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O que você precisa saber sobre Mindset Exponencial

Quando pensamos no crescimento de uma empresa, imaginamos uma linha reta. Ela pode não ir muito alto, mas cresce constantemente. Mas já imaginou se essa linha fosse curva, com diversos picos, um mais alto do que o outro? É assim que funciona o mindset exponencial. Já ouviu falar? Dá uma lida abaixo e saiba como ele pode transformar o crescimento da sua empresa!

Para definir o que é mindset exponencial, precisamos entender primeiro seu oposto: o mindset incremental. Esse é um pensamento tradicional, que procura fazer melhorias nos produtos e serviços oferecidos por uma empresa. Essas melhorias, em geral, pequenas e simples, teriam resultados imediatos.

O mindset exponencial vai além. Ele estimula uma visão global ambiciosa para a empresa. Não são apenas algumas melhoras pontuais, que fazem a empresa crescer aos poucos, mas sim mudanças mais gerais que façam a empresa dar saltos de crescimento impressionantes.

Em época de transformação digital, o mindset exponencial é muito importante. Isso porque a transformação digital acontece de forma lenta e, muitas vezes, não atinge o resultado desejado logo de cara. Mas o mindset exponencial estimula a resiliência, lembrando que os resultados devem ser maiores e mais impactantes do que pequenas melhorias imediatas.

Esse direcionamento ajuda empresas a crescerem no mercado, não importando quais sejam as barreiras que ele apresenta. E ainda valorizam mais a missão e os valores de uma empresa no lugar de apenas números e métricas de vaidade.

Nas diversas fases de um negócio – concepção, crescimento inicial e escala –, o mindset exponencial funciona de maneiras diferentes. Confira a seguir como ele age e como pode ajudar sua empresa em todos os momentos:

Concepção

Na concepção, o mindset incremental vai estimulá-lo a pensar em cada plano, como um passo a passo, e a tentar prever sempre o que vai acontecer a seguir. O mindset exponencial, no entanto, ensina que não existe um plano ideal.

Tentar enxergar além da curva pode causar frustração e levar os empreendedores (ou intraempreendedores) a darem passos maiores do que as pernas, antes de uma validação consistente de cada passo. Em vez de fazer isso, é preciso abraçar os incidentes e pensar além. Não foque na próxima resolução de problemas, mas sim no quadro geral. E tenha paciência: todo negócio começa do zero, de um jeito ou de outro.

Growth

Na fase de crescimento inicial, a diferença entre uma mentalidade incremental e exponencial fica mais clara. Isso porque a incremental estimula um crescimento linear, mas que não vai muito longe, não chega ao melhor resultado que poderia ter.

Com o mindset exponencial, o crescimento pode demorar mais a acontecer. Porém, quando isso acontece, os resultados tendem a ser maiores, mais satisfatórios e mais importantes para sua empresa como um todo.

Por causa dessa diferença de progressão, é preciso pensar no comercial, na organização e no planejamento financeiro de maneira diferente quando se trabalha com o mindset exponencial. Assim, em vez de tentar acelerar processos e acabar reduzindo as possibilidades para sua empresa, você tem uma visão que pode ser mais demorada, mas é mais ambiciosa e eficiente.

Escala

Esse é o momento em que sua empresa já deu um passo – ou um salto – a frente. É nessa hora em que o mindset incremental quer controlar todos os resultados, avaliar um por um e colocá-los em caixas bem organizadas. O mindset exponencial, no entanto, pensa fora da caixa.

Baseado em dados, avaliações, validações e novas ideias, essa mentalidade exponencial não se contenta com resultados controlados e constantes. A ideia é que, depois da curva de crescimento, você busque mais uma curva, tão grande quanto a primeira ou maior.

No fim das contas, o mindset exponencial é uma maneira de permitir que sua empresa cresça sem ter medo de falhar. As falhas são vistas como parte do processo e, mais do que isso, como uma alavanca do ciclo construir-medir-aprender para conseguir resultados e curvas ainda maiores no futuro.

Fabiele Nunes é CEO e co-fundadora da Startup Mundi, empresa especializada em experiências gamificadas que aceleram o aprendizado de competências de empreendedorismo e inovação

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A Hidra e a Fênix: qual é o seu modelo de empresa na adversidade?

As mitologias têm muito a nos ensinar. Nelas habitam conhecimentos antigos sobre vários aspectos da vida humana, inclusive sobre a gestão. Hoje, valendo-me de duas figuras mitológicas, gostaria de pensar modelos de organizações, principalmente em períodos de dificuldades e ressignificação.

Tal analogia não é minha, mas foi utilizada por Nassin Taleb como um arquétipo do que seria a gestão da fragilidade nas organizações. O que farei aqui é, pensando com Taleb, buscar ampliar e customizar para o nosso contexto tal realidade.

Entretanto, antes de customizar é preciso explicar essas duas figuras mitológicas. Comecemos pela Hidra. A também conhecida como Hidra de Lerna é um animal da mitologia Grega que além de apresentar uma estatura incrível e um aspecto aterrador seria constituída de sete, ou nove cabeças, dependendo da versão do relato. Tal mostro teria como propriedade o fato de que, ao ser decepada em uma de suas cabeças, no lugar, duas novas surgiriam. Desta forma, cada golpe deferido contra uma das cabeças da Hidra ao invés de enfraquecê-la a faria mais forte. Por sua vez, a Fênix, animal mitológico mais popular, é um pássaro que, quando pressentindo a morte, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, ressurgia das próprias cinzas.

Pensando na gestão e no modelo das empresas se poderia perguntar: qual a diferença estratégica entre uma organização Hidra e uma Fênix? A organização Fênix é aquela que atravessa a dificuldade, a supera, as vezes tendo que fazer vários cortes e, como se diz por aí “apertar o cinto”, mas que depois de um período de penúria acaba voltando a condição anterior de estabilidade. Ela é aquela organização que fica sonhando com os dias felizes de outrora ou projeta para um momento “utópico” no tempo essa esperança. Qual o problema disso? A rigor, nenhum. Contudo, o modelo no qual estas organizações se apoiam é frágil. É o modelo da Fênix que, muito embora gloriosamente tenha ressurgido das cinzas, volta a ser aquilo que já fora, isto é, restaura o seu status quo.

