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    Luiz Alves

    16/02/2011
    às 10:00

    Categorias: estilo e comportamento, sustentabilidade

    Quem entendia de sustentabilidade era a minha avó

    Não faz muito tempo que o termo sustentabilidade foi cunhado e surgiu como algo inovador, mas meus avós já praticavam atitudes sustentáveis há muitos anos. Primeiramente não se jogava comida fora. A pequena sobra de arroz do dia anterior se transformava em um saboroso bolinho no dia seguinte, o bife que sobrava virava um apetitoso picadinho.

    Quase todo quintal tinha um galinheiro e uma horta, assim, os alimentos orgânicos – outro modismo inventado em tempos recentes – eram produzidos pela maioria das famílias. Quando faltava “mistura”, bastavam dois ovos caipiras das galinhas do quintal um tomate e um ramo de salsinha da horta, pronto lá estava uma nutritiva omelete. Se o dia fosse especial um frango caipira propiciava um belo assado.

    A horta do meu avô, embora de tamanho reduzido, produzia de tudo: alface, almeirão, rabanete, pimentão, couve, berinjela, tomate, dentre outros legumes e verduras. Tudo isto sem utilizar nenhum agrotóxico ou adubo químico. O lixo orgânico (casca de frutas e de ovos) se transformava em adubo. Até os vasos de antúrios recebiam as cascas de ovos.

    A água utilizada pela família, em geral, provida por um poço era utilizada com critério e economia. A roupa era lavada no tanque e a água reutilizada para lavar o quintal, portanto, o reuso da água não é novidade como se apregoa atualmente, mas algo que a minha avó também já praticava.

    A sacola de lona que surgiu como novidade em tempos recentes, ficava sempre pendurada atrás da porta da cozinha e era levada pela minha nona na mercearia ou na feira. Nada de sacolas plásticas descartáveis, aliás, naquela época nada era descartável.

    As garrafas PET simplesmente não existiam e não fazia falta porque os vasilhames de bebidas eram de vidro e reutilizados sem nenhuma dificuldade. Todos, incluindo a minha avó, tinham a disciplina de levar o vasilhame à mercearia para comprar refrigerantes, cerveja, leite, etc.

    Embora com toda a simplicidade e muito menos oportunidades e opções, meus avós usavam os recursos que dispunham com consciência elevada, evitando o desperdício e reutilizando aquilo que era possível. Desde o papel usado para embrulhar o pão aos vasilhames de vidro e roupas, meus avós sabiam da importância de bem utilizar os parcos recursos que dispunham.

    Talvez seja uma boa situação para refletir sobre atitudes simples, mas que podem se tornar grandiosas e que facilmente estão ao nosso alcance. Somente na questão alimentação, é inaceitável o desperdício de alimentos não somente em feiras livres e supermercados, mas dentro de nossas casas, enquanto milhões de pessoas padecem de fome. Parece ser muito mais uma questão de atitude e consciência do que criar planos arrojados e difíceis de serem concretizados. É certo que individualmente podemos fazer muito, basta começar.

    » Comentários

    • gilvas

      16/02/2011 - gilvas.wordpress.com

      deveras: a sustentabilidade é algo clássico, vintage. contemporâneo é o consumismo, que vai devastando nosso planeta e nos proporcionando uma euforia vazia que alguns confundem com felicidade. meu pai mora em um sítio, que está reflorestando, com os recursos necessários e nada mais, e não está “na moda”. a moda, infelizmente, ainda é ser ignorante e desperdiçador.

    • Ana Paula Camargo Petroski

      27/03/2011 -

      É verdade, lembro-me da casa de meu avô com horta, galinheiro e muito ar puro….
      Com certeza somos moradores muito ingratos e insensatos com o planeta!!

    • josy

      09/09/2011 -

      Achei em seu texto tudo que estava querendo escrever, eu também tinha na casa de minha avó, galinheiro, horta, os mesmos cuidados com a água, minha avó dizia que quem passou por uma guerra aprende a não jogar nada fora, ainda bem aprendi muita coisa com ela e ainda aplico… mas também esqueci algumas , que bom você me lembrou… um abraço

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