, mas também me frustra. Um dia, ele me disse que iria cavar um buraco no quintal para que eu pudesse jogá-lo direto no chão, já que estava tão convencida de que ele morreria a qualquer momento. Isso nos fez rir mais forte do que em semanas. (Nossos medos são bem diferentes; nosso humor é compartilhado.)

O humor será uma graça salvadora em seus relacionamentos
Brincadeiras bem-humoradas nos ajudam a evitar o pingue-pongue da defensiva que vejo em tantos casais. Vamos ser honestos, só porque estou ansioso não significa que sou consistente. Estou gritando com meu marido para colocar uma máscara e, em seguida, me viro para compartilhar minha água com um amigo. Mas, ao me repreender de maneira divertida por minha hipocrisia, em vez de me chamar de hipócrita abertamente, meu marido usa o humor para nos ajudar a superar nosso estresse.

Você experimentará um novo tipo de intimidade com estranhos, como uma piscadela compartilhada no supermercado reconhecendo a tolice de negociar a proximidade em um corredor ou agradecendo um caixa com uma nova profundidade de gratidão.

Um novo nível de clareza
Este é um momento de repriorização em massa. Você vai avaliar suas finanças. Você vai avaliar sua saúde. Você vai avaliar o que está funcionando bem em sua vida e o que não está. O que você quer? Onde você quer estar? Com quem você quer estar? O que você quer construir?

Mas você também experimentará um novo nível de confusão que levará a brigas. E não será apenas com um parceiro. Talvez seja sua filha que quer fazer uma viagem com os amigos, ou seu irmão que se recusa a usar uma máscara perto da mãe e do pai. Ou talvez sejam os vizinhos que pararam de convidar você para churrascos porque acham que você é cuidadoso demais ou não é cuidadoso o suficiente.

Você se tornará um especialista na rigidez dos outros, mas não conseguirá ver a sua. Você verá como eles são inflexíveis e tacanhos, como não têm empatia e como podem ser irritantemente frustrantes. Mas o ritmo da escalada é que a postura de uma pessoa reforça a da outra. Quanto mais você martela que seu parceiro NUNCA lava a louça, que você DEVE se aproximar de seus pais ou que eles estão LOUCOS por quererem que as crianças brinquem com outras crianças em uma pandemia, mais eles responderão com a mesma linguagem totalística .

Você e seu parceiro delegarão emoções um ao outro mais do que costumam fazer. Um vai maximizar; o outro irá minimizar. Um vai explodir; o outro vai implodir.

Vocês terão que lembrar um ao outro que estão no mesmo time, em vez de cada um se tornar o porta-bandeira rígido de metade de um dilema. Quando sua polarização aumentar para raiva e culpa, você se envolverá em uma das três danças: lutar-lutar, lutar-fugir ou fugir-fugir. A polarização é o impasse perfeito.

Você terá que reconhecer que nenhum de vocês tem todas as respostas. Estamos confundindo desafios técnicos com desafios adaptativos. Como o Dr. Ronald A. Heifetz explica: os desafios técnicos podem ser corrigidos facilmente por uma melhoria conhecida, enquanto os desafios adaptativos não têm procedimentos ou resultados conhecidos. Eles exigem que revisemos nossas premissas e valores fundamentais. Os desafios adaptativos exigem novas habilidades, assumir posições divergentes e, o mais importante, maior tolerância à incerteza.

Você terá que se lembrar de manter a multiplicidade de soluções, bem como suas dúvidas. A rigidez e a falsa certeza podem dar uma ilusão de controle, mas é o oposto de resiliência. Para mim, ajuda o fato de meu marido ser um especialista em traumas. Como ele diz, a resiliência se trata de saltar para a frente e para trás – o que exige flexibilidade, agilidade e capacidade de adaptação.

Depois de meses disso, posso dizer: é cansativo. Navegar no ying yang de seus relacionamentos e nos mecanismos de enfrentamento para encontrar consenso em uma era de incerteza prolongada é um trabalho árduo.

Você conhecerá seus entes queridos de uma maneira totalmente nova. Às vezes será opressor e difícil. Mas no final do dia – dia após dia após dia – você se encontrará ainda cercado, física ou virtualmente – com muitas das mesmas pessoas e os mesmos problemas. Será necessário enfrentar muitos impasses, mas isso tornará seus relacionamentos mais fortes, com os outros e com você mesmo.

Colocando os holofotes em você
Quando quero sair de um impasse, recorro ao Polarity Management Grid do Barry Johnson.

  • Desenhe uma cruz. Esta é a sua grade. No lado esquerdo está a Posição A. No lado direito está a Posição B. No quadrante superior esquerdo, a pessoa com a Posição B listará os aspectos positivos do argumento do OUTRO. No canto inferior esquerdo, eles listarão os aspectos negativos. No lado direito, a pessoa com Posição A fará o mesmo para OUTRO ARGUMENTO.
  • Digamos que a Posição A é deixar seu filho brincar com outras crianças e a Posição B é mantê-los em casa. A posição B escreverá os positivos da Posição A (“isso os deixará menos solitários; eles passarão menos tempo nas telas; eles precisam de tempo social) e os negativos (eles têm asma; a vovó mora conosco). A posição A fará o mesmo para a posição B.
  • Quando listamos apenas os aspectos positivos de nossa posição, a outra pessoa passa a ter a tarefa de enfatizar os negativos. Mas se incluirmos os aspectos positivos e negativos em nossos próprios argumentos e nos argumentos uns dos outros, isso nos ajudará a tomar uma decisão que considera todos os fatores e nos ajuda a concordar, mesmo que não concordemos totalmente.