Por sua vez, a Hidra é aquela organização que diante das adversidades e dos açoites dos contextos inóspitos não só se recupera, como a Fênix, mas, elemina as suas fragilidades, tornando-se antifrágil, aumentando o seu poder de atuação, afinal, as suas cabeças dobram.

Porém, um ponto de atenção aqui. Tanto a Fênix, quanto a Hidra não se tornam maiores o que muda é a potência. Traduzindo isso na linguagem da gestão dos nossos dias se poderia dizer: A Hidra ao se confrontar com a realidade adversa agrega mais valor à sua organização, a Fênix busca se restaurar para sobreviver e perpetuar o status quo.

Pensando nisso se poderia pensar: Qual é o modelo mitológico mais adequado? A resposta é: Depende. E vou ponderar agora para demonstrar isso. Se estamos tratando de uma organização dominante em um nicho de mercado que possui o monopólio absoluto dele e tem reservas de verdade que isso não mudará por um bom tempo, o que raramente acontece, o modelo da Fênix pode servir.

Entretanto, se estamos falando de um mercado volátil, imprevisível, acelerado, que é o que, em geral, nos deparamos como organizações, o modelo da Hidra parece ser mais adaptável. Mas atenção, aqui vem um elemento sabotador importante de ser dito. As vezes, no discurso, queremos ser Hidras e na prática nem Fênix conseguimos ser, pois muitas empresas não conseguem ressurgir das próprias cinzas.

Frente a isso, algumas sugestões são pertinentes. 1ª Conheça o seu modelo de negócio e se a sua cultura organizacional é de adaptabilidade ou possui um Mindset Fixo; 2ª Identifique as suas fragilidades e pontos de contato com a realidade externa a você. Muitas podem ser as adversidades que assolam tanto a nossa Hidra quanto a nossa Fênix. 3ª Conheça para onde a sua instituição olha quando pensa nos dias felizes e tranquilos.

Pense nisso.

Gillianno Mazzetto é filósofo e co-founder da Eipsi 

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Há vagas (milhares de vagas em TI)

Na paralela dos números chocantes de vítimas da pandemia de Covid-19 no Brasil, ainda convivemos com a crescente taxa de desemprego, o que aumenta, dia-a-dia, os fatores de estresse em toda sociedade.

Alguns poucos setores, porém, mostram-se oásis e oferecem vagas. A Tecnologia de Informação (TI) é um deles com, na verdade, milhares de vagas. Estudo realizado pela Brasscom – Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação – aponta déficit de mais de 250 mil vagas em TI no País nos próximos anos.

Aqui da perspectiva de minha janela, posso garantir que tais postos de trabalho realmente existem e isso não é de hoje. Os reflexos da pandemia na aceleração da digitalização das empresas apenas fizeram com que crescesse ainda mais a demanda do que a quantidade de profissionais formados para atendê-la. Somente na everis, em um ano de minha gestão, quase que dobramos o número de colaboradores e continuamos com mais de 500 vagas não preenchidas.

Dado esse verdadeiro apagão, hoje a empresa, assim como outras do setor, investe diretamente na formação de profissionais que possam atender as demandas emergentes em todo o mundo. Pasme: atualmente pagamos para que pessoas de todas as idades e origens estudem e se formem. Disso depende a manutenção de nossos negócios.

É curioso e bastante incômodo constatar que tal déficit nessa cadeia seja histórico no Brasil. Há 10 anos [ sim, dez anos! ], uma reportagem do Jornal da Globo apontou para a já escassez e demanda crescente naquele momento*.

Na semana passada, estive com dois outros CEOs de empresas globais de serviços de TI, em uma LIVE promovida por uma plataforma de formação de TI. Falamos para um público de centenas de jovens sobre as oportunidades reais que existem hoje nessa área. Cada um de nós, falou da própria carreira e de como chegamos a onde estamos hoje, graças a crescente demanda de tecnologia no país e no mundo. 

Sim, atualmente trabalhamos juntos, até os concorrentes, para formar pessoas para nosso mercado. Aqui na everis, recentemente, abrimos 15 mil bolsas de estudo para pessoas plurais. Como tenho comentado em textos recentes, a tecnologia é também um mercado capaz de acolher a diversidade. Precisamos de diferentes habilidades e vivências para promover a melhor experiência tecnológica para o consumidor. Isso se faz com um time plural.

Destaco aqui a atuação de algumas edutechs e ONGs, focadas na formação de profissionais em TI, como a Generation, Digital Innovation One, Meu Futuro Digital, EducAfro, AutismoTech, PrograMaria, Driven… Cada uma delas forma pessoas diversas para esse mercado de trabalho sedento por boa mão de obra. Me emociono lembrar que em uma dessas conversas que mantenho, conheci uma ex-moradora de rua que hoje é programadora. A tecnologia é hoje responsável por 6% do PIB brasileiro e transforma vidas.

É possível lamentar que pouco foi feito para que uma geração de profissionais fosse formada nesse período, a fim de atender tal demanda que já emergia. Mas escolho convocar lideranças públicas e privadas para que possamos rapidamente reverter o fluxo de falta de mão de obra, que pode levar a um apagão do setor no Brasil.

Isso porque, com altos impostos para importação de serviços de mão de obra estrangeira, o País “protege” o mercado de trabalho interno, mas não fomenta a formação de brasileiros que possam ocupá-las. Enquanto isso, continuamos com a chamada “exportação de cérebros” do nosso país, agora tendo nossos profissionais contratados em dólar para prestar serviços desde sua casa às empresas na Europa e Estados Unidos. Num primeiro momento isso até pode parecer bom, mas na realidade vivemos a incongruência de ter a cabeça no forno e os pés na geladeira, como diria Delfim Neto.

Formar profissionais é mais complexo que ensinar técnicas. É também formar líderes, forjar pessoas que possam realmente vislumbrar carreiras longevas. Que tenham habilidades sócio emocionais como base, para que façam suas próprias escolhas. Digo isso porque o ciclo virtuoso da tecnologia e a crescente oferta de trabalho para quem já está no setor podem fazer com que um jovem promissor “morra na praia”, ao assumir cargos ainda inadequados para seu estágio de carreira, por conta da inevitável ânsia por ganhar mais rapidamente. Um salário fora do tom hoje, pode pôr em perigo o futuro do jovem profissional.

