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    hsm

    01/02/2012
    às 16:32

    Categorias: inovação

    Cultura, antropologia e inovação

    Fala-se muito do entendimento da cultura organizacional como sendo um dos caminhos que levam à prática da inovação em empresas. Mas como compreender a cultura de uma empresa?

    Entre as diversas abordagens, a antropologia organizacional coloca a empresa de modo personificado para responder a essa pergunta, podendo assim chegar às suas necessidades, potenciais, pontos fortes e falhas – características estas que determinarão sua cultura e, por consequência, o rumo a se tomar para criar e inovar.

    A etnografia (do grego ethno – nação, povo e graphein – escrever) é por excelência o método utilizado pela antropologia na recolha de dados. Baseia-se no contato intersubjetivo entre o antropólogo e o seu objeto, seja ele uma tribo indígena ou qualquer outro grupo social sob qual o recorte analítico seja feito. Quando o grupo social referido envolve a organização, temos então a antropologia organizacional.

    Para reter e manter talentos, as organizações devem investir e reconhecer o capital intelectual de seus colaboradores. O antropólogo organizacional Ignácio Garcia propõe que isso seja feito por meio do conhecimento das chamadas redes informais de comunicação. Com isso, pode-se identificar o real papel desempenhado, muitas vezes bem diferente do organograma oficial.

    A empresa em metáforas

    A antropologia organizacional se utiliza de diversas metáforas (MORGAN, 1996), que auxiliam na questão de sua identidade e cultura, como por exemplo:

    • Organizações como máquinas: desenvolvimento da organização burocrática; máquinas feitas de partes que se interligam, cada uma desempenhando um papel claramente definido no funcionamento do todo;
    • Organizações como organismos: compreender e administrar as “necessidades” organizacionais e as relações com o ambiente, diferentes tipos de organizações como pertencendo a diferentes espécies;
    • Organizações como cérebros: importância do processamento de informações, aprendizagem e inteligência; cérebro como um computador e cérebro como um holograma;
    • Organizações como culturas: realidades socialmente construídas sustentadas por um conjunto de ideias, valores, normas, rituais e crenças;

    O interesse sobre cultura organizacional recrudesceu nos anos 70, devido ao fenômeno japonês. O Japão surgiu como líder do poder industrial, apesar de não ter recursos naturais, energia e ser um país superpovoado (mais de 110 milhões de habitantes). Entretanto, nenhum desses fatores impediu que houvesse um alto nível de crescimento, um baixo nível de desemprego e a mais bem-remunerada e saudável população trabalhadora do mundo. Assim, entender a cultura desse povo tornou-se importante para compreender a sua ascensão na economia mundial.

    Desvendando a cultura da organização

    Muitos são os caminhos para se desvendar os aspectos culturais de uma organização. Dentre eles, estão alguns pontos mais importantes, destacados por antropólogos com estudos nessa área:

    • Histórico da organização – o momento de sua criação e sua evolução, além da inserção da empresa no cenário social, político e econômico;
    • Incidentes ocorridos ao longo da história da organização;
    • Processo de socialização de novos membros – como os novos membros são integrados e incorporados ao grupo social existente na empresa;
    • Recursos humanos – as políticas da empresa nessa área têm efeito direto sobre sua identidade, como mediadoras da relação entre capital e trabalho;
    • Comunicação – como e quanto as pessoas se comunicam dentro da organização e como essa se relaciona com agentes externos;

    O estudo dessas variáveis levam a um entendimento dos processos de socialização dentro da empresa sob dois aspectos-chave: o que a empresa é (sua identidade, como a cultura é definida e como define as pessoas dentro do grupo) e o que a empresa tem (uma visão variável de como a empresa reage às pessoas que nela ingressam e também a fatores externos).

    MORGAN, Gareth. Imagens da organização.  São Paulo: Atlas, 1996.

    MONTEIRO, Carmen Diva B.; VENTURA, Elvira Cruvinel; DA CRUZ Patrícia Nassif. Cultura e Mudança Organizacional: em busca da compreensão sobre o dilema das organizações.

    FLEURY, Maria Tereza Leme, FISCHER, Rosa Maria. Cultura e poder nas organizações.  Rio de Janeiro: Atlas, 1991.

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