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    Ignacio García

    10/11/2011
    às 19:12

    Categorias: ciências, estratégia, estudos & pesquisas, executivos, gestão, inovação, marketing, redes sociais, social network, tendências, trends & insights

    A descoberta do conhecimento estratégico no oceano complexo

    Pensadores da economia e da sociologia como Peter Drucker e Manuel Castells identificam o nosso tempo como a Era da Informação: período pós-industrial caracterizado pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs).

    Nesta era, por meio de uma evolução digital frenética que molda as nossas vidas cada vez mais em rede, indivíduos e organizações são diariamente bombardeados por mais dados do que podem absorver e interpretar.

    Enquanto preciosas possibilidades de conhecimento estratégico subjazem os dados que nos circundam, sua massividade e interligação são tão complexas que muitos nem ousam aventurar-se nos seus tesouros ocultos. Todavia, navegar é preciso.

    Não deixo de surpreender-me quando pesquisas  indicam que aproximadamente 90% dos dados disponíveis na web foram criados apenas nos últimos dois anos (!), e que 80% dos dados disponíveis são de natureza não estruturada. Uma fonte de informação (como a textual) tão rica quanto ambígua, que adiciona mais complexidade e incerteza à aventura contemporânea.

    Esse fenômeno é consequência de uma sociedade interconectada, que deixa cada vez mais marcas, voluntárias e involuntárias, das suas interações cotidianas. Cada vez que realizamos uma ligação, usamos o cartão de crédito ou navegamos na internet, os nossos passos digitalizados são armazenados em algum servidor localizado em qualquer lugar do planeta, como silenciosas testemunhas dos atos cotidianos.

    São sinais que possibilitam, pela primeira vez em grande escala, entender em profundidade o comportamento humano no seu contexto, ao mesmo tempo que nos faz refletir sobre as consequências éticas do encolhimento do mundo e a sua progressiva transformação em um big brother globalizado.

    O DESAFIO DE NAVEGAR NA COMPLEXIDADE

    No contexto empresarial, o cenário atual impõe o enorme desafio de navegar na complexidade do ecossistema de negócio e suas redes de relações complexas, com o objetivo de descobrir conhecimento estratégico que suporte a tomada de melhores decisões em um tempo reduzido. Quem conseguir essa façanha poderá certamente descobrir oceanos azuis de maneiras minuciosamente planejadas.

    Ansiedade e confusão são sentimentos cada vez mais comuns nos executivos de diversas áreas e segmentos, tal como mostra o Estudo Global com CMOs feito recentemente pela IBM. Este estudo menciona que 71% dos CMOs no mundo se sentem despreparados para lidar com a explosão de dados atual, sendo a sua principal preocupação a qualidade da interpretação para a tomada de decisões estratégicas.

    Em maior ou menor medida, todas as áreas de uma organização compartilham esta preocupação contemporânea e, para preencher este gap de conhecimento é preciso ir ao encontro dos últimos avanços da Ciência das Redes e da Inteligência Artificial aplicadas às organizações. Duas áreas de crescente importância e que contam com um poderoso ferramental analítico e preditivo para os tempos que correm, sem deixar de mencionar a fundamental importância da condução e interpretação humana.

    DA ERA DA INFORMAÇÃO PARA A ERA DO CONHECIMENTO

    Em suma, precisamos transcender a Era da Informação e atingir a Era do Conhecimento. Para isso, devemos nos aventurar a navegar na complexidade utilizando sabiamente novas e velhas técnicas de exploração (exploration) dos dados e explotação (exploitation) do conhecimento; aprender a extrair conhecimento estratégico do mar de informações internas e externas (muitas vezes o próprio CRM ou o repositório da memória organizacional já representam um campo de informação inexplorado) e integrar nas nossas análises os ambientes onlineoff-line, uma vez que as fronteiras são cada vez mais porosas e interligadas.

    Nos próximos posts (este é o primeiro de muitos), falarei sobre poderosas ferramentas e casos exemplificadores de como navegar na complexidade no mundo empresarial.  Até a próxima!

