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Sandro Magaldi
22/11/2011
às 06:28Categorias: autodesenvolvimento, educação
Ensinando o que não se sabe
O atual ambiente de negócios caracteriza-se por alta dose de incerteza. Os modelos até então vigentes têm caído por terra um a um em um efeito dominó. O que ocorre no mundo corporativo, na realidade, é reflexo das mudanças que caracterizam a sociedade contemporânea.Nos negócios, um dos reflexos dessa incerteza é a complexidade em preparar adequadamente as pessoas para operarem com êxito perante aos novos desafios que se sucedem diariamente. Essa é uma das faces muitas vezes negligenciada ou esquecida do já popular “Apagão de Talentos” que caracteriza nosso país ainda hoje (mesmo com a tal da crise global batendo em nossa porta).
As organizações e todos os atores do sistema corporativo (escolas de negócios, consultorias, governo etc) deveriam refletir com mais consequência sobre esse desafio. O modelo atual em ensino de gestão é inadequado, pois se caracteriza pelo desenvolvimento de programas e proposições que tem como foco principal o ensino de questões fechadas, as tradicionais “receitas de bolo”. Seguindo um padrão tradicional opta-se por oferecer um contexto onde as respostas já seguem um modelo pré-formatado.
Essa lógica, que está presente nas empresas e é consequência do modelo vigente nas salas de aula, atende apenas parcialmente as demandas de aprendizado das organizações e deveria dar lugar a uma dinâmica caracterizada pelo aprendizado de mão dupla, em que as soluções são construídas mediante um diálogo constante entre professor e aluno.
O objetivo de quem ensina não deverá estar centrado em oferecer as respostas a todas as perguntas e sim em permitir que o próprio aluno tenha espaço para elaborar o significado do que busca. Essa busca estará orientada para o entendimento mútuo entre as partes – quem ensina e quem aprende – e as respostas estarão presentes na área de interseção destes dois agentes.
Parece muito distante da nossa realidade, não é? Pois retomando o início de nossa conversa, estamos vivendo um ambiente de intensas transformações. Para liderar este processo, é necessário refletir sobre caminhos até então não desbravados. Como na época das grandes navegações, colherão os frutos de sua ambição aqueles que ousarem novos rumos. Está mais do que chegada a hora de iniciarmos essa revolução.
» Comentários
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Gabriel
22/11/2011 -Eu aplico treinamento para líderes na empresa que trabalho. Em todos os módulos que desenvolvo, deixo aberto possibilidades de participação e construção do conhecimento pelos treinandos. Mas observo que na maioria dos casos eles tem grande necessidade pelas fórmulas prontas, planejamentos de “A a Z”, ferramentas divididas em etapas…
Credito isso por esses líderes virem sem base alguma. Eram funcionários seniores que foram promovidos a posição. Acho que a melhor forma de possibilitar essa postura construtiva de ensino seria antecipar a esses fundamentos nos potenciais líderes, antes de serem promovidos.
Uma espécie de escola de liderança, com conteúdos mais fundamentais, aplicados da maneira tradicional, mas sem fechar as possibilidades do conteúdo ser transformado de acordo com a maneira que você sugere em seu texto. -
Eurico Criaviva
23/11/2011 - facilitadordeworkshopdeinovacao.blogspot.com/Podemos aprender por
– Transferência de Conhecimento ou
– Descoberta do Conhecimento
As duas formas de aprendizagem são importantes e
nenhuma delas está ultrapassada ou é nova.
O que precisamos é identificar a melhor forma de aprender
frente aos desafios que definimos.
Se quisermos inovar, é melhor Descobrir novos Conhecimentos e
para isso podemos utilizar o Método Socrático
que não é nenhum método revolucionário e
já é aplicado nas empresas por muitos facilitadores.
Uma dúvida que tenho:
As empresas brasileiras realmente querem Inovar?
ou ainda vale o ditado
“Manda (ensina) quem pode, obedece quem tem juízo”? -
Sandro Magaldi
23/11/2011 -Gabriel, Concordo com você que estamos diante de um desafio de mão dupla: impacta quem aprende e quem ensina. Ambos necessitam refletir sobre esse processo. Obrigado pela contribuição. Abs
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