Como gosto de dizer, não há bom salário que pague um mal chefe. E chamo de mal chefe aquele ou aquela organização que vai jogar um aprendiz em uma circunstância para a qual ele ainda possa não estar preparado, levando a erros desnecessários que podem ecoar de forma incômoda em toda uma vida profissional.

Sim, há vagas. Há milhares delas. Precisamos nos organizar como sociedade, integrando iniciativas privadas e públicas a fim de garantir emprego agora e no futuro para milhares de pessoas. Disso depende também o posicionamento futuro do nosso país! Profissionais para TI precisam de habilidades de raciocínio lógico. É mais matemática que metafísica e isso se desenvolve com trabalho.

Há vagas. Quem quer ajudar a preparar as pessoas para ocupá-las?

Ricardo Neves é CEO da everis Brasil, consultoria multinacional de negócios e TI do Grupo NTT Data

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Negócios de impacto e filantropia: uma relação com muito potencial

O texto abaixo completa uma tríade de conteúdos sobre inovação aberta e startups de impacto: falamos sobre a lente de novos negóciossustentabilidade e hoje, falaremos sobre filantropia.

Até agora simplifiquei a comunicação, falando em startups de impacto, mas para o conteúdo de hoje vale conceituarmos o termo “negócios de impacto”: eles “são empreendimentos que têm a intenção clara de endereçar um problema socioambiental por meio de sua atividade principal (seja seu produto/serviço e/ou sua forma de operação). Atuam de acordo com a lógica de mercado, com um modelo de negócio que busca retornos financeiros, e se comprometem a medir o impacto que geram” (Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, 2019). 

O ecossistema de negócios de impacto é também chamado de setor 2.5: uma referência à união entre características do segundo setor, de empresas privadas e marcado pelo foco em gerar lucro, e do terceiro setor, de organizações sem fins lucrativos com foco em gerar impacto socioambiental positivo.

Vou destacar três vertentes nas quais acredito que a relação entre recursos de filantropia e negócios de impacto tem muito potencial.

Negócios de impacto como ‘fim’

Venture philanthropy: filantropia para desenvolvimento de pipeline de investimento

Nestes tantos anos de Quintessa, já mapeamos e nos relacionamos com mais de 4 mil negócios de impacto. O que percebemos no dia a dia é refletido pelo número que o Mapa produzido pela Pipe Social traz: 73% dos negócios de impacto mapeados faturam menos que R$ 100 mil por ano ou ainda não faturam. 

Quando a Pipe realizou o Scoring de Impacto, um dos principais desafios identificados foi a “falta de oportunidade de investimento de alta qualidade com bons históricos (track record)”

Quando lançamos a nova edição do GUIA 2.5, produzido pelo Quintessa, na pergunta aberta que fizemos sobre qual tipo de auxílio externo gostariam de receber, diversas organizações (aceleradoras, incubadoras, etc.) responderam: trazer capital de filantropia para o setor para financiar as acelerações e captar mais recursos para atender mais empreendedores. Não à toa o título da matéria da Reset sobre o evento de lançamento do GUIA foi: “Ecossistema de impacto cresce no país — mas ainda precisa atrair a Faria Lima”.

Assim, se temos capital voltado para investimentos de impacto aguardando negócios maduros para ser alocado e temos negócios iniciais precisando de suporte para amadurecerem, qual tipo de capital pode destravar essa equação, viabilizando este suporte?

Foi de forma sincrônica que conheci o conceito de venture philanthropy e reconheci o que já fazíamos no Quintessa há anos.

Segundo a EVPA, “a Venture Philanthropy trabalha para fortalecer as organizações sociais, fornecendo-lhes recursos financeiros e apoio não financeiro, a fim de aumentar seu impacto social. A metodologia é baseada na aplicação de princípios de capital de risco, incluindo investimento a longo prazo e apoio prático a certos elementos de economia social”. As principais características incluem: Financiamento sob medida (escolhendo os instrumentos financeiros mais adequados a fim de apoiar a organização – grant, dívida, equity e instrumentos financeiros híbridos); Apoio organizacional (serviços de apoio com valor agregado a fim de fortalecer a resiliência organizacional e a sustentabilidade financeira); Medição e gerenciamento de impacto (medição e gestão do processo de criação de impacto social, a fim de maximizar e potencializar impacto). 

Um grande case que pode servir de exemplo é da In3Citi com a startup de impacto Nina, feito em colaboração com o Quintessa (descrito neste material)A In3Citi utilizou-se de recurso filantrópico para viabilizar a aceleração da Nina, o que fez com que a startup estivesse mais qualificada e madura para receber posteriormente um investimento em equity, o qual além de visar retorno em termos de impacto, visava também retorno financeiro. A parceria deu tão certo que já estamos em nosso quarto caso juntos: Eco Panplas, HY Sustentável e Solos.

Além de qualificar o pipeline de investimentos, é uma ação que gera impacto na ponta (no caso da Nina, cidades seguras para mulheres e para todos) e ao ecossistema, atuando no gap que pontuei acima.

Essa estratégia é descrita neste caso muito didático: “Investing for Impact: Ordinary Work for Extraordinary People”. Até o negócio se tornar lucrativo, a Unicus recebeu apoio de doações (grants) e posteriormente recebeu investimento em equity (participação acionária), sempre com apoio não financeiro de forma complementar:

Apesar de não ser um assunto muito comentado, isso é um tanto comum: a Vitalk, que realizamos a aceleração em 2017 e ajudamos a captar 8 milhões de reais do bolso de Venture Capital (com investidores como a Valor Capital) posteriormente, havia, nos seus anos iniciais, desenvolvido seus produtos com suporte de doações, como contam aqui.

Assim, o recurso da filantropia pode ser um grande aliado do recurso que busca retorno financeiro, o venture capital, criando um pipeline qualificado. A filantropia pode oferecer um recurso paciente e um espaço de experimentação que permite lidar com risco, para que depois venham outros “bolsos”.

Filantropia estratégica: filantropia para desenvolvimento de pipeline de parceiros de negócio

Um mesmo viés pode ser adotado para olharmos para as empresas. Aqui vou utilizar o conceito de Filantropia Estratégica, segundo este artigo: “a filantropia estratégica é caracterizada quando uma firma busca empreender esforços sinérgicos utilizando os recursos corporativos para resolver problemas sociais que estejam em consonância com os valores centrais e a missão da empresa. (…) Isso significa dizer que estão buscando atingir os objetivos de negócios também a partir das ações de filantropia”. 

