-
.
Adriana Gomes
11/07/2011
às 08:22Categorias: autodesenvolvimento, ciências, internet, tecnologia, tendências, trends & insights
Todo mundo quer ser Geração Y
Já percebeu quanta gente se autoclassifica Geração Y?Com todo respeito, outro dia, em uma reunião com executivos, um senhor quase sexagenário se autointitulava Geração Y. Está na moda e a gente sabe que a moda consome, devora o conceito e regurgita o pouco que sobra, a aparência.
Parece que ninguém quer ficar de fora. Ser Y virou uma espécie de desejo de consumo de muita gente. Mais do que uma geração, estamos falando de um estilo de vida, de um conjunto de atitudes.
Há tentativas de definir a geração Y. Entre elas, o artigo da Wikipédia que diz o seguinte:
“A Geração Y, também chamada geração do milênio ou geração da internet, é um conceito em sociologia que se refere, segundo alguns autores, à coorte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década 1990, sendo sucedida pela geração Z.
Essa geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. Os pais, não querendo repetir o abandono das gerações anteriores, encheram-nos de presentes, atenções e atividades, fomentando a autoestima de seus filhos. Eles cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades, fazendo tarefas múltiplas. Acostumados a conseguirem o que querem, não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira e lutam por salários ambiciosos desde cedo.” (O grifo é meu.)
Apesar da definição, vejo pessoas com mais idade e com a mesma atitude. Ou seja, baixa tolerância à frustração, imediatismo, ambição desmedida, dificuldade de lidar com processos e com pressão, dificuldade para lidar com normas e regras, com limites de horários, busca de “individualismo” ou informalidade na forma de se vestir. Também noto alguns que questionam muito pouco sobre aspectos mais relevantes e significativos em relação aos objetivos de vida e autoconhecimento, apesar de adotarem postura de algum interesse sobre sustentabilidade – atitude que, de fato, mais cobram do que praticam.
Há um artigo baseado na pesquisa realizada pelo Professor Jean Pralong da Escola de Negócios em Rouen na França, com o qual simpatizo muito, que afirma o seguinte: “Não há diferença de gerações entre as atitudes das pessoas no trabalho”.
Na definição do professor, Geração Y é o título dado para distinguir as pessoas nascidas entre 1978 e 1994 e que são muitas vezes caracterizadas como tendo facilidade com tecnologia e atitude egocêntrica cínica no local de trabalho.
O estudo intergeracional realizado pelo Professor Pralong foi realizado com 400 participantes de formações semelhantes, variando de alunos até trabalhadores assalariados com 60 anos. O estudo mostrou que as atitudes no local de trabalho e ideias sobre carreiras da Geração X (nascidos entre aproximadamente 1959 e 1981) e da chamada geração Y são as mesmas.
O estudo mostrou que não existe diferença entre 25 anos de idade e 45 anos de idade no trabalho. Isso mostra, portanto, que no plano científico, “a Geração Y não existe”, afirma Pralong. O estudo foi publicado na Revue Internationale de Psychosociologie em 2010.
Quem ganha com a tal geração Y? Esta é uma pergunta que costumo fazer: A quem interessa? Quanto se fatura sobre as atitudes – ou falta delas -, desejos, angústias, dúvidas em relação aos jovens e aos não tão jovens assim, que buscam uma ideologia para viver?
A desculpa para alguns comportamentos está pronta, explícita e até reconhecida publicamente. Já ouvi pessoas dizendo: “Você vai ter que se acostumar porque eu sou Geração Y”.
Dorme com esse barulho!
» Comentários
-
André Cruz
11/07/2011 -Há dias, assisti a uma palestra no CONAREM aqui no Rio sobre Geração Y.
Na verdade, gostaria de ter assistido a essas discussões no começo da era cristã e retirando a parte tecnológica talvez os desafios sejam os mesmos. -
Francisco
11/07/2011 -Artigo provocador, questionados, estimulante.Como e fácil aceitar conceitos e definições sem questionamento. Muito oportuna a sua pergunta ” a quem interessa?”. Ótimo artigo, como sempre. Sou seu fã.
-
Francisco
11/07/2011 -Esqueci de incluir que, para buscar qualquer semelhança com a Geração Y leia Dostoievsky – séc XIX.
-
Paulo Amaral
11/07/2011 - pauloamaral.blog.brMuito bom artigo.
Estes rótulos midiáticos impostos são uma perda de tempo e energia.
A sociedade levanta a bandeira contra rótulos e preconceitos, contudo faz o inverso – teima em rotular a tudo e a todos como uma maneira distorcida de dar significado as coisas. Algo meio hipócrita …não acha ?
