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    Adriana Salles Gomes

    18/02/2011
    às 11:31

    Categorias: gestão, hsm management

    Revista especial “Brasil: Presença na Gestão que Dá Certo”

    Ontem, no final da tarde, entrou em gráfica a revista especial do Movimento “Brasil: Presença na Gestão que Dá Certo”, que está mostrando as melhores práticas da gestão brasileira. É o produto de um trabalho que começou em outubro de 2010. (Na minha cabeça, começou antes até, em julho.) Não sei quantas pessoas têm noção das minúcias (e das armadilhas) de um trabalho assim – só digo que é tanta complexidade que quem não é do ramo costuma se apavorar.

    Depois que já houve um trabalho inicial de quatro etapas (definir o escopo do projeto, o conteúdo específico a ser abordado, a linha editorial –como abordá-lo– e o projeto gráfico), começou a produção da revista especial propriamente dita, com as seguintes etapas de trabalho para cada uma das matérias, etapas essas que se sobrepõem:

    1) É realizada uma primeira pesquisa para a pauta, ser a distribuída aos repórteres. Não estamos falando em pesquisa de internet. Estamos nos referindo a fontes diversas, de publicações do mercado editorial, acadêmicas e de firmas de consultoria, nacionais e estrangeiras (até porque não pesquisamos apenas as empresas; quisemos saber também sobre práticas, instrumentos e filosofias de gestão)

    2) Uma segunda pesquisa preparatória é feita pelo repórter (cada um deles) para burilar sua pauta. São repórteres qualificados, especialmente contratados. Mas como são menos acostumados com essa visão mais técnica da HSM, requerem um treinamento (informal na maior parte) no nosso olhar.

    3) É definido o espelho zero da revista, estabelecendo o que vai em cada página.

    4) São marcadas as entrevistas – essa parte é um verdadeiro suplício, porque as agendas dos gestores e dos especialistas consultados, como vocês bem sabem, são concorridíssimas.

    5) Realizam-se todas as entrevistas e visitas necessárias às empresas, além de coletados os dados adicionais, extra-empresas, de que precisamos. Essa parte consome bastante tempo e tem muito vai-e-volta, porque os repórteres vão trocando dificuldades e dúvidas com os editores, e muita coisa precisa ser reapurada e checada. Em paralelo, as imagens vão sendo produzidas e providenciadas.

    6) Os textos vão sendo produzidos pelos repórteres e entregues ao editor adjunto, assim como as fotos; o coordenador fica no pé de cada um, atualizando o status do trabalho, fazendo as cobranças necessárias.

    7) Depois de tirar dúvidas com o repórteres e pedir algumas reapurações e reescritas, o editor-adjunto faz uma primeira versão em programa word e envia à revisão ortográfica.

    8 ) Esse material volta da revisão e as emendas sugeridas que não são meros erros de digitação se submetem à aprovação do editor-adjunto que, então, envia o texto à agência de design para diagramação, juntamente com as fotos.

    9) A agência monta o material no programa Indesign no número de páginas estabelecido no primeiro espelho, fazendo inclusive as artes (infográficos, tabelas, timelines etc.). Conforme o rendimento de cada matéria, que pode ficar maior ou menor do que o previsto, pode haver alteração do tamanho de cada matéria , o que requer adaptações e a elaboração de um espelho final. Há estouros de texto a cortar, acertos de linhas que ficaram curtas demais, ajustam-se os parágrafos muito longos, fazem-se os destaques de textos (que chamamos de “olhos”).

    10) O arquivo Indesign de cada matéria segue para a editora-executiva (eu, no caso), que faz ou pede suas mudanças tanto editoriais como no que diz respeito a imagens e diagramação. Se necessário, a editora pede a complementação de informações aos repórteres ou fala ela mesmo com as fontes (os entrevistados) nas empresas e instituições acadêmicas. Também há uma nova rodada de busca de imagens.

    11) Os arquivos eletrônicos são impressos em papel, monta-se um boneco (com espiral, com as páginas na sequência certa) e esse boneco da uma pré-revista vai para a leitura da diretoria da HSM e da coordenação do projeto, além de passar por nova revisão ortográfica.

    12) As eventuais novas emendas passam por avaliação e consolidação dos editores que, se necessário, voltam aos repórteres pedindo mais dados. Como isso ocorre simultaneamente com várias matérias, cada uma com uma necessidade específica, o coordenador conrola esse fluxo.

    13) Os diagramadores passam as emendas do papel para os arquivos eletrônicos, depois que se bateu o martelo sobre as emendas, e elas são conferidas, em uma terceira e última revisão ortográfica, porque toda nova digitação pode gerar um novo erro. Repetindo, como isso ocorre simultaneamente com várias matérias, cada uma com uma necessidade específica, o coordenador conrola esse fluxo.

    14) Os editores vão para a agência de design olhar a publicação inteira final, para conferir se não há nenhum detalhe que passou despercebido, que pode ser uma mera falha em um crédito de foto ou uma palavra deselegantemente repetida duas vezes na mesma frase sem que isso seja intencional (para dar clareza a uma ideia ou enfatizá-la).

    15) Os arquivos são liberados, A REVISTA ESTÁ PRONTA!!! Criam-se todos os pdfs e eles são “subidos” no site da gráfica. A equipe quase levanta os braços como ocorre na Fórmula 1 quando há troca de pneus no pit stop.

    (Nem falei de tudo, porque pulei a etapa da definição da capa. E não acabou, porque há a produção gráfica de acompanhamento, depois todo o trabalho de distribuição…)

    Como vocês veem, é um processo organizado mas extremamente artesanal e sujeito a um número gigantesco de stakeholders. E o dia que não for mais –como talvez já aconteça em algumas publicações que se contentam com a primeira versão de uma reportagem em nome da produtividade–, não ficará bom. No fundo, funciona como uma alegoria do que é uma gestão bem-sucedida, já que não pode priorizar a eficiência de tempo e de custos em detrimento da qualidade e da competitividade do negócio, e já que tem de envolver e motivar muitas pessoas diferentes.

    Em março vocês verão o resultado de todo esse esforço, mas quero agradecer aqui à maravilhosa equipe ad-hoc com que contamos que, além de extremamente profissional, competente e talentosa, não se deixou arrastar pelo estresse próprio de um trabalho dessa envergadura e complexidade. Obrigada, especialmente ao Ricardo, Paulo, Pati, Marcia, Carla, Daniel, Nara, Mariana, Anna Lúcia, Alex, Maurício, Beth, Laura, Marco, Wlad, Rodrigo, Gonzo, Fagner, Rose e Alessandra. Sem o pique de vocês, nada disso seria possível.

    » Comentários

    • Julio Claudio Gurgueira

      18/02/2011 -

      Ótimos esse esclarecimentos, para aqueles que acham que as coisas são feitas de qualquer jeito, e é só ter a idéia e pronto, sigam esse exemplo. Parabéns!!!

    • Claudinei Pinheiro

      18/02/2011 - www.hsm.com.br

      Muito bom Dri. E essa é só a primeira parte. Agora para que a revista chegue as bancas e as mãos dos assinantes é outro post desse. Parabéns!

    • Wlad

      18/02/2011 -

      Fiquei muito honrado em participar desse projeto. Obrigado e Parabéns a todos.

    • Andrea

      22/02/2011 -

      Adorei saber como é realizado o trabalho, pois muitas vezes quando vemos o trabalho pronto não temos ideia do que foi necessário para ter aquele resultado.
      Parabéns pelo trabalho.

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