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Adriana Salles Gomes
26/02/2012
às 19:49Categorias: hsm management, inovação
Highlights HSM Management: Como chegar aos parceiros de inovação aberta
O funil clássico de inovação –que reúne e seleciona as ideias, faz com que se submetam a processos viabilizadores e resulta em produtos– ficou superado; no século 21, a inovação funciona em rede e com parcerias fora das fronteiras corporativas. Mas há um problemão: ainda são MUITO poucas as organizações do Brasil que entenderam isso, como analisou em sua palestra da HSM ExpoManagement 2011, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral. PIOR: esse é um dos maiores obstáculos para a constituição de um ecossistema nosso de inovação aberta. A cobertura especial das palestras da Expo que integra a edição janeiro-fevereiro (nº 90) de HSM Management relata que, segundo Arruda, a figura do funil foi substituído pelas do bazar, da orquestra, da jam e da plataforma.Entra em vigor a lógica sintetizada na matriz de inovação de Mohan Sawhney, que cruza o espaço de inovação (se é emergente ou definido) e a liderança da rede de inovadores (se é centralizada ou difusa). Arruda exemplificou:
- a inovação do tipo bazar, como a que resultou no carro Fiat Mio, da Fiat brasileira, teve um espaço emergente (que se foi definindo ao longo do processo) e uma liderança centralizada na rede;
- a inovação–orquestra foi a do avião Bandeirantes, em 1971, quando a Embraer precisou usar conhecimentos de terceiros –ela não os tinha– para agarrar a oportunidade de mercado que detectou, e trabalhou em rede com espaço definido e centralizando a liderança;
- a inovação plataforma tem a liderança difusa mas um espaço definido, como se viu no caso da Embrapa com o projeto Genolyptus [detalhado na HSM Management nº 72, página 30] e
- a inovação do tipo jam, a mais “caótica das quatro, no sentido de descontrolada, é perfeitamente traduzida pela iniciativa homônima da IBM [veja artigo na HSM Management nº 85, página 80].
Veja a seguir os caminhos para chegar aos parceiros de inovações externo, com a ajuda de facilitadores, como os identificados pela Inventta e relatados por Bruno Moreira, ou por conta própria em sua empresa, como contou Romeo Bussarello, da Tecnisa.
FACILITADORES ON-LINE
Dividindo o palco com Arruda, Bruno Moreira, diretor executivo da empresa de consultoria especializada em inovação Inventta, compartilhou algumas descobertas do estudo sobre ferramentas de inovação aberta que finalizou em outubro de 2011, mapeando 150 sites facilitadores na internet e aprofundando-se em 60 deles.A Inventta identificou basicamente quatro categorias de facilitadores, divididas segundo o escopo de de atuação (uns ajudam o que deve ser a inovação; outros, como inovar) e pela espécie de parceiro arranjado (uns oferecem especialistas; outros, um grande público):
• Ideias por crowdsourcing (o quê + grande público): Idea Bounty, Kluster, Open IDEO, Atizo, One Billion Minds, Brainfloor –e há um subgrupo de plataformas que desafiam conceitos, integrado por Fronteer, Ideaken, Chaordix, Hyve, Brainrack, Innovation Exchange, BIG, Battle of Concepts.
• Ambientes e programas de cocriação e ideação (o quê + especialistas): Ideas to Go, Communispace, Redesign Me, BrainReactions, Favela Fabric, Fronteer –e há um subgrupo de sistemas de gestão de ideias e conceitos, integrado por Exago Markets, SpigIt, IFT, Cassiber, Bright Idea, Induct e Hype Innovation.
• Acesso a tecnologias e competências (como + especialistas): yet2.com, Eureka Medical, Innoget, ITM (formam o subgrupo brokers de tecnologia), NineSigma, Your Encore, SpecialChem, Idea Wicket, Innocentive, Gen 3 Partners, Venture2 (subgrupo plataformas RFP, sigla em inglês que designa solicitação de propostas para contratação), IBM Innovation Center e Verhaert (subgrupo centros de inovação).
• Crowdsourcing de serviços de inovação complementares (como + grande público): iFreelance, Elance, Guru, Topcolder e há um subgrupo para aquisição de soluções de design, que inclui Crowdspring, 99 Designs, Choosa Design, Redesign Me Connect, eYeka e Wilogo.
CAMINHO PRESENCIAL DE
UMA EMPRESA BRASILEIRA
Na Mostra de Conteúdos e Soluções da HSM ExpoManagement 2011, Romeo Bussarello dividiu com sua plateia a experiência do Fast Date, o particular mecanismo de captação de parceiros de inovação externos desenvolvido pela construtora Tecnisa em 2010. Fundamentalmente presencial embora se valha também do on-line, encaixa-se no quadrante de inovação-orquestra de Sawhney, uma vez que a liderança da rede é centralizada na Tecnisa e o espaço de inovação está definido.“A pessoa (ou empresa) que tiver uma inovação a oferecer à Tecnisa, obviamente ligada a nosso negócio, deve entrar no site e apresentar sua ideia em 320 caracteres. Se nos interessar, ela é convocada para um encontro presencial e tem 20 minutos para vender seu peixe”, explicou Bussarello. Dessa maneira, a Tecnisa elimina os intermediários e facilita a chegada das ideias independentemente da origem. “Tem muita gente criando no Brasil; seria lamentável não aproveitar isso”, disse o executivo, contando que já foram aproveitadas várias ideias, remuneradas como se faz com um fornecedor convencional, entre elas, a de um gerador de eletricidade movido a etanol e a de um sistema de caronas para os funcionários da sede administrativa que reduz o impacto ambiental de sua locomoção até o trabalho.
O Fast Date, que significa “namoro rápido” em uma tradução livre do inglês, está dando tão certo para a Tecnisa que será fortalecido em 2012: ele passa a ser temático (inovações na área de recursos humanos, de tecnologia etc.), acontecem três a quatro edições por mês ante uma anteriormente, está atrelado a cinco áreas da empresa e não mais apenas à área de Bussarello, de internet, onde nasceu; e, talvez o mais fundamental de tudo, vale bônus. De agora em diante, os gestores da Tecnisa que fizerem novos negócios desse modo terão remuneração extra. A meta é que, em 2012, sejam gerados 35 negócios pelo inovador mecanismo.