Daqui a pouco pareceremos “gado” rastreado com ” brincos” identificadores. -
Luciana Sendyk
12/07/2011 - www.loloh.com.brAdorei a matéria! Assino embaixo.
-
Jesu Joptemar Damacena
12/07/2011 -Há dias venho acompanhando comentários sobre o tema na TV, rádio e incusive nas redes socias, mas até agora não compriendi para que veio e para onde vai essa tal geração Y? Talvez seja por isso que tem sido tão difícil alavancar minha carreira na atual empresa?
-
Romero Faria
14/07/2011 -Ótimo artigo. Me fez lembrar que quando tinha uns dez anos achava que o mundo havia siido criado na minha época, e que o antigo era tão antigo que se perdia no tempo.Administração tem isto: se cria novo rotulo para o antigo a cada momento, penso que por ignorância ou pior, por esperteza para fazer dinheiro. Cuidado com o novo na área de conhecimento humano, em geral, como a vida, ele é bem antigo… .
-
Thiago de Assis Silva
17/07/2011 - www.domsp.com.brOlá Adriana,
Artigo provocador hein?! Vou refletir sobre e ele e, em breve, emito minha opinião.
Por ora, o que mais me chama a atenção é o fato de que a popularidade do tema pelo menos tem sido benefíca ao estimular a reflexão e o auto-conhecimento dos envolvidos.
Abs
Thiago de Assis Silva
DOM Strategy Partners -
Eduardo Tardin
17/07/2011 -Muito díficil rotular os jovens dessa epóca… Não temos mais o conceito de vida de antigamente… queremos tudo no presente e muitas vezes os objetivos mudam muito rápido, buscamos uma ascenção social rápida e queremos sentir o prazer da conquista muito cedo… mas nem todos pensam assim… bom acho que fico com o seguinte pensamento: “Precisamos amadurecer o que sentimos e controlar esses anseios de uma sociedade que está se tornando cada vez mais mimada e se esquecendo de alguns valores muito importantes”
-
Luis Luzardo
18/07/2011 -Concordo com o conteúdo do blog. Mais importante do que rotular as pessoas que nasceram entre 1960 e 1995 é avaliar com profundidade as grandes transformações sociais, culturais, econômicas e tecnológicas ocorridas neste período. Valorizo muito mais as pessoas que se adaptam ao momento, independente da idade, do que ter que aceitar perfis inflexíveis, presos a estereótipos da moda ou do marketing.
-
Paulo
18/07/2011 -Se existe a geração Y, então também tem a A, a B, a C, a D, a E, … e a tal da Z. Será que existirá também a AA, a AB, a AC, a AD e até a ZZ?? Depois virão AAA, AAB, AAC e finalmente a ZZZ. Acho que depois teremos algo assim: AAAA, AAAB e vamos cair na ZZZZ e depois (dormir ZZZZ…) eternamente em berço esplêndido.
Precisamos de teoria que nos ajude e não aquelas que são empecilho para tornarem as pessoas piores. Esses tipos de teoria são absurdos. Não se pode generalizar nada nessa vida, ainda mais quando se fala de Pessoas.
Por que sempre é necessário enquadrar as pessoas em algum critério estúpido? Como se alguém fosse melhor que outrem…
-
Ivo Tobias Wagner
20/07/2011 -Adriana:
parabéns pela qualidade da sua análise e por buscar as referências que mostram a fragilidade deste conceito, para nao dizer sua inexistência
Tenho insistido que o binômio valores clramente definidos que entrem na seara dos comportamentos esperarados, e um RH mais atuante, deve ser o guardião de literamente planificar comportamentos inadequados nas empresas, contando inclusive com os demais gestores, pois vamos combinar….trabalhar com gente arrogante e mal comportada,,,,NINGUÉM MERECE!
-
Sergio Falque
20/07/2011 -Tema propicio, excelente artigo. Concordo com o Paulo Amaral, teorias criadas pela midia nos levando a perder tempo. Muito bem lembrado por vc Adriana a questao da sustentabilidade…muito cobrada por todos e minimamente praticada por todos.
-
Andre Santiago
21/07/2011 -Pegar pequenos grupo não dá certo, como 400 em ambiente de trabalho, cabe lembrar daquele experimento com macacos onde condicionaram macacos com eletrocoque para que não pegassem bananas de um determinado local, e começaram a trocar o grupo de macacos um por um até que os macacos do início do experimento fossem todos retirados do local, porém a memória do inicial para que não pegassem bananas naquele local específico permaneceu no grupo.