Assim, empresas e organizações podem utilizar da filantropia como uma forma de gerar impacto positivo e também se relacionarem com novos parceiros de negócio, gerando valor à sua atividade core, consumidores e outros stakeholders.

Um exemplo é o case que realizamos com a BP, na qual, junto à Palladium, aceleramos a Beequal, um negócio que oferece espaço terapêutico para pais de crianças com desafios de desenvolvimento. Ter realizado a aceleração gerou impacto positivo na ponta, beneficiando pais e crianças, bem como qualificou um potencial parceiro para a BP no relacionamento com seus clientes.   

Um outro exemplo de parceria possível seria de uma empresa que trabalha com artigos de moda e viabilizasse a aceleração de negócios como a Rede Asta ou a Já Entendi, que poderiam capacitar mulheres de baixa renda costureiras que produzem artigos para sua coleção.

Por último, ressaltando o que disse acima, da filantropia como um recurso paciente e que permite lidar com risco, realizamos com o Instituto Vedacit o primeiro Mapa Cidades Sustentáveis, identificando ONGs e negócios que impacto que atuavam na temática – uma ação que ajuda a embasar o planejamento estratégico da empresa, no viés de inovação aberta e responsabilidade social corporativa.

Negócios de impacto como ‘meio’

Filantropia para contratar soluções que geram impacto positivo de forma qualificada, perene e escalável

Negócios de impacto também podem fazer parte de uma atuação filantrópica enxergando-os como meio – me explico: olhando as soluções que eles podem implementar e gerar impacto na ponta.

Uma ação que realizamos neste sentido foi a primeira edição da Plataforma Negócios pelo Futuro, com foco em soluções para o contexto de pandemia gerada pelo COVID-19. Ainda que os negócios selecionados pudessem ser analisados como potenciais investimentos, no caso, o capital mobilizado veio do bolso da filantropia estratégica, contratando as soluções dos negócios para que elas fossem oferecidas gratuitamente para os beneficiários na ponta, como relatado nesta matéria

Os negócios de impacto possuem soluções já prontas, qualificadas, com potencial de escala e sustentabilidade financeira – há um poder de multiplicação ao apoiá-los, pois eles poderão continuar gerando impacto para outras centenas de pessoas a partir do recurso alocado.

Por exemplo, dentro de uma estratégia de responsabilidade social de uma empresa para desenvolver a comunidade do entorno de sua sede, pode fazer todo sentido implementar a solução de um negócio como a Barkus para oferecer educação financeira, da Litro de Luz para dar acesso à iluminação pública, do Moradigna para oferecer mais salubridade às casas.

Vale mencionar que a boa prática é sempre partir de uma escuta ativa, do entendimento das demandas locais, e também que esta ação poderia estar ainda integrada à uma ação de mentoria dos executivos, na estratégia de voluntariado corporativo.

Cabem aqui duas observações. Uma é para não cairmos no pensamento de que o setor 2.5 é melhor do que o Terceiro Setor ou na visão de que um deve substituir o outro – acreditamos na visão de complementaridade, vendo os negócios de impacto, assim como as ONGs, como potenciais parceiros para implementação de projetos que gerem impacto positivo na ponta. 

A segunda observação é que por mais que estejamos falando de recursos de doação, muitas vezes essas relações se materializam na ponta por meio da emissão de uma nota fiscal – contratando a solução dos negócios e baseando a prestação de contas no impacto gerado, não na forma como o recurso foi alocado internamente.

Há tantos outros caminhos possíveis:

Uma empresa que trabalha com construção pode investir recursos filantrópicos no desenvolvimento de um bairro e na causa de cidades sustentáveis, beneficiando a cidade externamente, mas gerando valor ao negócio por meio da valorização imobiliária. 

Uma empresa que deseja atuar com a causa da educação pode investir recursos filantrópicos “dentro de casa”, beneficiando seus colaboradores e comunidade do entorno com soluções educacionais de negócios de impacto de educação e preparo técnico – e não apenas doando para projetos que não se relacionem com a sua operação.

Negócios de impacto como Prosas, Simbiose, Editora Mol e Arredondar, podem facilitar a empresa no direcionamento de benefícios fiscais e na mobilização de doações para causas.

Uma organização sem fins lucrativos, como é o caso da Fundação Lemann, pode viabilizar o desenvolvimento de edtechs e a implementação de suas soluções como uma forma de melhorar a aprendizagem de estudantes de escolas públicas brasileiras, com recursos filantrópicos, como está acontecendo em nosso programa em parceria.

Atuando de forma consistente, alinhada ao negócio, a filantropia estratégica pode também dar base à estratégia ESG da grande empresa. No início do texto falei como três abordagens distintas, mas a realidade é que o valor está na visão sistêmica, vendo negócio, sustentabilidade e filantropia como ações integradas de uma mesma estratégia, como foi muito bem pontuado neste podcast do GIFE.

Os negócios de impacto, dentro deste viés de serem “2.5” (dois e meio), navegam entre estes distintos bolsos, do 2.1 ao 2.9. Muitas vezes recebem investimento de venture capital, priorizando o viés for profit, por mais que gerem impacto positivo. Por outras vezes, recebem recursos de filantropia, priorizando o for impact, por mais que gerem retorno financeiro.

Espero que o texto tenha trazido clareza sobre o assunto, que vale para estratégias de filantropia de empresas e de pessoas físicas. Tendo lucidez sobre a enormidade dos desafios sociais e ambientais que temos ndo país, esse tipo de ação não só faz sentido em termos de negócio, como é extremamente necessária para que tenhamos uma realidade mais justa, equânime e de qualidade para todos.

Anna de Souza Aranha é diretora do Quintessa. Desde 2009, o Quintessa impulsiona startups que resolvem desafios socioambientais e realiza iniciativas que promovem as agendas de inovação, impacto positivo e ESG para grandes empresas, investidores, institutos e fundações. Texto publicado originalmente no blog do Quintessa.

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O trabalho e o profissional pós-pandemia: reflexões dos impactos da crise

Muito tem se falado/escrito sobre as competências necessárias para os líderes durante a crise atual, mas pouco se tem discutido sobre o futuro das competências do profissional pós-pandemia. Nossa proposta neste artigo é estimular essa reflexão.

