Os 18 princípios de uma vitoriosa cultura de gestão do Brasil
São essas voltas que o mundo dá. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, o jovem Jorge Paulo Lemann foi buscar inspiração cultural internacional nos ultra competitivos banco Goldman Sachs, Wal-Mart e General Electric, para conseguir formatar, com seus parceiros, a cultura de sua então recém-estabelecida corretora de valores Garantia num mercado que instintivamente rejeitava a competitividade. Agora, quase 40 anos depois, ele, os sócios e associados exportam essa cultura reprocessada, abrasileirada, a que o mercado atribuiu o selo “Garantia” –embora Lemann o rejeite como “coisa do passado”–, para outros países, por meio da maior fabricante mundial de cerveja, a InBev, de cujo capital detém participação de aproximadamente 25% com os sócios, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.
Essa cultura vitoriosa se baseia em 18 princípios, nove deles relativos a pessoas. Na lista aparece, entre outras coisas, uma visão singular da finalidade do lucro – atrair gente talentosa e boas oportunidades. E dos ingredientes brasileiros, pode-se dizer, chama a atenção a “alegria motivacional”: como contam Lemann, seus sócios e associados, até os sul-coreanos estão aprendendo a batucar na hora de distribuir a cerveja, exatamente como se faz no Brasil. O CEO da InBev já é um brasileiro – Carlos Brito – e, portanto, não será surpresa se, em pouco tempo, o mundo identificar cerveja mais com samba e futebol que com pubs, biergartens e afins. Ou se o amazônico guaraná Antarctica virar uma bebida tão cult que faça sombra aos refrigerantes do tipo cola.
Não que Lemann tenha, ele mesmo, samba no pé ou Amazônia no coração; parece preferir uma raquete na mão e mergulho scuba em Angra dos Reis. Mas o empresário possui “what it takes”, como diriam os americanos. Em 2001, HSM Management publicou uma entrevista exclusiva de Lemann intitulada O arquiteto de empresas, porém hoje isso parece pouco para explicar os fenômenos associados a Lemann e seus sócios, como a InBev, as Lojas Americanas, a B2W (Business-to-Web, empresa resultante da fusão entre Americanas.com e Submarino) e, durante muito tempo, a GP Investimentos. A explicação está na cultura de gestão campeã.
Em entrevista exclusiva a José Salibi Neto, CKO (Chief Knowledge Officer) do Grupo HSM, Lemann revela as profundezas dessa cultura, que, ele enfatiza, não tem dono, é como um software de código aberto. Pai participativo, ele ainda é sócio minoritário do filho Jorge Felipe na corretora Flow, da Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F).
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