A tentativa de rotular de maneira geral é para orientar o Marketing a vender, fica mais fácil inserir palavras, imagens etc em propagandas direcionadas para determinados grupos do que tentar emplacar algo novo.
Pessoas continuam com expectativas, vontades, ambições, querendo reconhecimento do seu esforço e principalmente querem jogo limpo, ou seja, regras claras.
Não adianta o empregador querer fidelidade e obediência caninas, isso não existe mais, todos dessa geração Y jogaram video game, que é uma espécie de xadrez, e assim tiveram a oportunidade de fazer uma antecipação dos passos que iriam dar no futuro, ou seja, simularam, sendo assim desenvolveram a habilidade de fazer uma previsão do futuro e assim se algo não está saindo do jeito que idealizaram, como no video game, mudam o estilo de jogar.
É o comportamento dos jogadores de video game, contudo é um complicador no ambiente de trabalho que não tem um reset para jogar novamente, ou continuar da onde parou, teremos que lidar e tentar mudar esse tipo de comportamente inadequado.
Que tal começarmos a sintonizar as escolas com essas novas necessidades, pois o descompasso é gritante entre escola e sociedade.
Deixar para depois é só inviabilizar o futuro, e comportamento, como na experiência dos macacos, pode sim ser moldado, veja que o video game fez isso!!! -
Marcelo Alcantara Whately
21/07/2011 -Adriana,
esse estudo citado do Prof. Pralong está em inglês em francês?
Você poderia encaminahar?
grato,
Marcelo -
Geisa Bonfiette
23/07/2011 - https://twitter.com/GeisaBonfietteÓtima análise professora. Ser Y é estilo de vida. Ando mesmo preocupada com a geração Z!
-
Dalton Cortucci
25/07/2011 - www.brcoaching.com.brO comportamento Y é uma realidade por um lado, mas serve de desculpa pelo outro. Em minha casa tenho claríssimos exemplos do pensamento e da forma de conduzir as coisas dos Y. Isso nada tem a ver com temperamento, mas com a força que a cultura impõe ao forjar a personalidade. Mas como você bem colocou, sempre existirão pessoas desorientadas em seus objetivos e propósitos, as quais aderem aos modismos de época desde que causem boa impressão . Essa adoção puramente conveniente à bola da vez, nada tem a ver com a personalidade. É fruto exclusivo de temperamento. Parabéns pelo artigo Adriana.
-
Pedro Sadala
28/07/2011 -Faz alguns meses que encontrei no site da Box1824 um vídeo FENOMENAL sobre as gerações.. acho que todo mundo deveria assistir! o vídeo está no vimeo: http://vimeo.com/16641689 podem procurar também diretamente no site com o nome: We all want to be young.
-
Edivaldo Marcos de Souza
28/07/2011 -Parabéns pela matéria.
Trabalho com pessoas a mais de 20 anos, portanto já me deparei com pessoas de todas as “gerações” e tenho comigo o seguinte: O que diferencia uma pessoa da outra é o meio ambiente onde ela foi criada ou onde ela vive e também seus objetivos na vida. Não importa se ela nasceu em 1950 ou em 1990. Tem muito jovem com idéias ultrapassadas e vise versa. O que importa é a atitude de cada um com a vida. -
Marcos
29/07/2011 -Excelente post! Parabéns!
Fazer o que quer, criar, ser reconhecido, ganhar um salário melhor, será coisa só de quem nasceu de 78 pra cá? Claro que não!
Acho que anda tendo um certo exagero em tantas características associadas a apenas uma geração. E pior, a definição té de certas regalias que no fim, todo mundo gostaria, mas o mercado de trabalho não disponibiliza, afinal, trabalho é trabalho.
Falo isso apenas porque realmente penso em um certo exagero nestas reportagens, e olha que sou da tal Y, pois nasci em 78. -
Emerson de Lira Espínola
29/07/2011 - emersonespinola.blogspot.comNós sempre temos uma necessidade de nomear coisas, seja para “descoisificar” algo, seja para “facilitar” a vida e a comunicação. O que interessa é que independente de qual “Geração” você pertença, você saiba aprender das outras gerações os benefícios delas. Benefícios esses que podem entrar em choque com alguns valores seus ou da sua geração. Feliz a empresa que sabe aproveitar as qualidades e sabe lidar com todas as dificuldades de cada geração.
-
Fernando Petersen
29/07/2011 - www.propemark.com.br/2011/07/geracao-y-nativos-digitais-e-don.htmlTem um bom tempo que digo: “Geração Y tem nada a ver com idade, mas sim com atitude”. Você pode ser um idoso de 80 anos e ser mais Y do que um jovem de 20 anos. Tudo depende do ambiente em que o idivíduo está inserido.