Não abordaremos a difusão do home office e outras tecnologias que se mostraram alternativas eficientes para aproximar as pessoas fisicamente distantes, mas sim, os possíveis impactos dessas transformações na relação com o emprego.

A sociedade que, há não muito tempo, vivia momentos de polarização (sobretudo no contexto político), foi exposta ao mesmo vírus, enfrentando o mesmo “inimigo”. Assim, o fato de todos estarmos confrontando desafios que possuem a mesma causa raiz, nos faz, em escalas diferentes, exercitar nossa empatia.

Hoje, muito mais do que ontem, há certa compreensão de dilemas e dificuldades que transcendem nossa individualidade. Temos agora, de forma latente, a oportunidade de nos projetarmos no lugar do outro, ampliando assim, nossas perspectivas.

A pandemia também expos a vulnerabilidade de nossa sociedade e algumas de nossas fragilidades como indivíduos. Antes havia, no mundo corporativo, grande esforço para esconder tais vulnerabilidades, sendo vistas como fraquezas que poderiam “derrubar” ou “interromper” a progressão linear da carreira.

Essa fórmula: empatia + vulnerabilidade é poderosa. Colocando na base da relação de trabalho a transparência e a confiança, independentemente do nível hierárquico do profissional, tem-se como possível resultado a formação e destaque de profissionais mais humanos.

Na nossa visão, este potencial resultado representa uma quebra de paradigma versus o colaborador pré-pandemia. Sujeito que, em apertada suma, colocava o resultado acima de tudo e, algumas vezes, de todos. A mudança já vinha acontecendo paulatinamente, porém, a pandemia acelera essa transformação de forma abrupta e, quase que, compulsória.

As características pré-pandemia criavam ambientes altamente competitivos, ditos meritocráticos. Porém, a flexibilidade trazida pela pandemia exaltará aqueles que, de fato, produzem mais. Fatores objetivos tendem a ter maior importância do que a computação dos “desk hours” ou “show face” e outros elementos subjetivos que, algumas vezes, são inseridos no contexto da avaliação de performance.

Portanto, vemos todos os ingredientes para a construção de relações mais empáticas, transparentes, flexíveis e com muita confiança resultando, ironicamente, em um ambiente mais produtivo.

João Victor Guedes dos Santos é head de Johnnie Walker para Paraguai, Uruguai e Brasil

Paulo Bivar é managing partner na Kinp

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4 pilares para tornar uma visão data-driven em vantagens competitivas

A geração de vantagens competitivas e crescimento sustentável é, ou pelo menos deveria ser, uma preocupação primária, comum a qualquer empresa, independente do seu porte. Atingi-lo, no entanto, é um desafio, sobretudo em um ambiente no qual fatores político-econômicos, as exigências do mercado e a concorrência estão em processo de constante mudança. Para complicar ainda mais, a pandemia adicionou um layer extra de complexidade.

Há um relatório muito interessante da McKinsey que discute como as empresas devem se preparar para o futuro. O estudo relata o desconforto de executivos com o que consideram um excesso de lentidão, estruturas complexas, compartimentadas demais e atoladas em burocracias que geram pouco valor.

Em outras palavras, estão organizadas para um mundo que está sendo desmontado por uma sociedade hiperconectada, com automação sem precedentes, custos de transação mais baixos e exigência crescente por responsabilidade social, ambiental e corporativa que, por sua vez, implicam em ter domínio muito maior sobre todas as variáveis do próprio negócio.

Como então se preparar corretamente?

Sob o ponto de vista empresarial, o crescimento sustentável é uma abordagem realista de se ver o negócio visando sua expansão com uma trajetória menos acidentada. Em resumo, trata-se de entender como se organizar e obter vantagens competitivas que levem a um crescimento continuado e eficiente.

A meu ver essas tarefas complexas precisam estar ancoradas em quatro pilares

1-Transparência:

Numa sociedade informacional, como já afirmei em outro artigo, a empresa precisa ser orientada a dados. E isso tem algumas dimensões.

Internamente, a informação precisa ser consistente e acessível a todos que dela necessitam para que decisões otimizadas possam ser tomadas nos diversos níveis e departamentos.

É necessário clareza sobre quem são os parceiros de negócio, as empresas estratégicas na cadeia de suprimentos, empresas de maior risco e suas redundâncias.

Em um grande frigorífico, por exemplo, a área de compliance e a de compras precisam ter acesso aos mesmos dados, assim evitando a aquisição de animais com procedência em fazendas não certificadas pelas autoridades ambientais e fundiárias. A procedência do animal abatido é de extrema importância para que esse produto possa ser colocado no mercado nacional e exportado

2-Padronização:

Além de ter acesso às informações necessárias para tomar decisões, é importante que essas decisões sigam um padrão compatível com os objetivos da companhia.

Vamos imaginar um analista de crédito encarregado de avaliar uma empresa. Ele vai no Google, busca informações genéricas sobre os resultados e balanços e decide que vai dar um crédito de R$ 100 mil. Isso faz sentido? Outro analista pode olhar os mesmos dados e decidir que a empresa merece R$ 200 mil ou que vai negar o crédito.

Uma plataforma com inputs automatizados de dados e políticas de crédito padronizadas garantirá uma avaliação de crédito uniforme.

Por outro lado, qual a melhor maneira de captar clientes? Atirar para todos os lados a partir de uma lista genérica de leads obtida de terceiros? Ou ter um sistema em que esses leads estejam organizados por setor, tamanho e faturamento, gerando um score, classificando-os como mais ou menos estratégicos. Com base em informações desse tipo, fica muito mais fácil gerar um pitch padronizado para o time de vendas que seja pertinente ao cliente e a seu setor. A tarefa do time de vendas se torna mais eficiente a cada ligação.

3-Objetividade:

O que é uma boa decisão de negócio? Aquela baseada em instinto? Em simpatias pessoais como os antigos acordos no fio do bigode?

Claro que visão de negócio e confiança são atributos importantes, mas as decisões melhor fundamentadas são aquelas baseadas em critérios objetivos, em métricas mensuráveis.

Investir no aperfeiçoamento do trato dessas informações significa centralizar o repositório de dados em um banco robusto, sem sobreposição de informações, capaz de produzir relatórios cada vez mais sofisticados e adequados às necessidades de cada segmento da empresa.

