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Quantas vezes você já ouviu a expressão “A confiança é a base de qualquer relacionamento”? Esse jargão, que durante muito tempo até representou uma piada pronta para os infiéis da ficção – o que vale também para a vida real -, não tem nada de cômico, e representa sim, uma verdade que qualquer organização precisa levar muito a sério.

Estamos falando, em específico, da confiança organizacional, aquela que possibilita que líderes e liderados, colaboradores e parceiros, produzam melhores resultados. No entanto, confiança parece ser um daqueles conceitos tão apreciados e cultuados na teoria, mas que poucos ousam verificar sua existência na prática, afinal, o desafio reside nas palavras de Joelmir Beting: “Na prática, a teoria é outra”.

De fato, o assunto já começa espinhoso, pois para tratarmos da almejada confiança organizacional é preciso aceitar que, possivelmente naquele ambiente, pode estar ocorrendo a sua antítese, ou seja, a falta de confiança e, nesse momento, a grande maioria das pessoas, equipes e organizações se defendem com a seguinte teoria: “Aqui, confiamos uns nos outros…”. Mas, será que é assim tão fácil? Pode até ser simples, mas não tem nada de fácil, afinal, as ações que fortalecem a confiança estão particularmente expressas nos detalhes, e como profetiza o ditado popular: “Deus mora nos detalhes, o diabo também”.

Concordo plenamente com Simon Sinek, que assevera que a confiança não é um conceito ou uma instrução, e não basta dizer “cooperem” para dois colaboradores, nem adianta o líder dizer “confiem em mim” para os liderados, afinal, estamos tratando de um sentimento. Isso mesmo, confiança é um sentimento que se estabelece com a ação, se verticaliza com a prática e cria raízes com o tempo.

O lado positivo da confiança ser um sentimento e não uma instrução ou um conceito, é que ela pode, como sentimento, ser estimulada, e é sobre ações que a estimulam que trato nesse artigo.
Se você, assim como eu, acredita que esse sentimento é realmente capaz de mudar seus resultados, fique comigo mais um pouco e vamos explorar, antes de tudo, onde essa confiança não está presente em ações que podem ser muito corriqueiras no ambiente corporativo.
Não a encontramos nas relações onde o ego coloca os resultados da equipe depois da própria carreira e principalmente no medo de partilhar fraquezas. O resultado dessas ações é muito diferente da confiança que estamos buscando, elas geram arrogância, distanciamento voluntário (por defesa), falta de engajamento, pouco comprometimento e quase nenhuma responsabilização.

Queremos é nos afastar dessas ações pouco produtivas e muito danosas para encontrar o lado positivo da moeda que é criar, verticalizar, institucionalizar a confiança e seus benefícios. Para tanto, proponho algumas ações práticas que vão te ajudar na construção desse caminho:

1-Demonstre com ações o quanto você verdadeiramente se importa com cada pessoa da sua equipe;

2-Dedique tempo para ouvir as pessoas, quais são os sonhos e as aspirações pessoais e profissionais de cada uma delas;

3-Reconheça as habilidades adquiridas por cada um e valorize essas conquistas;

4-Estimule as pessoas a falarem o que sentem e pensam e não a falarem porque desejam alguma determinada reação do outro; isso se chama politicagem e não ajuda em nada;

5-Seja coerente com as suas ações, faça o que diz e diga o que faz;

6-Seus liderados precisam sentir que as ações de cada um, grandes ou pequenas, impactam nos resultados; mostre e valorize os impactos positivos das ações assertivas;

7-Estimule todos a mostrarem suas vulnerabilidades e, se quiser a bala de ouro, comece por você! Não tenha medo, acredite, todos já sabem que você também é falível, assumir suas vulnerabilidades vai abrir um caminho no meio da mata;

8-Deixe muito claro para todos por que a organização existe, quais são seus valores e os comportamentos esperados pelas pessoas da equipe;
9-Seja transparente com os pilares que norteiam suas decisões;

10-Foque nos comportamentos e seja prático nesse projeto chamado Confiança.

Tudo isso pode parecer muito trabalhoso e demandar um tempo inestimável, você está certo, no entanto, não fazê-lo, vai, em algum momento, lhe custar ainda mais tempo e recursos para implementar essas ações. O bom é que você perceberá na prática que essas ações que propus, conversam diretamente umas com as outras, o que vai ajudar muito no desenrolar de todo o processo.

Quer um bom conselho? Comece logo, comece agora, o momento já chegou e ações precedem a coragem. Aprendi no meu trabalho como ator, algo que é a regra de ouro dos meus Workshops Comportamentais: “Ação gera emoção, emoção potencializa conhecimento e conhecimento muda comportamentos”, tudo nessa ordem e sem pular etapas.
Dê logo o primeiro passo. Ele será suficiente? Você sabe que não. Apesar de toda caminhada começar pelo primeiro passo, para dá-lo basta entusiasmo, necessidade ou até um empurrão pelas costas, mas a mudança vem com os passos seguintes e para esses é necessário foco, determinação e pragmatismo.

E se alguém lhe perguntar (o CEO, por exemplo): “Por que vamos destinar recursos para trabalhar esse tema?”
Diga sem medo que “confiança é a base de qualquer relacionamento”. Se brotar um risinho no canto da boca, mostre a tão aclamada pirâmide do não menos reconhecido Patrick Lencioni, sobre as cinco disfunções das equipes.
Falta de atenção aos RESULTADOS
Evitar RESPONSABILIZAR os outros
Falta de COMPROMETIMENTO
Medo de CONFLITOS
Falta de CONFIANÇA
O sorriso insipiente que começou a brotar será substituído pelo franzir da testa e olhos apertados.

Ricardo Vandré, consultor e parceiro HSM.

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