É mais que obvio que um jovem esteja em maior número, afinal, ele está formando sua “cultura” ainda. Mudar a cabeça de uma pessoa com mais idade é muito mais complicado por diversos fatores, mas Geração Y, repito, tem nada a ver com IDADE.
Eu entendo mais o termo “Geração Y” como uma espécie de “síntese” do conjunto de palavras que podem definir quem convive com a tecnologia e, por conta dela, teve seus comportamentos modificados em relação a pessoas que não tiveram tal oportunidade (ou capacidade).
Está mais que visível a diferença de omportamento da atualidade em relação à década de 80, por exemplo. Dizer que o jovem não está mais impaciente, dizer que ter a capacidade de realizar múltiplas tarefas é utopia, dentre diversas outras características marcantes desta “nova geração”, é negar a evolução da sociedade.
Gostaria de pontuar também a pesquisa realizada na FRANÇA, em que a realidade em termos de acesso à tecnologia é um tanto diferente da brasileira. É capaz sim que jovens de 20 anos e adultos de 45 anos tenham comportamentos parecidos no ambiente de trabalho. Aqui no Brasil a realidade é diferente.., Importante pontuar também que não estou menosprezando a pesquisa, longe disso, estou apenas chamando a atenção para certos pontos que devem ser levado em consideração antes de finalizarmos as interpretações… Não tive acesso a pesquisa, então, só estou pontuando.
Em meu blog, eu coloquei uma entrevista dada pelo Don Tapscott. A quem interessar: http://bit.ly/plWXQF
-
Fernando Petersen
29/07/2011 - www.propemark.com.brAh sim! Esqueci de dar minha opinião quanto ao termo “Geração Y”. Também acho uma droga! Assim como qualquer rótulo… Uso o termo “Geração Y”, assim como “Geração C”, “Geração G” (Google), “Geração Z” (posterior a Y), dentre diversas outras “gerações letrinhas” apenas para facilitar a comunicação e “termos didáticos”…
-
Paulo Sérgio Amaral
10/08/2011 - pauloamaral.blog.brX,Y,Z …blá..bla..blá..que nada. Somos estas gerações por osmoze. Como o Edivaldo comentou, o que diferencia cada um é seu modelo mental ou modelo de mundo. Rotular é maneira de vender mais e influenciar as multidões alienadas com ” combos” pré estabelecidos.
-
Roberto Sakakibara
17/08/2011 -Parece que há uma necessidade de classificação e rotulação de tudo. Padrões de comportamento sempre existiu, na época de nossos pais, avós e etc. e sempre existirá. A questão é que, o mesmo comportamento percebido em um grupo de pessoas já recebe um rótulo, mas um grupo, ainda que grande não significa toda uma geração. Talvez não seja necessário classificar e rotular e sim entender e saber como agir hoje para que grupo que venha amanhã seja melhor do que o de hoje e assim por diante.
-
Carla Vivian
20/08/2011 - @meninamarketingHSM sempre é sinônimo de “conteúdo bom” na minha opinião, e este texto corrobora neste sentido.
Acredito sim que hajam diferenças nas gerações, afinal como bem observado por especialista em palestra e neste texto da wiki, a educação recebida enquanto criança (mais autoritária,ou mais relaxada) muito provavelmente fará crescer um adulto com atitudes diferentes. Isso não é algo de nossa época, de tempos em tempos jovens terão pensamentos diferantes dos adultos… só que agora demos um nome a isso.
Entretanto também acho que as pessoas atualmente tem valorizado tanto o ser Geração Y que quem o é, (não todos, eu não hehehe) já está se gabando demais por aí… só que os mais adultos também colaboram pra isso, ou falando da geração Y como algo novo e diferente ( que jovem não quer ser diferente?) ou dizendo que também são geração Y (ora, alguém mais adulto se dizer da geração Y está comprovando que ser Y é algo tão bom que ele também se inclui)
Parabéns pelo texto Adriana Gomes!
-
Gustavo Campos
31/08/2011 - www.pensadormercadologico.comAdriana
Bom post, parabéns.
Resolvi lhe escrever pois muitas das idéias que colocaste eu defendi em um texto bem polêmico, de muita audiência e debate, no blog do pensador mercadológico. Se quiser ver vai o link: http://wp.me/pI6RC-UZ . Eu coloquei o seu link nos comentários do meu post.
Até breve
Gustavo Campos
-