Vale lembrar que para a objetividade funcionar bem, a empresa necessita de um sistema de governança bem definido para que os dados estejam disponíveis a quem precisa deles. Isso permitirá tomar decisões objetivas por todas as áreas da empresa e reduzir a burocracia

4-Produtividade

Os três pilares anteriores contribuem para o quarto. Maior transparência, padronização e objetividade têm como consequência o aumento da produtividade na medida em que o tempo para se obter informações é menor e elas estão disponíveis para quem delas necessita de forma dinâmica, evitando desperdícios, retrabalho e filas de processos com gargalos desnecessários.

Empresas com crescimento sustentável conhecem seus parceiros, seus fornecedores, seus funcionários e seus processos, e assim conseguem ter resultados superiores aos seus competidores.

Vale reforçar: para uma empresa crescer de forma contínua no cenário atual e colocar em prática esses pilares a transformação digital é uma pré-condição. Sistemas de informação dinâmicos e uma estrutura bem equacionada são necessários para que as empresas sejam cada vez mais orientadas a dados, substituindo as intuições e achismos por projeções e previsões baseadas em algoritmos sofisticados.

É a partir dessas soluções tecnológicas que uma empresa pode cumprir a meta ambiciosa de criar vantagens competitivas por meio de um relacionamento mais assertivo com clientes e fornecedores que sustentem um crescimento constante ao longo do tempo.

Em meus anos de experiência no mercado, verifiquei que companhias que investem nesses pilares se tornam mais bem sucedidas e resilientes em momentos de crise como o que vivenciamos hoje.

E a sua empresa? Já toma decisões de negócios de forma transparente, padronizada, objetiva e produtiva?

Marcos Maciel é CEO da CIAL Dun & Bradstreet do Brasil

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A síndrome do floco de neve nas organizações

Você já ouviu falar na geração floco de neve? Este é um termo usado, em geral, de forma pejorativa, para classificar os jovens nascidos após o ano 2000. É-lhes dado essa denominação pelo estilo de criação e de visão de mundo e de si mesmo que eles têm construído e promovido.

Estilo esse pautado na ideia de que eles seriam especiais e singulares, isto é, como flocos de neves, que por um lado, são únicos e por outro são frágeis. Certo, mas qual a relação desta “tendência” juvenil contemporânea com as organizações? O primeiro, e mais simples ponto, é que essa geração, em pouco tempo ingressará nas fileiras e nos postos de trabalho das empresas. O segundo e mais profundo é que há um tipo de visão empreendedora que está nascendo com esta mesma característica, a saber, organizações flocos de neve.

O que é, afinal, a síndrome do floco de neve nas organizações? São aquelas empresas, principalmente startups, que acreditam que por terem uma ideia interessante vão se tornar únicas e especiais no mercado. Traduzindo: uma empresa em fase embrionária que nasce pesando que se tornará líder de mercado simplesmente porque a sua ideia é a mais legal.

Tal postura poderia representar, sob o ponto de vista de um olhar estrangeiro ou sênior nas dinâmicas do mercado uma ingenuidade, mas é o que mais se vê nas Startups. Na minha experiência a frente de instituições de ensino, principalmente a frente de projetos de inovação, o que tenho notado é que todas as vezes que um conjunto de jovens vêm ao meu escritório com uma ideia de Startup para ser incubada o que noto é brilho nos olhos, empolgação e uma inocente ideia de floco de neve. As duas primeiras (brilho nos olhos e empolgação) são fundamentais, já a última, letal.

Ao olharmos as estatísticas notamos que a taxa de letalidade das pequenas empresas no primeiro ano é muito grande, mas qual é uma possível razão para isso? Um possível resposta é: a não consideração das condições necessárias para empreender.

Desta forma sugiro alguns cuidados necessários para quem deseja empreender sem se tornar um floco de neve.

  1. Entenda que por melhor e mais brilhante que seja a sua ideia ela, para se tornar um negócio empreendedor, precisa de tempo, dedicação e amadurecimento. Lembre-se: Roma não foi feita em um dia.
  2. Não pense que porque você tem um bom sonho isto significa que haverá uma boa realidade. É preciso cria-la.
  3. Desenvolva e promova redes com pessoas que possam lhe ajudar. No começo as coisas tendem a ser mais difíceis.
  4. Não desanime frente as primeiras dificuldades e resistências. Muito mais do que velocidade é preciso constância.

Gillianno Mazzetto é filósofo, Ph.D em Psicologia e co-founder da Eipsi

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Como empresas podem unir impacto positivo à estratégia de inovação e novos negócios

Por muitos anos fomos educados a enxergar pela lente do trade-off: uma iniciativa deve ser focada em gerar lucro OU gerar impacto socioambiental positivo. Isso influenciou como segmentamos os tipos de organizações (terceiro setor ou segundo) e como avaliamos também iniciativas dentro das grandes empresas. Assim, ações relacionadas a impacto positivo e sustentabilidade foram comumente vistas apenas como custo e não como fonte de novos negócios. 

Nos últimos anos, e principalmente nos últimos meses, isso vem mudando. Conceitos como Valor Compartilhado, Capitalismo Consciente e Capitalismo de Stakeholders, além da ascensão do tema ESG, trouxeram diferentes lentes para enxergar o assunto. Ainda assim, na hora de tangibilizar iniciativas focadas em gerar lucro E gerar impacto, ainda há muita dificuldade – tanto pelo pudor em unir ambos aspectos, como pelo desconhecimento sobre caminhos para criar relações ganha-ganha.

Na frente de Programas em Parceria do Quintessa, vemos a geração de impacto positivo de forma integrada com a agenda de inovação e novos negócios. São vários caminhos possíveis que enxergamos para trabalhar sob a lente de impacto em programas de inovação aberta. Trazemos abaixo alguns exemplos.

Diferencial competitivo e redução de custos

Quando uma empresa de seguros de saúde contrata startups como Vitalk ou Telavita, que oferecem soluções de prevenção em saúde mental, podemos enxergar a ação como uma estratégia de redução de custos para a própria seguradora (investindo em prevenção, ao invés de ter despesas com sinistros) e como uma estratégia de retenção e fidelização de seus clientes, com benefícios que trazem um diferencial competitivo perante outras seguradoras. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com a maior taxa de ansiedade no mundo inteiro, segundo a OMS, e oferecer soluções como estas contribui positivamente para este grande desafio social do país (conectado ao ODS 3).

