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Mariá Giuliese
20/07/2011
às 17:11Categorias: autodesenvolvimento, estilo e comportamento, executivos
De quem é essa carreira?
Certa vez atendi um profissional que, no auge de seus 38 anos, percebeu que havia algo estranho em seu trabalho. Casado, pai de três filhos, diretor financeiro de uma grande empresa, ele cumpria sua rotina de trabalho com precisão até que começou a desenvolver fortes dores de estômago. Os médicos disseram que era gastrite nervosa, provavelmente desenvolvida em decorrência de estresse. Alguns exames foram feitos e um medicamento para controlar os sintomas foi receitado. Seguindo as recomendações médicas começou a se tratar. A dor melhorava, mas não desaparecia. Programou suas férias com a família e nada de a dor desaparecer. Encontrou um antigo colega de trabalho com quem compartilhou o que se passava e o colega recomendou que ele conversasse comigo.Nas primeiras sessões falamos sobre o que se passava naquele momento e nas sessões seguintes retomamos sua história profissional. Pedi que ele rabiscasse uma linha do tempo para analisarmos sobre como foi constituído seu caminho. E na sessão seguinte a isso ele me mostrou o esboço e explicou seu percurso.
“Fiz faculdade de engenharia de produção porque eu tinha o desejo de trabalhar em fábricas, com pessoas e máquinas, organizando sistemas de trabalho que fossem melhores tanto para os operários quanto para o empresário. Sempre pensei que seria ótimo conciliar interesses e aumentar a produtividade sem explorar pessoas. (…) No meio da faculdade comecei um estágio na própria universidade que me apresentou o mundo dos negócios por outro viés, a computação que naquela época ainda não era tão comum como hoje. (…) No final do curso fui obrigado a estagiar em uma indústria de tecidos, e assim que terminei o curso fui efetivado. Casei em seguida e em pouco tempo recebi uma proposta para assumir uma vaga no setor financeiro. Aceitei e a partir daí passei por outras duas empresas na área financeira até me tornar diretor como sou hoje. Mas olhando esse percurso com algum distanciamento fui obrigado a me perguntar: De quem é essa carreira?”
“Eu não me vejo nela. Abandonei o que me havia movido a estudar engenharia de produção, deixei meus valores fundamentais de lado. E agora me pergunto como me reencontrar se não me identifico com o que fiz até agora. Preciso mudar e penso que é essa a fonte das dores de estômago.”
Ele tinha razão. Durante anos foi levado a se mover de acordo com demandas externas a ele. E em momento algum parou para verificar o que ocorria internamente. Até que as dores de estômago começaram a incomodar o suficiente para que desconfiasse que havia algo errado em sua vida. Trabalhamos sua transição. E agora eu pergunto a você: De quem é a sua carreira? O que você tem feito da sua vida? Quem decide seus passos profissionais: seu chefe, o mercado, o dinheiro ou você?
Repense sua carreira!
» Comentários
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Jaqueline Dulce Pacheco
20/07/2011 -Muito bom este texto, realmente…
Quantos profissionais estão no mercado sem realmente saberem a que veio e além de tornarem-se infelizes,e por fim,uma equipe inteira perde em performance pois não veem o reflexo no espelho que deveria ser da sua liderança. -
Alice Sosnowski
21/07/2011 - www.opulodogato.orgMuito bom! O artigo nos mostra que temos que pensar nisso sempre e quando já não é “tarde demais”. Sempre podemos mudar, claro! Mas pq nao evitar dores de estômago e principalmente na alma se nos avaliarmos desde o início da nossa trajetória profissional.
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Aline Pinzon
21/07/2011 -Excelente matéria.
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Denis Pereira
28/07/2011 -pra refletir
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Thiago de Assis Silva
28/07/2011 - www.domsp.com.brOlá Mariá,
Instigante seu artigo hein?! Gostei muito!
Abs
Thiago de Assis
DOM Strategy Partners -
Ana
29/07/2011 -Muito interessante! Mas como fazer isso? Seria muito bacana se exemplos praticos e tecnicas q me ajudem a fazer isso fossem descritas no artigo.
Grata -
José Pinto Neto
29/07/2011 -Excelente artigo!
Sempre que o corpo começa a dar sinais negativos devido ao stress, temos que repensar se vale a pena pagar esse preço! -
Fernanda
29/07/2011 -Embora eu tenha gostado do texto, não acho tão fácil trocar de carreira depois que já desenvolvemos uma história em outra coisa. No que ficou de história ficou nossa marca, no que ainda não fizemos, não temos o que mostrar para sermos contratados…
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