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    Francisco Albuquerque

    14/02/2012
    às 19:06

    Categorias: competitividade, design, empreendedorismo, estratégia

    Tenho desejo de empreender, é possível?

    É claro que sim!

    E já estou dando essa resposta porque tenho provado isso na pele, tanto empreendendo meu próprio negócio, como ajudando novos empreendedores na criação de suas startups.

    Muitos dos meus amigos, sabendo do meu papel profissional, que abrange atuar como consultor (ou business designer como eu prefiro ser chamado), facilitador de workshops e palestrante pela Agência de Cocriação, vêm até mim para questionar quais são os caminhos para a criação de um negócio.

    Alguns pedem a minha opinião sobre o negócio do ponto de vista estratégico, outros me perguntam sobre questões mais burocráticas do processo de abertura de empresas como impostos e questões jurídicas (algo em que não sou especialista), e também tem aqueles que sabem que o seu caminho é empreender, mas ainda estão com medo de largar suas atividades profissionais e me procuram para pedir algum conselho de como fazer isso gradativamente, de forma estratégica.

    Realmente, muitas dúvidas surgem quando o assunto é empreender, e isso é tudo muito natural, principalmente quando o novo empreendedor acredita que basta ter uma ideia para o mercado comprar e ele sair por aí feliz da vida.

    Já falo o seguinte: se você quer largar o seu emprego pensando que será mais fácil empreender, esquece! Você trabalhará muito mais do que imagina e vai ter muito mais dificuldade do que parecerá inicialmente. Vai ter que renunciar muitas coisas e o caminho é longo.

    Transformar uma ideia em uma oportunidade de negócios não é tão simples quanto parece, e eis aí um engano que engorda as estatísticas de empresas que quebram nos primeiros anos de sua existência. Mas, para diminuir este risco, existem algumas técnicas muito interessantes que ajudam o empreendedor a potencializar qualquer ideia de negócio que lhe apareça.

    Pode acreditar, elas aparecem em situações muito inusitadas. Eu já acordei às 03h da manhã com uma ideia da qual eu precisava tomar nota!

    Como eu sempre foquei a minha carreira na área de planejamento, tenho tido percepções muito interessantes, principalmente no que diz respeito à Geração Y, que está com uma vontade louca de ter seu próprio negócio como alternativa para abandonar o mercado corporativo que vem sufocando muitos profissionais que querem voar.

    Trabalhei muito tempo com planejamento de projetos, técnicos e executivos. Depois de um bom tempo nessa área, decidi migrar para a área de estratégia de negócios, e foi nela que eu tive a oportunidade de atuar com projetos multidisciplinares. Essa experiência me proporcionou uma visão interdisciplinar, processual e criativa de como uma empresa funciona, como deve funcionar e como não deve funcionar.

    Meu foco, atualmente, tem sido trabalhar técnicas de potencialização de ideias com base no olhar do consumidor final. Posso citar o Business Model Generation e Design Thinking como ferramentas de apoio a um processo que eu gosto de chamar de “criativo” dentro do contexto dos negócios. Muitos empreendedores infelizmente não têm a sorte de passar por momentos de alta criatividade e isso pode ser prejudicial se pensarmos no longo prazo.

    Conheço profissionais extremamente técnicos que não têm conhecimento nem tempo para olhar suas ideias e imaginar como comercializá-las. Não conseguem, ao menos, definir como ele rentabilizará o produto ou serviço e o que ele precisa ter de estrutura mínima para colocar essa ideia em prática.

    Isso se complementa quando o assunto é entregar uma determinada solução para um problema, caindo no velho conto de “ninguém nunca teve essa ideia”. Se você já falou ou pensou assim, sinto lhe dizer que você não pesquisou o mercado direito.

    Perfeito, este não é o papel do empreendedor “mão na massa”, principalmente quando essa pessoa tem como principal interesse e motivação transformar a sua ideia em realidade!

    Mas para que isso aconteça, é importante tomar certos cuidados e aqui vão as minhas dicas:

    • Pesquise bem o mercado em que você pretende atuar;
    • Entenda o que seus concorrentes (diretos e indiretos) estão fazendo;
    • Se você vai tocar o seu negócio por si só, invista a menor grana possível;
    • Quer buscar um investidor? Crie um plano de negócios;
    • Se conseguir empreender em paralelo à outras atividades profissionais, melhor;
    • Seu projeto pode ser “beta” para sempre. Aprenda com os insights dos clientes e evolua o que você está oferecendo;
    • Fique atento às oportunidades que o mercado oferece;
    • Tenha pessoas de confiança ao seu redor para compartilhar as suas decisões;
    • Não tente fazer nada sozinho, e, por mais que a sua atividade dependa grande parte de você, aprenda a pedir ajuda e delegar quando for preciso;
    • Crie uma marca e uma identidade visual bacana. Nem pense em fazer você mesmo, contrate um profissional;
    • Inspiração e planejamento são extremamente importantes. Não descarte essa fase, e ela tem que ser feita bem antes do plano de negócios;
    • Cuidado com a ansiedade de colocar o produto ou serviço logo no mercado. Você pode quebrar a cara;
    • Não banque o Professor Pardal pensando que a sua ideia é única.

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