Novos negócios e relacionamento com o cliente

O exemplo acima se aplica a outras grandes empresas que têm sua atividade core conectada aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, criados pela ONU em 2015). Empresas que atuam em saúde, educação, energia, mobilidade urbana, água e saneamento, moradia, serviços financeiros, longevidade, entre tantos outros segmentos.

Trabalhar com startups de impacto pode ser um ótimo caminho para ampliar sua oferta de serviços e produtos, ter novas formas de relacionamento com seus clientes e se adaptar a mudanças do mercado (como é o caso de companhias de aluguel de carros que passaram a incluir carros e bicicletas elétricas em seu portfólio, por exemplo). Vale mencionar também as marcas que explicitamente se conectam a causas, como o empoderamento feminino e a limpeza dos oceanos, para as quais o relacionamento com negócios de impacto pode ser um ótimo aliado para tangibilizar e trazer concretude para seu posicionamento.

Outro exemplo é de uma empresa que vende sabonetes para bebês. A empresa pode contratar soluções como da Canal Bloom ou Bellamaterna, com programas focados em orientação de pais e mães no cuidado das crianças, em uma campanha na qual, ao comprar o produto, o cliente pode participar dos seus programas. Uma ação como essa pode ser muito estratégica para a área de novos negócios, com maior retenção e fidelização de seus clientes por meio de um relacionamento contínuo e de médio prazo (e não apenas pontual), ao mesmo tempo que contribui com a causa da Primeira Infância.

Fidelização de parceiros do negócio e crescimento

Um outro segmento com muito potencial no tema é de empresas que têm como clientes, fornecedores ou parceiros, pessoas de baixa renda ou de baixa escolaridade. É o caso de empresas de cosméticos que operam por venda direta via revendedoras, empresas de bebidas que se relacionam com ambulantes ou pequenos comerciantes, empresas que possuem uma malha relevante de entregadores, empresas que se relacionam com pequenos agricultores, entre outros casos. 

No momento que a empresa contrata soluções como da Já EntendiTamboro ou 4you2, para capacitação profissional, ou da SmartMEI, para profissionalização financeira, ou da Barkus e PoupaCerto, para educação financeira, ela está criando diferenciais perante seus concorrentes, aumentando as chances de fidelização destes parceiros de negócio e reduzindo seus custos via redução de turnover dentro do grupo (o qual implica em custos de engajamento e treinamento destes parceiros), além de um potencial aumento de produtividade. Ao mesmo tempo, no Brasil temos mais de 10 milhões de microempreendedores, além dos claros desafios de acesso à educação e capacitação profissional, e apoiar seu desenvolvimento de forma consistente é também contribuir positivamente para o país. 

Outro segmento de alto potencial para realizar programas de inovação aberta que unam os aspectos de negócios e impacto é o de empresas que se relacionam com empreendedores, como plataformas de e-commerce e marketplaces, sendo eles seus clientes ou parceiros de negócio. Criar um programa de aceleração para desenvolver estes empreendedores pode ser uma ótima estratégia para fidelizá-los e aumentar suas vendas, além de ampliar o impacto gerado por eles na ponta.

Inclusão e ampliação de mercado

Por último, ainda dentro do viés de novos negócios, podemos abordar a questão de inclusão de grupos tipicamente excluídos, como é o caso das pessoas com deficiência. A Hand Talk é uma startup de impacto que desenvolveu uma tecnologia proprietária que traduz o português para a Língua Brasileira de Sinais. 

Quando uma marca de e-commerce ou uma companhia aérea contratam seu serviço e passam a ter um site acessível para pessoas surdas, como de fato aconteceu, elas não estão apenas incluindo essas pessoas, elas estão também ampliando seu mercado, pois milhões de novas pessoas agora poderão começar a consumir seus serviços.

Os programas realizados pelo Quintessa tangibilizam estes caminhos possíveis

Braskem Labs, ao mesmo tempo que apoia o desenvolvimento de startups que geram impacto socioambiental positivo a partir do plástico e da química, traz para as áreas de P&D, Economia Circular, Comercial e Marketing da companhia o relacionamento com potenciais parceiros, clientes e fornecedores. 

Aceleradora de Comunidades do Facebook, ao mesmo tempo que apoia  o desenvolvimento de líderes de comunidades focadas em gerar impacto socioambiental positivo, atua na ampliação e retenção de usuários dentro de suas plataformas (Facebook, Instagram e Whatsapp). 

CPFL na Comunidade, ao mesmo tempo que contribui para o desenvolvimento de seus clientes de baixa renda, por meio de soluções de negócios de impacto focadas em educação financeira e geração de renda dentro da temática de eficiência energética, atua na melhoria do seu relacionamento com seus clientes e também na potencial redução da inadimplência da sua operação.

Os exemplos acima mostram os benefícios para a agenda de novos negócios das grandes empresas, mas estes programas de inovação aberta focados em impacto tendem a contribuir também para a cultura organizacional, o posicionamento de marca perante o mercado e um maior engajamento dos colaboradores.

O mercado está mudando e a mudança da empresa pode começar pela dor ou pelo amor, pelo medo da perda/morte do negócio ou pela oportunidade de ganhar.

Quando há o medo de perder, a mudança pode vir por uma necessidade de adequação às novas demandas dos investidores, consumidores e colaboradores, adequação em termos de compliance (como a PNRS), garantia de insumos a longo prazo (como empresas de refrigerantes se conectarem à temática da água) ou participação de mercado (como empresas de produtos de higiene se conectarem à temática de saneamento básico). 

Neste texto focamos a argumentação do porquê trabalhar junto aos negócios de impacto pelo viés da oportunidade empresarial. Sabemos que apesar da 9ª posição na economia mundial, o Brasil também ocupa a 9ª posição em termos de desigualdade (dados de 2019) e está em 79º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH, 2018). 

A pandemia explicitou qualquer cegueira que pudesse ainda existir sobre o tamanho dos nossos desafios sociais e ambientais no país. Assim, iniciativas com esta abordagem não apenas têm um alto potencial em termos de negócio e retorno financeiro, mas são também necessárias.

Aqui focamos na abordagem de inovação e novos negócios. Enxergamos os negócios de impacto também como aliados na implementação de estratégias de sustentabilidade na operação das empresas e na realização de ações de responsabilidade social. Abordaremos em próximos textos outros caminhos possíveis para atuação de grandes empresas neste assunto. 