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Não procrastine: problema precisa de solução

“Antes de se impressionar com o gigante, veja a posição do sol. Afinal, pode ser apenas a sombra de um Pigmeu”

Pasmem, a frase foi criada pelo poeta alemão Friedrich Von Hardenberg Novalis no século XVIII. Estamos no século XXI e ela continua super atual! Imagine quantas pessoas você conhece que destroem ou retardam a realização dos próprios sonhos por apequenarem-se diante dos problemas, ou dar ainda mais amplitude a situações que já são naturalmente difíceis.

Ter medo de analisar e enfrentar um problema, ou retardar a solução do mesmo, é algo que acompanha há anos a humanidade. Imagine, como exemplo, a demora na troca das pastilhas de freio da roda do seu carro. Diariamente, se ouve aquele barulho chato a cada brecada e nenhuma atitude é tomada. Quanto mais tempo levar, pior fica a situação e o disco poderá ser afetado, aumentando o custo do conserto!

Imagine que a conta do banco está descoberta e utilizando parte do limite do cheque especial. Quanto mais tempo levar para cobrir a conta, mais juros será preciso pagar ao banco. Então, corte despesas, venda algo, mas cubra a conta. Imagine uma empresa que retarda a intervenção no departamento de logística, ou na compra ou manutenção de uma máquina, ou na substituição de um funcionário ineficiente. Isso tudo retarda o processo e causa custo extra. Ou seja: ao demorar para analisar, criar estratégias e agir na solução de um problema, o mesmo cresce e se tornará um GIGANTE! Então haja rapidamente na análise, criação de estratégias e na solução de um problema e ele se tornará a sombra de um pigmeu!

Elias Awad, escritor, biógrafo e palestrante.

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Gamificação: embromation ou engajamento?

Jogos não são mais apenas um entretenimento para crianças. Muitos adultos também reservam seus momentos de lazer para eles. Além disso, os jogos também deixaram de estar apenas nos tabuleiros e foram para o mundo online.

Da mesma forma, os jogos passaram por outra transformação: deixaram de ser apenas para lazer e começaram a fazer parte do trabalho. É o que chamamos de gamificação.

A gamificação é uma grande tendência quando falamos de engajamento e aprendizagem nas empresas. Mas como isso funciona?

O que é e como funciona a gamificação?

Quando delineamos um processo em um projeto, nosso foco é na eficiência, no input-output, nos procedimentos. O mesmo acontece quando delineamos um jogo, mas os nomes são outros: o jogador, a experiência, o engajamento. O foco na eficiência, porém, continua igual.

Atualmente, fala-se muito sobre experiências do usuário. Como o cliente (leia-se: ser humano) vivencia o produto, o serviço, o momento da descoberta. O sujeito não é passivo – recebedor, e sim um protagonista que busca estímulos e recompensas.

Gamificação significa transformar os processos de trabalho em jogos que ofereçam esses estímulos à equipe. E que colocam cada indivíduo no centro da sua experiência.

Por exemplo, imagine que você faça um jogo entre seus colaboradores, com um prêmio para quem conseguir aderir às regras do novo processo mais rapidamente. Mesmo que o prêmio seja pequeno, a competição vai motivar a todos a, pelo menos, se conscientizarem do que teriam que fazer para ganhar.

E como funciona? É possível utilizar a gamificação de várias maneiras. Com competições simples, como a citada anteriormente; com jogos eletrônicos, com plataformas de gamificação e mesmo com as clássicas gincanas.

O importante é implantar o sistema de um jogo: regras e missões claras, marcadores de desempenho e recompensas.

Qual o objetivo da gamificação nas empresas?

Você já ficou muitas horas preso em um jogo de videogame? Ou tem aquele joguinho de celular que não consegue largar? Jogos, como já sabemos, prendem nossa atenção. É muito difícil largá-los enquanto eles não acabam.

Esse é o objetivo da gamificação: fazer com que sua equipe fique tão envolvida na missão que não consiga “tirar os olhos” dela enquanto não terminar.

Na prática, isso significa mais produtividade e engajamento. Afinal, quando nada nos distrai de uma tarefa, conseguimos fazer muito mais em menos tempo.

Quais são as vantagens da Gamificação?

A produtividade não é a única vantagem da gamificação. Podemos elencar alguns outros benefícios, como:

Incentivo à atualização e capacitação. Jogos são uma maneira simples de aprender e que pode ser facilmente inserida no dia a dia dos colaboradores, aumentando as possibilidades de tornar treinamentos e programas de capacitação algo mais motivante.