    » Comentários

    • claudio

      12/11/2011 -

      Parabéns , muito bom; abraços.

    • Eurico Criaviva

      14/11/2011 - facilitadordeworkshopdeinovacao.blogspot.com/

      Acredito que já tá na hora de migrar
      – da Era do Conhecimento Explícito (TIC)
      – para a Era do Conhecimento Tácito (Intuição)
      Para isso podemos recorrer a Poderosas Ferramentas:
      – Método de Análise e Síntese (Euclides Sec. III a.C.)
      – Método Socrático ou Maiêutico (Sec. IV a.C)
      E tendo Atitude:
      – Acreditar nas Pessoas
      – Acreditar e Saber explorar a Intuição

    • jose eugenio grillo

      14/11/2011 -

      As soluções através de poderosas ferramentas para o “how to” do mundo empresarial não garantirão nenhum sucesso se não houverem pessoas preparadas para buscar, identificar e explicitar o conhecimento que será estratégico. Tanto cada vez mais rápido quanto cada vez mais intencionalmente certeiro. O mundo empresarial terá que conviver com mais incertezas. Concordo, em grande parte, com o comentário anterior (Eurico Criaviva)

    • Ignacio García

      14/11/2011 - www.treeintelligence.com

      Caros Eurico e Jose. Obrigado pelos comentários.

      As ferramentas que utilizemos para extrair conhecimento estratégico num contexto de crescente complexidade e disponibilidade de informação, dependerão de metodologias e tecnologias tão sólidas quanto diversas. Mas, sobretudo, de pessoas que as apliquem de maneiras cooperativamente inovadoras.

      Métodos surgidos no começo da civilização ocidental continuam sendo fundamentais para todo o processo de descoberta de conhecimento.

      Todavia, acredito que novos ferramentais (pensados para melhor entender os sistemas complexos, como os ecossistemas de negócios atuais) são necessários, uma vez que grande parte dos conhecimentos que emergem do estudo de sistemas complexos são de caraterísticas “contra intuitivas”.

    • Eurico Criaviva

      14/11/2011 - facilitadordeworkshopdeinovacao.blogspot.com/

      Interessante…
      Concordo que para uma Gestão Estratégica necessitamos de Conhecimento Estratégico obtido através de Metodologias e Técnicas Sólidas.
      Mas quando falamos de Design da Inovação necessitamos mais de Conhecimento Tácito e Intuitivo, obtido através de Pessoas e Ferramentas Heurísticas e não podemos dispensar o Teste ou Protótipo no final do processo, pois a Intuição nem sempre garante o melhor resultado, mas geralmente gera excelentes pistas para as grandes Inovações.

    • Ricardo Coelho

      17/11/2011 -

      Vivemos, atualmente, num contexto histórico onde somos inundados cada vez com mais informação a uma velocidade cada vez maior.
      Informação é a matéria-prima do conhecimento. Muitas organizações no século XXI terão obrigatoriamente que repensar a forma como tratam a informação. Ter informação guardada num repositório qualquer, seja ele informático ou até mesmo na memória de qualquer pessoa, não é suficiente para ajudar a tomar as melhores decisões. A análise de informação (ferramenta do conhecimento) é essencial no processo do tratamento de informação que gerará o conhecimento.
      George Orwell no livro que publicou com o nome de “1984” fez uma excelente abordagem ao conceito Big Brother. É uma realidade constante ao longo da história da humanidade. Informação é poder. Quem detém mais informação tem sempre vantagem competitiva com quem tem menos informação. O Conhecimento gerado pela informação foi sempre ao longo da humanidade uma vantagem perante os concorrentes ou adversários.

    • Paulo Nehme

      17/11/2011 -

      Prezado, nosso ponto de vista já está ultrapassado. A nova geração adquire conhecimento assim como respira, a sabedoria para utilizar este conhecimento já está sendo percebida por eles.
      Bonito texto, mas inócuo. A genialidade está em alcançar a simplicidade do complexo.
      A propósito, não entendi direito o objetivo da explanação.
      Sugiro um Livro.

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