"Tudo ia bem, até que a empresa fechou..."
Por que as empresas que sobrevivem ao período crítico podem encerrar suas atividades?
Luiz Fernando Garcia*
"A empresa já tem mais de cinco anos. Sobreviveu aos períodos mais críticos. Agora, a coisa pode decolar". Esse pode ser o pensamento do grupo que dirige uma empresa que parece ir bem, deixou de ser criança e entrou na adolescência, mas algumas atitudes podem mudar o rumo das coisas e mudar o que parecia ser um caminho de sucesso, tornando-o um pesadelo que pode culminar com o encerramento das atividades da organização.
Em cada estágio da vida de uma empresa há problemas. Alguns são remanescentes de períodos anteriores, outros são a ponta do iceberg de estágios futuros. Porém, um negócio está doente quando os problemas futuros são menos importantes do que aqueles não resolvidos do passado. Se esses fantasmas ficam arrastando a organização para trás, acabam por retardar a evolução global da empresa.
O nascimento de uma organização é tradicionalmente marcado por alguns sintomas. Os negócios são impulsionados pelas oportunidades, por isso há poucos sistemas e normas e o desempenho é inconsciente. A empresa é vulnerável e um problema pode se tornar uma crise sem aviso prévio. É gerenciada através de crises. Há pouca delegação. O compromisso do fundador é freqüentemente posto à prova, e é crucial para a sobrevivência. Precisa constantemente de infusão de dinheiro, e do compromisso do fundador, pois, caso contrário, pode morrer. Aliás, esses são dois fatores mais críticos capazes de provocar problemas patológicos numa organização considerada "criança", ou seja, com menos de cinco anos de idade.
Realmente é um alívio vencer essa etapa que normalmente acontece após esse período de vida da organização, mas seus colaboradores e fundadores precisam estar atentos aos novos sintomas que certamente marcam a fase da adolescência da empresa e é saudável que isso aconteça.
Em condições normais, passados os cinco primeiros anos de uma empresa, ela renasce longe de seu fundador. É um nascimento emocional. Sob muitos aspectos, é como um adolescente tentando estabelecer sua independência. Esse renascimento é mais doloroso e prolongado que o nascimento físico da infância.
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