Aprendizado prático. Muitos profissionais se sentem receosos ao tentar novas abordagens para o processos rotineiros no trabalho. A gamificação permite que eles testem a criatividade e novos comportamentos em um ambiente virtual, por exemplo, antes de aplicar na vida real.

Mais engajamento. Mesmo quem não costuma se envolver em muitos projetos pode se sentir mais motivado quando a proposta é participar através de um jogo.

Feedback instantâneo. A gamificação oferece diversos marcadores de desempenho para os jogadores. Assim, eles recebem feedback instantaneamente quando o desempenho nas tarefas está sendo satisfatório ou quando precisa melhorar.

Competição amigável. Ninguém gosta de perder, não é mesmo? A competição amigável estimulada pela gamificação é uma forma de incentivar os colaboradores a darem seu melhor.

Estímulo da criatividade. Os jogos permitem e até mesmo exigem que os participantes sejam criativos e inovadores. Quem sabe não é aí que nasce a próxima grande ideia para a sua empresa?

Trabalho remoto. Não podemos deixar de citar essa vantagem.  A gamificação pode ser trabalhada de maneira totalmente online. Ou seja, mesmo que sua empresa esteja optando pelo trabalho remoto, ainda é possível se beneficiar dela.

Como podemos perceber, utilizar a gamificação não é embromation nem perda de tempo para sua equipe. Nem mesmo apenas um momento de descontração em meio à rotina de trabalho. Ela é, de fato, uma maneira de melhorar a produtividade da equipe, estimular a inovação e reforçar novos comportamentos.

Que comecem os jogos!

Fabiele Nunes, CEO e co-fundadora da Startup Mundi, empresa especializada em experiências gamificadas que aceleram o aprendizado de competências de empreendedorismo e inovação. 

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Como a pandemia colocou em xeque o ensino superior dos EUA

Não há dúvidas que o coronavírus nos fez rever algumas questões e no sistema educacional não poderia ser diferente. O ensino superior da maior potência econômica do mundo, os Estados Unidos, por exemplo, já estava em crise há algum tempo, quando o financiamento estatal passou a cair e os custos com as universidades passaram a ser direcionados às famílias. Para se ter uma ideia, o custo total de uma instituição no país saltou de US$ 53 mil, em 1989, para US$ 105 mil em 2016, enquanto os salários médios das famílias não tiveram grandes aumentos, passando de US$ 54 mil para US$ 59 mil no mesmo período.

Com a crescente diferença entre os custos e os benefícios, os empréstimos estudantis se tornaram um dos maiores componentes da dívida não habitacional para os americanos. Esta realidade, que já arrastava nos últimos anos, somada à necessidade do isolamento social por conta da pandemia, acarretou um grande boom de novas opções para a educação mundo a fora. Cursos livres e profissionalizantes, dos mais variados assuntos, como Masterclass, Udemy, Domestika, por exemplo, têm ganhado cada vez mais força não só nos EUA, mas em diversos países.

Por isso, gostaria de aproveitar este espaço para “profetizar” algumas tendências para apostarmos no setor educacional e sobre como serão os próximos anos para o ensino superior, o aprendizado corporativo e a mobilidade profissional nos Estados Unidos, referência em economia, tecnologia e um dos maiores polos do segmento no mundo.

Uma delas é a ascensão da experiência. Isso porque, à medida que as universidades estão se desmembrando e mais estudantes ficando online, o ecossistema de startups tem fornecido uma experiência social robusta e com curadoria para os universitários, preenchendo as lacunas deixadas pelo sistema educacional tradicional.

Além disso, também temos uma janela aberta para o desenvolvimento de plataformas verdadeiramente híbridas e focadas no aprendizado digital, mas flexíveis o suficiente para suportar as necessidades off-line do Learning Management System (LMS) – ou Sistema de Gestão de Aprendizagem. Algo para se ficar de olho, também, são as funcionalidades incorporadas de exercício e classificação, módulos mais curtos e atraentes para prender a atenção do público e vídeos previamente gravados.

Outro ramo que tem ganhado cada vez mais visibilidade é o da gamificação. Esse recurso, utilizado não apenas nos Estados Unidos, tem como propósito estimular e engajar os estudantes por meio de elementos de jogos. Essa mecânica tem sido cada vez mais interessante e buscada pela população, justamente por proporcionar uma experiência de ensino mais lúdica e simples.

Também é possível que profissões voltadas à plataformas tecnológicas, como consultores, mentores e provedores de serviços de Recursos Humanos, ganhem destaque nos próximos anos e que empresas de outplacement – ou de recolocação no mercado –, voltem à tona, justamente para preencher as lacunas que a pandemia e os altos custos para se profissionalizar têm causado.

Por mais que este artigo tenha se baseado no berço econômico do mundo, acredito que estas novidades não se restrinjam aos EUA. Basta um estalo para as modas e tendências americanas caírem nas graças do resto do mundo e ganharem rapidamente novos adeptos. Por isso, fique esperto, pois o futuro está logo aí!

Samir Iásbeck é CEO e Fundador do Qranio, plataforma mobile de aprendizagem que usa a gamificação para estimular os usuários a se envolverem com conteúdos educacionais em todos os momentos