Anna de Souza Aranha é diretora do Quintessa. Desde 2009, o Quintessa impulsiona startups que resolvem desafios socioambientais e realiza iniciativas que promovem as agendas de inovação, impacto positivo e ESG para grandes empresas, investidores, institutos e fundações. Texto publicado originalmente no blog do Quintessa.

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Como o líder moderno deve encarar os desafios da atualidade?

Em quase três décadas de carreira, conheci muitos empresários e executivos dos mais diversos setores e lugares do Brasil. E como profissional especialista em Gestão de Pessoas, posso afirmar: ser um líder moderno não é simplesmente ocupar um cargo. Vai muito além disso.

Aliás, você já se perguntou se você é um líder moderno, de alta performance? E como uma liderança de sucesso deve encarar os desafios atuais?

Talvez essas questões assustem a princípio. Contudo, nesse texto vamos descobrir como um líder pode enfrentá-las e ainda conquistar os melhores resultados. Dessa forma, você saberá como manter-se relevante para a empresa e também para sua equipe.

Como costumo dizer, o líder moderno é essa figura central que aceita a liderança como uma missão. E para o sucesso de qualquer missão, é necessário compreender todos os elementos ali envolvidos. Principalmente, os desafios.

E veja bem, os desafios da liderança moderna são constantes e acompanham as transformações do mundo. Digo isso porque o líder de hoje não enfrenta os mesmos conflitos que uma liderança dos anos 90, por exemplo. Ou seja, é preciso não somente atuar, mas se atualizar para continuar no mercado.

Desse modo, se você pretende ocupar uma posição de liderança, prepare-se para os desafios. Esteja à frente da situação, sempre disposto a aprender e conduzir pessoas rumo a um objetivo.

Veja abaixo quais são os principais desafios do líder moderno na atualidade.

Comunicação. Essa é uma daquelas habilidades transformadoras. Para o líder moderno, uma boa comunicação com o time é essencial. Portanto, fale de forma clara e objetiva. Seja um ótimo ouvinte. Atitudes assim melhoram o engajamento e alavancam a produtividade da equipe.

Gestão do tempo. Para evitar desgaste e frustração nas agendas de trabalho, líderes devem planejar, estabelecer prioridades e traçar caminhos junto ao time. Além de entregar as tarefas dentro do prazo, você ainda ganha tempo para investir em outros aprendizados.

Treinamento e capacitação. Em razão da intensa dinâmica do mundo dos negócios, ficar estagnado não é uma opção. Sendo assim, não fique para trás no mercado, mantenha-se atualizado e demonstre que seus valores estão alinhados aos da empresa.

Marcelo Simonato é executivo, escritor e palestrante. Especialista em Liderança e Gestão e Pessoas

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É hora de agir por um futuro do trabalho inclusivo

Um ano de pandemia e o tema “futuro do trabalho” segue cada vez mais presente nas redes e rodas de conversas pelo mundo afora. Não mais em encontros presenciais, mas protagonizando importantes debates na mídia, em lives e videochamadas. Afinal de contas, mesmo que aos tropeços, todas as pessoas e organizações precisaram se adequar a essa nova realidade forçada que estamos vivendo.

Essa situação, que vai muito além das fronteiras brasileiras ou mesmo do continente americano, faz valer, cada vez mais, o conceito de Aldeia Global do filósofo Marshall McLuhan. Em meados dos anos 60, McLuhan já previu o poder das novas tecnologias em encurtar distâncias e transformar o mundo em uma aldeia, onde as pessoas de certa forma estariam interligadas.

No entanto, face ao cenário de desigualdades sociais e seus profundos impactos, tornou-se fundamental tirar da invisibilidade questões como: Qual o impacto ambiental e social dessas mudanças? Será que essa aldeia é inclusiva? E o tal futuro do trabalho, é projetado para ser inclusivo para os mais de um bilhão de pessoas com deficiência?

Quando celebrou os seus 100 anos de existência, em 2019, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) destacou os extremos em que o mundo do trabalho se encontra. De um lado vemos a transformação impulsionada por inovações, mudanças demográficas e globalização. Do outro, as persistentes desigualdades que causam impactos profundos sobre a natureza, o futuro do trabalho, principalmente em relação ao lugar e a dignidade das pessoas nele.

Na celebração, foi lançada a Declaração Centenária para o Futuro do Trabalho. Logo em suas primeiras linhas, o documento destaca o quanto é essencial a ação contínua de governos e representantes de empregadores e trabalhadores para atingir a justiça social.

A declaração ressalta a convicção de que com a ação de todos, em conjunto, é possível alcançar um futuro do trabalho que concretize a visão que deu origem à OIT há 100 anos: promover a justiça social, por meio do trabalho.

Para isso, é preciso aproveitar imediatamente as oportunidades e tratar os desafios para moldar um futuro justo, inclusivo e seguro, com trabalho pleno, produtivo e livremente escolhido. Tal futuro do trabalho é fundamental para o desenvolvimento sustentável e o fim da pobreza, não deixando ninguém para trás.

Como defensores do desenvolvimento sustentável, estamos fazendo a nossa parte para ajudar as diversas organizações a desenhar um futuro do trabalho inclusivo. Lançamos em março no Brasil o livro “Tornando Inclusivo o Futuro do Trabalho das Pessoas com Deficiência”, uma publicação conjunta da Fundação ONCE com a Rede Global de Empresas e Deficiência da OIT, agora também disponível em língua portuguesa.

Algumas das afirmações da Declaração (2019) estão refletidas neste novo livro (2021) e, ao disponibilizá-lo em português, pautamos novamente a importância do conhecimento e, claro, da atitude. Sem ela, fica difícil superar todas as demais barreiras. E para isso é fundamental disponibilizar informações de qualidade, em linguagem simples e acessível. Só assim poderemos ter ao nosso lado, cada vez mais, pessoas engajadas e interessadas na construção de um futuro efetivamente inclusivo para todos e todas.

Romeu Sassaki é consultor e pesquisador especialista em inclusão de pessoas com deficiência.

Aline Morais e Rafael Públio são diretores da consultoria Santa Causa Boas Ideias & Projetos.

O livro “Tornando Inclusivo o Futuro do Trabalho das Pessoas com Deficiência” está disponível para download gratuito em www.blogstacausa.com.br/ebooks