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    Daniel Domeneghetti

    20/10/2011
    às 19:28

    Categorias: competitividade, economia, empresas

    O Futuro do Brasil está em exportar valor

    “De que maneira nós podemos concorrer pra grandeza da humanidade? É sendo franceses ou alemães? Não, porque isso já está na civilização. O nosso contingente tem que ser brasileiro. O dia em que nós formos inteiramente brasileiros, só brasileiros, a humanidade estará rica de mais uma raça, rica duma nova combinação de qualidades humanas”

    Resposta de Mário de Andrade a Drummond

    Estamos na Era do Conhecimento e o Brasil precisa ser competitivo em Conhecimento para ser ator de relevância global daqui para frente. Definir essa rota é o nosso maior desafio, pois o Brasil, como qualquer país, pode ser comparado, guardadas as proporções, a uma “empresa” e, como tal, precisa ter uma orientação estratégica de longo prazo.

    O ponto crítico é que planejamento para países envolve vidas humanas, bem estar social, qualidade de vida e assuntos delicados como fome, miséria, pobreza e violência. O Governo tem na sociedade seu maior cliente, seu maior fornecedor… e também seu sócio.

    Então, como vamos competir daqui para frente? Pensar em crescer somente exportando é muito simplista. Produtos quase não têm mais valor agregado. E os serviços agregados a eles, atual fonte de diferenciação, também estão perdendo seu poder de diferenciação.

    Como transação (compra e venda) é atividade humana, sem diferencial não há percepção de valor. Por isso, o Brasil precisa exportar intangíveis – exportar Conhecimento Competitivo como valor agregado de nossos produtos e serviços é a melhor estratégia de longo prazo.

    Podemos, por exemplo, ser líderes em exportação de:

    • Know-how Financeiro – um dos mais desenvolvidos do mundo, tanto em termos de sistema financeiro, com em E-Banking, por exemplo;
    • Criatividade – nossa indústria publicitária é uma das quatro melhores do mundo;
    • Raízes, Valores Nacionais, Autenticidade – refletidos, por exemplo, em setores como moda/indústria têxtil;
    • Cultura e Arte – inegavelmente reconhecidos no mundo como ímpares;
    • Pessoas – sim! pessoas, como empresários, banqueiros, executivos, atores, músicos, cantores, artistas, esportistas, líderes, gurus, médicos, escritores, economistas, arquitetos, jornalistas, analistas, etc;
    • Relacionamento – somos o povo reconhecidamente bom na arte de se relacionar, atender, servir e isso ajuda sobremaneira setores como turismo e contact center (offshore)
    • Inteligência e lógica de sistemas e software – uma vez que temos excelentes engenheiros, analistas, programadores, desenvolvedores – vide os cases de E-Gov (ocupamos o oitavo lugar no ranking mundial), E-Commerce (líderes mundiais em vendas de veículos pela Internet), voto eletrônico e entrega de IR pela Internet,
    • Pesquisa e Ciência – nossos pesquisadores, acadêmicos e cientistas estão pelo mundo todo, trabalhando em projetos em setores como biogenética, robótica e alta tecnologia;
    • Capacidade Produtiva – reconhecida em nosso imenso parque industrial, capaz de ser competitivo de aviões e sapatos;
    • Bens Sustentáveis – nossa agricultura é fonte inesgotável de riquezas e divisas para o país e podemos aproveitar o momento relevante de nossos ativos ambientais para construirmos posição global (ex. etanol, papel reciclado, etc);
    • Turismo e Entretenimento – onde o Brasil tem tudo para ser o país mais rico do mundo;
    • Solidariedade e Cidadania – basta ver o profissionalismo de nosso 3o setor;
    • Democracia – temos dado aula para o mundo (ex: o governo de transição foi um exemplo de maturidade política de nosso país).

    Os elementos acima são alguns de nossos ativos nacionais intangíveis, que valorizam a MARCA BRASIL no mundo, comprovando que somos muito bons não só em adaptar conhecimento, mas também em criar conhecimento autêntico. Acredito em abertura e na genialidade do E (internacional E nacional) e não na idiotice do ou (nacionalismo cego OU valorização exacerbada de tudo que vem de fora).

    E temos na mão o fator “190 milhões potenciais consumidores”, que mesmo com toda parcimônia e realismo exigidos, pode se constituir, em parte, no ativo competitivo brasileiro mais importante da era global. Europeus, japoneses e americanos estão superlotados de oferta. O futuro do comércio está na China, Índia, Rússia, México e Brasil. Temos de saber usar essa barganha, trocando importações (tão importantes para a economia dos países desenvolvidos) por exportação de conhecimento, produtos e serviços (tão importantes para nossa economia).

    Somos o país da flexibilidade e da adversidade convergente, um milagre racial, religioso e político. Estamos nos assumindo cada vez mais como competentes. É nisto que acredito: Knowledge made in Brazil – for the world.

    Visão ECC de presente para o Brasil:

    · Estamos na Era do Conhecimento.

    · Conhecimento será o principal ativo competitivo dos indivíduos, empresas e países.

    · Se isso é verdade, o Brasil precisa se capacitar para competir globalmente dentro da lógica do conhecimento.

    · Isso é: criar conhecimento próprio, saber exportar conhecimento próprio de forma lucrativa e saber adaptar conhecimento externo à nossa realidade.

    Visão ECC para o futuro do Brasil:

    · Acreditamos que o Brasil tem obrigação de assumir liderança como player globalmente competitivo na Era do Conhecimento.

    · Precisamos começar a assumir essa responsabilidade e esse desafio. Brasil, China, Rússia, México, Índia, África do Sul junto com as demais potências globais.

    · Precisamos, antes de tudo, ter a grandeza de reconhecer e nos orgulharmos de nossos valores, independente do campo de conhecimento, atuação ou especialização.

    » Comentários

    • joao

      21/10/2011 -

      concordo 90% menos com a ideia de democracia ainda estamos engatinhado, tipo o bebe esta em faze de cresciemento, democracionismo

    • Victor

      26/10/2011 - www.hsm.com.br/blog/2011/10/o-futuro-do-brasil-esta-em-exportar-valor/

      só não concordo com a DEMOCRACIA, pois o nosso pais precisa rapidamente de um reforma politica, ai sim depois desta faxina na administarção publica podemos crescer mais ainda.

    • Leonardo Rosa

      27/10/2011 - www.facebook.com/mkt.leo

      Parabéns pelo artigo Daniel, concordo plenamente com suas idéias.
      E o melhor de poder ler tudo isso, é saber que fazemos parte dessa cultura incrível de pessoas e que estamos construindo uma nação que irá muito além de nossos sonhos.
      Em relação a nossa democracia, acredito que temos instrumentos muito bem estruturados para exercermos ela com soberania.
      O grande problema para mim é apenas a cultura da corupção.
      É vergonhosos neste país vermos 5 milhões de pessoas fazendo a parada Gay, 2 milhões de pessoas na marcha da maconha (nada contra estes manifestos) e quando devemos mobilizar uma grande marcha contra a corrupão, aparecem apenas 7, 10 mil pessoas.
      Continue postando artigos de qualidade Daniel. Mais uma vez, muito obrigado pela contribuição.

    • Antonino Salvatierra

      27/10/2011 -

      O tema é de muita discussão Daniel. Gostei muito quando você considera o Brasil como uma Empresa. Realmente uma empresa para permanecer competitiva precisa ter atitude e postura. Eu diria que estamos pecando em formar liderança política que tenha principios éticos, comprometidas em defender a verdade e determinadas em promover mudanças sociais.
      Antonino Salvatierra – Consultor Empresarial

    • Matheus Martins

      09/11/2011 -

      Bonito, mas não podemos falar apenas das qualidades. Vejo potencial produtivo, mas atualmente nossa produtividade é muito baixa — pense em Coréia, China e até mesmo EUA. Além disso, nossos custos são muito altos, o que me faz lembrar do nosso sistema tributário, que precisa de reforma urgente, mas faltam políticos e técnicos capazes de realizarem tal reforma. Pra fechar, precisamos estimular mais pesquisa e desenvolvimento: nossas mentes brilhantes encontram melhores condições em países/empresas concorrentes e estão gerando valor para eles.

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